Psicodélico: Julho 2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

Etnobotânica e Etnofarmacologia !!


O que é Etnofarmacologia?

O termo “etnobotânica” foi utilizado pela primeira vez em 1896 pelo botânico americano William Harshberger para designar o estudo da relação entre os humanos e as plantas utilizadas por eles. Balick & Cox (1999), definem como sendo o campo de estudo que analisa o resultado da manipulação de plantas ou partes vegetais por culturas tradicionais, assim como, o contexto cultural em que cada planta é utilizada. Heinrich et al. (2004) definem etnobotânica como a "ciência que estuda a relação entre humanos e plantas em toda sua complexidade, e é baseada geralmente na observação detalhada e estudo do uso que uma sociedade faz das plantas, incluindo as crenças e práticas culturais associadas com este uso. Foca não somente as plantas medicinais, mas também outros produtos derivados da natureza, como: alimentos, plantas utilizadas em rituais, corantes, fibras, venenos, fertilizantes, materiais de construção para casas, barcos, ornamentos, óleos, etc.


Os estudos etnobotânicoss podem ter várias aplicações, entre elas:

  • valorização da diversidade cultural e vegetal;

  • resgate, valorização e entendimento sobre as dinâmicas do conhecimento tradicional a respeito da utilização da flora;

  • conservação da flora;

  • desenvolvimento científico e tecnológico baseado na diversidade e potencialidade vegetal;

Qual é a importância da Etnofarmacologia?

A etnobotânica possibilita a compreensão da estrutura lógica da relação entre homens e a flora que o cerca. Por estudar a concepção humana sobre as plantas e suas relações, é uma importante forma de conservação da integridade e conhecimento das comunidades tradicionais. O Brasil é considerado um dos sete países com os maiores índices de biodiversidade, sendo o primeiro do ranking quanto ao número de plantas superiores, além de ser um país com diversas etnias indígenas e culturas que englobam: populações de quilombolas, afro-brasileirios, caiçaras, ribeirinhos, jangadeiros, dentre outras.

O que é Etnofarmacologia?

A etnofarmacologia é uma disciplina recente no meio acadêmico. Embora o termoetnofarmacologia tenha aparecido pela primeira vez durante o evento realizado em 1967,“Ethnopharmacological search for new psychoactive drugs”, a “idéia” dessa disciplina já havia sido apresentada em 1924 por Louis Lewin na sua obra intitulada PHANTASTICA.
Originalmente, a etnofarmacologia era definida como uma ciência que procurava entender o universo dos recursos naturais (plantas, animais e minerais) utilizados como drogas sob a ótica de grupos humanos. No entanto, ao longo do tempo esta disciplina evoluiu, sendo definida por Bruhn & Holmsted (1981) como:

“Exploração científica interdisciplinar de agentes biologicamente ativos, tradicionalmente empregados ou observados pelo homem”.

Os estudos etnofarmacológicos podem ter várias aplicações, entre elas:

  • valorização da diversidade cultural;

  • resgate e valorização do conhecimento tradicional a respeito da utilização medicinal dos recursos naturais;

  • entendimento sobre as dinâmicas do conhecimento tradicional;

  • desenvolvimento científico e tecnológico de medicamentos;

Qual é a importância da Etnofarmacologia?

Um dos critérios utilizados pelos laboratórios farmacêuticos/universidades na seleção de recursos naturais visando o desenvolvimento de novas drogas é a utilização de dados de levantamentos etnofarmacológicos, sobretudo aqueles realizados em países tropicais, por apresentarem altas taxas de biodiversidade e endemismo. Alguns levantamentos etnofarmacológicos têm sido realizados nos diversos biomas brasileiros, podendo ser utilizados no desenvolvimento de novas drogas.

MACONHA: ENTRE A MISTIFICAÇÃO E A CENSURA



Repassando importante esclarecimento:


Nota oficial do CETAD sobre a matéria 'Sugestão é plantar em casa - Saúde do Rio defende o uso da maconha'




Nota pública sobre a matéria publicada no Jornal O Dia em 12/05/2012 com o título “Sugestão é plantar em casa - Saúde do Rio defende o uso da maconha” e a censura imposta pelo prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, ao livro “Toxicomanias: incidências clínicas e socioantropológicas” - Editora da Universidade Federal da Bahia - EDUFBA.


Foi com muita surpresa que os organizadores do livro Toxicomanias: incidências clínicas e socioantropológicas, publicado em 2009, pelo Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (CETAD/UFBA), em parceria com a Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA), tiveram conhecimento da distorcida matéria publicada pelo jornal O Dia, em 12/05/2012, bem como da censura imposta pelo prefeito Eduardo Paes à veiculação da referida publicação em site da Coordenação de Saúde Mental, programa da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro.

O CETAD/UFBA, ao longo dos seus vinte sete anos de funcionamento, voltados para a atenção aos usuários de drogas e seus familiares, além de atuar no campo da pesquisa e do ensino de graduação e pós-graduação, foi responsável pela reimplantação e sustentação inovadora de Programas de Redução de Riscos e Danos para usuários de drogas e pela criação da estratégia Consultório de Rua, dentre outras atividades, merecendo o reconhecimento nacional e internacional pelo pioneirismo dessas ações no Brasil.

O livro Toxicomanias: incidências clínicas e socioantropológicas, questionado de forma leviana pelo jornal O Dia, seguido da inoportuna decisão do prefeito Eduardo Paes determinando sua retirada do site da Coordenação de Saúde Mental do Rio de Janeiro, é o quarto volume da Coleção Drogas: Clínica e Cultura, que conta atualmente com cinco livros publicados pelo CETAD através da Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA).

Essas publicações, que tem sido uma referência para estudantes e profissionais de diversas áreas, trazem à tona as reflexões e o debate em torno do uso e abuso de drogas, enfocando o sofrimento humano e suas complexas relações sociais, através de múltiplos olhares, no âmbito da socioantropologia, da comunicação, da medicina, da psicanálise, da lei, com artigos de profissionais e pesquisadores de reconhecida experiência nesse campo.

A matéria trata a publicação de forma distorcida e equivocada, fazendo um recorte descontextualizado e até criminoso de um dos artigos cujo título é “A nova Lei de Drogas e o usuário: a emergência de uma política pautada na prevenção, na redução de danos, na assistência e na reinserção social”, e que traz a discussão de múltiplos aspectos que pautam as leis que regem o usuário e o consumo de drogas em diversos países, e da necessidade de mudanças na atual legislação brasileira que favoreçam o acesso do usuário aos serviços de atenção e saúde.

Longe de fazer apologia ou indicação de consumo de qualquer droga, como indica irresponsavelmente o jornal, o artigo referido se debruça sobre uma política de descriminalização do usuário de drogas, em favor da vida e pela reafirmação de uma Política de Redução de Danos, sustentada como política de estado pela SENAD e pelo Ministério da Saúde brasileiro e conquistada arduamente por todos aqueles que ao longo desses anos lidam com essa questão.

No livro alguns artigos de reconhecidos pesquisadores brasileiros no campo da socioantropologia versam sobre o Santo Daime, prática religiosa de origem amazônica e que legalmente utiliza a ayahuasca nos seus rituais. Considerado um verdadeiro patrimônio da nossa cultura essa prática é tratada pelo Jornal O Dia de forma discriminatória e desrespeitosa.

Estamos frontalmente em oposição àqueles que, equivocadamente, defendem a criminalização do usuário de drogas e que buscam nas internações compulsórias e na privação da liberdade o modo de tratar aqueles que necessitam de atenção.

Reafirmamos nosso apoio a todas as iniciativas que visem informar, debater e ampliar uma rede de atenção ao usuário de drogas e que leve em conta os princípios éticos da liberdade e da responsabilidade individual.

Manifestamos aqui nosso veemente repúdio à forma sensacionalista e irresponsável como o Jornal O Dia abordou uma questão tão grave e complexa e a censura inaceitável do prefeito Eduardo Paes à livre manifestação da reflexão e do debate democrático.


Os Organizadores
Antonio Nery Filho
Edward Macrae
Luiz Alberto Tavares
Marlize Rêgo

CORTINA DE FUMAÇA

Sei que já coloquei aqui, mas não custa nada colocar novamente.


Cortina de Fumaça from Missawa on Vimeo.




Cortina de Fumaça é um projeto independente, realizado pelo grupo COLETIVO Projects, movido pela vontade de colaborar na construção de uma sociedade mais equilibrada e alinhada com os princípios de liberdade, diversidade e tolerância. O documentário de 88 minutos, traz informação fundamentada para o grande público através de depoimentos nacionais e internacionais.
Além do Brasil, o diretor Rodrigo Mac Niven gravou na Inglaterra, Espanha, Holanda, Suíça, Argentina e Estados Unidos; visitou feiras e congressos internacionais, hospitais, prisões e instituições para conversar com médicos, neurocientistas, psiquiatras, policiais, advogados, juízes de direito, pesquisadores e representantes de movimentos civis. Dentre os 34 entrevistados, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso; o Ministro da Suprema Corte da Argentina, Raúl Zaffaroni; o ensaista e filósofo espanhol autor do tratado “Historia General de Las Drogas”, Antonio Escohotado, o ex-Chefe do Estado Geral Maior do Rio de Janeiro, Jorge da Silva e o criminalista Nilo Batista.
Cortina de Fumaça coloca em questão a política de drogas vigente no mundo, dando atenção às suas conseqüências político-sociais em países como o Brasil e em particular na cidade do Rio de Janeiro. Através de entrevistas nacionais e internacionais com médicos, pesquisadores, advogados, líderes, policiais e representantes de movimentos civis, o jornalista Rodrigo Mac Niven traz a nova visão do início do século 21 que rompe o silêncio e questiona o discurso proibicionista. O filme foi produzido, escrito e dirigido pelo jornalista Rodrigo Mac Niven, numa co-produção entre a J.R. Mac Niven Produções e a TVa2 Produções.
Exibido pela primeira vez no Festival Internacional de Cinema do Rio 2010, o filme participou de vários festivais no Brasil e no exterior. Além disso, dezenas de exibições seguidas de deabates foram e continuam sendo feitas pelo Brasil. Acompanhe a história do filme pelo site cortinadefumaca.com
Ficha Técnica:
Roteiro e direção: Rodrigo Mac NivenProdução: Rodrigo Mac Niven e Paula XexéoRealização: COLETIVO ProjectsCo-produção: TVa2 Produções e J.R.Mac NivenPaís: BrasilAno: 2010Duração: 88 minutos
Exibição no Vimeo autorizada pelo diretor.

Postada no site do NEIP (Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos) neip.info


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Vocalista do Six Feet Under fala sobre a legalização da maconha !!


Quando perguntado acerca de sua reputação como um ativista em prol da legalização da maconha em seu tempo livre, Chris Barnes, vocalista da banda Six Feet Under disse: "Eu acredito que a Maconha foi colocada aqui na Terra por uma força maior ou por alienígenas ou algo que tem um plano para nós... Nós precisamos dos canabinóides ingeridos em nossos corpos para construir nosso sistema imunológico; é um benefício natural para nós como humanos. Existem muitos estudos por aí que comprovam isso e também mostram que há uma possibilidade de que as substâncias da maconha possam curar o câncer. É uma droga passiva, de uso recreacional. Ela é o que você quer que ela seja. São coisas que eu acredito, cientificamente, que o corpo humano necessite de cannabis em seu sistema”, afirmou.

Dando continuidade ao seu raciocínio, Barnes exemplificou: O que nós não precisamos em nosso corpo é isso (pega uma garrafa de Heineken) - uma cerveja, álcool. Nós não precisamos de cigarros, não precisamos de tabaco. Mas, por alguma razão, essas coisas são legais e empurradas em nossas gargantas. E essas são as coisas mais mortais que consumimos diariamente em nossas vidas e elas matam mais pessoas nesse mundo que qualquer outra coisa que nós usamos de forma recreativa.
Barnes disse ainda que a maconha ainda não é legalizada por uma certa hipocrisia da sociedade, fazendo uma relação entre álcool, tabaco e maconha.

“Então por que esses itens - álcool e tabaco - estão disponíveis para nós e nós os usamos e os deixamos nos matar? Por que isso acontece? Essa hipocrisia é que impede a maconha de ser legalizada. Ela não nos causa nenhum dano. Foi cientificamente provado que a maconha nos ajuda e nos beneficia e nós precisamos dela, ponto. Então essa hipocrisia devia acabar, definitivamente. A cannabis deveria ser usada de forma recreativa, como matéria prima para outros produtos, como óleo para rodar nossos carros, poderia ser usada de diversas maneiras para beneficiar o planeta. Negócios poderiam ser abertos, economias poderiam ser impulsionadas por essa planta que cresce de forma fácil e rápida e ainda repõe mais oxigênio dentro da camada de ozônio do que qualquer outra”, ponderou.

Por que 13420 ? ( Por Dr. André Barros)


4:20 é o código internacional dos maconheiros, criado em 1971 por estudantes da California que se reuniam neste horário para coletivamente fumarem maconha. Todas as Marchas da Maconha começam às 4:20 horas da tarde. O Coqueirão, parte libertária da praia de Ipanema, fica entre as ruas Maria Quitéria e Joana Angélica, formando, com seus dois primeiros, o nome Maria Joana. E bem em frente ao Coqueirão fica o prédio nº 420 da Vieira Souto. O 4:20 tornou-se o código da maconha.
A junção do número do meu partido com o 420 demonstra que a maconha é a questão principal da campanha. O capitalismo da velocidade, da violência, apressado, estressado e individualista precisa provar desse remédio. A maconha medicinal é fundamental para tornar nossa sociedade mais solidária, reflexiva, criativa, alegre, paciente, todas as qualidades que podem ser acionadas pela maconha sobre nosso natural sistema endocanabinol.
Perguntam, mas o que pode fazer um vereador em relação à maconha? Muito, respondo.

Primeiro, existe uma Comissão Permanente de Prevenção às Drogas na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Foi esta Comissão, por exemplo, que mobilizou a polícia e a guarda municipal para impedir o desfile do nosso bloco Planta na Mente durante o carnaval. Só aqui no Rio de Janeiro, mesmo com duas decisões unânimes do Supremo Tribunal Federal a favor do evento, a Marcha da Maconha foi brutal e covardemente reprimida. Protocolei uma representação na Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar, com vídeos e fotografias dos abusos cometidos pelos policiais, e não tivemos qualquer resposta até agora.
A Lei 11343/2006 acabou com a pena de prisão para quem plantar pequena quantidade para uso próprio. Porém, a quase totalidade do sistema penal desrespeita esta lei e prende com toda crueldade pessoas que plantam maconha para uso próprio em suas casas e apartamentos. Sempre da mesma forma: sem mandado judicial, os policiais chegam nas casas, as pessoas lhes abrem as portas e os levam, inocentemente e sem qualquer resistência, até suas plantas. A resposta é covarde: os plantadores são presos e fotografados ao lado das plantas e de emblemas da polícia, aparecendo imediatamente nas primeiras páginas dos jornais e telejornais como se fossem homicidas. Essas prisões em flagrante são convertidas em prisões preventivas por decisões judiciais, após pareceres, quase sempre favoráveis, do Ministério Público. Depois de dias ou meses, o próprio Ministério Público reconhece o engano e pede a desclassificação do artigo 33 para o 28 da Lei 11343/2006 e o alvará de soltura é expedido. Mas como ficam os dias e meses nos infernos do Sistema Penitenciário Carioca? Por isso mesmo, até quando essa covardia vai se repetir?
Conheço bem todas essas injustiças e vou lutar contra todas elas. O mandato vai servir para representar os maconheiros. Denunciar os abusos praticados pela autoridades. Mostrar o absurdo da criminalização da conduta de plantar maconha para uso próprio e defender a legalização desse direito, por exemplo. Baseado no artigo 2º da Lei 11343/2006, que reza sobre os fins medicinais e científicos, mostrar a eficácia da maconha na redução de danos visando tirar uma pessoa da dependência do crack e apresentar tal proposta como alternativa às inconstitucionais internações compulsórias. Vamos abrir o debate acerca da maconha no coração carioca da Cinelândia, onde está situada a Câmara dos Vereadores.

ANDRÉ BARROS, advogado da Marcha da Maconha e candidato a vereador do Rio de Janeiro com o nº 13420



"Curta" a página do Dr. André Barros no Facebook:
http://www.facebook.com/advogadoandrebarros


FONTE: http://maconhadalata.blogspot.com

Carlos Giannazi do PSOL defende a descriminalização da maconha



O candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Carlos Giannazi, partiu para o ataque contra o PT e seu candidato Fernando Haddad, que nesta quarta-feira (11) faltou ao debate promovido pelo R7 e Record News, além de falar que apoia a descriminalização da Maconha. De acordo com o socialista, o petista não apareceu por medo de ser desmascarado.

De acordo com Giannazi, o PT não mandou seu candidato para o debate de hoje porque o PSOL iria “desconstruir a imagem de Haddad”, ex-ministro da Educação e ex-secretário de Marta Suplicy quando ela foi prefeita da cidade.

“Eu ia mostrar como as universidades estão precarizadas. Eu ia expor a “herança maldita” que ele deixou na cidade e na educação.

Mesmo sem o petista, Giannazi não poupou o rival. Durante a entrevista com Herodoto Barbeiro,  ele disse que Haddad foi um dos responsáveis pela taxa do lixo, uma das razões para a não reeleição de Marta.

Giannazi também criticou a ação da Prefeitura na Cracolândia, quando alguns viciados em craque foram retirados da região no final do ano passado.

“Foi uma ação marqueteira, não se combateu o tráfico. Nenhum traficante foi preso.”, afirmou.

Se ele vencer a campanha, afirmou que não vai prender os viciados, mas focar no tráfico. Uma de suas propostas é descriminalizar os usuários de maconha.

“O verdadeiro combate tem que ser contra o narcotráfico, o crime organizado, concluiu

Legalização da Maconha em Votação no Colorado, Oregon e Washington!

O país que inventou a guerra às drogas pode mudar mais uma vez o rumo da história da maconha. Dois anos anos após a derrota apertada da Prop19 na Califórnia, o Estado do Oregon vai votar o Cannabis Tax Oregon Act. Votação semelhante será feita no Colorado com a Proposição 64, e no estado de Washington.

No Oregon, a realização do plebiscito foi aprovada após a apresentação de 88,887 assinaturas - acima das 87.213 necessárias - para colocar a proposta em votação na eleição de novembro. No Colorado, a Proposição 64 defende a regulação da cannabis equiparada com a do álcool.

As três propostas defendem a regulamentação do comércio de maconha para maiores de 21 anos, com o ciclo de produção e venda fiscalizados pelo poder público. Com pequenas diferenças nos percentuais, todas determinam o repasse de impostos deste negócio para o serviço de tratamento de dependentes.

Tudo isso só é possível devido a liberdade legislativa que os Estados possuem nos EUA. O presidente Obama, que durante a campanha prometeu não reprimir os dispensários de cannabis medicinal, realizou inúmeras ações policiais contra um negócio protegido por leis estaduais. Sobrou até para a Oksterdam University, que teve a sede fechada pro agentes da DEA.

Obama não é legalized, mas deve ser melhor que um republicano 100% proibicionista no poder. O que importa neste caso é o voto em cada um dos três Estados, que podem começar a escrever a história da legalização no Planeta. Todo apoio aos ativistas do Colorado, Oregon e Washington!

Cannabis é a substância ilícita mais popular do mundo

De acordo com uma pesquisa realizada pela ONU, a cannabis é a substância ilícita mais produzida, traficada e consumida no mundo inteiro, ultrapassando a cocaína, que sempre esteve na ponta.
Obviamente, como não há controle, não é possível chegar a um número exato, mas calcula-se que entre 119 e 224 milhões de pessoas no mundo fumem um baseadinho de vez em quando, contando somente os maiores de 18 anos. Alem disso, não existem sinais que indicam que a popularidade da cannabis cairá nos próximos anos. A planta é consumida de alguma maneira em todos países e seu consumo está crescendo na maioria deles. O número de usuários está estabilizado na América do Norte, ambos EUA e Canadá, e Oceania, porém os números estão em ascensão no norte da África e África do Sul, no sul e sudeste da Ásia e Américas Central e do Sul.
Em 2010, Austrália e Nova Zelândia ocupavam o primeiro lugar no ranking de países com maior número de consumidores, com os EUA e Canadá em segundo lugar seguidos Espanha, França, Itália e República Checa em terceiro. Nigéria, Zâmbia e Madagascar estão juntos na quarta posição.
O estudo da ONU ainda observou mudanças em alguns padrões sociais. Alguns destaque interessantes: O mercado europeu está deixando de lado a resina da cannabis –  o tal do hashish, chocolate, Robinho ou como você quiser chamar! – e consumindo mais a erva em si, que é mais popular na América. Já no Afeganistão, que sempre despontou como grande produtor de heroína e opiáceos, hoje tem a marihuana como mais lucrativo negócio ilícito. E a boa notícia para nós, que não cansamos de reiterar que apesar de usuários, somos contra o tráfico; o mercado de sementes cresceu quase que imensurávelmente (não há números) entre 2008 e 2010, contando com quase 200 marcas diferente diponíveis online. Ou seja, alem de consumir mais, o povo está plantando mais. Isso sim é boa notícia!
A pesquisa também concluiu que a cannabis está ficando mais potente em países desenvolvidos. A popularização do cultivo hidropônico permite que a erva tenha mais chances de se desenvolver indoor e resulta numa planta mais potente que aquelas cultivadas em de maneira tradicional, na terra.
Como consequência da proibição, é preciso ter cuidado com as imitações de maconha, ou de qualquer outra droga. Novas substâncias químicas estão surgindo no mundo inteiro e cópias de cannabis não são exceção. É o caso dos supostos sais de banho que andam vendendo por aí, que apesar de, teoricamente, não serem feitos para consumo, ou fumo, contêm canabinóides que emulam os efeitos da maconha, porém são compostos de produtos legais, o que não quer dizer de maneira alguma que sejam menos perigosos.
Então, mais um ponto para nós. Quando alguém te disser que o tráfico não vai acabar porque o grosso vem de outras drogas, você já pode dizer que mais esse mito foi derrubado. Talvez o tráfico não se extingua de vez, mas ao menos ele será enfraquecido. E com tanta gente por aí curtindo um cigarrinho de artista e os números expoentes, já passou da hora dessa discussão ser levada à sério.
Fonte: Time

Estudo aponta álcool como causador do efeito “porta de entrada”

Sabe aquela história de que a maconha é a “porta de entrada” para outras drogas? Agora, mais do que nunca, podemos dizer aos proibicionistas que isso não passa de papo-furado! Um estudo do The Journal of School Health considera que a antiga teoria do  efeito “porta de entrada” pode ter fundamento, mas inocenta o uso da cannabis e transfere a culpa para a droga mais aceita socialmente e difundida mundialmente: ele mesmo, o álcool.
Você deve estar pensando: “eu já sabia”, mas a Pesquisa Anual de Monitoramento do Futuro, elaborada pela Universidade de Michigan, que estudou o uso da maconha, cocaína, heroína, LSD, anfetaminas, tranquilizantes, entre outros narcóticos, confirmou que o uso da cannabis não é o principal indicador de que a pessoa vá passar a substâncias mais perigosas. “Ao atrasar o início da iniciação no álcool, as taxas de abuso tanto de substâncias lícitas como o tabaco quanto o uso de substâncias ilícitas como a maconha e outras drogas será afetada positivamente, sendo jogadas para baixo”, afirmou o coautor do estudo, Adam E. Barry, professor assistente da Universidade da Flórida no Departamento de Educação em Saúde e Comportamento. Isto quer dizer que quanto mais cedo um jovem começar a beber, mais chances ele terá de se envolver com outras drogas.
O estudo de Barry mostra evidências de que comportamentos de abuso de substâncias pode ser previsto com um alto grau de precisão examinando a histórico de drogas do sujeito. O pesquisador acredita que a noção persistente e equivocada de maconha como principal porta de entrada para mais substâncias nocivas é consequência do absurdo e exagerado “Reefer Madness”, filme estaduniense da década de 30 montado para exibição nas escolas contra o uso da planta – também conhecido como “Tell Your Children“.
“Então, basicamente, se soubermos como alguém se comporta em relação ao uso de álcool, então devemos ser capazes de prever o que essa pessoa responderá com outras [drogas]“, explicou. “Outro jeito de dizer é que se soubermos que alguém usou heroína, podemos deduzir que também usou outras drogas”.
Ao comparar as taxas de abuso de substâncias entre bebedores e não-bebedores, eles finalmente descobriram que os que haviam consumido álcool na escola pelo menos uma vez em suas vidas “eram 13 vezes mais propensos a usar cigarros, tinham16 vezes mais chances de usar maconha e outros narcóticos e 13 vezes mais propensos a usar cocaína “. O artigo também divulgou que 71% dos jovens de até 17 anos já consumiram álcool, enquanto cerca de 44% já experimentaram maconha e 6% utilizaram cocaína.
O estudo sugere que fazer da educação sobre o álcool uma prioridade poderia realmente virar o jogo na Guerra às Drogas – mas somente se os legisladores e educadores decidirem usar a ciência como base para políticas públicas e currículo escolar. “Acho que [estes resultados] têm a ver com nível de acesso das crianças têm ao álcool, e que o álcool é visto como menos prejudicial do que algumas destas outras substâncias,” Barry acrescentou. “O consumo de drogas normalmente começa com as que são socialmente aceitas, como álcool e cigarros, para só então evoluir para o uso de maconha e, finalmente, para outras substâncias mais pesadas”, resume.
Em poucas palavras: alem do contato com o traficante facilitar o acesso à substâncias mais pesada, é também a precocidade no consumo de álcool que poderá definir se o usuário irá ou não envolver-se com outras drogas. Mais um argumento antiproibicionista!
Fonte: The Raw Story, Blog da MaryJuana / Para saber mais: Time Healthland  (em inglês)

Campanha pela descriminalização causa polêmica entre cultivadores brasileiros

Lançada na semana passada, a campanha da ONG Viva Rio em prol da descriminalização do uso de drogas chamou atenção por  estampar o material de divulgação com as imagens de famosos como Luana Piovani, Isabel Filladis, Luis Melo e a estilista Regina Sampaio. Intitulada “Lei de Drogas: é preciso mudar”, a ação pretende angariar 1 milhão de assinaturas em apoio ao projeto de lei que será apresentado ao Congresso Nacional com o objetivo de tornar a legislação sobre drogas no país mais branda e eficaz.
A Lei 11.343/2006, que regulamenta a política de drogas no Brasil, não faz distinção clara entre usuário e traficante. Desde que entrou em vigor, o número de presos por crimes relacionados às drogas no país dobrou. Essa falta de clareza leva à prisão milhares usuários, que geralmente nunca cometeram outros delitos, não têm relação com o crime organizado e portavam pequenas quantidades da droga no ato da detenção.
Na teoria, o que está sendo proposto é deslocar a questão das drogas da área da segurança pública para a saúde e a assistência social; descriminalizar o consumo de drogas; estabelecer diferenças entre usuário e traficante; e garantir tratamento para dependentes químicos.
Mas, na prática, o fato é que não vai mudar muita coisa.”Será prudente não portar, plantar, nem armazenar mais do que a autoridade administrativa de saúde considerar suficiente para o consumo pessoal por dez dias pois, uma quantidade maior que esta, poderá ser considerada tráfico”, explica André Barros, advogado da Marcha da Maconha.
A questão do “consumo pessoal para dez dias”, por si só, gera uma série de controvérsias por motivos óbvios: o que eu consumo em dez dias pode ser menos da metade ou mais do que o triplo do que você consome, por exemplo. Além disso, as mudanças não contemplam a descriminalização do cultivo caseiro e o uso medicinal, o que gerou polêmica entre os cultivadores, que já preparam um manifesto exigindo mais avanços nas alterações.
Reunidos através do site Growroom, os cultivadores louvam a iniciativa da campanha, mas criticam a falta de inovações nas mudanças, especialmente a legislação sobre cultivo. “No caso da canábis, que é uma planta anual, é um absurdo só poder ter a quantidade para dez dias como uso pessoal. A discussão deve ser muito mais profunda. Mais avançada,  com uma mudança que seja real. Chega de hipocrisia, temores e falsos moralismos. Esse projeto não soluciona muito, não”, opina um dos usuários.
As controvérsias não param por aí. Continua a valer a pena de 5 a 15 anos para o que for enquadrado como tráfico. “Mas ao mesmo tempo também se exclui o crime quando o sujeito adquire, guarda, tem em depósito, transporta ou traz consigo drogas para consumo pessoal ou semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de drogas para consumo pessoal”, completa André Barros.
“Achei o propósito fraco. Instituir Comissão pra cuidar das apreensões com destinação pessoal, que continuará aplicando penas para o usuário. No lugar do juizado encontrar o juiz, você irá pra comissão ser ouvido, provavelmente, por psicologos, assistentes sociais e coisas do tipo.”, aponta outro cultivador.
Mais subjetividade surge na hora de determinar se a substância é para uso pessoal, pois cabe ao juiz atender à natureza e à quantidade da substância apreendida, à conduta, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, bem como às circunstâncias sociais e pessoais do agente. Um prato cheio para ações arbitrárias e injustas, na opinião do advogado. ”As mudanças abrem um arco enorme para abusos de autoridades, que vão querer prender por tráfico todos que forem pegos com quantidade acima do limite que será estabelecido pela autoridade administrativa de saúde: isto é que é terrorismo legal!”

O novo projeto de lei foi elaborado pelos juristas Pedro Abramovay, professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e coordenador do Banco de Injustiças; Cristiano Maronna, membro da diretoria do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) e Luciana Boiteux Rodrigues, professora de Direito Penal da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre outros.

Oliver Stone defende descriminalização em novo filme

O diretor americano Oliver Stone ganhou fama internacional ao expor, sem piedade, a violência nas telas do cinema: foi assim em Assassinos por natureza e Platoon, o que lhe garantiu três Oscars ao longo de sua carreira. Agora, Stone escolheu mostrar um outro tipo de violência, a do tráfico de drogas e dos cartéis mexicanos.
Este é o tema principal deSavages, o novo filme do diretor americano que rapidamente já deu o que falar – e não apenas pela sua habilidade em lidar com a ‘sétima arte’.
Stone, com sua sinceridade muitas vezes dura, engrossou o coro pela descriminalização das drogas. “A guerra às drogas não conhece fronteiras. É uma forma de escravidão fazer com que tantos jovens acabem na prisão por tráfico. Isso é um problema internacional e não acabará a menos que se mudem as regras. Descriminalizar as drogas seria um primeiro passo”, propôs o diretor em entrevista concedida à BBC em Los Angeles, na Califórnia.
Usuário assumido de maconha desde sua incursão como soldado no Vietnã, no final dos anos 60, Stone afirma ter provado de todos os tipos da erva. “A melhor que fumei em 40 anos é produzida na Califórnia”, confessa. Foi a Califórnia, aliás, o cenário escolhido por Stone para narrar uma história de ficção de um cartel mexicano que busca expandir seus negócios. Para isso, precisa do apoio de um trio de jovens amantes de praia e vendedores de maconha “caseira”.
O confronto entre os dois modelos de negócios para a distribuição de substâncias ilícitas foi a forma que Stone escolheu para refletir sobre uma verdade que o cineasta considera inegável: a droga, e sua guerra associada, são um fenômeno que atinge ambos os lados da fronteira. “É curioso que nenhuma violência eclodiu deste lado, com exceção de incidentes isolados. Há mortos, há violência, sim. Mas é uma onda proporcional à atividade. É interesse dos cartéis mexicanos que isso se mantenha, porque uma má publicidade nos Estados Unidos lhes traria graves consequências”, explica. “Eu fui ao México e conversei com muitas pessoas, de ambos os lados da lei. Savages é uma ficção hipotética, não é Traffic, que tem um estilo mais documental”, afirma o diretor.
A batalha travada em seu recém-lançado filme, em termos conceituais, é, nas palavras de Stone, um confronto entre “o Walmart (rede de supermercados americana) contra um pequeno armazém”: a luta por território entre um cartel e um trio de jovens que não querem desistir de seu humilde, mas rentável negócio.
“Não vou fazer acusações que amanhã aparecerão na imprensa mexicana, mas duas coisas ficaram claras para mim durante a pesquisa para este filme: a primeira é que há muito dinheiro no México tentando entrar na economia legal. A segunda é que as responsabilidades do tráfico também estão do outro lado da fronteira”, afirma Stone, em alusão aos Estados Unidos.
O cineasta também não poupa críticas às políticas empreendidas pelo México: a guerra contra os cartéis “têm sido um desastre”, o que, segundo ele, dá mais força ao seu argumento a favor da descriminalização.
Em algumas cenas, Savagesdiz a que veio: revela um universo complexo onde “nenhuma crueldade é demais”, pois retrata fielmente os bastidores do contrabando das drogas no interior do México. Porém, em outros momentos, mais parece um panfleto sangrento sobre a legalização das drogas. Stone, entretanto, pouco se importa com as críticas e tem uma frase na ponta da língua para defender-se de mais uma controvérsia. “O mundo está vendo tudo em proporções aumentadas, da violência ao entretenimento. Este filme é meu e ninguém tem nada com isso”.
Fonte: BBC / Trailer: IMDB

domingo, 15 de julho de 2012

Cresce o uso de maconha entre pacientes de fibromialgia no Canadá

Fibromialgia, para quem desconhece, é uma síndrome que engloba uma série de manifestações clínicas, incluindo fadiga, indisposição, distúrbios do sono e, a principal delas, dor – muita dor, diga-se de passagem, espalhada por diversos pontos do corpo, tratada com medicação pesada.  Para amenizar os sintomas, uma das recomendações é o uso da nossa erva sagrada. E parece que a alternativa canábica é uma das opções terapêuticas que mais cresce entre os pacientes, a julgar por um estudo lançado essa semana no Canadá.
Segundo a pesquisa, 1 em cada 8 portadores de fibromialgia utilizam maconha medicinal no país. ”Isso já é um comportamento comum. Cada vez mais pessoas com doenças crônicas para as quais não temos tratamentos médicos optam pelo uso da canábis”, disse Igor Grant, diretor do Centro de Pesquisa da Cannabis Medicinal da Universidade da Califórnia.
Estudo canadense aponta que 1 entre 8 pacientes de fibromialgia utiliza maconha para tratar os sintomas da doença.
A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica de causa desconhecida. Caracteriza-se por dor músculo-esquelética generalizada, pontos dolorosos de fadiga múltiplos no pescoço, coluna, ombros e quadris. Estima-se que entre três a seis milhões de norte-americanos são afligidos pela doença.
Embora existam poucos ensaios clínicos que avaliam a ação precisa dos canabinóides para tratar a síndrome, estudos apontam que a maconha é capaz de reduzir significativamente a dor dos pacientes. Publicada em 2006, a revista Current Medical Research traz um artigo de pesquisadores da universidade alemã de Heidelberg que avalia os efeitos analgésicos da admnistração de THC oral em nove pacientes com fibromialgia por um período de 3 meses. Na ocasião, todos receberam doses diárias de 2,5 a 15 mg de THC e não tiveram acesso a nenhum outro medicamento. Entre os participantes que completaram o estudo, todos relataram uma redução significativa da dor registrada diariamente e induzida eletronicamente.
Mais recentemente, em 2011, pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Hospital del Mar de Barcelona, na Espanha, também comprovaram os benefícios da maconha no tratamento de portadores de fibromialgia. ”Os pacientes que utilizaram canábis, não só para aliviar a dor, mas para quase todos os sintomas associados à fibromialgia, relataram um alívio significativo da dor, rigidez, relaxamento, sonolência, e percepção de bem-estar”, conclui o estudo.
**com informações da NORML.