Psicodélico: Junho 2012

sábado, 30 de junho de 2012

Colômbia autoriza porte para consumo


ImageA Corte Constitucional da Colômbia, órgão correspondente ao nosso Supremo Tribunal Federal, decidiu dia 28 que não se pode punir usuários de drogas, ainda que ilícitas.
Os juízes concluíram que penalizar o usuário é incostitucional, porque fere o direito à autonomia e ao livre desenvolvimento da personalidade. “Aqui não há políticas paternalistas, o Estado não tem o direito de dizer a um cidadão o que ele deve fazer da sua vida”, disse o procurador-geral da Colômbia, Eduardo Montealegre ao jornal El Tiempo.
A decisão veio como resposta a uma lei de segurança pública de 2011, que instaurava penas de prisão de 64 a 108 meses para quem portasse até 1 kg de maconha ou 100 gramas de cocaína. Agora, quem tiver menos de 20 gramas de maconha ou 1 grama de cocaína não poderá ser detido nem processado. Note-se que, para não haver confusão, a questão da quantidade foi abordada explicitamente.
Mais um país latino-americano se posiciona de modo claro e objetivo contra a criminalização de usuários. Curioso é que, normalmente, o argumento a favor da despenalização é a economia de recursos da polícia e do judiciário, ou a compreensão de que usuários de drogas precisam e apoio médico, não de punição. Lá na Colômbia, o argumento foi estritamente filosófico: cada um tem o direito de fazer o que quiser com seu corpo.
Faz sentido. Afinal, todos têm direito de se entupir de fritura, açúcar e fast-food e de não fazer nenhum exercício físico. Apesar de tudo isso ser fator de risco para doenças cardiovasculares, a principal causa de mortes no mundo. Todos têm direito de ouvir Michel Teló e Valeka Popozuda, de ver o Dr. Rey e Luciana Gimenez. Por que, então, punir quem usa maconha ou cocaína?
Agora, vamos ver como a decisão da Colômbia e de outros países latino-americanos que fizeram o mesmo, como a Argentina e o Chile, vai influenciar nossos digníssimos políticos na análise da proposta de descriminalização das drogas encaminhada na reforma do Código Penal.
De que lado ficaremos nesse debate? Do americano, que pune a pretexto de inibir, ou o do europeu, que tolera para não marginalizar o cidadão?

O controle penal sobre as drogas e os novos panoramas de descriminalização e legalização


, Jus.com.br
É notável a necessidade da construção de alternativas ao sistema proibicionista das drogas. Para isso, deve-se desvelar os discursos do programa criminalizador e avaliar os principais pontos que fizeram dele um fiasco.

RESUMO:

Para compreensão do panorama contemporâneo da paradoxalidade jurídico-político-social que permeia a relação toxicodependente/Estado é necessário emergir numa análise sobre a construção dos tabus que fizeram do século XX o período que marginalizou, criminalizou, e obscureceu a droga e seus usuários. Dessa forma, o presente trabalho apresenta os caminhos da (des)contrução dos dogmas que circundaram as drogas, as alternativas ao sistema proibicionista e os reflexos sobre as discussões do Novo Código Penal. Trata, também, de avaliar as reflexões que as doutrinas jurídico-penais e criminológicas nacionais e internacionais têm dedicado à questão, compreender suas vicissitudes discursivas, desvelar os discursos da dogmática penal – em especial quanto às retóricas proibicionista e a da descriminalização.  Para isso, esta proposta se vale das proposições de Friedman e Caballero a fim de traçar possibilidades críticas e racionais para a substituição do projeto proibicionista.
PALAVRAS-CHAVE: drogas, redução de danos, descriminalização, legalização, proibicionismo.

1.Aspectos históricos e a construção do projeto proibicionista

A droga foi durante grande parte da história conhecida e consumida pelo homem sem qualquer tipo de previsão legal de crime e pena. De uso religioso ou recreacional ao uso médico – destinado a mitigar sintomas, distúrbios ou patologias mentais – as drogas, até o inicio do século XX, compunham o comércio internacional como uma mercadoria qualquer.
Durante os séculos XVII ao final do século XIX, o ópio foi o mais importante fármaco usado na Europa, empregado principalmente como antidiarreico e analgésico. Neste período, a Rota do Ópio, do sudeste asiático a Europa, alavancou o comércio entre as regiões e trouxe divisas incalculáveis à época para a Coroa Britânica, principal parceira comercial do ópio chinês. Como de costume, parcerias – principalmente, as comerciais – não logram benesses perpétuas; e fora o que aconteceu, o governo chinês promulgou uma série de barreiras à produção e consumo interno, o que acabou por produzir descontentamento por parte da Coroa Britânica, dando origem a duas guerras “do ópio” que perduraram de 1839-1842 e 1856-1860.
Já no século XX, com estímulo e pressão por parte do governo norte-americano, foi dada a largada para um regime do controle de substâncias entorpecentes, a war on drugs.
Em 1909, representantes de países com colônias no Oriente e na Pérsia (atual Irã) se reuniram em Xangai, na China, para a primeira Conferência Internacional do Ópio. A partir desde encontro, traçou-se um esboço de um sistema de cooperação internacional sobre as drogas ao criar bases para a construção de um documento mais abrangente no conteúdo e restritivo na prática do uso e produção das drogas. Na Conferência Internacional de Haia (1911) e na Convenção Internacional de Haia (1912) estabeleceu-se diretrizes para o controle da produção de substâncias entorpecentes (ópio, morfina e cocaína) além de prever a restrição do uso dessas substâncias para atividades meramente lúdicas. O resultado dessas convenções foi o primeiro movimento que lançou o inicio a guerra contra as drogas, que perdurou por quase todo século XX.
Daí até meados dos anos 80, sob a batuta do governo americano e respaldo das Organizações das Nações Unidas (ONU), ampliou-se a listagem do que seriam substâncias psicotrópicas, disciplinando como seriam o combate as mesmas, inclusive dispondo sobre recomendações quanto a medidas a serem adotadas no campo penal, aconselhando que todas as formas dolosas de tráfico, produção, posse etc., de entorpecentes fossem punidas “adequadamente” (Single Convention on Narcotic Drugs, 1961).

2. Brasil e a Linha de Política as drogas da ONU

O Brasil, sintonizado com a postura também defendida pelos Estados Unidos, pautou-se pela proibição total à livre produção, circulação e consumo de substâncias psicotrópicas, e pela repressão aos segmentos sociais associados; o que nesta época fez surgir a necessidade do entendimento e da diferenciação do usuário e do traficante, posto como uma “concretização moralizadora dos estereótipos consumidor-doente e traficante-delinquente”. (CARVALHO, 2010, p. 15)
Em 1976, adveio a Lei de Entorpecentes (nº 6.368), cujo art. 1º estabelecia ser dever de toda pessoa física ou jurídica colaborar na prevenção e repressão ao tráfico ilícito e uso indevido de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica; ao passo que o art. 2º proibia, em todo o território brasileiro, o plantio, a cultura, a colheita e a exploração, por particulares, de todas as plantas das quais possa ser extraída substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica.
Em linhas gerais, o sistema das Nações Unidas ao combate de drogas baseava-se na estrutura constituída pela Convenção Única de Nova Iorque sobre Entorpecentes (1961), e pelas Convenções de Viena sobre Substâncias Psicotrópicas e Tráfico Ilícito de Entorpecentes de 1971 e 1988, que estabeleceram um modelo uniforme de controle as drogas, defendendo a criminalização do uso e do comercio, com opção primordial pela prisão, excluindo a possibilidade de medidas de redução de danos, como a troca de seringas, além do não reconhecimento de direitos das comunidades e povos indígenas em relação ao uso de algumas substâncias classificadas como entorpecentes, mas tradicionais e fundamentais para a cultura desses povos.
Foi nos anos 1980 que as leis penais e o controle no combate às drogas alcançaram níveis extremos tanto no Brasil como no mundo. Paradoxalmente, lograva-se com isso, o início do enfraquecimento do proibicionismo com a criação de medidas no campo da saúde pública e sanitária de políticas preventivas e de redução de riscos.

3.Reconhecimento dos avanços das políticas de redução de danos

A crescente onda e sucesso alcançados pela política de redução de danos e o questionamento de alguns países europeus fizeram com que órgãos que apresentavam grande resistência às terapias de substituição e programas de fornecimento de seringas sucumbissem a presente realidade social e reconhecessem a reinserção dos toxicômanos na sociedade através de programa especiais de readaptação. Foi o caso da Comissão de Combate às Drogas da ONU (CND) que, somente em 2009, no seu Plano de Ação para a década, reconheceu os avanços das medidas alternativas e a derrocada da meta de um mundo livre de drogas.

4. A derrocada do projeto proibicionista

O sistema proibicionista, nascido no começo do século XX em oposição ao livre e lucrativo mercado que era praticado até meados do século XIX, pretendia criar um mundo livre das drogas através do controle da oferta, produção, e consumo; e para os transgressores, abstinência pela prisão. Organizado e bem sistematizado, esse sistema traz consigo a presença da supremacia norte-americana que começava a ser desenhada no começo do século XX ao apresentar traços marcantes (e semelhantes) ao que se já se começava a ser aplicado nos EUA.
Sem alternativas para a construção de métodos distintos a repressão, a prisão, e a perseguição policial, ignorando por completo a realidade social e sanitária, e deparada com a explosão do consumo de drogas no mundo, o sistema proibicionista alcançou seu nível extremo nos anos 80, e começou a ser repensado como não sendo a única forma no trato as substâncias entorpecentes, o que fez surgirem as políticas preventivas e de redução de riscos.
O programa de troca de seringas estéreis foi o programa mais conhecido na estratégia da redução de riscos, ao evitar que os usuários de drogas injetáveis contraíssem doenças infectocontagiosas, como a infecção pelo HIV ou a hepatite. Como exemplo, em 1993, o programa português conhecido como “Diz não a uma seringa em 2ª mão” buscou contribuir para a minimização dos riscos para os usuários de drogas injetáveis (UDIs), por meio da distribuição de seringas em farmácias e em postos móveis colocados em lugares típicos do uso de entorpecentes.

5. A descriminalização do usuário e o Novo Código Penal

Diante do insucesso da política repressiva, tem-se construído novas compreensões sobre o tema da descriminalização do uso das drogas, em especial na Europa, sendo o modelo português, introduzido pela Lei n. 30/2000, um exemplo do processo de descriminalização, mas que também sofre severas críticas ao criar um sistema liberal quanto ao usuário e punitivo em relação ao tráfico (cultivo e venda), o que revelaria uma aparente contradição.
No Brasil, a lei n. 11.346/06 substituiu no ordenamento jurídico brasileiro a Lei 6.368/76 e trouxe alterações em relação ao tratamento dado ao traficante e ao usuário, competindo a esse último prestação de serviços à comunidade ou medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo (art. 28, incisos I e II), e não mais a previsão de pena privativa de liberdade. No caminhar rumo ao desligamento do sistema proibicionista, a Comissão de Juristas do Senado, criada para reformular o Código Penal brasileiro, recentemente, anunciou que pretende descriminalizar a posse de drogas para uso pessoal. Plantar, comprar e portar drogas para uso próprio deixará de ser crime, quando a quantidade não ultrapassar o suficiente para cinco dias de consumo. Caso aprovada e regulamentada, essa alteração colocará o Brasil no rol de países como Portugal e Holanda que já descriminalizaram o consumo de drogas.
A que se pese, a descriminalização do usuário não é sinônimo de descriminalização das drogas, uma vez que libera o usuário, mas não o vendedor, que segue tendo seu comércio como uma atividade ilegal e sujeita de repressão.

6.  O debates sobre projetos alternativos ao proibicionismo

Diferente da organização e sistematização do sistema proibicionista, a perspectiva alternativa, antiprobicionista, é constituída por uma enormidade de propostas, que vão ao fim de qualquer tipo de controle, a diminuição do impacto do sistema penal e a redução do seu alcance punitivo.
Quando se busca ir à extrema oposição ao proibicionismo se chega à liberação total das drogas, uma opção que poderia se mostrar um quanto ineficiente, uma vez que dificilmente teria uma execução satisfatória, visto que as atuais estruturas sanitária, social e econômica foram feitas ao longo do tempo sob a perspectiva de um sistema proibicionista. O que se vê, portanto, é a construção gradativa de diretrizes para o desenvolvimento de alternativas viáveis e racionais e que estejam sintonizadas com os direitos fundamentais de liberdade individual e dos interesses transindividuais.
As propostas de descriminalização do consumo de drogas do final do século XX e começo dos anos 2000 são consideradas por Caballero (2000) o gap necessário para a superação das ideias de proibicionismo extremo e da legalização irresponsável, o que constituiria um espaço de transição, que não corresponderia à quimérica legalização total.
Longe da ideia da intervenção proibicionista e nem tão anárquica como a legalização total, surgem três conceitos de legalização: A Estatizante, a Controlada, e a Liberal (Friedman, 1992).

7. Projetos de legalização

Ao Estado caberia à distribuição e venda das drogas psicotrópicas. Esse é o pilar sustentador da Legalização Estatizante, que defende a liberdade do consumo de substâncias psicotrópicas sob o controle estatal de sua venda e distribuição. Anularia o tráfico, mas sob a custosa estrutura estatal que seria criada para a manutenção de uma rede de distribuição para venda dessas substâncias.
A Legalização Liberal, defendida por Friedman, propõe a legalização da produção, consumo e venda de entorpecentes, mas com a possibilidade de um controle estatal semelhante ao que temos com o cigarro e o álcool – como a proibição de venda para menores.
A Legalização Controlada seria, segundo seus criadores,
“(…) un système qui vise à remplacer l’actuelle prohibition des drogues par une réglementation de leur production, de leur commerce et de leur usage en vue d’en limiter les abus préjudiciables à la société.  (…) elle conserve au droit pénal un rôle de prévention des abus nuisibles aux tiers, qu’il s’agisse des usagers (ivresse) ou des producteurs (contrebande)”. (CABALLERO; BISIOU, 2000, p.131-132)
Ficaria permitido o uso, produção e venda, mas sob limites impostos pelo Direito Penal para que a liberdade individual não venha a gerar danos de alta lesividade a sociedade. Portanto, a Legalização Controlada leva em conta a impossibilidade da legalização extrema e a superação do sistema proibicionista.
É notável a necessidade da construção de alternativas ao sistema proibicionista. Para isso, desvelar os discursos do programa criminalizador e avaliar os principais pontos que fizeram dele um fiasco são o caminho para que junto com as ideias já apresentadas, haja a abertura de possibilidades que conjuguem a sadia convivência e legitimação das liberdades individuais e transindividuais.

Referências Bibliográficas:

BOEKHOUT VAN SOLINGE, Tim. Drugs and decision-making in the European Union. Amsterdam: Mets & Schilt; CEDRO, 2002.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%E7ao.htm Acesso fevereiro de 2012.
__________. Lei nº 6.368, de 21 de outubro de 1976. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6368.htm Acesso em fevereiro de 2012.
__________. Lei nº 11.343, de 03 de agosto de 2006. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11343.htm Acesso em fevereiro de 2012.
__________. Relatório Brasileiro sobre Drogas. Brasília: Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, 2009. Disponível em http://www.obid.senad.gov.br/portais/OBID/biblioteca/documentos/Relatorios/328379.pdf Acesso em fevereiro de 2012.
__________. Código Penal. São Paulo: Rideel, 2011.
CABALLERO, Francis; BISIOU, Yann. Droit de la drogue, Dalloz, 2 éd., 2000.
CARVALHO, Salo. A Política Criminal de Drogas no Brasil: Estudo Criminológico e Dogmático da Lei 11.343/06. 5ª edição, ampliada e atualizada. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010.
COURTWRIGTH, David T. Forces of habit: drugs and the making of the modern world. Cambridge: Harvard University Press, 2002.
ESCOHOTADO, Antonio. Historia de las drogas. 3.ed. Madrid: Alianza Ed.,1997. V 2.
FRIEDMAN, Milton. The drug war as a socialist enterprise. Disponível em: Acesso em: fevereiro de 2012.
JESUS, Damásio de. Código Penal Anotado. São Paulo: Editora Saraiva, 1991.
MAIEROVITCH, Wálter. Comissão propõe descriminalização de drogas dada a falência do modelo atual In Jornal do Brasil. Disponível em http://www.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2012/05/30/comissao-propoe-descriminalizacao-de-drogas-dada-a-falencia-do-modelo-atual/ Acesso em: maio de 2012.
PORTUGAL. Lei n. 30, de 29 de Novembro 2000.  Define o Regime Jurídico aplicável ao consumo de estupefacientes.
Single Convention on Narcotic Drugs. 1961. Disponível em http://www.incb.org/incb/en/convention_1961.html Acesso em: fevereiro de 2012.
ZAFFARONI, Eugênio Raúl; BATISTA, Nilo. Direito penal brasileiro, Rio de Janeiro,
Revan, 2003.
__________. El sistema penal en los países de America Latina. In: ARAÚJO JÚNIOR, João Marcello (Org.). Sistema penal para o terceiro milênio. 2. ed. Rio de Janeiro: Revan, 1991.
__________. PIERANGELI, José Henrique. Manual de direito penal brasileiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1997.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

PODERES MEDICINAIS ROOTS...

Extraído do Site : http://www.cannabisgourmet.net/

Recebi um e mail de um amigo que mora na nova zelandia falando sobre os poderes medicinais das raizes da cannabis...já havia ouvido falar q chá da raiz é um forte purgante, mas o amigo do e mail foi muito além disso,chegando a salvar pessoas q iam ter membros amputados...eu estava começando a escrever o artigo,mas axei mais legal compartilhar o e mail na integra com vcs...entao mandei pro google translator e ta aí para vcs...
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Gostaria de compartilhar com vocês as minhas descobertas sobre os benefícios de cura da raiz cannabis.
Olá, eu sou Darcy Stoddard.
Eu fui apresentado para os benefícios de cura da cura raiz maconha há 14 anos, quando em uma rápida queda I; deslocou o tornozelo, quebrou 3 "do osso da perna, destroçou os meus tendões e cortou os nervos.
No entanto, um ano após a cirurgia, meu tornozelo ainda estava inchado, eu estava em constante dor, não conseguia andar por mais de cinco minutos e meu pé ainda estava dormente.
Única sugestão do médico era de que "eu deveria começar a usar a usar uma bengala" e tomar injeções de cortisona para o inchaço!
Isso me preocupou, uma vez que a cortisona tem sido associada ao câncer.
Como muitos no mundo de hoje, eu tinha perdido a minha confiança na medicina moderna.
Em minhas viagens, conheci muitas pessoas, que sofrem com o diagnóstico errado e medicamentos prejudiciais. pessoas que sofreram por muito tempo, estão chegando para a Terra mais tradicional ligado medicamentos à base e são atraídos para encontrar caminhos alternativos para curar e prevenir doenças. E eu sou um dos muitos.
Há mais de 30 anos, tenho vindo a aprender as maneiras antigas de ervas medicinais e usá-los para fazer pomadas para dores ligeiras a minha família e dores, das ervas que eu cresci no meu jardim.
Então, eu estava motivado em pesquisar as ervas certas que se curam as minhas lesões. E eu comecei com algumas ervas experimentados e verdadeiros como confrei.
Comfrey funciona bem para a reconstrução e fortalecimento muscular. E, para remendar as feridas e ossos quebrados.
ImagenSábio sempre foi outra primeira escolha para mim, pois é também uma poderosa erva para os músculos suaves.
Enquanto continua a formular um creme que eu pudesse massagear, eu falei com Bonnie Metcalf, que era o proprietário / operador da Coalizão Cannabis Yuba County.
Ela perguntou se eu já tinha tentado usar a raiz do cannabis. Ela disse que ler essa raiz cannabis reduz o inchaço e aliviar a dor.
Fiquei intrigado.
À procura de informações, percebi que, embora a haste da flor, sementes, folhas e ter recebido uma quantidade enorme de atenção, quase nada, até agora, tinha sido publicado sobre as raízes!
Grande parte das informações que eu encontrei, foi uma menção casual em História Antiga. Por exemplo, descobri que alguns remédios appalachian para artrite e dor, incluído de raiz de cânhamo.
então eu pensei que ia dar-lhe uma tentativa e adicionado a raiz de cânhamo, fazendo um 9 fórmula ervas.
Fiquei espantado. O creme calmante começou a me imediatamente, simplesmente a partir de uma aplicação tópica da pele.
Depois de apenas dois meses, meu inchaço se foi ea dor foi menos freqüente. Dentro de um ano, eu tinha ganhado movimento total do meu tornozelo, que eu tinha sentindo para baixo a meus pés, ea dor do nervo foi embora!
Minha família e amigos eram tão surpreso com minha recuperação que queria experimentar o creme de leite também.
As pessoas começaram a relatar uma sensação de alívio de artrite e dores musculares, eczema e rosácea. E eles encorajaram os amigos ea família para experimentar.
Todo mundo me incentivou a colocá-lo no mercado.
Mas eu queria ter certeza de que essas experiências eram sólidas, e não apenas acontecimentos ocasionais.
Então eu comecei uma série de testes de mercado por três anos, com voluntários de todo o país. Nós ofereceu a artrite sofre, os pacientes de quimioterapia, pessoas com lesões antigas e novas.
Eles relataram que o nosso creme aliviado; tecido susto doloroso, entorses, dedos quebrados, psoríase e fibromialgia. Curou tatuagens infectados, síndrome das pernas inquietas e muito mais. Em um ponto, foi-me dito que o creme curado assaduras em uma hora!
Foi depois de todos os testes desta que finalmente decidiu nomear o creme famosa,
Cânhamo-EaZe, para a cura na raiz do problema.
Ao longo do caminho, descobri que, ao contrário da forma inalada ou ingerida, é legal possuir Hemp EaZe sem recomendação devido a uma decisão judicial em 1973 (Pessoas vs. Vargas) de um médico. Porque está suspenso em óleos e ceras, as bebidas alcoólicas não pode ser consumido, portanto, é isento de controle pela Lei Federal de Abuso de Substâncias.
Em junho de 2008, fui contactado por um Blair Miss Van Pelt, um estudante de pesquisa da Universidade de Idaho. Blair disse-me que enquanto ela estava testando raiz cannabis, dois anos antes, ela viu resultados positivos ao utilizar raiz cannabis para tratar infecção por estafilococos!
Ela deseja usar cânhamo EaZe em sua pesquisa, indicando a Hemp EaZe-foi o único produto que havia encontrado que continha raiz Hemp.
Concluiu o estudo, a boa notícia, que não havia THC na raiz cannabis.
Para validar ainda mais a conclusão;
Em julho de 2009, amostras de Cânhamo-EaZe Creme Terapia foi confiscada em uma operação realizada pela Polícia Federal Australiana. Após 4 meses de testes analisados, os federais considerou que a Cannabis creme cura raiz, foi negativo em THC e voltou a oferta pessoal de Cânhamo-EaZe volta ao seu legítimo proprietário.
Hemp EaZe 1, 0 Feds!
Durante os processos judiciais, o Adjunto do Presidente da Câmara da Assembleia Legislativa australiano, estava muito intrigado com o depoimento Hemp EaZe-que foi apresentado e pediu para provar alguma da nata, para tentar sobre os joelhos inchados. Ela disse que começou a trabalhar imediatamente.
Quase 5 meses depois, seu chefe, "o presidente da casa", começou a usar o creme de raiz cannabis também.
Este é um grande! Este é um passo significativo para a Austrália e ativismo cannabis no seu país.
E outra vitória para o cânhamo-EaZe.
Atualmente, estamos trabalhando com Chico Centro Holístico na Califórnia. Eles trabalham com pacientes com neuropatia e diabéticos. Eles se aplicam Hemp EaZe em seus tratamentos, porque ele é de sucesso para reduzir edema, rompendo os hematomas e rejuvenescimento da circulação.
Recentemente, um novo paciente chegou à clínica e seu médico lhe disse que o próximo passo para os seus pés severamente ulceradas era a amputação.
Sentindo que não tinha nada a perder, ele obrigado a entregar ao Centro Holístico uma tentativa. Dentro de três semanas de tratamento, suas úlceras desapareceram. Isto foi devido a uma combinação de electrólitos e aplicações regulares de cânhamo EaZe. Cura na raiz do problema!
Também estamos envolvidos em um estudo de eczema em um Hospital do Sul Africano, com resultados fantásticos.
Por causa de um acidente, eu ter começado essa jornada extraordinária de curar e ajudar os outros, para entender o que a raiz medicinal realmente tem para oferecer.
A raiz do cânhamo pode fazer tantas coisas, e nós mal arranhamos a superfície de compreender as capacidades de cura ele. Ele nos mostrou que é poder de salvar as pessoas de amputação!
Nos últimos 30 anos, mais de 10.000 artigos científicos foram publicados sobre a planta cannabis. Ainda que continuamente deixar de fora a raiz de seus estudos.
Temos de tentar levantar as restrições fora da raiz do cânhamo, de modo que mais estudos e pesquisas podem ser implementadas.
É hora de restabelecer a raiz humilde pouco de volta para a posição formidável, como uma erva cura primário ........ e estou liderando o caminho!
Obrigado.

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Chicago descriminaliza pequenas quantidades de maconha



A Câmara dos Vereadores de Chicago aprovou na quarta-feira (27), por 43 votos a 3, a descriminalização da posse de pequenas quantidades de Maconha, seguindo a tendência de outras cidades norte-americanas.

O prefeito Rahm Emanuel apoiou a medida, pela qual policiais devem impor uma advertência por escrito e uma multa, de entre US$ 250 e US$ 500 dólares, para quem portar até 15 gramas da droga, em vez de prender o infrator.
Partidários da medida dizem que ela vai contribuir com a arrecadação municipal e liberará recursos financeiros e policiais para o combate a crimes mais sérios.

Precedentes

Mais de 12 estados e várias grandes cidades dos EUA já tomaram medidas semelhantes. Chicago, base eleitoral do presidente Barack Obama e terceira maior cidade do país, teve neste ano um aumento de 37% nos seus casos de homicídio.

O vereador Roberto Maldonado, que era contra a liberação, disse que será interpretada por muitos como "uma licença para fumar maconha em público". A polícia local realizou no ano passado 18.298 detenções de pessoas que portavam até dez gramas de maconha, segundo a prefeitura.

Venda de maconha no Uruguai causa polêmica em cidades da fronteira com o Brasil



A possível venda de Maconha , sob controle do Estado, a usuários uruguaios previamente cadastrados, preocupa autoridades do lado brasileiro da fronteira entre os dois países. O projeto foi divulgado na quarta-feira pelo governo de José Mujica como parte de um pacote de 16 ações voltadas à segurança pública e depende de aprovação do parlamento uruguaio. A medida vem repercutindo também nas cidades fronteiriças como Chuí, Santana do Livramento e Quaraí, no Rio Grande do Sul, separadas das uruguaias Chuy, Rivera e Artigas por apenas uma rua.

Em Santana do Livramento, município mais populoso da região, com 82 mil habitantes, o assunto pautou as rodas de conversa durante a fria e cinzenta quinta-feira. Acostumados à chegada de ônibus de excursão lotados de turistas mobilizados pelas compras nos free shops de Rivera, os santanenses imaginam, em tom de piada, que no futuro receberão também o “cannabis tur”.

Apesar da brincadeira e de restrições como venda controlada, limitada a 40 cigarros por mês em pontos determinados e a usuários identificados, exclusivamente uruguaios, conforme previsto no projeto, a mudança na legislação uruguaia pode repercutir no lado brasileiro, onde vivem muitas pessoas com dupla cidadania. 

“Em tese, um comprador regularizado pode revender parte de seus cigarros a terceiros”, comenta o delegado da Polícia Federal Alessandro Maciel Lopes. “Mas tudo depende de como o Uruguai vai operacionalizar a produção, o comércio e o controle, algo que ainda não sabemos.”

O prefeito de Santana do Livramento, Wainer Viana Machado (PSB), mostra-se preocupado com o projeto. “Como os uruguaios mesmo dizem, hecha la ley, hecha la trampa”, cita, para apontar a revenda da droga adquirida legalmente e o eventual turismo voltado ao consumo como possibilidades decorrentes da legalização da venda do outro lado da fronteira.

No município do Chuí, o supervisor do gabinete de gestão integrada da prefeitura, João Luiz Cardoso de 
Oliveira demonstra inquietações semelhantes. “Não sei se é indicado fazer esse tipo de liberação”, admite. “Devemos, é claro, respeitar decisões de um país vizinho, mas temos algumas preocupações diante do projeto”.

Australianos e neozelandeses são os maiores consumidores de maconha do mundo



Os australianos e os neozelandeses são os maiores consumidores de Maconha per capita no mundo, segundo um relatório do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Delito (UNODC, na sigla em inglês) divulgado nesta quarta-feira pela imprensa local.

Essa pesquisa, que se baseia em dados de 2010, revelou que entre 9,1% e 14,6% da população da 
Oceania consome maconha, enquanto a média em todo o mundo fica entre 2,6% e 5%. Na Austrália principalmente, o uso da maconha é aceito e tolerado, tendo uma concepção totalmente diferente da orientação estadunidense.

A procura por cannabis é a maior do mercado ilícito de drogas na Austrália, embora os números também indiquem um aumento do consumo de cocaína e de fármacos para usos não médicos. Por outro lado, houve uma queda no uso de anfetamina e ecstasy.

"A cannabis continua sendo a droga que mais prevalece na Austrália, assim como a maior substância vinculada aos que procuram tratamento por abuso de drogas (50%), enquanto a heroína e a anfetamina representam quase 20%", indicou o relatório citado pela agência local "AAP".

Austrália e Nova Zelândia, junto com Estados Unidos e Europa, são os principais destinos da cocaína, principalmente a exportada pelos cartéis mexicanos, que se sustentam e financiam suas atividades ilícitas, justamente pela proibição e esta guerra desenfreada em combater o abuso de substâncias entorpecentes de forma armada.

Nos dois países da Oceania, o consumo desse narcótico aumentou 1,4% em 2009 e mais 1,5% em 2010. 

Não só apenas neste continente, o uso da Cannabis é crescente no mundo inteiro, sendo que desde que se adotou a errônea tática da proibição, nunca se conseguiu baixar o número da oferta e muito menos da demanda.

Livro resgata o caso das 22 toneladas de maconha que foram jogadas no litoral brasileiro



A história de um navio que, ameaçado pela polícia, despeja 22 toneladas de Maconha no litoral brasileiro soa como um conto de surfista. No entanto, o que muitos pensam ser uma lenda urbana aconteceu de verdade e os seus incríveis detalhes são resgatados no livro “Verão da Lata” (Barba Negra), do jornalista Wilson Aquino. A carga suspeita chegaria ao Brasil em agosto de 1987 a bordo de um barco de bandeira panamenha vindo da Austrália. A grande surpresa era como a droga estava acondicionada: em latas de 1,5 kg cada. “O tráfico sempre foi criativo. Para enganar a fiscalização, procurou-se disfarçar a carga camuflando-a da melhor maneira possível”, diz Aquino.

O que os traficantes não contavam é que o Drug Enforcement Administration, órgão americano de combate aos narcóticos, sabia da operação e avisou à polícia brasileira. No encalço dos bandidos, a Marinha disponibilizou a fragata Independência, a mais moderna embarcação marítima de guerra do momento, mas não conseguiu localizar o Solana Star e seus sete tripulantes – cinco americanos, um haitiano e um costarriquenho – nos primeiros cinco dias de busca. É que, sabendo que o esquema havia vazado, eles “abortaram a operação” e jogaram ao mar uma média de 15 mil latas parecidas com as de leite em pó recheadas de maconha prensada. Atracaram no Porto do Rio, passaram tranquilamente pela alfândega sob a alegação de problemas nos dois motores auxiliares e hospedaram-se em Copacabana com a certeza de que deixaram o porão vazio. Do ponto de vista dos traficantes, o golpe fora um sucesso, exceto pelo detalhe de que, ao invés de afundar, as latas boiaram, e começaram a aparecer uma a uma, primeiro no litoral fluminense, depois no paulista e até chegar à praia do Cassino, no extremo do Rio Grande do Sul.
Dos sete tripulantes, seis escaparam pelo aeroporto do Galeão dois dias depois de chegados ao Rio. 


Apenas o cozinheiro americano Stephen Skelton ficou preso por um ano até conseguir a extradição. Para tirar o episódio das brumas do mito, Aquino procurou os delegados da Polícia Federal do Rio de Janeiro que participaram da operação há 25 anos. Colheu também depoimentos dos envolvidos e até de quem teve acesso ao que ficou conhecido como “fumo da lata”. “Conversei com surfistas, barqueiros e pescadores do litoral que, na época, não faziam noção de onde vinham as latas.” Entre eles, o roqueiro Serguei, que ainda hoje está viajando.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Portas reabertas para o LSD [REPORTAGEM REVISTA ÉPOCA]



Droga símbolo dos anos 1960, o ácido lisérgico está de volta às pesquisas acadêmicas, com resultados promissores para a cura de problemas como a depressão

MARCELO OSAKABE E MARCELO MOURA

 

VIAGEM SEM VOLTA Timothy Leary em Millbrook, recanto onde morou com seus seguidores em 1967. Ele dedicou a vida ao LSD (Foto: Alvis Upitis/Getty Images)
 Califórnia, Estados Unidos, 1971. Um detento da prisão de San Luis Obispo sobe até o telhado e, pendurado em cabos de telefonia, atravessa o pátio e pula o muro. Do lado de fora, um carro o aguardava. Dias depois, ele chegou à Argélia, sob os cuidados do grupo revolucionário Panteras Negras. O fugitivo era Timothy Leary, doutor em psicologia formado pela Universidade Berkeley e professor de Harvard. Ou, nas palavras do então presidente dos EUA, Richard Nixon, “o homem mais perigoso da América”. Leary foi o principal ativista dos usos medicinais e recreativos do alucinógeno LSD, na década de 1960. Quando a droga foi proibida pelo governo americano em 1970, até para pesquisas científicas, Leary decidiu seguir sua campanha como um fora da lei. A imagem de Leary se confunde com a do ácido: aceito socialmente nos anos 1950 e 1960, maldito a partir da década de 1970 – e atualmente em processo de redenção. Há cerca de 20 estudos em andamento no mundo sobre LSD, um renascimento do uso terapêutico da droga.
Leary entrou em contato com o LSD como pesquisador da Universidade Harvard, em 1960. Ele integrou os esforços para explorar o potencial do LSD-25 (25ª variação descoberta do Lysergsäurediethylamid, que em alemão significa “dietilamida do ácido lisérgico”), droga sintetizada pelo cientista suíço Albert Hoffman em 1938. Em 1943, Hoffman ingeriu alguns cristais da substância e descobriu suas propriedades alucinógenas. “Fiquei tonto”, disse. “De olhos fechados, via uma torrente de cores, como um caleidoscópio.” Dono da patente da substância, o laboratório suíço Sandoz distribuiu a droga para pesquisadores, como Leary, em busca de utilidades que motivassem seu comércio. Não havia nada de subversivo nisso. No fim dos anos 1960, mais de 700 pesquisas no mundo avaliavam o emprego de alucinógenos como o LSD em terapias contra esquizofrenia e depressão, além de aumento da criatividade. Só o serviço secreto de inteligência dos Estados Unidos (CIA) conduziu mais de 400 projetos com drogas, a maior parte com LSD, ao custo estimado em US$ 25 milhões, segundo um artigo de 1977 da revista especializada Psicology Today.
A mensagem
Para a sociedade
Proibições refletem a época em que foram impostas. Suas razões devem ser repensadas com frequência

Para a ciência
A interdição de uma pesquisa muda para sempre a produção de conhecimento
Na forma de cápsulas e ampolas, com o nome Delysid, o ácido chegou às farmácias. Como ocorre hoje com remédios como o Rivotril, a exigência de receita médica era mera formalidade. Psicólogos e pacientes estavam ávidos por experimentar o medicamento capaz de abrir as “portas da percepção” – expressão associada ao efeito dos alucinógenos que batizou um livro do escritor Aldous Huxley e inspirou o nome da banda The Doors. Os atores Jack Nicholson e Cary Grant se ofereceram como voluntários das pesquisas. Grant disse que se tornou uma nova pessoa graças ao LSD. “Encontrei quem eu era por trás de todos os disfarces, hipocrisias e vaidades. Me desfiz deles, camada por camada.” Segundo a revista americana Vanity Fair, cerca de 40 mil pessoas no mundo todo experimentaram o LSD entre 1950 e 1965.
Leary tornou-se um apóstolo do LSD depois de uma viagem ao México, em 1960. “Foi a experiência religiosa mais profunda de minha vida”, disse. Ele viu nas drogas o potencial de curar pessoas e a própria sociedade. Pela universidade, pesquisou a droga em detentos de uma colônia penal e num grupo de seminaristas. Os estudos de Leary foram interrompidos em 1963, quando a diretoria de Harvard descobriu que estudantes consumiam o estoque da droga destinado à pesquisa. Leary foi expulso. Fora da academia, passou a defender abertamente o uso recreativo da droga, circulando entre celebridades da contracultura, como os escritores Aldous Huxley, Jack Kerouac e Allen Ginsberg.
A pregação de Leary influenciou os Beatles, que devem algumas canções ao LSD. “‘Day tripper’ é uma delas”, disse Paul McCartney, em 2004. “‘Lucy in the sky’ é outra, obviamente.” Autor de “Lucy in the sky with diamonds” (“Lucy no céu com diamantes”), John Lennon, em vida, negou que o título da música fosse uma referência às iniciais LSD. “Lucy era uma amiga de meu filho Julian”, disse. Mas Lennon não escondia sua intimidade com o ideólogo do ácido. Leary é uma das vozes na gravação do hino pacifista Give peace a chance, de Lennon. O LSD inspirou outras estrelas, como Eric Clapton e Jim Morrison, e desconhecidos que chegariam à fama décadas depois, como o fundador da Apple, Steve Jobs. “Tomar LSD foi uma das duas ou três coisas mais importantes de minha vida”, disse Jobs.
O consumo desmedido de alucinógenos, defendido por Leary, era temerário. Sem limites, mesmo substâncias legalizadas, como bebidas alcoólicas, trazem consequências desastrosas. “O LSD pode danificar o sistema neurológico, se for tomado sem responsabilidade”, diz Amanda Beckley, criadora da fundação Beckley, que apoia pesquisas com drogas alucinógenas. “A dose de LSD era cinco a dez vezes maior que a aplicada hoje.” Não tardou para que relatos de pessoas que pularam de prédios ou desenvolveram algum tipo de psicose começassem a ganhar visibilidade. Em março de 1966, a revista americana Life publicou na capa a reportagem “LSD: a ameaça explosiva da droga que saiu do controle”. Quando Richard Nixou conquistou a Presidência dos Estados Unidos, em 1968, o combate às drogas foi um dos motes de sua campanha vitoriosa. “Espero salvar centenas de milhares de vidas que, expostas ao vício, poderiam ser moral, física e mentalmente destruídas”, afirmou Nixon, em 1969, ao propor ao Congresso americano uma lei mais dura contra os entorpecentes.
Aprovada em 1970, a Comprehensive Drug Abuse Prevention and Control Act enquadrou o LSD e outros alucinógenos na categoria das drogas mais perigosas, proibidas não apenas para consumo, como também para pesquisa. No ano seguinte, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu proibição semelhante, em nível mundial. “Nixon buscou erradicar o consumo de drogas proibindo até a pesquisa e o uso medicinal”, diz Pedro Abramovay, professor de Direito da Faculdade Getulio Vargas. A proibição na ONU acabou por igualar traficantes e cientistas e fechou as torneiras de recursos em países onde ainda era permitido pesquisar. “Depois de 1972, ficou impossível conseguir financiamento para novos estudos”, afirma Richard Doblin, doutor em políticas públicas pela Universidade Harvard e fundador da Associação Multidisciplinar de Estudos Psicodélicos (Maps).
O futuro da droga do passado
Novos estudos científicos sugerem que terapias com LSD podem resolver problemas atuais
Depressão
O pesquisador suíço Peter Gasser concluiu no ano passado o primeiro estudo com LSD feito em 35 anos. Ele afirma que o consumo de ácido lisérgico, associado à psicoterapia, reduziu os níveis de ansiedade dos 12 participantes de sua análise. O teste será refeito com grupos maiores 
Alcoolismo
Pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia e de Harvard analisaram seis estudos com LSD feitos nos anos 1960, para tratar de alcoolismo. “Surgiram evidências claras do benefício do LSD”, disse o jornal da Psicofarmacologia
Dor de cabeça
O psiquiatra John Halpern, de Harvard, testou com sucesso o tratamento de dores de cabeça com bromo-LSD, uma variante não alucinógena do ácido. Sem encontrar interesse de grandes laboratórios, Halpern fundou uma empresa, a Entheogen, para produzir um remédio
 As portas da pesquisa com alucinógenos só foram reabertas na década de 1990, quando a Food and Drug Administration (FDA), autoridade de saúde dos Estados Unidos, igualou a classificação das drogas psicodélicas à de substâncias como ópio e anfetamina, livres para estudo. Os resultados da liberação começam a aparecer. Em 2011, o doutor em psiquiatria Peter Gasser concluiu uma pesquisa de LSD no tratamento para depressão (leia o quadro ao lado). Foi o primeiro estudo completo, após quatro décadas de proibição. “Diante de efeitos benéficos tão evidentes, é intrigante por que terapias com LSD foram tão abertamente ignoradas”, afirmou o neurocientista norueguês Pal-Orjan Johansen, autor de uma pesquisa sobre o uso do LSD no combate ao alcoolismo.
Uma das explicações para a longa proibição do LSD é a influência decisiva das questões morais no curso das descobertas científicas. A história do LSD é um capítulo do histórico conflito entre o racionalismo científico e os dogmas que permeiam o senso comum da sociedade. Quando propôs a proscrição do LSD, Nixon tinha argumentos objetivos a seu favor, como altos índices de violência associada a drogas, mas não escondeu que aquela era, sobretudo, uma cruzada moral. São essas questões que fazem os governos interferir no trabalho dos laboratórios, autorizando e proibindo procedimentos, concedendo e negando recursos. Outro exemplo da influência das questões morais na evolução da ciência é a polêmica na autorização de pesquisas com células-tronco embrionárias. Promissoras no tratamento de doenças hoje incuráveis do sistema nervoso, mas combatidas por religiosos, elas só foram liberadas no Brasil em 2008.
O debate sobre moral e os limites da ciência é necessário, mas traz lentidão e até prejuízos ao desenvolvimento científico. As duas décadas de intervalo entre proibição e liberação das pesquisas com drogas alucinógenas não significaram apenas um atraso no desenvolvimento de novas terapias. Os estudos que poderiam ter ocorrido na década de 1970 jamais serão retomados, uma vez que as patentes dessas substâncias já caíram em domínio público. “Nenhum grande laboratório financia pesquisas sem a perspectiva de monopolizar o mercado”, diz Amanda. “Eles não querem descobrir no LSD um rival para remédios que já têm.”
As novas pesquisas com alucinógenos são financiadas por doadores sem finalidades comerciais, como o cantor Sting ou o fundador do Napster, Sean Parker. Gente de mente e bolsos abertos também bancou os últimos dias de Timothy Leary. Após sua fuga espetacular da prisão, em 1971, ele entrou em acordo com o governo americano, cumpriu pena de três anos e moderou suas ações. Morto em 1996, vítima de câncer, ele durou o bastante para ver a retomada dos estudos com a droga a que dedicou a vida. Após a cremação, 7 gramas de suas cinzas foram embarcados no foguete espacial Pegasus, que ficou em órbita por seis anos até se desintegrar na atmosfera. Timothy e seus cristais de LSD ficaram no céu, como a Lucy da música psicodélica.
O mundo moldado pelo ácido (Foto: Michael Ochs Archives/Getty Images, Vinnie Zuffante/Michael Ochs Archives/Getty Images, Daniel Mordzinski/AP e Murray Garrett/Getty Images)