sábado, 31 de outubro de 2009

A VERDADE SOBRE A SÁLVIA DIVINORUM



É com grande consideração que recomendamos a regulamentação da Salvia divinorum, ao invés de sua criminalização. Isto não seria apenas sensato e eficaz, mas geraria uma fonte de impostos e permitiria que nossas agencias judiciais e de cumprimento da lei pudessem se concentrar no combate as drogas que tem provado ser realmente prejudiciais (Metanfetamina, Crack, Heroína, Cocaína etc).

Pesquisas “on line” de opinião pública também demonstraram que mais de 75% dos cidadãos norte-americanos se opõem a criminalização da Salvia divinorum, corroborando com sua não proibição. Nós criamos um breve sumário para disseminar informações extremamente precisas a respeito da planta, ao contrário das informações divulgadas pela Mídia. Nós também detalhamos as propriedades medicinais, efeitos da criminalização e a solução da regulamentação e taxação da Salvia divinorum.

A Salvia divinorum, além de ter sido utilizada por centenas de anos pelos povos Mazatecas, tem estado disponível no Mundo por mais de quarenta anos, desde sua descoberta em 1962, e sido utilizada por milhões de norte-americanos. Isto é, por si só, um testemunho da surpreendente segurança desta planta medicinal.

Muitos estudos científicos também demonstraram a Sálvia como uma erva notavelmente segura, com usos medicinais incríveis e um potencial muito baixo para abuso ou dependência. De acordo com o levantamento das Agencias de Cumprimento da Lei, Hospitais, Colégios, Universidades e Clinicas de Reabilitação em todos os Estados Unidos, até hoje, nunca houve NENHUM incidentes diretamente relacionado a planta Salvia divinorum. Nenhum incidente relacionado a planta Salvia Divinorum, como crimes, vícios, overdoses, acidentes, ferimentos ou morte foi documentado pela literatura médica.

A Salvia divinorum provou CIENTIFICAMENTE:

- Ser completamente ANTI-VÍCIOS.
- Ser completamente NÃO-TÓXICA.
- Ser de curta atividade, sem efeitos negativos a longo prazo.
- Ser não-eufórica, com efeitos de doses mais altas similares a uma soneca com sonhos.
- Ser uma ferramenta efetiva para a psicoterapia, devido a sua habilidade para aumentar a consciência.
- Ser inacreditavelmente mais segura do que o álcool, tabaco ou mesmo maconha.
- Ser uma eficaz erva medicinal natural.

Estudos demonstraram que a Salvia divinorum pode tratar eficazmente:

Depressão severa (alívio persistente a longo prazo)
Doença de stress pós-traumático (PTSD)
Vícios de drogas (Crack, Cocaína, Heroína)
Transtorno obsessivo – compulsivo (TOC)
Ansiedade
Esquizofrenia
Dores crônicas
Artrite
Insuficiência Cardíaca Congestiva
Distúrbios estomacais
Distúrbios do sono
Transtorno Bipolar ADD/ADHD
Mal de Alzheimer
HIV/AIDS
Câncer

A criminalização da Salvia divinorum irá:

- Custar aos estados MILHOES E MILHOES por ano em execução, processamento e aprisionamento.
- Encorajar um grande mercado negro.
- Contribuir para o problema já crescente de superlotação de prisões.
- Fragmentar e destruir famílias saudáveis através de processo e aprisionamento.
- Punir crianças por cometer ‘erros’ que manchem seus registros.
- Levar estudantes acadêmicos, e pessoas interessadas em meditação e ampliação da consciência à prisão.
- Evitar que pacientes doentes obtenham transplante de órgãos, rotulando-os como abusadores de ‘drogas’.
- Colocar nossa confiança e o bem-estar de nossas crianças nas mãos de traficantes de drogas.
- Infringir as liberdades religiosas e direitos daqueles que consideram a Salvia divinorum um sacramento religioso.
- Violar o Ato de Restauração da Liberdade Religiosa estabelecido pela CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
- Incriminar centenas de jardineiros, forçando-os a arrancarem suas plantas.
- Incriminar terapeutas que estão utilizando a Salvia divinorum psicoterapeuticamente com sucesso em suas práticas.
- Punir usuários medicinais NÃO-VIOLENTOS de Salvia divinorum.
- Promover uso irregular e mesmo inseguro.

A regulamentação da Salvia divinorum iría:

- Proteger nossas crianças, pelo uso das mesmas orientações correntemente utilizadas para a venda de tabaco e álcool.
- Promover rotulagem correta do produto, o que protegeria as pessoas mais efetivamente do que jaulas ou prisões.
- Promover uso responsável por adultos, pela penalização da venda a menores, protegendo efetivamente nossas crianças.
- Prevenir uso adulto irresponsável.
- Usar como modelo o estado de Maine (EUA), que regulamentou com sucesso o uso da Salvia divinorum.
- Implementar as recomendações de estudos que provaram que a regulamentação é muito mais efetiva do que a criminalização.
- Permitir que os jardineiros continuem utilizando a Salvia divinorum como borda decorativa de jardins.
- Utilizar as transações já estabelecidas para afastar as crianças da Salvia divinorum, através de avisos.
- Liberar nossos Órgãos Judiciário para censurar drogas comprovadamente perigosas (Metanfetamina, Crack, Cocaína, heroína).
- Permitir que os psicoterapeutas continuem tratando seus pacientes com a Salvia divinorum, sob sua supervisão.
- Acomodar o Ato da Liberdade Religiosa (Constituição Federal), para permitir o uso religioso da Salvia divinorum.
- Comunicar efetivamente, evitando que as crianças tenham fácil acesso a Salvia divinorum.
- Gerar, de uma maneira saudável, uma quantia de taxas e impostos.

A listagem de substancias proibidas é projetada para substancias que possuem um alto potencial para abuso, uma falta de segurança aceitável e nenhum uso médico correntemente aceito. Cientificamente falando, a Salvia divinorum não atende a nenhum destes critérios e é uma excelente candidata a regulamentação, ao invés de criminalização. Em resumo, nós recomendamos, como cidadãos brasileiros, trabalhando para o bem público, e também como eleitores ativos no que diz respeito a erosão da liberdade pessoal no Brasil, que a Salvia divinorum não seja criminalizada.


Eu concordo, com todo o coração, com o estado de Maine (EUA): “A venda ou fornecimento da Salvia divinorum ou salvinorin-A a pessoas menores de 18 anos, sería um delito criminal. A posse por um menor sería uma violação civil, punível com uma multa, serviço comunitário, ou ambos”. Nós não estamos contra a aprovação de leis que regulamentem esta planta. Apenas desejamos transmitir um conjunto completo de fatos, com os quais estabelecer as melhores leis.

PROPRIEDADES MÉDICAS E MEDICINAIS

O nome do gênero Salvia é derivado do latim salvare, significando “curar” ou “salvar”. As palavras salvação e salvador também derivam desta mesma raiz. A Salvia divinorum é endêmica da Serra Mazateca no centro do México, onde ela possui uma longa história de uso medicinal. Ela é tanto usada por suas propriedades psicoativas, quanto para tratamento efetivo de artrites, dores de cabeça, e outras enfermidades. A validade de cada uma destas aplicações diferentes, é bem fundamentada por recentes achados farmacológicos.

Para resumir foi comprovado cientificamente que a Salvinorin A é um único e altamente seletivo competidor do receptor Kappa-opioid e, como tal, possui um tremendo potencial para o desenvolvimento de uma ampla variedade de valiosos medicamentos. O mais promissor deles, inclui analgésicos seguros e não-viciáveis, anti-depressivos, anestésicos de curta duração que não deprimam a respiração, e drogas para ao tratamento de distúrbios caracterizados por alteração da percepção, incluindo esquizofrenia, mal de Alzheimer, depressão crônica e transtorno bi-polar (Roth et al., 2002).

Os competidores do receptor Kappa-opioid são de interesse particular para farmacologistas, porque eles fornecem medicações efetivas contra a dor, que não causam hábito e não produzem dependência. De fato, há uma crescente evidencia que indica que os competidores do receptor Kappa-opioid são realmente “aversos” – o oposto de viciáveis. Há inúmeros relatórios, nos quais as pessoas atestam a eficiência desta erva no controle da dor. A habilidade do salvinorin A para bloquear a percepção da dor, também sugere que ela prova ser muito útil como anestésico geral. O fato de que ela não deprime a respiração, indica que a salvinorin A poderia ser mais segura do que a maioria dos anestésicos gerais correntemente em uso.

A utilização tradicional do povo Mazateca, da Salvia divinorum para tratar dores de cabeça e artrites, também atesta sua eficácia como um analgésico. O Dr. Karl Hanes publicou um relatório de um caso no Jornal de Psicofarmacologia Clinica, no qual ele descreve um paciente que obteve alivio da depressão crônica pelo uso da Salvia divinorum. (Hanes, 2001). Muitos relatos podem ser encontrados online (http://www.salviatruth.com/) , de pessoas que se recuperaram de séria depressão com risco de vida, com o auxilio desta erva.

É especialmente interessante, que estas pessoas foram capazes de obter alivio persistente de sua depressão, após poucos tratamentos. Diferentemente do regime contínuo de medicação requerido pelos antidepressivos convencionais, tais como o Prozac – que na maioria dos casos oferecem apenas alivio sintomático da depressão – a Salvia divinorum freqüentemente produz melhora clinica de longa duração. Devido a que a salvinorin A altera várias modalidades de percepção pela ação nos receptores Kappa-opioid, está claro que esses receptores possuem um papel proeminente na modulação da percepção humana. Isto sugere a possibilidade de que novos compostos psicoterapeuticos derivados da salvinorin A, seriam úteis para o tratamento de doenças manifestadas por distorções da percepção (ex.: esquizofrenia, demência e transtornos bipolares). Esta é uma promissora área de pesquisa, cujo prosseguimento é importante. A Salvia divinorum possui diversas propriedades que a tornam útil em psicoterapia: ela produz um estado profundo de auto-reflexão, melhora a habilidade para recuperar recordações da infância, e fornece acesso a áreas da psique que são ordinariamente difíceis de serem atingidas.
Existem muitos psicoterapeutas que utilizaram esta erva em suas práticas e ficaram impressionados com sua efetividade como uma ferramenta psicoterapeutica. Ela tem sido usada mesmo para tratar, com sucesso, Distúrbios de Stress Pós-Traumático (PTSD). Isto não é novidade – os Mazatecs tem usado há tempos a Salvia divinorum para tratar enfermidades psicológicas.
Existem muitas concepções errôneas sobre a Salvia divinorum. Muitas delas possuem sua origem em alguns poucos artigos sensacionalistas que apareceram na imprensa popular, e outras derivam de assertivas publicitárias absurdas de vendedores de ervas não éticos, que deliberadamente exageram os efeitos da Salvia divinorum, num esforço para aumentar as vendas. O fato é que os efeitos da Salvia divinorum não estão apelando para usuários recreativos de drogas. A maioria das pessoas que tentam isso, não apreciam seus efeitos e não continuam a utilizá-la. As pessoas que a usam medicinalmente, não a tomam com freqüência. Ela não causa euforia, nem é estimulante. Não é uma droga social. Uma vez que ela aumenta a auto-consciencia, ela não é útil como uma droga escapista. Ela é mais útil como uma erva medicinal natural. A Sálvia divinorum não vicia nem forma hábito. Seu mecanismo de ação indica que ela é realmente anti-vício. Muitas pessoas relataram que a Salvia divinorum ajudou-as a superar problemas de abuso de substancias. Isto inclui, mas não se limita a vícios de álcool, cafeína, crack, cocaína, heroína, maconha, metanfetamina, nicotina e ecstasy.
PROTEÇÃO CULTURAL E RELIGIOSA
A Sálvia é primariamente usada como um sacramento religioso para cerimônia espirituais pelo povos Mazatecas do México e como remédio. As mulheres hispânicas rotineiramente utilizam as folhas em um chá para auxílio na eliminação de cólicas menstruais, muitas também mascam as folhas para alívio da dor ou para ação como um analgésico. Sabe-se também que as mães hispânicas fazem um elixir suave e altamente efetivo para suas crianças, para auxílio nas cólicas e infecções menores. Hispânicos e pessoas de descendência mexicana, tem usado a Sálvia durante gerações e esta planta tem sido, e ainda é, uma parte maior da cultura mexicana.
Há também organizações religiosas dentro do Brasil, que utilizam a Salvia divinorum como um sacramento religioso. Eles acreditam que ela é uma planta que foi colocada aqui por Deus, não apenas para iluminar espiritualmente as pessoas, mas para curar nossas mentes, corpos e almas. Ela é a base fundamental das crenças mexicanas e é crucialmente essencial para a busca da religião e auto-conhecimento. Os membros adultos utilizam a Salvia divinorum medicinalmente e também ritualmente como um sacramento espiritual divino, que é atingido com reverencia sincera e como proteção.
O ato do cultivo é também uma parte maior deste ritual para a maioria dos seguidores. Muitas destas práticas e crenças possuem várias centenas de anos e são derivadas de práticas espirituais Mazatecas. Uma pequena igreja no Novo México recentemente ganhou um caso na Suprema Corte que impedia o uso de certas outras plantas como sacramentos religiosos ( Caso nº 04-1084). Isto dá proteção garantida, sob o Ato de da Liberdade Religiosa, promovido pela Constituição Federal, que impede interferência e restrição de práticas religiosas.
SEGURANÇA GERAL
A Salvia divinorum é completamente não-tóxica. Estudos toxicológicos foram efetuados pelo Dr Leander Valdés na Universidade de Michigan, Jeremy Stewart na Universidade de Mississipi, Dr Frank Jaksch da Chromadex Inc., e Wayne Briner da Universidade do Kansas. Nem a Salvia divinorum, nem a salvinorin A, mostraram toxicidade em nenhum destes estudos. Existe um vasto corpo de evidencias empíricas que indicam que a Salvia divinorum é uma erva notavelmente segura.
De fato, os Mazatecs, que tem usado a Salvia divinorum por centenas de anos, não atribuem nenhuma propriedade tóxica a esta planta. Mesmo após mais de quarenta anos de exames minuciosos, a planta ainda é considerada inofensiva. Ela não tem efeitos prolongados como uma ressaca, e ninguém, incluindo o DEA, tem ouvido que uma pessoa tenha tido overdose ou experimentado conseqüências a longo prazo. Comunicações com Agencias de Saúde, Hospitais, Clínicas de Reabilitação, Colégios e Universidades em todos os Estados Unidos, não revelaram que a Salvia divinorum seja um problema ou uma contribuinte direta a quaisquer vícios, dependências, acidentes, crimes, ferimentos ou mortes. Em resumo, a Salvia divinorum não é e nunca será um perigo para ninguém.
CONCLUSÕES
A Salvia divinorum é uma erva medicinal relativamente pouco conhecida, com nenhum potencial para abuso significante. Ela não representa um risco para a saúde ou segurança pública. Criminalizá-la, serviria apenas para criar um problema que não existia previamente. A regulamentação de ervas medicinais, é um assunto de competência da FDA AMERICANO e não do Estatuto de Substancias Controladas.
Não há justificativa razoável para fazer da Salvia divinorum uma substancia controlada. Sua criminalização privaria as pessoas de uma erva medicinal natural, útil e segura, atrapalharia pesquisas médicas promissoras e privaria as pessoas de sua liberdade religiosa.
O estado não temo o direito de prender usuários não-violentos de Salvia. O modo mais sensível de encarar, seria regulamentar a Salvia divinorum de forma similar ao álcool ou tabaco para indivíduos com 18 anos ou mais, fazendo com que a venda ou fornecimento a menores de 18 anos seja um delito criminal, e a posse por um menor, uma violação civil. Isto geraria taxas durante o período em que os fundos estão escassos e também economizaria dinheiro de custos de defesa legal e execução. Cidadãos presos são caros e privam os estados de impostos. Isto é especialmente verdadeiro com os custos para abrigar prisioneiros. Muitas denúncias bem intencionadas estão baseadas em informações imprecisas sobre a Salvia divinorum. A listagem é dirigida para substancias que possuem um alto potencial para abuso, uma falta de segurança aceitável e uso médico não aceito atualmente. A Salvia divinorum não se encaixa em nenhum destes critérios. Agradecemos a todos os que conhecem o poder desta maravilhosa planta e também a todos os que se mostram solidários e tem afinidade com esta planta sagrada!

NOVOS HORIZONTES

Extraído do Excelente Blog : http://plantandoconsciencia.wordpress.com/


Washington Square Park, Nova Iorque. Sábado 09:00 da manhã, 25 de setembro de 2009, estou indo para a Igreja. Nunca fui a missas, e essa não foi a primeira vez. Ainda assim, refleti um pouco sobre o fato enquanto estava no metro. Ao chegar ao local, a Judson Memorial Church, fui surpreendido pelo quadro de avisos na porta: “Melhor lutar pela utopia que consentir em viver no inferno” (Julian Beck). O recado foi fundo e pareceu fazer sentido perfeito com o que estava por vir: Horizons 2009: Perspectivas sobre Psicodélicos. É isso mesmo, um simpósio científico-cultural sobre a psicodelia dentro de uma Igreja, no país líder da catastrófica guerra contra as drogas. Quão utópico pode ser isso?? Abaixo do pensamento de Beck, uma breve síntese numérica: “Mortos no Iraque: 4.345 Soldados Americanos e 101.608 Civis Iraquianos. Feridos: 31.513 Soldados americanos” e mais um não anunciado número de iraquianos. Por fim, fora do quadro de avisos, mais um recado: “A América em que acredito fecharia Guantânamo. JÁ!”.



Judson Memorial Church


Arrepios. Sequer entrei e já recebi, logo de cara, um monte de despertares da consciência. As páginas do plantandoconsciência flutuavam em minha mente, psicodélicos, ciência, terrorismo, religião, xamanismo… tudo se conectando e fazendo sentido, união, yoga. Durante todo o dia e durante a tarde do domingo seguinte fiquei surpreso, maravilhado e muito feliz com tudo o que vi e aprendi. O renascer da pesquisa científica com psicodélicos, feita de maneira madura, responsável e ética cerca de 50 anos após o início de sua radical e injustificada proibição.



Pesquisas financiadas por governos, como da Suíça e mesmo o dos EUA. Outras empreitadas de grande sucesso mostraram com clareza que mesmo na falta dessas fontes de financiamento, muito pode ser feito com doações e espírito de coletividade. Durante o fim de semana aprendemos um pouco mais sobre a fascinante história das substâncias psicodélicas com William Richards, PhD, sua relação com estados alterados de consciência, misticismo e religião. Entramos em contato com o estado-da-arte da neurociência moderna com psicodélicos na magistral palestra do suíço Franz Vollenweider, MD, PhD, que realiza diversos estudos de neuroimagem durante a ação da psilocibina, o princípio ativo dos cogumelos mágicos, no cérebro de voluntários sadios. Vollenweider mostrou, entre muitas outras coisas, que a psilocibina pode causar no cérebro e em nossa percepção de estímulos visuais efeitos semelhantes à meditação. Em seguida, o ponto mais emocionante ficou por conta da palestra da psicóloga Alicia Danforth, que trabalhou nos últimos anos junto com Charles Grob, MD, PhD, na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). O trabalho utilizou doses medianas de psilocibina como tratamento à ansiedade e depressão extrema que vivenciam pacientes de câncer terminal. Mais do que um resultado maravilhoso e fantástico, no qual uma única experiência com psilocibina foi capaz de aliviar o estresse e angústia por vezes insuportáveis que acompanham o tratamento de câncer, a experiência suscitou nos pacientes um olhar mais amoroso para com a vida, permitindo que vivessem seus ultimos dias com muito mais satisfação (sim, alguns dos voluntários faleceram antes mesmo de o estudo terminar), em alguns casos podendo realmente viver, pois o que lhes restava era apenas um medo tremendo da morte que os impedia de apreciar tudo e todos ao seu redor. Alicia dividiu seus pacientes em três grupos: Os que nunca haviam experimentado estados alterados de consciência, os transformadores, que saíram da experiência radicalmente diferentes de como entraram; e os ativistas, que decidiram romper com o anonimato e deram depoimentos sobre suas experiências. Declaração voluntária da paciente Annie, que pudemos assistir em primeira mão em um vídeo de tirar o chapéu: “Recomendo a psilocibina para qualquer paciente nessa situação, é muito melhor e mais eficiente que qualquer tratamento que já experimentei”. Em outro relato, Alicia contou de uma paciente com câncer de garganta que não podia engolir nada além de líquidos. Nem mesmo iogurte ou mingau, coisas pastosas, ela era capaz de engolir. Apenas água, suco e sopas bem ralas. Imagine-se o estado, além do câncer, de inanição e extrema fraqueza. Após a experiência com psilocibina, no dia seguinte, ao café da manhã, a paciente resolveu tentar tomar um iogurte, e subitamente sua garganta abriu, permitindo que um alimento passasse por ali pela primeira vez em meses. Completamente surpreendida e maravilhada, ela então resolveu, aos poucos, comer mais algumas coisas pastosas, e relatou como um dos momentos mais incríveis de sua vida aquele simples ato de se nutrir. Alguns dias depois a garganta voltou a ocluir, e a paciente faleceu pouco depois. Fica no ar a pergunta de se tratamentos crônicos poderiam restaurar a capacidade de alimentação em pacientes em condições similares. De maneira mais abrangente, o estudo não só permite uma nova abordagem ao tratamento de pacientes em situação tão delicada como o câncer terminal, como questiona as bases da medicina moderna, na qual todos os esforços são realizados no sentido de alongar a vida, e não de trazer qualidade, serenidade e paz ao paciente.


Stephen Ross, MD, PhD da Universidade de NY mostrou como os resultados pioneiros de Alicia e Grob permitiram e estimularam a criação de um grupo multidisciplinar na NYU para aumentar e expandir estes resultados iniciais com a psilocibina em pacientes terminais, estudo que já foi aprovado por toda a extensa burocracia e está em fase inicial, com novas doses e novos pacientes.

Valerie Mojeiko, da MAPS (Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies) contou sua história pessoal desde sua primeira epifania com MDMA (o ecstasy) aos 16 até sua primeira bad-trip com subsequente surto psicótico e internação hospitalar após uso de ibogaína.


A bad-trip de Valerie

Valerie viveu na pele a inadequada assistência dada por hospitais aos usuários de psicotrópicos, remanescente de tempos de internação, camisa de força e eletrochoque, que me fizeram lembrar do “Canto dos malditos”, livro de Austregésilo Carrano Bueno, que virou o filme “Bicho de sete cabeças”. Após sua vivência pessoal, somada a sua prática profissional, Valerie juntou-se ao MAPS para criar um serviço de redução de danos aos usuários de psicotrópicos em geral. A proposta é de transformar uma potencial viagem errada e traumatizante em oportunidade para crescimento e amadurecimento. Nas palavras dela: “Turning an emergency into an opportunity for growth, healing and understanding”. A abordagem vai ao cerne da experiência psicodélica, que é muito mais do que uma experiência recreativa, como sempre bem souberam xamãs e curandeiros de diversas regiões do planeta. Os pensamentos e sentimentos trazidos a tona pelos psicodélicos nem sempre são agradáveis, mas se encarados de uma perspectiva madura e de aceitação podem servir, em uma única experiência, como anos de psicoterapia.

Para encerrar o sábado, Earth e Fire Erowid, os criadores do magistral site de informações imparciais sobre psicotrópicos, hoje com mais de 1.200 usuários associados (sendo eu um dos mais recentes associados e um dos poucos brasileiros na lista), mostraram de forma dinâmica como o proibicionismo aos psicotrópicos causa o surgimento de aberrações como o Spice, suposto conjunto de ervas vendidos legalmente na Europa e pela internet, mas que sob um olhar mais cauteloso revelou conter agonistas sintéticos da velha cannabis, utilizada por nossa espécie a cerca de 2700 anos. O casal Erowid deixou claro como o proibicionismo acaba sendo burlado, muitas vezes criando misturas e coquetéis desconhecidos e de qualidade duvidosa, aumentando os potenciais riscos do consumo destas substâncias. Neste caso específico, o Spice esconde as substâncias responsáveis por seu efeito, que não aparecem no rótulo, enaganando agências governamentais e potenciais concorrentes no mercado. Foi necessário que comprassem o produto, o que foi difícil pois o produtor especificava aos distribuidores para não vender nos EUA, o que chegou a ser impresso nas embalagens em determinado momento. Ainda assim, Erowid fez o necessário e testou o produto, confirmando que seus efeitos eram incrivelmente similares ao de fumar maconha. Após consumirem, enviaram para a Drug Detection Agency para análise química, mas o resultado deu negativo para todos os compostos canabinóides e de substâncias psicoativas proibidas. Entretanto, o Spice continha na análise química alguns picos referentes a substâncias que não foi possível identificar. Posteriormente, um laboratório na Alemanha fez análise mais detalhada e encontrou o composto JWH-018, um agonista canabinóide sintético. Nos EUA, agentes de segurança internacional relataram que Spice continha HU-210, achado que ainda não foi confirmado por nenhum outro laboratório. Em 2009, trabalho publicado por Auwarter et al no Journal of Mass Spectrometry finalmente identificou o composto encontrado por Erowid 20 meses antes como sendo o CP 47,497. No meio da sopa de letras do composto químico responsável pelos efeitos do Spice, vale resaltar que CP é a sigla de compostos sintetizados pela gigante Pfizer, e dados os mais de 520.000 resultados do google na busca por spice e o crescimento do fabricante, o Psyche Deli, em mais de um milhão de dólares entre 2006 e 2007, levantou-se a questão de qual o possível envolvimento das gigantes farmacêuticas no mercado negro de psicoativos.

No domingo, o ecologista e teológo Andy Letcher procurou argumentar como a simbologia mística, específica no que diz respeito aos cogumelos, causa por vezes o “wishful thinking” criando idéias que podem ser divertidas mas inadequadas. Andy mencionou especificamente a idéia de o papai noel ter surgido das práticas xamânicas na sibéria, como aparece por exemplo no filme “a inquisição farmacrática” (que andy não chegou a mencionar). A meu ver, faltou a ele justificar suas afirmações, uma vez que apenas mostrou outras imagens antigas e pinturas em cavernas nas quais fica duvidoso se imagens de formas pontiagudas e meio trianglares representavam ou não cogumelos de fato. No caso do papai noel, Andy argumentou que não é nada de xamanismo na sibéria, mas apenas o brilhantismo imaginativo de Thomas Nast. Não argumentou porque esta explicação é mais ou menos mirabolante que a dos xamãs e seus amanitas e também não tocou na questão de se a imaginação de Thomas Nast poderia ter sido ou não influenciada por experiências com o Amanita. Resta ler seu livro “Shroom: A cultural history of the magic mushroom and mad thoughts on mushrooms: Discourse and power on psychedelic consciousness” para ver se têm argumentos mais convincentes que possam comprovar se essas idéias são plausíveis ou de fato apenas histórias mirabolantes criadas por amantes dos cogumelos e suas trips (vale ler os comentários sobre o livro no link acima, da amazon, incluindo o de Jan Irvin, de “a inquisição farmacrática”).

Bob Jesse depois apresentou o trabalho realizado pelo Conselho de Práticas Espirituais (CSP), uma abordagem complementar ao uso de psicodélicos. Segundo Bob, o misticismo evocado por experiências psicodélicas deve ser estilmulado respeitando-se a cultura, religião e crenças de cada um. O trabalho do CSP foca na continuidade das práticas espirituais após o despertar induzido por psicodélicos. Sua palestra levantou questionamentos calorosos por parte da platéia, que questionou que experiências místicas e religiosas são pessoais e que não cabe a uma organização, especialmente uma ocidental dirigida por “homens brancos” orientar as pessoas nesta área. Entretanto, me parece crucial a continuidade das experiências de expansão da consciência (ou místicas ou religiosas etc etc) por outros métodos que não o abuso das substâncias psicodélicas. Como magistralmente argumentado por R.C. Zaehner em seu debate com Aldous Huxley, e também de forma brilhante por Ram Dass, substâncias psicodélicas tem a capacidade de nos teletransportar para o cume do Everest, onde podemos experimentar uma visão mais ampla e abrangente do universo, tanto externo quanto em nosso interior. Mas esta experiência é radicalmente diferente de escalar a montanha. Segundo Zaehner, este é o caminho religioso. Segundo Ram Dass, este é o caminho espiritual da meditação e compaixão. Muitos outros existem, como yoga, o quarto caminho etc…

Por fim, Bob Wold apresentou sua história com “clusterheadaches”, uma condição de dor de cabeça extrema, que segundo ele não deveria ser chamada de dor de cabeça porque absolutamente não descreve o que se passa. Os pacientes com clusterheadaches mais parecem pacientes em convulsão. A dor é tão insuportável que muitos pensam em suicídio e alguns de fato o cometem. Atualmente não existe tratamento eficaz. Bob começou a sofrer de clusters 20 anos atrás enquanto brincava com seu filho no quintal. Repentinamente começou a se sentir tonto, e em menos de dez minutos encontrava-se convulsionando e batendo a cabeça no chão, gritando em dor profunda. As dores vêm em ciclos, com vários episódios por ciclo, cada um chegando a durar 30 minutos! Bob teve cerca de dois ciclos por ano, durante 20 anos. Estima-se que teve mais de 18.000 episódios, ficando praticamente incapacitado para viver de maneira digna. Tomou mais de 75 medicamentos prescritos, em mais de 100 combinações diferentes. A lista vai de aspirina até acupuntura, com muito pouco resultado. Sem encontrar saída, Bob estava indeciso entre quatro opções cirúrgicas, algumas de alto risco, e todas sem promessa de resultado definitivo. Foi aí então que Bob encontrou dois médicos que lembraram que Albert Hofmann, o pai do LSD, quando sintetizou o que talvez seja a molécula mais famosa do mundo, procurava tratamentos para hemorragias durante o parto e para dores de cabeça. Devido à ilegalidade do LSD em todo o mundo e sua difícil síntese, os médicos e Bob decidiram tentar a psilocibina, molécula prima do LSD, disponível gratuitamente na natureza em diversas espécies de cogumelos, como o Psilocibe cubensis. O resultado foi tão expressivo e marcante que Bob se viu, pela primeira vez em duas décadas, livre de suas dores. Bob fundou então o Clusterbusters, associação para ajudar pacientes com a mesma condição e estudar os efeitos da psilocibina como tratamento, quais as melhores doses etc. Bob destaca que as alucinações não são um problema, já que a dose necessária pra terminar as dores são abaixo das doses alucinogênicas. Ele hoje cultiva os cogumelos em sua casa e dirige com paixão o Clusterbusters. A associação cresceu e hoje conta com apoio de pesquisadores em instituições formais de pesquisa. O caminho foi árduo, e apesar dos inúmeros comentários preconceituosos de que ninguém levaria isto a sério e nem financiaria pesquisas de laboratório com “cogumelos alucinógenos”, Bob conseguiu doação privada de 50.000 dólares para seguir e expandir seu trabalho, que hoje ajuda dezenas de pacientes na mesma condição.

Ao final do domingo, a sensação era de uma comunidade forte, séria e unida para continuar expandindo este setor de pesquisa médica e científica ignorado por tantos anos. As promessas são inúmeras, desde tratamentos clínicos até questões centrais para a neurociência moderna, como quais os substratos neurais dos estados de consciência, tanto normais quanto alterados.


Link Original : http://plantandoconsciencia.wordpress.com/2009/09/30/novos-horizontes/

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Livro : PSYCODELIA TEM OBJETIVOS - Chaves do Universo


Link para downolad :

http://www.4shared.com/u/psgzmprm/850fa1f5/CLR

Maiores Informações :



http://psycodeliatemobjetivos.blogspot.com/


Contato :

contato_psycodelia@yahoo.com.br

Autor :

R.J. Clóvis - CLR

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Novo Logotipo do Psicodélico

Depois de pensar muito e pedir ajuda a meu primo sem sucesso, resolvi bolar um Logotipo para Avisos Psicodélicos, não ficou muito profissional, mas ficou viagem, isso que importa.


A Cultura do Iagé, um Caminho de Índios

Jovem da etnia Kamsá com flor de Brugmansia, fotografado por R.E.Schultes em 1953 no Vale de Sibundoy


A Cultura do Iagé, um Caminho de Índios

por Germán Zuluaga (1)


O xamanismo

Como já tem sido amplamente descrito na recente literatura científica, o xamanismo foi considerado como a primeira forma de conhecimento empregada pelos povos primitivos do mundo inteiro. O antropólogo Mircea Eliade, um dos mais afamados estudiosos do fenômeno xamânico, o definiu como "as técnicas arcaicas do êxtase"(2), que pode ler-se em português como "as técnicas arcaicas do transe", já que seu conteúdo fundamental consiste na possibilidade que tem o xamã de "viajar à região dos espíritos".

O conceito de transe, entretanto, produz grandes conflitos no pensamento científico
moderno. Os câmbios de consciência no indíviduo, já a vários séculos são interpretados como alterações ou patologias e se definem com o termo alucinação. Com efeito, a alucinação é considerada como sintoma cardeal da enfermidade mental ou psiquiátrica e se define como "uma distorsão patológica das percepções e uma alteração das funções mentais superiores – juízo e raciocínio". O sintoma alucinatório, próprio da esquizofrenia ou perda de realidade, inclui uma perda das relações espaço-temporais, uma perda da consciência de si e uma série de manifestações visuais e auditivas desordenadas.

Não obstante, desde tempos imemoriais e em todas as culturas, o ser humano veio explorando de diversas maneiras a possibilidade de produzir câmbios de consciência. A busca do transe parece ser uma constante do chamado Homo sapiens. Faz parte de diferentes tradições religiosas promover o transe através de mecanismos endógenos: oração, mantras, meditação, jejum, vigília, mortificação, exercícios corporais, respiração, entre outros. Estas práticas ascéticas buscam, em todos os casos, uma comunicação com a realidade espiritual, outra realidade, e um câmbio de consciência para perceber de modo distinto a realidade material.

Precisamente os trabalhos sobre o fenômeno do xamanismo encontran que também o transe se converte no objetivo mais importante. Só que aqui se faz através de mecanismos exógenos; ou seja mediante o consumo de substâncias e plantas que produzem câmbios de consciência. Estas plantas têm sido chamadas alucinógenas, psicotrópicas, extáticas, psicopompas, enteógenas, ilusógenas e não são bem compreendidas pela ciência ocidental.

Quase todas as culturas primitivas do planeta empregam ou empregaram esta classe de plantas, em um contexto xamânico. Com efeito, sabemos da Amanita muscaria na Ásia e América do Norte, o peiote e o don-diego no México, o san-pedro na costa peruana, o iagé e a virola na floresta amazônica, o yopo na região do Orinoco e florestas das Guianas, a coca e o borrachero na região andina, o ópio no Extremo Oriente, a Cannabis indica na antiga Pérsia, a atropa, a datura e o belenho na região mediterrânea e a iboga na África. Inclusive, se confirmou que o uso do cogumelo Claviceps purpurea tomou parte das tradições pré-socráticas da antiga Grécia e o cogumelo "soma" originou, de certo modo, a escritura do Rig Veda, o primeiro livro sagrado dos hindus.

A evolução cultural em todos os povos produziu um paulatino distanciamento das técnicas xamânicas e sobretudo do uso das plantas alucinógenas. Esta tendência se levou ao extremo de considerar a estas plantas como "tóxicas" ou "diabólicas" e seu uso é proscrito em quase todo o mundo moderno. Entretanto, desde fins do século passado, muitos ocidentais incursionaram novamente no consumo destas substâncias, buscando uma resposta aos grandes problemas da civilização industrial. O punto culminante se deu com o hippismo e o consumo massivo da marijuana.

A antropologia dos últimos trinta anos descobre que ainda vários grupos indígenas, especialmente na América, prosseguem praticando o xamanismo e prosseguem consumindo plantas alucinógenas. Apesar dos quinhentos anos de perseguição, genocídio e barbárie, a sabedoria xamânica se conserva viva em muitos povos. O homem branco começa a mudar sua perspectiva moral e se interessa por conhecer e estudar os conhecimentos tradicionais dos aborígenes e os extraordinários efeitos dessas plantas, até então menosprezadas.

O sopé amazônico

Por diversas razões estratégicas, geográficas e históricas, os grupos indígenas do sopé amazônico sul-americano puderam conservar e manter suas práticas de xamanismo, baseadas no consumo de um cipó da floresta conhecido como iagé, ayahuasca, natema ou ambiwaska.

Apesar de que vários cronistas, durante a conquista e a colonização, descreveram de forma superficial o consumo desta planta entre os índios, apenas a trinta anos se produziu uma informação etnográfica, botânica e química importante.

Depois da última glaciação, no pleistoceno, quando os glaciares exterminaram as grandes vegetações, restaram pequenos refúgios ou manchas de flora e fauna, a partir dos quais, uma vez restabelecidas as condições climáticas, se formaram os ecossistemas atuais. Na América do Sul se identificaram nove refúgios(3) ou hot-points, um dos quais está localizado na região do rio Napo, na região amazônica equatoriana.

O refúgio do Napo deu origem aos ecossistemas de sopé (piedemonte) amazônico que se extendem desde o norte do Peru até o sul da Colômbia. O iagé (Banisteriopsis sp.) e outras plantas utilizadas pelos grupos indígenas para suas práticas xamânicas, têm portanto como centro de origem e difusão este refúgio.

Quando da chegada dos espanhóis numerosas populações indígenas habitavam o sopé amazônico sul-americano. A conquista destes territórios, entretanto, aconteceu de forma tardia, tendo em conta as dificultades que oferecia a inóspita selva para o ingresso dos europeus. A fins do século 16 a conquista espanhola havia delimitado já uma área de colonização na Alta Amazônia colombiana. Os grupos indígenas das províncias de Mocoa, Sucumbíos e Sibundoy foram submetidos ao regime colonial e repartidos em encomiendas; foram os missionários franciscanos que durante 100 anos intentaram a colonização, até 1784 quando se retiram diante do evidente fracasso(4).

As crônicas dessa época são muito confusas e não permitem determinar com precisão os diferentes grupos indígenas que habitavam nestas regiões; os missionários impuseram duas línguas-gerais para a colonização e evangelização: a língua Inga (quechua), que foi a mais difundida, e a língua Siona, imposta na zona do rio Putumayo.

Em mediados do século 19 se reinicia o processo de colonização, movido primeiro pelo afã de exploração da quina e posteriormente pela exploração do caucho; os missionários capuchinhos entram novamente no começo do século passado e se instaura, de forma definitiva, a colonização da Alta Amazônia. Entretanto, a paisagem indígena havia mudado de forma dramática; muitos dos grupos originais desapareceram, outros viram dizimadas suas populações e alguns migraram a outras regiões ou ocorreram intercâmbios étnicos que ainda não foram bem identificados.

A cultura do iagé

De todos estes grupos, para o presente século se reconhecem no Alto Amazonas
colombiano os seguintes: a) os kamsá, habitantes do Vale do Sibundoy e possíveis descendentes dos quillacingas de Nariño, b) os siona, habitantes do rio Putumayo, c) os kofanes, residentes nos rios Putumayo, San Miguel e Guamuez, d) os coreguaje, localizados sobre as margens do rio Orteguaza, e) o povo murui-muinane (uitotos), habitantes do rio Caquetá e seus afluentes, e f) os inganos, localizados sobretudo no Vale do Sibundoy e na regiõ vizinha a Mocoa. No sopé equatoriano se encontram, por sua vez, indígenas siona, secoya, quechua-falantes e ashuar.

São estes pois os grupos indígenas atuais do sopé amazônico que corresponde ao refúgio do Napo e, com efeito, todos compartilham sistemas de vida e de crenças muito similares, com um denominador comum: o uso do iagé, um experto conhecimento de plantas medicinais e grandes habilidades como médicos tradicionais ou xamãs. Pela similitude de suas práticas, os antropólogos chamaram a esta região e seus habitantes, a "cultura do iagé", considerada por muitos como a última das tradições xamânicas que se conserva com maior grau de pureza no planeta.

Resulta difícil precisar se alguma destas etnias pode considerar-se como a possuidora original do conhecimento ou a responsável da domesticação e aproveitamento do iagé e outras plantas medicinais importantes. O próprio nome de iagé resulta ser um mistério. Qual é o nome original assignado a este cipó? Não sabemos. Entre as populações indígenas de fala quechua, desde o Peru até a Colômbia, recebe o nome de ayahuasca (traduzido como cipó da alma ou vide dos mortos) ou também o de ambiwaska (traduzido como cipó de remédio ou vide de medicina), enquanto que os ashuar do Equador o conhecem como natema e kamarampi entre os ashaninca do Peru; o nome de iagé é dado entre os sionas, os kofán, os secoya e os inga da Colômbia.

O iagé só é possiível encontrar em forma silvestre nas regiões antes descritas. A presença desta liana em regiões como o sul da Amazônia peruana, a selva do Brasil ou regiões como o Orinoco e o Chocó, se deve ao intercâmbio que há centenas de anos realizaram os grupos indígenas, que levavam consigo sementes de suas principais plantas; em todas estas áreas só é possível encontrá-lo em forma cultivada.

Sem dúvida alguma, o ayahuasca ou iagé, por seus poderosos efeitos de transe, foi a planta mais apreciada das culturas indígenas do sopé amazônico. Mas o xamanismo destes grupos também faz uso de múltiplas plantas que os próprios indígenas chamam "irmãs" e que com seu uso complementam a eficácia de seus poderes xamânicos e terapêuticos. É o caso do cipó Paullinia yoco, as diversas variedades de Ciperáceas, a palmeira conhecida como waira sacha (folha de vento), indispensável no ritual xamânico, etc.; todas estas plantas são também silvestres e próprias destes ecossistemas.

Novos usos do iagé

O interesse recente pelos poderes do iagé suscitaram, nos últimos cem anos, novas formas de uso, a maioría delas distintas das empregadas pelos indígenas que originalmente ostentavam o conhecimento; cabe aqui fazer-nos várias perguntas: perde eficácia o emprego do iagé, fora do contexto xamânico original?, as mudanças na forma de preparo e de uso suscitam por sua vez mudanças nos efeitos do consumo de iagé?, pode considerar-se que a música, a parafernália e o uso de plantas complementares, tal como o fazem os indígenas, são elementos secundários e que não intervém no efeito final do consumo de iagé??

Estas perguntas, é claro, podem conduzir a grandes polêmicas, mas nem por isso devemos deixar de fazê-las. Para uma análise mais detalhada, convém primeiro enumerar rapidamente as novas formas de utilização do iagé na cultura moderna:

1. O uso do iagé por parte de mestiços, camponeses e em geral de homens brancos que habitam no sopé amazônico. Isto suscitou o fenômeno do curandeirismo, que se observa sobretudo em cidades como Iquitos e Pucallpa no Peru ou Mocoa na Colômbia. Em termos gerais, estes curandeiros participaram em sessões rituais com indígenas e alguns inclusive seguiram um processo formal de aprendizagem. Entretanto, suas práticas não contemplam todo o conhecimento original dos indígenas e incorporan técnicas e conceitos que procedem de outras latitudes (espiritismo, magia negra e magia branca, esoterismo, técnicas do new age ou das recentes medicinas alternativas).

2. O uso do iagé em práticas de sincretismo religioso, sobretudo originadas no Brasil, como as conhecidas igrejas do Santo Daime, União do Vegetal e Barquinha. Nestes casos se conserva o contexto religioso ou místico que evoca o consumo desta planta, mas se deixaram de lado, em quase tudo, a parafernália, o uso de plantas complementares e a cosmovisão original indígena. Inclusive os cantos e a música são transformados e deixam de ser técnicas de invocação de forças da natureza, para converter-se em mantras, preces, salmos e orações de exclusivo conteúdo religioso ou filosófico. Aqui podemos afirmar que o iagé foi extrapolado de seu contexto xamânico e se integra definitivamente em uma forma neo-religiosa.

3. O uso do iagé como parte de programas de pesquisa científica, seja para a busca de substâncias ativas com atividade farmacológica, seja para dilucidar problemas da fisiologia cerebral ou para seu emprego com aplicações terapêuticas por parte de médicos ocidentais. É o caso de programas como o existente em Tarapoto (Peru) com o Centro de Experimentação de Toxicomanias (5), ou as pesquisas farmacológicas do neuropsiquiatra chileno Claudio Naranjo (6) ou as pesquisas farmacológicas do neuropsiquiatra chileno Claudio Naranjo (6) ou os trabalhos de encefalografia do grupo interdisciplinar conformado pelo antropólogo catalão Josep Fericgla (7).

4. Nos últimos anos surgiu como um modismo o new age e o neo-xamanismo, cuja origem reside na busca de novos paradigmas religiosos e médicos. É freqüente encontrar a pessoas que se autointitulam como xamãs e que tem escolas de iniciação ou aprendizagem e prática em várias cidades da América Latina e Estados Unidos. Em particular ressaltam as experiências de dois controvertidos antropólogos: Michael Harner e Carlos Castaneda, os quais depois de trabalhar como pesquisadores formais e acadêmicos e ter contato próximo com culturas indígenas, se converteram em mestres das técnicas xamânicas. A revista mensal "Shaman´s drum"(8) está repleta de informação sobre escolas e centros de neo-xamanismo, de fácil acesso para o homem branco. Este novo fenômeno não pode ser enquadrado como uma nova prática religiosa ou uma nova prática médica, em sentido estrito, e deria ser melhor compreendida no contexto de um novo humanismo filosófico.

5. Finalmente, com o auge das experiências psicodélicas no mundo ocidental, muitas pessoas buscam a experiência do iagé, com a única finalidade de experimentar as sensações alucinatórias desta planta. Alguns querem uma experiência "autêntica" e viajam em busca de "verdadeiros xamãs", enquanto que outros ingressam a esta experiência guiados pelas oportunidades de seu entorno. Hoje é fácil conseguir uma garrafa de iagé pela Internet ou nos Estados Unidos se oferecem viagens organizadas com destino ao Equador, Peru e Brasil com o quase único objetivo de consumir esta substância visionária de mãos de algum pretendido xamã indígena a serviço de uma agência de viagens.

Os índios, outra vez em problemas

O problema que resulta de todas estas modernosas formas de uso e interpretação sobre seus efeitos é sem nenhuma dúvida de grande magnitude. Estamos diante de uma nova forma de apropriação, por parte do homem branco, de uma sabedoria e um recurso indígena. No caso da América, depois de 500 anos, nos encontramos diante de um novo intento de encontro entre duas culturas, já não com base nas terras, no ouro, nos recursos naturais, na mão de obra ou na imposição cultural e religiosa. Agora o problema em questão é o dos recursos genéticos, as plantas medicinais, as plantas psicotrópicas e os conhecimentos xamânicos. E este encontro pode tornar-se catastrófico para os indígenas.

São múltiplas as ameaças que se apresentam para o caso específico do sopé sul-americano: Abusos na aplicação dos Direitos de Propriedade Intelectual, por parte de centros científicos, universitários ou industriais, comércio ilegal ou indiscriminado de plantas medicinais e em especial do iagé, sem considerar o grave perigo de extinção, o novo "boom" do iagé, das plantas psicotrópicas em geral e do xamanismo: New age, esoterismo, cursos curtos de xamanismo prático, iagé a domicílio pela Internet, aumento de charlatães e "pseudo-xamãs" e, finalmente, o iminente perigo de uma legislação internacional que declare ao iagé como planta narcótica e ilícita, de cultivo, uso e comercialização proibida.

Mas, realmente são os indígenas os únicos prejudicados de toda esta situação? Afinal, o pior que poderia ocorrer é que eles se extingam, como já está ocorrendo com os sionas, os secoyas e os coreguaje, para falar do sopé, ou com os nukak makú e os zoró na Média e Baixa Amazônía, ou com os quase mil grupos étnicos desaparecidos em quinhentos anos. (9)

Afortunadamente cresce a consciência de que a salvaguarda da diversidade cultural e humana do planeta é uma questão de urgência para ter esperanças de sobreviver como espécie:

"É preciso valorizar e proteger a diversidade cultural, dado a alarmante redução atual de formas sociais adaptativas existentes no inventário humano. A perda e destruição de sistemas civilizadores implica na perda de modelos únicos de organização social, política, econômica, lingüística e de expressões intelectuais, científicas, artísticas e filosóficas... A diversidade cultural é tão importante como a diversidade biológica: ambas são as garantias da riqueza de formas de vida... Uma humanidade com pluralismo cultural é necessária para uma evolução biosocial que otimize todas as formas de vida e de criatividade cultural no inventário de expressões humanas... A diversidade cultural potencializa todas as criatividades humanas para alcançar diferentes formas de convivência coletiva". (10)

Sabemos o que é o iagé?

O conflito, entretanto, vai além de sermos testemunhas da possível última tragédia indígena do sopé amazônico. Temos realmente compreendido inteiramente o significado e o valor do iagé e da sabedoria xamânica que o rodeia? Estamos seguros de verdade de tudo o que este universo da ciência indígena representa para o homem e para a vida no planeta?.

Não estou muito seguro. Acho que mais uma vez a cultura ocidental está cometendo o mesmo erro de sempre, graças a seu etnocentrismo e o querer interpretar "ao outro" a partir de sua própria forma de pensamento. Depois de quase quinhentos anos de perseguição implacável contra os xamãs, contra suas plantas, contra sua sabedoria, por fim o homem moderno se interessa de uma maneira nova por todos estes fenômenos. Experimenta ou intui que os xamãs do sopé amazônico têm um poder e um segredo importante e corre apressado para descobri-lo. No centro encontra uma beberagem feita de plantas e entre elas o iagé. O primeiro impulso, e até agora quase o único, é considerar que o segredo e o poder do índio é esse e nada mais: o iagé ou a ayahuasca, se converte agora no novo Eldorado da cultura moderna.

E o homem moderno, sob rótulos como etnobotânico, médico, científico, antropólogo, humanista ou místico, cai na mesma tramóia: não pede licença, não pergunta, não escuta, não questiona. Simplesmente toma a planta, toma o ouro verde e o usa a seu gosto, o acondiciona a suas estruturas de pensamento ou de cultura. Uma vez mais o índio é despojado do que é seu e o despojador acredita haver colhido o céu com as mãos (expressão metafórica que, entretanto, para o caso que nos ocupa parece quase textual).

Vemos então a hordas de homens usando o iagé em contextos de curandeirismo, em espaços de sincretismo religioso, em escolas de humanismo filosófico, em experiências psicodélicas, em formas caricaturescas de falsidade ideológica ou em pesquisas de talhe científico e econômico.

Não posso cair na intolerância de sugerir que todas estas formas modernosas sejam ineficazes ou desprezíveis. Pode ser importante encontrar no iagé substâncias ativas para a solução de graves problemas de saúde (11), ou talvez formas experimentais de tratamento para a farmacodependência, ou talvez formas rituais e sacramentais que a muitos lhes permita vivenciar uma sã experiência religiosa. E mais, estou convencido destes benefícios. Creio que o iagé é uma planta tão especial, sagrada diriam os indígenas, que pode dar pé a todos estes usos e estes benefícios.

O que acredito é que, entretanto, detrás de tudo isto estamos ficando sem conhecer um benefício ainda mais importante do iagé e de toda a cultura xamânica. E penso que a única maneira de descubri-lo é mudando nossa atitude. A atitude que supere o etnocentrismo e a desqualificação, a atitude que ouse entabular um autêntico diálogo com o outro, neste caso o indígena. Esse "outro benefício" do iagé, que historicamente é o primeiro pois estava antes que os novos, só podemos conhecê-lo se nos aproximarmos com respeito ao xamã, ao índio, se pedimos permissão para entrar em sua casa, se respeitamos suas normas de convivência, se temos a humildade para perguntar, com a noção de que quem sabe e pode ensinar-nos é ele, e se por fim adquirimos o bom costume de saber escutar e atender os conselhos.

Isto implica também em entender que um processo de conhecimento, pesquisa ou aprendizagem com os indígenas, requer um longo processo, de aceitação de uns ritmos que determina o mestre e de uma enorme dose de paciência. É inconcebível que cheguemos a pensar que por havermos participado em duas ou três sessões de iagé com xamãs, já temos as respostas completas a seu misterioso funcionamento, ou pior ainda, que já sejamos autênticos iniciados na arte xamânica; os próprios xamãs nos lembram que para conhecer a ciência do iagé se necessitan trinta ou quarenta anos; acaso o homem branco tem algum privilégio para que com ele não demore o mesmo tempo?

Se alguém se atreve a esta nova forma de aproximação deve, é claro, despojar-se de toda classe de preconceitos morais, científicos ou culturales; é comum encontrar que diante da experiência de algum fenômeno estranho em uma sessão, de forma imediata se trate de dar explicações desde contextos científicos ou religiosos de outras culturas. Se um xamã usa as folhas de urtigapara aplicar como açoite sobre o corpo do doente, se pensa então que sem dúvida é uma forma de aplicar acupuntura artesanal ou primitiva, aproveitando os pontos energéticos do Chi´; neste mesmo contexto, as explicações sobre enfermidades frias e quentes se extrapolam com facilidade às teorias do Ying e Yang da medicina chinesa. O mesmo ocorre ao experimentar efeitos psicológicos de regressão ou de viagem ao passado, os quais se interpretam facilmente como a confirmação das teorias sobre a reencarnação. Mais freqüente é a explicação científica de que os efeitos "alucinatórios" são o simples resultado de haver consumido uma planta com princípios ativos que têm efectos sobre profundas estruturas do sistema nervoso central. (12)

É possível que estas hipóteses sejam corretas. Mas é possível que simplesmente sejam coincidências. O que se sugere aqui é que demos permissão a que seja o xamã que dê a explicação completa, a partir de seu próprio discurso e sobretudo a partir de sua própria lógica. Já teremos depois oportunidade de fazer traduções ou comparações, se seguimos acreditando que isso seja importante.

Talvez também, uma vez concluída uma aproximação real e respeitosa ao iagé no contexto xamânico, voltemos a preferir seu uso nos novos contextos científicos, religiosos, psicodélicos ou curanderis. Mas penso que esta última opção é mais sadia, pois se faz sobre a base de que escolhe entre duas opções igualmente válidas e com um conhecimento de causa do contexto original (apesar de que me atrevo a afirmar que quem conheça o verdadeiro valor do iagé indígena, já não quererá voltar a experimentá-lo em outro contexto).

Este novo olhar que proponho, ou seja uma nova forma de aproximação ao saber xamânico e aos efeitos do iagé, requer, paradoxalmente, uma abertura em nossos níveis de observação e de compreensão. É a bebida do iagé a única protagonista de uma sessão ritual xamânica? Essa continua sendo a idéia predominante do homem branco. Será que acaso pouco importa a presença do xamã? Será que o traje ritual, as plumas, os colares, os chocalhos e a pintura corporal são simples adornos exóticos e desprovidos de intencionalidade? Será que a música e os cantos em idiomas ininteligíveis para nós são balbuceios primitivos que expressam a superstição e pouca evolução do índio? O ramalhete de folhas com que acompanha ritmicamente seus cantos e seus bailes, será apenas um barulho para ambientar a noite? Mastigar chundures de acordo com o tipo de cura e aplicar as folhas de urtiga o banhar-lhe a cabeça com um cozimento de plantas da selva, ou assoprar um perfume sobre o corpo do enfermo ou succionar "estranhos objetos" da pele ou fazer defumações com resinas e com tabaco, são práticas mágicas que em pouco ou nada afetam o efeito final do consumo do iagé?

A pesquisa científica sobre o iagé ou ayahuasca práticamente já disse tudo; com efeito, é uma beberagem preparada com plantas da floresta amazônica. Em todos os grupos indígenas que o empregam, tem como base o caule de um cipó da espécie Banisteriopsis (existem mais de seis espécies identificadas, todas usadas com igual objetivo). Para a preparação se emprega ademais uma planta complementar, igualmente importante, a qual varia de uma cultura para outra. Entre os inganos de Colômbia se emprega a chagro panga, folhas da espécie Diplopterys cabrerana, enquanto que no Peru é mais freqüente o uso da chacrona ou Psychotria viridis. (13)

Estas substâncias ativas são afins a terminações nervosas dos centros superiores do sistema nervoso central; aqui parece terminada qualquer conjectura sobre seus efeitos. É uma simples questão de reações fisiológicas, dizem os cientistas para dar por terminado o caso.

Entretanto, ainda são muitos os mistérios que não puderam ser explicados. Ainda não se entende como os índios, sem tecnologia alguma, puderam descobrir a combinação perfeita de duas plantas, combinação sem a qual o efeito de transe seria impossível. Tem sido motivo de surpresa e admiração reconhecer que há uma perfeita coincidência bioquímica entre os dois grupos de plantas empregados.

Por outra parte, como concluem os estudos do neuropsiquiatra Naranjo, não existe ainda uma explicação coerente sobre como se repetem conteúdos de imagens em pessoas que foram injetadas com harmalina, sem ter sequer conhecimento da origem da substância; a maioria delas reportou visões sobre jaguares, jibóias, papagaios ou em outros casos sobre referências de imagens cristãs.

A explicação antropológica do efeito do iagé ou do transe xamânico como uma viagem ao mundo dos espíritos é para a ciência moderna, agnóstica e materialista, sob qualquer ponto de vista insustentável; a ciência não crê no espírito ou em realidades sobrenaturais e estes no máximo se interpretam como conteúdos simbólicos da cultura ou da psique humana. Se o afirmado pelos indígenas é certo, seria necessário primeiro demonstrar, de maneira "científica" a existência do espírito, assunto que obviamente está muito longe de poder dar-se nas condições atuais. Enquanto isso, um enorme abismo seguirá existindo entre ciência moderna e ciência indígena.

Mas as dúvidas e as distâncias se acrescentam ainda mais se tratamos de examinar com detalhe os efeitos reais de um transe xamânico sob os efeitos do iagé. Aqueles que o experimentam não duvidam nem por um instante da veracidade do conteúdo de imagens, sensações e sons, apesar da insistência em considerar ao iagé unicamente como uma planta com efeito psicodélico.

Iagé e purga

Venho insistindo desde outras ocasiões que para os indígenas do sopé amazônico (14) , o iagé ou ayahuasca é antes de mais nada um purgante. A palavra purga é preferida por eles para definir o efeito de seu consumo. E falamos de uma purga no sentido grego de "katarsis", posto que se experimenta uma dramática limpeza do organismo e ainda mais, uma limpeza dos sentimentos, recordações, pensamentos e vivências espirituais. O fundamento do conteúdo das sensações durante o transe com iagé reside precisamente nesta experiência catártica, que coincide com a já clássica e célebre descrição de Eliade: "Sofrimento, morte e ressurreição rituais". O iagé é o veículo sagrado para ingressar ao mundo espiritual, mas ao mesmo tempo é o encarregado de limpar ao viajante para que possa ingressar em estado de pureza a esse mundo.

Para os ocidentais, entretanto, estes efeitos de purga (vômito, diarréia, sudoração, taquicardia, diurese aumentada, etc.) são considerados como prova de seu efeito tóxico. De forma paradoxal, para os índios esse mesmo efeito é considerado como uma verdadeira desintoxicação ou limpeza. Inclusive, em muitos casos, o homem branco busca a maneira de minimizar ou dissimular o clássico sabor amargo e nauseabundo da beberagem, enquanto que para os índios este amargo é a condição primordial para por a prova a vontade e a fé do iniciado.

Não posso, em aras desse espaço limitado para expressar todas as idéias, estender-me em detalhes sobre as muitas outras diferenças que existem entre o consumo de iagé em um autêntico contexto xamânico com indígenas do sopé amazônico e o consumo em espaços dessacralizados, pois parece que as reordenações humanistas ou religiosas mantenham certo conteúdo sagrado desta maravilhosa planta.

Eu não sabia nada disto; simplesmente, se a casualidade existe, há quinze anos, quando fazia meu estágio rural para terminar meus estudos na Faculdade de Medicina, conheci a xamãs inganos do sopé amazônico colombiano. O medo ou a prudência (que quase sempre se confundem), unidos à generosidade desses índios, me levaram a introduzir-me no fascinante e difícil mundo do xamanismo e do iagé. Não perguntei, não questionei, não pus preconceitos entre eles e eu. Apenas estava perturbado pelo que fui experimentando em minha vida pessoal. Uma dramática limpeza, uma profunda conversão científica (e obviamente, espiritual), uma convicção de que as plantas medicinais servem sim, e uma aterrorizadora certeza; tinha ingressado, sem sabê-lo e sem querê-lo, a um estranho mundo que já havia escutado em minha infância por boca de minha avó e de meus professores, alguns deles sacerdotes: O purgatório, que mais que uma figura metafórica ou a invocação de um lugar ao qual vão os mortos para expiar suas culpas e pecados, se convertia aqui em uma horrorosa e bela realidade.

Notas:

(1) Médico-cirurgião da Colômbia, professor catedrático da Pontificia Universidad Javeriana e Coordenador do "Programa Colombia" de Amazon Conservation Team. Desde 1983 esteve em estreito contato com os indígenas inganos do piemonte amazônico colombiano, participou nas sessões rituais do iagé e assessora com eles um amplo programa de recuperação da medicina tradicional, das plantas medicinais e de sua cultura. Artigo originalmente publicado em "Visión Chamánica" (número 1 - Bogotá, fevereiro de 1999). Acesse aqui a atual versão virtual da revista Visión Chamánica.
(2) Eliade Mircea, EL CHAMANISMO O LAS TECNICAS ARCAICAS DEL EXTASIS, Fondo de Cultura Económico, México, 1975.
(3) Cerón Benhur, EL MANEJO INDIGENA DE LA SELVA PLUVIAL TROPICAL, Ediciones Abya-Yala, Quito, 1991.
(4) Llanos Héctor, Pineda Roberto, ETNOHISTORIA DEL GRAN CAQUETA (Siglos XVI-IX), Fundación de Investigaciones Arqueológicas Nacionales, Banco de la República, Bogotá, 1982.
(5) Mabit Jacques, TAKIWASI: Usos y abusos de sustancias psicoactivas y estados de conciencia, Revista Takiwasi, # 5, Septiembre de 1997.

(6) Naranjo Claudio, Aspectos psicológicos de la experiencia del yagé en una situación experimental, en: Harner Michael, ALUCINOGENOS Y CHAMANISMO, Guadarrama, Punto Omega, Madrid, 1976.

(7) Fericgla, Josep María. AL TRASLUZ DE LA AYAHUASCA, Ediciones Abya-Yala, Ecuador, 1997.

(8) SHAMAN´S DRUM, A Journal of Experimental Shamanism, # 32, Willits CA, 1993.
(9) A maioria dos autores coincidem em dizer que à chegada dos conquistadores existiam na América cerca de 1.500 grupos indígenas, dos quais sobrevivem apenas 450.

(10) Barón Ciro, Reichel Elizabeth, Pinzón Carlos y Perafán Carlos, Diversidad étnica, cultural y constitución colombiana de 1991. Legitimidad de las diferencias: realidades, retos y respuestas, en: DERECHO, ETNIAS Y ECOLOGIA, Tomo 6, "Colección documentos de la Misión", Presidencia de la República, Consejería Presidencial para el Desarrollo Institucional, Colciencias, Santafé de Bogotá, 1995.

(11) Graças a seu conteúdo em substâncias inibidoras de enzimas cerebrais – Inibidores da Monoaminoxidase ou IMAO - a harmalina, princípio ativo do iagé, é um potencial antidepressivo para uso em psiquiatria.

(12) Os xamãs do piemonte amazônico empregam as folhas de urtiga, Urera sp., como acompanhante na sessão ritual com iagé; esta planta contém, tanto em seus talos como em suas folhas, uns espinhos rígidos que contém substâncias urticantes, cuja aplicação na pele resulta dolorosa e produz um efeito de queimadura ou de picadura, similar à picadura de formigas. A urtiga oferece benefícios terapêuticos e ademais serve para controlar certos efeitos fortes ou desagradáveis durante o transe.

(13) Schultes Richard, Raffauf Robert, EL BEJUCO DEL ALMA: Los médicos tradicionales de la Amazonía colombiana, sus plantas y sus rituales, Banco de la República, Ediciones Uniandes, Santafé de Bogotá, 1994.

(14) Zuluaga Germán, EL APRENDIZAJE DE LAS PLANTAS: EN LA SENDA DE UN CONOCIMIENTO OLVIDADO, Seguros Bolívar, Excélsior editores, Santafé de Bogotá, 1994.

sábado, 12 de setembro de 2009

A molécula do DMT: Uma escapadela com espírito, duendes e estrangeiros


TRADUÇÃO DO BABELFISH

Nos últimos dez anos, houve uma ocorrência lentamente crescente de cerimónias religiosas do ayahuasca subterrâneo em Califórnia do sul, e primeiramente em Los Angeles. Estas cerimónias são espalhadas verbalmente, e a entrada a ela carreg uma doação. É um donation do `porque não pode ser chamado uma admissão do `, 'que seja considerado renda passível de imposto. Também, a bebida do ayahuasca usada na cerimónia é ilegal. Que são ayahuasca, e porque são lá uma cerimónia que cerca o? Antes de mais nada, o ayahuasca é uma bebida religiosa consumida por indianos indígenos no Amazon. É hush-hush aqui neste país porque a bebida é tècnica ilegal. Isto é porque seu componente psicadélico ativo é um composto chamado DMT (as divisórias ilegais)

O DMT é curto para o dimethyltryptamine. Ocorre naturalmente em cérebros mamíferos, embora extremamente em pequenas quantidades. É uma droga psychotropic. Pode ser extraído e refinado de determinadas plantas, tais como hostilis do mimosa. O DMT é igualmente uma droga da programação 1 nos Estados Unidos. Este meios, muito simplesmente, que ingerir isto quesoa a substância o aterra na água muito quente com suas droga e autoridades competentes locais.

Pelos clientes dos povos que ingeriram o DMT, a experiência começa com a aparência visual de formas geométricas cada vez mais da complexidade. Isto é seguido então pela imposição gradual de uma realidade perceptual subjetiva povoada por entidades ou do formulário animal e/ou non-human, e interessante, das criaturas que se assemelham a descrições contemporâneas dos estrangeiros. Há igualmente uns encontros com espírito humanos (quem podem ou não podem ser parentes.) A precedência é uma capsulagem bruta simplificada da experiência sensorial e deve-se anotar que a duração e a aparência destas entidades variam de individual ao indivíduo.

Agora, estas experiências perceptual podem ou não podem soar como o copo do aventureiro psychotropic do chá (que é como os ayahuasca consumidos) mas há uma advertência a esta bebida do bilhete-à-fairyland; o gosto do ayahuasca é indescribably vil, e os indianos igualmente referem o ayahuasca como o purga do la, (a remoção) porque o consumidor vomit inevitàvel, ou têm as entranhas extremamente frouxas. Há umas maneiras alternativas e menos gastro-intestinally afligindo de ingerir o DMT, tal como o fumo dele, ou a injecção dele. Ambos são prospetos inquietantes, porque a fim o fumar, você deve saber o extrair e refinar quimicamente. Para injetá-lo é ainda mais procedimento fisicamente invasor esse colide imediatamente o consumo do DMT em uma categoria muito mais séria de exploração psychotropic. O DMT não é para a multidão do bong e da pizza.

Assim que é o ponto de ingerir o DMT se pode o faz arremessar ou exigir que você tem um fundo na química orgânica? Não é chamado o molecule do espírito do `para nada, porque as qualidades transcendentes do DMT não podem ser disputadas. A ingestão do DMT sob a forma do ayahuasca é uma função sagrado por shamans e por tribos indianos do Amazonas. É igualmente parte do ritual religioso pela seita cristã de Santo Daime de Brasil. O DMT é uma de poucas substâncias psychotropic onde os usuários descrevem freqüentemente encontros interativos com personalidades.

A experiência dealteração do DMT foi provada por William Burroughs, por Allen Ginsburg, por Terence McKenna e por Timothy suspeitoso. Todos atestam ao lançamento poderoso do DMT do assunto em um plano às vezes amedrontando da realidade. Mas todos concordam que é uma experiência psychoactive poderosa. O “desengate” próprio parece (em uma destilação de diversos clientes) dividir em estágios específicos:

Firstly, os testes padrões geométricos aparecem na visão do assunto. Crescem na intensidade e na complexidade. São não de estática, mas móbil, e constantemente mudança em umas ordens mais elevadas de formas e de tamanho. A segunda etapa é o movimento do experimentador através de uma estrutura transitória metafórico; este poderia ser um túnel enorme, encontrando uma “membrana” da luz, além de que as figuras não ofuscantes podem ser consideradas, ou incorporando um salão ou uma câmara vasta, a onde a abóbada ou o teto topmost abrissem o que quer que o indivíduo está a ponto então de experimentar. E esta parte seguinte é onde começ complicada.

Dependendo de quem você fala, este estágio seguinte varia de traumático a imponente. Os vários animais podem ser vistos. A maioria de encontro da “os duendes máquina.” Em algumas experiências, estão desgastando literalmente duende-garb, para baixo aos chapéus pointy. Em outros exemplos, podem ter uma aparência do insectoid. São todos sob quatro pés de altura. Muitas vezes estão cientes de sua presença, e podem tentar e interagir com você. Há uma impressão que forte são trabalhadores. Mas mesmo este estágio é um preâmbulo. Se você é afortunado (ou azarado) você pôde em seguida encontrar “a entidade estrangeira.” Esta personalidade cabe a maioria de descrições contemporâneas de uma grande cabeça do “estrangeiro” -, estreitando o queixo, réguas do preto para os olhos. Sua atitude pode variar de indiferente, a curioso, à hostilidade imediato.

Muita daquelas que partaken do ayahuasca ou do DMT demonstra que os estágios da experiência descritos acima não podem acontecer durante um único desengate. Às vezes toma sessões múltiplas do DMT ao progresso para a próxima fase. É como se há um mecanismo do acclimation no trabalho. Por causa dos aspectos convenientemente organizados da experiência DMT-induzida, alguns experimentadores supor que o DMT gira os mecanismos fora de filtração no cérebro que impedem que determinados estímulos visuais e auditivos interajam com nossos processos cognitivos. Estes estímulos são supor para ser não relacionados a nossa realidade consensual, nossas lidar & sobrevivência nela, e conseqüentemente nossa neurobiologia evoluiu para obstrui-la de nossos consciousnes. Ou seja se estes mecanismos de filtração não existiram, nós seríamos inundados por tão muitos fenômenos audiovisuais que nós não poderíamos se centrar sobre nossas necessidades imediatas da sobrevivência.

Assim de onde os estímulos auditivos e visuais estão vindo? É gerada pelo nosso subconsciente, por alguma parte de nosso cérebro que é sido fechado afastado para centenas de milhares de anos? A comunalidade das experiências, o “sameness literal” que todos os experimentadores do DMT suportam e undercuts aquele. A aparência inicial de testes padrões geométricos poderia ser atribuída a uma seção de nosso noggin que todas as partes dos sapiens de homo, um que gera a mesma aparência. Mas os animais? Os duendes? Os estrangeiros?

Poder-se-ia ser que o DMT está ajudando o usuário a alcançar uma colectividade inconsciente de arquétipos armazenados. Mas se você é disposto ingerir essa encenação, então por que não uma dimensão além do nossos próprios? É isso ainda demasiado distante de um estiramento? Há realmente um precedente para este sistema da opinião. Chamou a religião, e biliões de nós atribuem a um formulário dele ou a outro. Às vezes, para fora aqui em Los Angeles, está verbalmente, uma doação, e um teacup do purga do la.

Carta de Albert Hofmann a Steve Jobs


Uma carta inédita que o descobridor do LSD - Albert Hofmann – escreveu pouco depois do seu 101º aniversário ao diretor geral da Apple, Steve Jobs, pedindo apoio para a pesquisa do LSD, foi publicada no novo livro ‘"This Is Your Country On Drugs: The Secret History of Getting High in America”, de Ryan Grimm (ainda não traduzido para português).


Steve Jobs nunca fez segredo do seu uso de LSD, e em entrevistas chamou-lhe “uma das duas ou três coisas mais importantes que fiz na vida”.


Caro senhor Steve Jobs,

Olá de Albert Hofmann. Compreendo pelas notícias que li nos média que é sua consideração que o LSD o ajudou em termos criativos no desenvolvimento dos computadores da Apple, e no seu percurso espiritual privado. Estou interessado em descobrir mais sobre a utilidade que o LSD teve para si.


Escrevo-lhe agora, pouco após o meu 101º aniversário, para pedir-lhe que apoie o estudo proposto pelo psiquiatra suíço Peter Gasser sobre a psicoterapia assistida com LSD em pacientes com ansiedade associada a doenças potencialmente fatais. Este será o primeiro estudo sobre a psicoterapia assistida com LSD em mais de 35 anos.


Espero que nos ajude na transformação da minha criança problema numa criança prodígio.


Atenciosamente, A. Hofmann


Segundo o livro, o donativo que Hofmann pediu foi recusado por Jobs. Algo que não será surpresa para muitos, pois Jobs não é propriamente conhecido pela sua generosidade.


Lê o artigo integral (em inglês) aqui.