Psicodélico: É hora de legalizar as drogas?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

É hora de legalizar as drogas?


Não adianta apenas combater os traficantes. É preciso também pensar no lado do consumo. O debate sobre a descriminalização das drogas é urgente

por Ralphe Manzoni Jr.

O tráfico de drogas é um negócio. E dos mais lucrativos, em qualquer parte do mundo. E, como todo negócio, ele é composto de fornecedores e consumidores. A ocupação do complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, pelo Exército brasileiro foi o primeiro passo para o combate do comércio ilícito de maconha ou cocaína, simbolizado pela imagem abaixo, na qual são queimadas as drogas apreendidas na operação. Mas a ação policial, transmitida ao vivo em ritmo do filme Tropa de Elite, atingiu apenas um elo dessa cadeia: a dos traficantes (os fornecedores).

Neste momento, foragidos, desorganizados e sem dinheiro, eles terão dificuldade de entregar a sua “mercadoria”. E, se o bem está escasso, a demanda não se alterou e permanece alta, a lógica de mercado é simples: os preços vão subir. Dessa forma, cria-se um importante incentivo para que mais pessoas entrem neste negócio. Afinal, quanto maior a lucratividade, mais “empreendedores” estarão dispostos a correr o risco. É preciso inverter essa lógica.
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Embora o assunto seja polêmico, o momento é mais do que adequado para debater a descriminalização das drogas. Não há sensacionalismo nesta discussão. Em primeiro lugar, não se conhecem sociedades sem drogas. Desde as primeiras civilizações, o homem sempre recorreu a substâncias alucinógenas. Por mais que se criem políticas restritivas, elas serão sempre consumidas, mesmo em países fechados e teocráticos, que a combatem a ferro e fogo.
Políticos sérios também defendem essa tese da descriminalização. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, é um deles. “Se continuarmos usando a lei para colocar usuários ou pequenos traficantes na cadeia, estaremos agravando a situação”, disse recentemente.
O ex-presidente mexicano Vincent Fox também apoiou a legalização, afirmando que a proibição não conseguiu reduzir a crescente onda de violência relacionada com o narcotráfico. Relatório da Comissão Latino-americana sobre Drogas e Democracia recomendou a descriminalização das drogas leves na região. No Brasil, projeto do deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) é uma rara oportunidade para colocar a legalização das drogas na pauta do Congresso Nacional.
O fato concreto é que a repressão, até agora, não foi eficaz no combate ao comércio ilegal das drogas. E isso tem significado o uso de grandes recursos do Estado. Esse dinheiro poderia ser investido em outras áreas, como em escolas, na educação e até mesmo no tratamento das pessoas dependentes quimicamente.
É preciso ressaltar que os exemplos de países que seguiram esse caminho são contraditórios. A Holanda, que permite o consumo de drogas em algumas áreas, debate atualmente se deve manter essa política, pois ela atraiu um tipo de turista indesejável ao país.
Em Portugal, estatísticas policiais mostram que, após a descriminalização, houve queda no número de crimes relacionados à ilegalidade da droga. O número de mortes por overdose também caiu de 400 para 290 por ano entre 2001 e 2006. A única certeza é que a sociedade precisa enfrentar a questão do consumo de drogas. E não é apenas prendendo traficantes que resolverá esse problema.
COMENTÁRIOS :
  • Luciano

    em 04/02/2011 20:39:08

    Realmente é incrível ver como ainda existem gente com a mentalidade retrógada de um Carlos Magno, deveria instituir pena de morte para pessoas caretas como você, ai sim o mundo seria um paraíso, pacífico e próspero !

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  • César Valle

    em 07/12/2010 12:59:52

    A maior droga de todas que prejudica familias inteiras é glamourizada pela mídia, o alcool. Curiosamente o alcool garante talvez o maior aporte de dinheiro para a mídia, 94% dos adultos de todo o mundo são alcoolatras em um nivel maior ou menor, mas essa droga é divulgada de forma ostensiva.

  • Matheus Hempadao

    em 06/12/2010 16:55:57

    O Sr. Carlos Magno faz jus ao nome que carrega. Nunca viu droga nessa idade reflete sua pequena experiência de vida. Mas o que mais assusta é seu autoritarismo e sede por sangue. Parabéns Istoé, reportagem que fala nada mais do que a verdade. A hipocrisia vai acabar logo e vamos legalizar a maconha.

  • Carlos Magno Cardoso

    em 06/12/2010 15:32:40

    55anos, casado, aposentado, formado em Administração e Pós-graduado.Nunca vi droga na minha vida.Abomino as drogas, a descriminalização e quem advoga essa causa.As drogas só trazem desgraças para a família, o ser humano ea sociedade.Usuário:prisão e tratamento.Trafico: prisãoperpétua/pena morte.

2 comentários:

Rodrigo disse...

Para o governo, a descriminalização de algumas drogas passa por interesses não filosóficos e sim financeiros. Na questão da saúde pública a Lei se contradiz ao permitir o uso da Nicotina, substância sabidamente causadora de câncer e o álcool. A descriminalização não acabaria com o tráfico, mas traria mais dinheiro aos cofres públicos, sem dúvida. Viva à Liberdade!

Rodrigo disse...

Para o governo, a descriminalização de algumas drogas passa por interesses não filosóficos e sim financeiros. Na questão da saúde pública a Lei se contradiz ao permitir o uso da Nicotina, substância sabidamente causadora de câncer e o álcool. A descriminalização não acabaria com o tráfico, mas traria mais dinheiro aos cofres públicos, sem dúvida. Viva à Liberdade!

Rodrigo Campos Gomes,
rcgomes09@gmail.com