Psicodélico: Janeiro 2013

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

TUDO QUE EU QUERIA DIZER MAS JÁ O FIZERAM MAGISTRALMENTE POR MIM


Extraído do Excelente blog musical :

Gravetos & Berlotas



A Planta Bandida e os Piratas: Sobre o Crime e Suas Origens 

por felipedeamorim

Nas primeiras décadas do século XX, o cânhamo era uma plantação crucial da economia agrícola norte-americana. E não poderia deixar de ser. Uma das primeiras culturas a ser domesticada pelos homens, produtos feitos à base de cannabis existem há, pelos menos, uns dez milênios. Por crescer rápido, consumir pouco espaço e ser resistente às pragas, o cânhamo foi matéria-prima preferencial da humanidade durante séculos, servindo para manufaturar desde tecidos, papel e cordames, até material de construção e combustível. Junto do algodão e do milho, foi uma das plantações tradicionais da colônia norte-americana, sendo cultivado até mesmo pelo primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington, e pelo terceiro, Thomas Jefferson. E não era mau negócio… dotada de uma fibra particularmente versátil, fácil de se plantar e de se beneficiar, seus custos de produção significativamente mais baixos o tornavam economicamente superior às alternativas. Das velas de navios que sustentavam o comércio marítimo que serviu de base ao crescimento da colônia norte-americana, às folhas de papel onde foram publicados os ensaios Federalistas, até os tecidos usados para vestir a população da nova nação, o débito dos Estados Unidos à plantinha insuspeita era enorme, assim como o do resto do mundo. Mas os milênios de ajuda do cânhamo para a humanidade mudariam no século XX, e não por razões completamente honestas.
Além de ser usado para fazer linho, roupas, cordas de navegação, sacos, lonas, placas de fibra, isolamento térmico, papel, além de servir como ótima cultura para revitalizar terra de plantações, o cânhamo era também consumido como remédio, dada as propriedades narcóticas do seu princípio ativo… o tetrahidrocanabinol, ou THC. Extratos de Cannabis eram vendidos em farmácias, e cigarros feitos da planta eram usados liberalmente por agricultores. O consumo de THC era regulado pela necessidade de prescrição médica, e considerado um narcótico potencialmente perigoso, mas essas medidas não eram mais restritivas que as exigências atuais para consumir outras substâncias psicoativas como Prozac ou Valium. E, de forma geral, essas restrições nem eram tanto resultado de uma preocupação com a cannabis por si, mas sim com um parente próximo da planta, o ópio, esse sim visto como uma ameaça de verdade à saúde pública (para não mencionar os interesses econômicos das potências ocidentais no oriente). Leis tornando mais duras as regras para comercialização de narcóticos durante as primeiras décadas do século XX visavam restringir o uso de opiáceos, e atingiam a cannabis como efeito colateral. E de qualquer forma, o comércio de cânhamo e seus outros subprodutos continuava bem.
Mas então, entra na história o Cidadão Kane em pessoa, William Randolph Hearst. Veja bem… apesar de servir para tudo, e crescer em qualquer lugar, o cânhamo tinha UMA fraqueza… ele era meio trabalhoso de se colher. Por isso, já no século XIX, a produção de papel de cânhamo caiu em desuso, tendo sido trocada pelo processo de produção à partir de polpa de árvores e ácido sulfúrico… que, você deve imaginar, exigia menos trabalho humano, mas era extremamente mais danoso ao meio ambiente, não só pela destruição das árvores, mas também pelo lixo químico produzido no processo. Hearst, cujo império de mídia se erguia nas costas de jornais impressos (e chantagem, concussão, notícias fantasiosas e difamação de caráter, a propósito) era compreensivelmente dono tanto de plantações de árvores para polpa, quanto de moinhos de papel… e detinha significativa faixa desse mercado. Mas até ai, tudo bem. cânhamo não era usado largamente para fazer papel, e os negócios de Hearst iam bem. Até que…
Em 1916 foi criado um descascador mecânico especificamente voltado para o cânhamo, que tornava muito mais rápido e fácil o processo de extração de fibras da planta. Seu uso foi se disseminando e, na década de 30, muita gente já se perguntava se não seria mais sensato substituir o danoso e mais caro processo de produção de papel via polpa de árvores pelo processo via fibra de cannabis. Hearst não hesitou em reagir. Nunca temeroso de publicar uma matéria escandalosamente falsa para manipular a opinião pública (ele foi o primeiro homem a ser chamado de jornalista amarelo, afinal de contas), Hearst logo começou a publicar matérias em sua cadeia de jornais, demonstrando os perigos médicos e sociais advindos do consumo da “marijuana” (nada como um termo estrangeiro para botar medo na classe media xenófoba gringa). Histórias escandalosas de delinquência juvenil (quem vai proteger nossas crianças?), violência incitada pela cannabis e danos irreversíveis aos cérebros da juventude estadounidense se seguiram com constância de metrônomo. Pouco importava se os estudos médicos da época já demonstravam que os efeitos nocivos da cannabis eram mínimos, e em certos aspectos, inexistentes. Os mitos de Hearst sobre os efeitos das drogas logo tomaram o imaginário coletivo. Filmes como “Reefer Madness” (conhecido no Brasil como “A Porta da Loucura” ou o mais legal “A Erva Maldita”) retratavam os horrores daqueles que consumiam a cannabis… Em certa cena, uma pobre jovem, sobre o efeito do vegetal do mal se entrega à euforia descontrolada causada pela droga (hein?) e começa desesperadamente a tocar piano sem parar. A sociedade estava chocada. Imagine só uma multidão de jovens descontrolados, sob os efeitos da marijuana, tocando sem parar pianos? Na faculdade, por exemplo, seria impossível ouvir uma aula sequer! Isso tinha que ser detido.
Hearst tinha causado muito barulho, mas efetivas medidas especificamente contra a cannabis ainda não existiam. Isso ia mudar em 1935, com a chegada de outro peso-pesado na história… No caso o grupo corporativo DuPont, donos da patente do processo químico de transformação de árvores em polpa e que, naquele ano, tinha desenvolvido a técnica para produção de nylon, um polímero resistente, praticamente impossível de se reciclar e que produzia o venenosíssimo cianeto de hidrogênio se queimado, sendo, portanto, muito mais nocivo à saúde que cânhamo (cuja queima, conforme verificado em grupos de controle, só produz sono, larica, papo chato e uma apreciação despropositada de reggae ruim). Ainda assim, a DuPont estava decidida a usar o nylon como o tecido do futuro, substituindo de forma completa o mais barato tecido de cânhamo. Para ajudar nesse projeto, foi convocado Harry Anslinger, conhecido proibicionista e chefe do Escritório Federal de Narcóticos dos Estados Unidos e marido da sobrinha de Andrew Mellon… o Secretário do tesouro que tinha indicado Anslinger para o cargo e, ora bolas, que puta coincidência, era dono do Mellon Bank, Gulf Oil e Alcoa, alguns dos principais parceiros comerciais da DuPont.
Como o governo dos Estados Unidos tinha laços estreitos com DuPont, que era fornecedora de explosivos e munição desde a Guerra da Independência, não foi difícil utilizar a máquina pública para atender os interesses da companhia. Anslinger logo iniciou uma campanha contra a maconha. Discursos exaltados no Congresso eram seguidos por artigos em revistas detalhando a destruição causada pela erva, tudo temperado com doses generosas de sensacionalismo e racismo. Em um artigo chamado “Marijuana: Assassino da Juventude”, Anslinger contou a história de Victor Licata, que matou a família inteira à machadadas depois de fumar unzinho. O fato que Licata era um conhecido psicótico, que a polícia já  tentara internar no passado, não era mencionado. Em outro artigo, Anslinger alertava sobre as garotas brancas nas universidades que, sob o efeito da erva, eram seduzidas por estudantes negros. “Resultado: gravidez”, concluiu Anslinger, alertando do perigo da marijuana que, pior que assassinatos, podia gerar mestiçagem. Finalmente, em 1937, o Congresso aprovou o Ato de Taxação de Marijuana, que efetivamente proibiu o consumo da droga no país… e, em uma inovação legislativa, proibiu também a produção e estoque de cânhamo, a planta da qual a droga era apenas um entre centenas de subprodutos. De um ponto de vista da saúde pública, isso faz tanto sentido quanto proibir mandioca porque a raiz pode ser usada para extrair cianeto.
O resultado disso tudo é a situação que encontramos hoje. Uma espécie inteira de vegetal, capaz de trazer inúmeros benefícios econômicos, é considerada ilegal na maior parte dos países ocidentais, em grande parte graças à pressão do governo dos Estados Unidos e sua política internacional de combate às drogas. Os prejuízos econômicos e sociais dessa criminalização, que podem ser vistos em qualquer cadeia pública ou morro do Brasil, em muito superam qualquer dano causado à saude pública pelo consumo de cannabis… Uma substância que, de acordo com repetidos estudos farmacológicos nos últimos cem anos, causa danos negligíveis à saúde, muito inferiores aos danos causados por substâncias legais como álcool e tabaco. A diferença é que não dá para fazer papel, tecido ou remédios baratos à partir de cana-de-açúcar. E é isso o que realmente foi proibido.

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Mas qual a razão principal de eu estar contando essa história? Por incrível que pareça, minha bandeira aqui não é a legalização da maconha, causa já melhor representada por gente muito mais inteligente, bem informada e articulada do que eu. O que eu desejava demonstrar é que, quando um governo possui laços estreitos com corporações industriais, as leis de um país tendem a deixar de representar necessidades do povo para se atenderem os interesses de empresas. O processo gradual de criminalização da maconha, com o sequestro da opinião pública, exposição de praça pública de “infratores” e, finalmente, ação política serve de caso exemplar, e hoje podemos vê-lo se repetir na batalha elos direitos de distribuição de informação que é travada na internet. Durante décadas, a violação de direitos autorais de artistas foi tolerada abertamente e medidas legais para coibir ou punir isso eram encontradas com total desinteresse do sistema jurídico e legislativo… ou até mesmo condescendência aberta. A luta do Lobão, na década de 90, para garantir controle maior dos royaltiesdevidos aos artistas só lhe rendeu a fama de louco, e isso tudo porque, até aquela época, quem violava os direitos autorais, gozando de total impunidade, eram as gravadoras e distribuidoras.
O advento da internet e os protocolos de transmissão de dados tiraram o monopólio sobre a distribuição de produtos de mídia das grandes empresas, jogando-a nas mãos da multidão anônima do mundo. E, olha só mais outra coincidência, foi somente a partir daí que as leis protegendo os direitos autorais começaram a ser aplicadas, no que é, no fim das contas, uma tentativa de criminalizar a distribuição livre de dados. A morte de Aaron Swartz, semanas atrás, é um trágico exemplo desse processo. Swartz estava encarando a possibilidade de passar 35 anos na cadeia, tudo por ter tornado disponíveis dados legais e científicos, muitos dos quais já em domínio público. Em comparação, a condenação de Thomas Bray, um anestesiologista que espancou, tentou matar e estuprou por cinco horas uma garota de 23 anos em 2012, foi de 25 anos de prisão. Na mesma toada, Kim Dotcom, fundador do Megaupload, um banco digital de arquivos, foi preso em 2012 em uma operação policial que envolveu agentes armados com rifles e submetralhadoras, e helicópteros cercando sua casa. Acusado de causar 500 milhões de dólares de dano à indústria de entretenimento ao permitir compartilhamento de arquivos com direitos autorais registrados em seu site, Dotcom foi enviado à cadeia sem direito à fiança, onde permaneceu preso por um mês e meio, até finalmente ser liberado por um juiz que reconheceu como era ostensivamente ridículo manter preso um cara que fez um site, quando assassinos capturados na mesma época já gozavam de liberdade provisória. O mais intrigante? Apesar da terrível ameaça e dano representado por Dotcom, Megaupload, Fileshare e todos seus congêneres, balanços fiscais recentes revelaram que o ano de 2012 foi o mais lucrativo da indústria de cinema de Holywood. Desconfio que se está faltando dinheiro para os pobres artistas famintos, o problema deve estar em outro lugar, e não em você e no seu torrent.
A diferença crucial é que, na época da investida contra o cânhamo, a opinião pública era uma força bestializada, vítima e prisioneira das informações manipuladas por Hearst. Hoje, os mesmos meios de comunicação que me permitem baixar música e filmes, me permite também buscar informação alternativa, muitas vezes em fontes primárias por definição mais confiáveis que qualquer reportagem. Nós temos o meio de nos conscientizarmos e nos mobilizarmos contra o processo de criminalização da distribuição de dados, rebatendo as informações falsas fornecidas pelas distribuidoras e seus órgãos vassalos como o ECAD, e fazendo pressão política e social contra casos como os de Swartz e Dotcom. Não devemos ser coniventes com as tentativas das corporações de mídia de tomarem para si o sistema legislativo, e o empregarem para garantir uma sobrevida ao seus datados modelos de negócio. O futuro não pode ser impedido, mas isso não quer dizer que aqueles que ganham dinheiro com o anacronismo não vão tentar.
Publicado em: Assim Caminha a Humanidade.

 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Maconha e diminuição do QI

Um estudo de referência no campo da pesquisa, que sugeria uma ligação entre o uso de cannabis e a queda no QI de adolescentes, pode não ter ido longe o suficiente em sua pesquisa, com as quedas de QI ocorrendo mais provavelmente devido a status socioeconômico menores do que por conta da maconha. Segundo o novo estudo, questões sociais são de extrema importância para que se analise questões com a diminuição de QI.

O mais recente trabalho, publicado na revista da Academia Americana de Ciências, a "PNAS", também sugere que medidas de procedimento diferentes podem ser necessárias neste caso. "Meu estudo essencialmente mostra que os métodos utilizados e as análises apresentadas na pesquisa original são insuficientes para descartar outras explicações (para o QI mais baixo)", disse Ole Rogeberg, economista do Centro para Pesquisa Econômica Frisch, em Oslo.

 O novo estudo rebate a pesquisa realizada Dunedin em um relatório contínuo produzido pela Universidade de Otago, da Nova Zelândia, que vinha monitorando 1.037 crianças do país nascidas entre abril de 1972 e março de 1973. A pesquisa acompanhou as crianças por 40 anos.

Os participantes foram testados periodicamente para medição de QI e outros índices, incluindo consumo de drogas. Em 2012 a psicóloga clínica Madeline Meier produziu um estudo dizendo que havia uma ligação entre o uso de maconha na adolescência e um QI mais baixo. Contudo, devido à desconsideração de fatores importantes

[DOWNLOAD] Ópio Diário De Uma Louca



Coprodução alemã, filme tenso, intenso com roteiro profundo e filosófico que trata de vícios e loucura. No inicio do século XX, na Hungria, Josef Brenner (Ulrich Thomsen), escritor e médico, trabalha em uma clínica psiquiátrica. Durante meses vem sofrendo um bloqueio mental na hora de escrever, é incapaz de escrever uma única linha e por causa disso viciou-se em morfina. Certo dia chega a clínica uma nova paciente, Gizella (Kirsti Stubø), de 28 anos, que ao contrário sempre está escrevendo, é fiel à sua agenda e não deixa de escrever, mas é dominada pela obsessão de que um poder cruel e estranho a possui. Ambos de tornam dependentes um do outro.




Link Torrent + Legenda
Avi | 1.5 Gb | 109 Minutos | Direção: 
János Szász

Download – Discovery Channel – A Guerra da Erva



Nome Original: Weed Wars
Direção: Discovery Channel
Lançamento: 2011
Duração: 42 Min
Qualidade: DVDRip
Áudio: 10
Vídeo: 10
Formato: AVI
Tamanho: 349 Mbs
Ídioma: Inglês
Legenda: Português


Sinópse: Steve De Angelo tem duas missões: de fornecer o melhor produto possível para os pacientes que compõem sua base de clientes e educar o resto do país sobre a regulamentação e tributação dessas mercadorias. Guerra das Ervas tem um olhar de perto e pessoal para a realidade de administrar um negócio controverso de cannabis medicinal.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Revista Época : As drogas serão legalizadas?

As drogas serão legalizadas?


Em 2013, o mundo observará a experiência da liberação do consumo de maconha em dois Estados americanos. Como esse exemplo afeta a política das drogas na América Latina – e também no Brasil

FONTE : Revista Epoca
Os defensores da legalização das drogas começam 2013 com um apoio vindo de longe. Não de Amsterdã, a conhecida capital mundial dos coffee shops de maconha, mas da maior referência na criminalização desse mercado, da produção ao consumo. Os Estados Unidos são os grandes fiadores do combate aos entorpecentes pelo mundo – a expressão “guerra às drogas” foi cunhada pelo presidente Richard Nixon, em 1971. Em novembro de 2012, os moradores de dois Estados americanos, Colorado e Washington, votaram pela descriminalização da venda, do porte e do cultivo de maconha para consumo pessoal para maiores de 21 anos. Nas terras das Montanhas Rochosas e da Microsoft, liberou geral.

Nos dois Estados, um morador poderá comprar até 28 gramas de maconha em estabelecimentos licenciados. Se preferir, terá o direito de plantar em casa até seis pés da erva. Foi a maior demonstração de que a política de proibição das últimas quatro décadas começa a ser questionada no maior mercado consumidor de drogas do planeta. Os exemplos do Colorado e de Washington deverão abrir o caminho para outros Estados fazerem o mesmo. A principal aposta é a Califórnia, onde em 2010 houve um referendo para legalizar a maconha. O “não” venceu, mas os californianos flertam com a ideia há tempos. Foram os primeiros a aprovar a maconha para uso medicinal, em 1996. É provável que o movimento pró-legalização se organize para 2014, nas próximas eleições legislativas.

As mudanças nos EUA fortalecem a corrente de líderes da América Latina a favor de uma revisão da política de repressão às drogas, financiada em grande parte por Washington. No centro do debate estão os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e do México, Enrique Peña Nieto. Eles governam, respectivamente, o maior fornecedor de cocaína para os EUA (quase 90% da demanda) e a principal porta de entrada da droga no mercado americano. Ambos partem do princípio de que, se os próprios americanos duvidam da eficiência do combate às drogas, é hora de pesar o valor dessa política. No México, as mortes associadas à guerra contra o narcotráfico são estimadas em 50 mil, desde 2006.

Não se espera, no curto prazo, uma onda de legalização na região. “Muitos paí­ses latino-americanos ainda consideram prematura a ideia”, afirma o americano John Walsh, estudioso das leis sobre drogas na América Latina. O Brasil pode dar o primeiro passo nessa direção ainda em 2013. O Supremo Tribunal Federal (STF) deverá votar a constitucionalidade da criminalização do porte de drogas para uso pessoal – uma lei de 2006 prevê, como pena, advertência ou prestação de serviços comunitários. A ação é movida pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo, que vê na lei um desrespeito ao direito constitucional da intimidade e da vida privada. As atenções no continente se voltarão primeiro ao Uruguai. O presidente José Mujica enviou um projeto de lei ao Congresso que legaliza o porte, o cultivo e o uso pessoal de maconha. A proposta vai além: dá ao Estado o monopólio da venda da droga, um negócio que gira em torno de US$ 40 milhões no país. A previsão é que a Câmara e o Senado, de maioria governista, aprovem o texto no primeiro semestre. Mesmo se o plano for bem-sucedido, é preciso considerar que o Uruguai tem pouco mais de 3 milhões de habitantes e baixos índices de criminalidade. “A América Latina tem uma oportunidade histórica de mudar a visão sobre as drogas, mas as chances de sucesso aumentam se os países maiores se unirem”, diz a colombiana Amira Armenta, do Programa Drogas e Democracia do Instituto Transnacional.

Nos EUA, a lei federal ainda considera crime o porte de maconha para uso pessoal. O presidente Barack Obama já disse que o assunto não será prioridade de seu governo, mas o Departamento de Justiça deve ser pressionado pelas autoridades antidroga a contestar as mudanças em Washington e no Colorado. “Quando o caso chegar à Suprema Corte, a cláusula de supremacia de nossa Constituição imporá a lei federal. Essas leis serão revogadas nos próximos 18 meses”, diz Peter Bensinger, chefe da Agência de Combate às Drogas dos EUA de 1976 a 1982.

Cerca de 200 mil pessoas morrem anualmente por problemas relacionados ao consumo de entorpecentes em todo o mundo. O tabaco e o álcool, ambos de uso irrestrito, matam muito mais: 5 milhões e 2 milhões por ano, respectivamente. Se as drogas forem legalizadas, dizem os “proibicionistas”, aumentará o número de viciados e de mortes. O consumo vem caindo nos países ricos, mas é estável ou tem aumentado pouco nas nações mais pobres. As Nações Unidas mantêm a política de combate, mas está prevista uma sessão especial para discutir o assunto. O encontro, porém, será apenas em 2016. Até lá, a disputa entre as turmas a favor e contra deverá esquentar ainda mais.

DENTRO DA LEI Estufas com pés de maconha numa empresa autorizada a cultivar a erva no Estado americano do Colorado. O porte da droga para uso pessoal está liberado (Foto: Randall Benton/Sacramento Bee/MCT via Getty Images)DENTRO DA LEI

Estufas com pés de maconha numa empresa autorizada a cultivar a erva no Estado americano do Colorado. O porte da droga para uso pessoal está liberado


(Foto: Randall Benton/Sacramento Bee/MCT via Getty Images)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

{POLÊMICA} A Maconha Salvou Minha Vida - Scaner da Revista

Acabei de ler essa reportagem na Revista Super Interessante do mês de Janeiro/2013.
Corri para escanear e passar para vocês.
Basta clicar em cima do desenho com o botão direito do mouse e Salvar Link Como... Pronto bastar abrir em um editor de foto e ler.
Favor não imprimir. Enquanto não usamos Canhamo como papel é bom preservar !! rsrsrsrs

Vale a pena ler esse relato :


Pesquisadora defende novos experimentos com LSD


por Amanda Feilding
Fonte : Revista Galileu
Rafael Sica
AMANDA FEILDING, diretora da Beckley Foundation
O LSD foi descoberto pelo químico suíço Albert Hofmann em 1943. Durante pelo menos 20 anos, a substância foi tratada pela comunidade científica como a droga que revelaria os segredos da mente humana. Mas, a partir de meados dos anos 60, ela passou a ser combatida e teve o uso proibido — mesmo entre os cientistas. Já faz 35 anos que estamos impossibilitados de usar o LSD em nossos experimentos. É um preconceito ilógico e com o qual espero ajudar a acabar. 

É triste ver que as novas tecnologias que desenvolvemos não podem ser usadas para estudar os efeitos das drogas psicodélicas em nossa cabeça. A consciência é uma área muito nova de estudo. O que sabemos sobre ela pode ser comparado ao mapa da África em 1850. Deveríamos poder usar todas as ferramentas que nos ajudem a explorar esse território. Com essas drogas, poderíamos analisar como as mudanças no nosso cérebro alteram o que a gente vê e sente. Poderíamos aprender como nossa mente funciona. 

Um dos meus objetivos na Beckley Foundation é liberar o uso do LSD para os neurocientistas de todo o mundo. Estamos envolvidos no primeiro estudo com permissão para usá-lo desde os anos 60. Em parceria com a Universidade de Berkeley, na Califórnia, analisamos como as ondas cerebrais se alteram depois da ingestão do LSD e como essa alteração afeta a criatividade. Levou dois anos para conseguirmos permissão para o estudo, e mais um ano para conseguirmos a droga. É até engraçado demorarmos tanto tempo para conseguir o que qualquer maluco consegue andando apenas alguns quarteirões. 

Também estamos envolvidos em um estudo na Suíça que examina o efeito do LSD em pacientes terminais. Queremos ver se ele ajuda o paciente a lidar com a dor, aceitar a morte e aproveitar seus últimos meses de vida. Não há nada perigoso nessas experiências. As drogas são administradas cuidadosamente, com o paciente num ambiente seguro. 

Além disso, as drogas psicodélicas não são viciantes e nem tóxicas. Não há notícia sobre nenhum animal consumindo psicodélicos, isso é exclusivo da cultura humana. Para se ter uma ideia, durante os anos 50 e 60 foram feitas muitas experiências sobre como os psicodélicos poderiam ajudar as pessoas a abandonar os vícios em outras substâncias. 
Rafael Sica
É por isso que essas drogas devem ser legalizadas. Convenhamos, não importa se permitimos ou não o uso de psicodélicos, ele vai acontecer. Logo, o melhor a fazer é instruir as pessoas sobre o modo mais seguro de fazer isso. O LSD é uma substância muito poderosa, é importante que qualquer um sob seu efeito esteja em condições seguras e protegidas. 

Em vez de perigoso, o uso do LSD pode ser bastante transformador. Ele possibilita às pessoas verem as coisas com um novo olhar. Ele pode mudar as pessoas, fazendo-as perceber a relação da humanidade com o Universo e a interligação entre todas as coisas. 

Desde que surgiu, a humanidade procura meios de alterar a consciência. Seria melhor se a sociedade conseguisse aproveitar o conhecimento que isso traz, em vez de transformá-lo numa atividade criminosa. Espero que, nos próximos anos, cada vez mais e mais cientistas abram as portas de suas instituições e suas mentes para o LSD.

Pesquisa com drogas alucinógenas pode regenerar a imagem de substâncias proibidas.

LSD, cogumelos, ayahuasca e ecstasy podem ser eficazes no tratamento de distúrbios psiquiátricos, dores de cabeça e outras doenças

por Guilherme Rosa | Fotos: Ricardo Toscani
 Fonte : Revista Galileu
Editora Globo
Pesadelos, crises de raiva, insônia e vários problemas emocionais são: sintomas do chamado Transtorno de Estresse Pós-Traumático, que virou uma epidemia nos EUA, com o envio de mais de 2 milhões de homens ao Oriente Médio desde 2001. 

Só entre os que foram ao Iraque, 12% voltaram com o problema. Por isso, milhões de dólares foram investidos na última década em busca de um tratamento para a doença. E o melhor remédio encontrado até agora é o ecstasy, a pílula do amor. 
LSD (Dietilamida do ácido lisérgico)
Editora Globo
POSSÍVEL INDICAÇÃO: aliviar o sofrimento de pacientes terminais. 
EFEITOS ADVERSOS: Pode provocar ataques de pânico e ansiedade. Existem casos raros de flashback – a pessoa revive a viagem da droga dias ou meses depois de usá-la. Em pessoas com tendências à esquizofrenia, pode desencadear crises. 
“EFEITOS COLATERAIS”: Alucinações visuais e auditivas, sinestesia (mistura dos sentidos) e sensação de bem-estar. 
PESQUISAS: O médico Peter Gasser, realizou um estudo sobre como a droga pode diminuir o sofrimento e a ansiedade em pacientes terminais. Ele administrou 200 microgramas de LSD – dose forte, comparada com a das ruas – em 8 voluntários. Outros 4 receberam uma baixa dose da substância, de 20 microgramas, que funcionaria como placebo. Todos os participantes receberam duas sessões de terapia sob efeito psicodélico, com semanas de intervalo entre elas, além de outras sessões “caretas”. A experiência está pronta, mas o estudo ainda não foi publicado. “Não posso fornecer detalhes sobre os resultados, mas não houve efeitos adversos e os voluntários relatam ter melhorado com a experiência”, diz Amanda Feilding, da Beckley Foundation, que patrocinou o estudo. 
Famosa em pistas de dança por sua capacidade de aumentar a empatia e a sensibilidade sonora e tátil, a "bala" é a maior esperança dos veteranos para reaprender o lema hippie "faça amor, não faça guerra". Um estudo publicado em 2010 mostrou que a droga melhorou 83% dos pacientes tratados com ela – resultado melhor que o de antidepressivos, por exemplo. Agora, o estudo será replicado numa escala maior, com soldados que não conseguem, apagar a lembrança de explosões, cadáveres e a sensação de morte iminente. E o ecstasy não está sozinho: essa é apenas uma das substâncias psicodélicas proibidas por lei que têm mostrado eficácia no tratamento de problemas de saúde. 

Na última década, pesquisadores de universidades acima de qualquer suspeita, como as prestigiadas Berkeley e Harvard, dos EUA, começaram a superar anos de preconceito no meio acadêmico para estudar o potencial terapêutico de dessas substâncias. Cogumelos têm sido avaliados para o tratamento de depressão e cefaléia, dor de cabeça mais forte que existe. A Ayahuasca – droga tradicional de índios amazônicos consumida no ritual do Santo Daime – é testada por alemães para curar dependentes químicos de outras drogas. E o LSD, cuja eficácia em casos de cefaléia também foi investigada, foi usado para aliviar o sofrimento de pacientes terminais de câncer, num estudo inglês que deve ter seus resultados divulgados este ano. Esses estudos retomam uma rota científica abandonada desde os anos 60, quando o uso de drogas psicodélicas começou a ser banido, e podem mudar o modo como cientistas e governos encaram essas substâncias. 

COGUMELOS (Psilocibina)
Editora Globo
POSSÍVEIS INDICAÇÕES: Cefaleia, depressão e dependência química. 
EFEITOS ADVERSOS: “Bad trips” e quadros de psicose em pessoas predispostas. 
“EFEITOS COLATERAIS”: Causa visões, sinestesia (mistura de sentidos), além de experiências místicas e de transcendência. 
PESQUISAS: O médico Andrew Sewell entrevistou 53 pacientes com cefaleia em salvas, o tipo mais forte de dor de cabeça, que tomaram psilocibina ou LSD para se tratar. Para 93% das 29 pessoas que tomaram psilocibina, a “viagem” aliviou a dor parcialmente ou por completo. Outros 6 entrevistados usaram LSD, e 5 deles melhoraram. Vinte dos entrevistados gostaram tanto da experiência que tomaram a psilocibina preventivamente, sem dor, e 19 notaram que as crises demoraram mais para voltar. O próprio autor da pesquisa, porém, aponta limitações do estudo. como o fato de pessoas com histórias de sucesso serem mais propensas a contar sua experiência do que as que não acharam o “remédio” útil. Detalhe, 42% dos que tomaram cogumelo e LSD para aliviar dores usaram doses pequenas, não alucinógenas. A droga também está sendo testada para tratar depressão e vício em nicotina.

FECHANDO AS PORTAS DA PERCEPÇÃO 
O LSD já foi considerado uma espécie de droga maravilha por cientistas e terapeutas. Seu poder psicodélico foi descoberto em 1943 e, durante os anos 50 e 60, centenas de estudos foram feitos sobre seu potencial para tratar dores, estresse, problemas psicológicos e psiquiátricos. Muitos foram feitos secretamente pela CIA e agências militares de diferentes países, mas os resultados publicados por cientistas civis se mostraram promissores: a droga beneficiou 70% dos pacientes no tratamento de ansiedade, 62% no de depressão e 59% no de alcoolismo. 
S 
ó que o LSD também fez sua fama entre os hippies, virou símbolo de contestação e droga da vez entre jovens que lutavam contra a Guerra do Vietnã, a corrida nuclear, a caretice e o establishment, em geral. Laboratórios clandestinos produziam dezenas de milhares de doses, e as pessoas usavam o “remédio” para se divertir e “abrir a mente”. Em 1966, a revista Life estampou na capa de sua primeira reportagem sobre a droga: “a ameaça explosiva da droga mental que saiu de controle”. Nascia o pânico entre pais e parte dos médicos da época. Em 1968, os Estados Unidos classificaram o LSD como droga perigosa, sem uso médico reconhecido, e 3 anos depois a ONU a inclui na convenção internacional que mantém seu uso não medicinal proibido até hoje. Apesar de as pesquisas não terem sido proibidas, o financiamento para esses estudos minguaram. Outros alucinógenos recém-descobertos, como a mescalina do peiote e a psilocibina dos cogumelos, seguiram o mesmo caminho. 
AYAHUASCA (DMT)
Editora Globo
POSSÍVEL INDICAÇÃO: Dependência em outras drogas. 
EFEITOS ADVERSOS: Pode desencadear quadros psicóticos ou esquizofrênicos em pessoas predispostas a essas doenças. 
“EFEITOS COLATERAIS”: Produz alucinações sensoriais e induz experiências místicas. 
PESQUISAS: Um estudo liderado por Anya Loizaga Velder, da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, busca descobrir o potencial do ayahuasca para curar o vício em outras drogas. Eles irão entrevistar 10 profissionais de saúde que já usam a substância nesse tipo de tratamento, para entender mais profundamente como o processo terapêutico funciona. Depois, entrevistarão mais 10 voluntários que passaram por esse processo, para descobrir as condições sociais e psicológicas que cercam uma terapia bem-sucedida com a droga como coadjuvante. A mesma pesquisadora já estudou os efeitos da ibogaína, uma droga psicodélica africana, para curar a dependência. 
Amanda Feilding, herdeira de uma família de nobres ingleses, viveu o auge da contracultura – e do uso do LSD. Até os anos de 1990, ela se dividiu entre estudar religiões e misticismo e uma vida de artista performática. Hoje, mais comportada, é uma das pessoas responsáveis por quebrar o tabu em relação às pesquisas com psicodélicos. “Essas drogas sempre foram usadas como remédio na Antiguidade. A criminalização criou um tabu sobre esse assunto – e é isso que quero desfazer”, diz Amanda, que em 1998 fundou a Beckley Foundation, grupo que advoga pela mudança na legislação sobre drogas. “O LSD não é tóxico, não faz mal para a saúde e pode ser um medicamento muito útil. Ninguém quer financiar esse tipo de estudo. E essa é uma porta quer a Beckley Foundation quer abrir.” 

O ecstasy seguiu um caminho parecido. No fim dos anos de 1970, ele se popularizou entre psicólogos, que o usavam para facilitar a comunicação com os pacientes, principalmente em terapias de casal. Logo, porém, a droga chegou às baladas e passou a ser usada de modo recreativo. Em 1985, foi proibida pela primeira vez. Daí em diante, as pesquisas sobre a droga se restringiram à investigação de seus danos para a saúde. Mas, dessa vez, não demorou para que um grupo de cientistas tentasse dar continuidade aos estudos terapêuticos da substância, com a fundação do Maps (Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos, em inglês). 

O grupo representa outro canal de financiamento – captando recursos de terceiros – para pesquisas com drogas de uso proibido. Brad Burge, diretor de comunicação do Maps, explica que não foi apenas o estigma da criminalização que prejudicou a pesquisa dessas substâncias como remédios. “As patentes do LSD e do ecstasy já expiraram. Então, se algum dia virarem medicamentos, serão genéricos, pouco lucrativos. Por isso as companhias farmacêuticas as ignoram.” 

ECSTASY [metilenodioximetanfetamina (MDMA)]
Editora Globo
POSSÍVEIS INDICAÇÕES: TEPT (Transtorno do Estresse Pós-Traumático) e câncer. 
EFEITOS ADVERSOS: O uso prolongado está associado a mudanças de humor e prejuízo de funções cerebrais, especialmente da memória e da cognição, e a uma maior incidência de problemas psicológicos, como a depressão. 
“EFEITOS COLATERAIS”: Altera a percepção sensorial, especialmente a sonora e a tátil, além de causar bem-estar e aumentar a empatia entre as pessoas – razão do apelido “droga do amor”. 
AS PESQUISAS: O psiquiatra americano Michael Mithoefer tratou com MDMA 
20 pacientes que sofriam de TEPT. Eles já haviam sido tratados com psicoterapia e outros remédios, sem melhoras. Doze deles receberam uma dose de 125 mg da droga e, em alguns casos, uma dose de reforço de 62,5 miligramas duas horas após a primeira - nas ruas, o ecstasy tem geralmente até 100 mg de MDMA. Outros 8 pacientes receberam um placebo. Depois de tomar seus comprimidos, os dois grupos entraram em longas sessões de 8 horas de terapia. Eles também fizeram sessões “caretas” antes e depois da “psicodélica”. 

Ao fim de dois meses, Mithoefer fez uma avaliação padrão para o diagnóstico de TEPT. Entre quem usou a droga, 83% teve melhoras – sem registro de efeitos adversos. Entre os que tomaram placebo, apenas 25% teve alguma evolução. Agora, essa mesma experiência está sendo feita em 6 países, com um número maior de pacientes, incluindo ex-combatentes. 

Em outro estudo, pesquisadores da Universidade de Birmingham descobriram que o ecstasy destrói células cancerígenas em laboratório. Como a quantidade da droga necessária para enfrentar tumores em seres vivos seria muito grande, e possivelmente letal, eles estão desenvolvendo uma substância parecida, mais eficaz e menos tóxica. 
NOVA ONDA 
Mesmo com dinheiro, algumas dificuldades ainda persistem. Para ter acesso às drogas, os pesquisadores têm de obter a autorização das agências reguladoras de seu país, o que geralmente representa um caminho burocrático muito mais longo do que o de pesquisas com drogas “normais” – nos EUA, por exemplo, ainda é preciso ter uma autorização adicional apenas para armazenar a substância. A pesquisa sobre a eficácia do ecstasy, por exemplo, levou 18 anos para sair do papel. Entre a aprovação preliminar e a definitiva, foram 3 anos. “Nos anos 1980, era impossível conseguir as autorizações, havia muita pressão econômica, profissional e cultural contra as pesquisas”, afirma Burge, do Maps. “Agora isso está mudando, temos conseguido mostrar que trabalhar com essas drogas é uma necessidade médica.” 

Essa revisão de conceitos só está acontecendo, é claro, graças ao sucesso do estudo inicial com o ecstasy, publicado em 2010. “Estou feliz de dizer que as coisas estão mudando, agora que temos resultados divulgados em uma publicação respeitada pela comunidade acadêmica”, diz Michael Mithoefer, autor do estudo, que considera a mudança louvável. “Qualquer interferência política que impeça a investigação de tratamento para pessoas que estão sofrendo é uma piada”, diz Mithoefer. 

Outro fator que contribui para o aumento das pesquisas com drogas psicodélicas é a existência de cada vez mais estudos científicos que consideram essas drogas relativamente seguras. Cogumelos alucinógeos, LSD e ecstasy foram classificados entre as drogas menos perigosas para os usuários em um estudo comparativos de substâncias psicoativas publicado em 2010 na revista Lancet. 

Em torno do ecstasy, por exemplo, havia receio de que ele matasse neurônios. A tese foi popularizada por um estudo de 2003 que meses depois de publicado descobriu-se ser uma fraude. De fato, desde então, nenhum outro estudo conseguiu comprovar que a droga destrói células nervosas, embora seu uso frequente esteja associado com o prejuízo de algumas funções cerebrais, especialmente da memória, e uma maior incidência de problemas psicológicos. Em seu estudo, no entanto, Mithoefer administrou aos pacientes o equivalente a apenas uma “bala” e meia, em um dia – e isso foi tudo o que eles tomaram ao longo do tratamento. 

Agora, ele busca a autorização do governo para transformar o ecstasy em remédio aprovado, num processo que pode demorar 7 anos ou mais para ser concluído. Esse é justamente o objetivo de todas essas pesquisas: que os alucinógenos deixem de ser estigmatizados, encontrados em becos e adquiridos das mãos de traficantes, para serem usados por cientistas e médicos de todo o mundo, se sua eficácia for comprovada. E, nesse caso, adquiridos diretamente na prateleira das farmácias, com as devidas receitas. Tarja preta? Tarja multicolorida.

Entrevista com o Chefe da Secretaria Nacional Antidrogas do Uruguai.

Uruguai chama a atenção por políticas de vanguarda, que contrariam grandes interesses

 Fonte : Revista Galileu
Editora Globo
Divulgação
Famoso pela qualidade de suas carnes e doces de leite, o Uruguai pode parecer, à primeira vista, um pequeno rancho gaúcho. Nem tanto. Sob a batuta do ex-guerrilheiro e atual presidente José “Pepe” Mujica, o país tem chamado atenção com políticas de vanguarda, especialmente nas áreas de direitos humanos e saúde, como fez ao descriminalizar o aborto em outubro.
Em relação às drogas, o país é o único das Américas que nunca criminalizou o uso, e é famoso pelo pioneirismo no controle do tabaco. Em 2006, foi o primeiro do continente a proibir o fumo em locais públicos fechados, proibiu totalmente a propaganda e aumentou os impostos para triplicar o preço do maço. Em três anos, o número de enfartos caiu 17%. Nesta entrevista, o chefe da Secretaria Nacional Antidrogas do Uruguai, Julio Calzada, explica porque agora o governo está decidido a regulamentar o comércio de maconha. 

Por que regulamentar a venda de maconha? 
Porque o consumo de maconha é um problema de saúde, mas a forma como ela está regulada gera um problema adicional de segurança pública. A política quase universal que se reproduziu nos últimos 50 anos fez aumentar o consumo, o crime organizado, o número de pessoas presas, a lavagem de dinheiro e ações violentas. Ela não deu o resultado que se esperava, sem dúvida. Então é melhor mudar, buscar uma política alternativa. E tentar controlar o mercado, e não ignorá-lo. 

O governo não teme que o consumo aumente? Sim, mas há experiências de outros países. A Holanda legalizou, na prática, e em 30 anos tem menos pessoas que consomem maconha do que vizinhos como Espanha e Itália. Aqui teremos um amplo controle do estado. Temos a capacidade para fazer isso, pensando numa população de 3,5 milhões de habitantes. 

Mas a disponibilidade comercial e a queda na percepção de risco não podem fazer o consumo aumentar? Sim, por isso elaboramos um projeto em que não existe propaganda. E o mercado vai ser regulado para que não exista lucro nem qualquer promoção de consumo. Esse é um marco da estratégia: reduzir o consumo, em geral, e, particularmente, retardar a idade que se inicia o uso. Hoje, se começa por volta dos 15 anos e queremos que isso aconteça mais tarde, pois teríamos um impacto menor para a saúde. 

Também se trata de um ataque ao tráfico? 
Sim, mas não é uma medida isolada. Note que não falamos em liberação ou legalização, mas de regulamentação do mercado. Hoje ele está totalmente desregulado, o Estado não pode interferir sobre o financiamento, a produção, a distribuição nem nada. Temos capacidade para controlar isso e assim atacar o que mais sustenta o tráfico, que é a venda dessa mercadoria. 

Mas acha que tráfico acabaria por completo? Não vai ser de um dia para o outro, é uma estratégia progressiva. E sempre vai haver algum aspecto do mercado negro em funcionamento. Hoje temos um amplo controle sobre o mercado de tabaco. No entanto, sempre existe um contrabando de cigarros. Assim como aqui no Uruguai temos contrabando de pinga e de outros produtos brasileiros. O que pensamos é que é possível reduzir exponencialmente o volume de dinheiro que hoje o crime organizado tem nas mãos. 

Quanto vale o mercado de maconha uruguaio para eles? Considerando o consumo estimado de 20 toneladas de maconha e os preços praticados no país, são cerca de 12 milhões de dólares. Outras substâncias têm muito menos consumidores. 

Quanto a maconha representaria do total do mercado de drogas proibidas? Metade? Acho que mais da metade. 

Como o governo lida com a falta de apoio da população uruguaia ao projeto? O governo tem que fazer o que está convencido de que tem que fazer. Hoje estamos trabalhando para mudar a principal preocupação da opinião pública, de que a medida faria disparar o consumo, como você insiste. Não queremos isso, ao contrário. E ele vai se reduzir, ainda que não significativamente. Também queremos mostrar que podemos acabar com o efeito colateral do desenvolvimento do tráfico. 

O governo não teme que algo não funcione? Sim, claro. Por isso vamos monitorar o cumprimento da lei e estabelecer as correções que a experiência mostre necessárias. Isso me parece muito importante, especialmente se comparamos com as políticas dos últimos 50 anos, que não foram avaliadas. Ou que, quando foram avaliadas, não foram modificadas, mesmo quando se constatou que produzia resultados inversos do que se desejava. 

Estamos propondo implementar outra política porque acreditamos que esta não funciona, então obviamente estamos totalmente abertos, dispostos e interessados em monitorar e ir modificando nossa estratégia para atingir o resultado proposto. Caso não os conquistemos, vamos nos certificar sobre as razões disso, e, se for preciso mudar a política, é claro que podemos modificá-la. 

Estudou-se muito para formular esse projeto? Sim, porque toda política pública, nas apenas as que falam sobre drogas, tem que ser realizada com base na ciência. Toda substância que altera consciência é algo que pode proporcionar risco para as pessoas e não podem ter propaganda do mesmo modo que sapatos ou gravatas. Ainda que uma pessoa possa se enforcar com uma gravata, é obvio que o uso da gravata em si não gera nenhum dano a terceiros. Sabemos que álcool e tabaco tem riscos para saúde. Não são proibidos, mas precisam ser regulados. A política de regulação precisa ser baseada em evidências, e a evidência diz que a maconha tem riscos específicos, diferentes do de outras substâncias. Não se pode levar em conta um parâmetro geral, comparando-a, por exemplo, com a heroína ou a cocaína. 

O que acontecerá se algum Uruguai for flagrado vendendo drogas a um menor de idade ou a um turista? Será processado pela lei atual, que continuará valendo, respondendo ao crime de tráfico, com pena de prisão de 2 anos ou mais.

sábado, 5 de janeiro de 2013

5 maneiras de hackear o seu cérebro e ter alucinações !!!!



Fonte : Tecmundo

Com as experiências listadas neste artigo, você poderá passar por sensações estranhas e até mesmo ver cavalos galopando sobre as nuvens.

O cérebro é um órgão fantástico e muito misterioso que ainda guarda segredos que a humanidade não conseguiu decifrar. É possível ficar maluco só de pensar que todos os nossos pensamentos e sensações não passam de descargas elétricas minúsculas que alguns cientistas tentam decodificar.
Mas a ciência tem avançado e, recentemente, muitos mitos sobre o cérebro acabaram caindo por terra. Além disso, é possível “hackear” esse órgão, explorá-lo de maneira consciente e saudável para que ele possa, por exemplo, ser turbinado. E como ninguém é de ferro, há também algumas brincadeiras que podem ser feitas para experimentar sensações estranhas, praticamente alucinógenas.
As experiências a seguir foram retiradas de uma imagem compartilhada pelo site Boston.com e, como as descrições estão em inglês, convém detalhá-las de maneira mais compreensível. Aqui na redação, algumas pessoas testaram o procedimento de Ganzfeld, mas não chegaram a ver cavalos galopando pelo céu, infelizmente. Se você testar alguns desses “hacks”, não se esqueça de deixar um comentário contando como foi.

1. O Experimento Ganzfeld

5 maneiras de hackear o seu cérebro e ter alucinações 

Bolinhas de ping pong e ruído branco causam alucinações (Fonte da imagem: Boston.com)
Este é um procedimento muito curioso e utilizado, principalmente, em pesquisas parapsicológicas. Por isso, ele tem sido rebatido por céticos do mundo todo. Mas, independentemente de acreditar ou não em poderes psíquicos, parece comum a ideia de que não custa nada tentar. Afinal, tudo o que você precisa para realizá-lo é de um rádio, uma bola de ping pong cortada ao meio e um pouco de fita adesiva.
Antes de começar, ligue o rádio sem sintonizar estações, ou seja, deixe que ele emita o som de “fora do ar”, conhecido como ruído branco. Depois, deite-se em um sofá ou cama e use as metades das bolinhas de ping pong para cobrir seus olhos, fixando-as com a fita adesiva.
De acordo com a descrição do experimento, você deve sentir, dentro de alguns minutos relaxando nessas condições, uma desorientação sensorial pra lá de esquisita. Também são frequentes os relatos de alucinações, como cavalos correndo sobre as nuvens e até mesmo a voz de parentes que já faleceram.
Uma explicação para isso seria o fato de que a mente humana é “viciada” em sensações. Dessa forma, quando você se priva dessas sensações com a ajuda do rádio e da bolinha, o cérebro acaba inventando algumas.

2. Binóculo, o novo analgésico do mercado

5 maneiras de hackear o seu cérebro e ter alucinações 

Poderá o binóculo substituir o Paracetamol? (Fonte da imagem: Boston.com)
Recentemente, cientistas descobriram um novo analgésico. Curiosamente, ele não vem em forma de pílula ou comprimido, mas é produzido a partir de instrumentos ópticos. De acordo com uma pesquisa da Universidade de Oxford, a dor pode aumentar ou diminuir de acordo com o seu ponto de vista. E estamos falando, aqui, de um ponto de vista literal.
O fato é que, ao machucar o dedo, por exemplo, você pode sentir um alívio na dor ao observá-lo com um binóculo invertido, que dá a sensação de afastar o dedo para longe. Porém, se você usar o binóculo na posição correta, poderá ter a dor ampliada. E não é apenas um efeito psicológico: de acordo com os médicos, o binóculo invertido também fez com que o dedo apresentasse um inchaço menor.


3. O caso da mão de borracha

5 maneiras de hackear o seu cérebro e ter alucinaçõesO cérebro acaba considerando a mão falsa como real (Fonte da imagem: Boston.com)
Revire a caixa de brinquedos ou de fantasias do Dia das Bruxas do ano passado e procure uma mão de borracha realista. Caso tenha encontrado, é hora de um experimento, no mínimo, agoniante.
Sente em frente a uma mesa e, a seguir, esconda o seu braço e mão dentro de uma caixa ou algo semelhante. Depois, posicione a mão de borracha à sua frente, de maneira com que ela pareça ser a mão verdadeira, do seu próprio corpo.
Depois, olhando fixamente para a mão de borracha, peça para que seu amigo toque, no mesmo local, a mão escondida e a que está em seu campo de visão. Depois de alguns minutos, você passará a achar que o membro falso faz parte do seu corpo. E para ter certeza disso, combine com o seu amigo, antes, para que, assim que ele sentir que o nível de realismo passou a ser alto, ele tente esmurrar a mão falsa ou bater nela com um martelo.
Automaticamente, você sentirá uma incontrolável vontade de tirar a mão do caminho. Apesar de falsa, o cérebro começa a achar que aquela é a mão verdadeira e que ela não deve ser machucada.

4. A ilusão do Pinóquio

5 maneiras de hackear o seu cérebro e ter alucinações 

E se o Pinóquio disesse "meu nariz vai crescer agora"? Seria mentira ou verdade? (Fonte da imagem: Boston.com)
Todo mundo se lembra do Pinóquio, certo? O personagem principal do livro de Carlo Collodi possuía um problema grave: bastava mentir para que o seu nariz crescesse muito, denunciando que estava faltando com a verdade. Pois saiba que, contando uma pequena mentirinha para o nosso cérebro, também podemos ser Pinóquio por um período curto de tempo.
Para realizar esse experimento, basta posicionar duas cadeiras em fila, uma em frente à outra. Sente-se na cadeira de trás e coloque uma venda sobre seus olhos. Depois, peça para que uma segunda pessoa sente na cadeira da frente. Assim que estiverem prontas, a pessoa vendada deve tocar o próprio nariz e o nariz do amigo à frente, suavemente. Ao fazer isso por cerca de um minuto, muitos entrevistados alegaram que tiveram a sensação de que o nariz deles estava absurdamente longo.


5.  As luzes de Purkinje

5 maneiras de hackear o seu cérebro e ter alucinações 

Luz do Sol e movimento rápidos das mãos pode render alucinações (Fonte da imagem: Boston.com)
Esta é moleza e, para realizar, você só precisa de um dia ensolarado. Feche os olhos e incline sua cabeça para encarar o Sol. Depois, mova a sua mão de um lado para o outro em frente aos seus olhos fechados. Dentro de alguns segundos, você deve começar a ver algumas imagens  que, com o passar do tempo, passam a ficar mais complexas e intrigantes.
Em laboratórios, cientistas adaptaram esse experimento com óculos que emitem luzes a uma frequência determinada e descobriram que o efeito é o mesmo de um curto-circuito no córtex visual do cérebro. Os efeitos alucinógenos são, mais uma vez, o órgão mais incrível do corpo humano tentando encontrar algum sentido e realidade nos estímulos que está recebendo. Bacana, não?

Fonte: Bostom.com