Psicodélico: Defesa de Geraldinho Contra os Perseguidores de Plantas!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Defesa de Geraldinho Contra os Perseguidores de Plantas!




Desta vez o circo foi armado com toda maldade do mundo para acusar o Elder Ras Geraldinho de traficante. Além do cultivo proibido, acusaram nosso amigo de luta de manter um lugar (a Igreja) como espaço para o livre o consumo da droga, desprezando e banalizado o sacramento rastafari.

Quando foi detido pelo mesmo motivo em 2010, Geraldinho de uma aula de cultura, respeito ao próximo e humanismo aos policiais da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes). Confira a íntegra do depoimento publicado originalmente no Growroom.

"Meu nome é Geraldo Antonio Baptista, de direito casado, de fato separado, sou pai de dois homens 24 e 22 anos sendo ambos cidadãos norte americanos e residentes nos Estados Unidos da América, sou nascido nesta cidade, Americana SP, no dia 30 de Setembro de 1959 na Rua Tamoio Bairro Conserva. Aos dois anos de idade minha família se mudou para a Rua Quintino Bocaiúva, nos fundos da fabrica de velas do tio Tota Camargo, no centro,
onde residi até 1970. No dia 23 de dezembro de 1970 nos mudamos para a Rua Açucenas 1161 Cidade Jardim (à época o Bairro era conhecido como “Larga”), onde sou domiciliado até o dia de hoje. De 1979 a 1991 sai da cidade para trabalhar na Rede Globo de Televisão, onde trabalhei em São Paulo, Bauru, Rio de Janeiro e os últimos seis anos nos Estados Unidos da América, mais precisamente em Nova Iorque e Washington DC. Neste período fui agraciado duas vezes com o Prêmio Wladimir Herzog de Jornalismo. De 1991 até 2006 montei e fui sócio proprietário (Diretor Presidente) da Vídeo Geral Produções Artísticas Ltda., empresa de produção de vídeo profissional e programas de televisão, neste período realizei inúmeros trabalhos beneficentes, para prefeituras, clubes de serviço, inclusive trabalho secreto para o serviço reservado da respeitada Polícia Militar do Estado de São Paulo. Fui membro fundador do Lions Clube Americana Ação, assim como da OSCIP Barco Escola da Natureza e Agenda 21 de Americana. Sou Diretor de Projetos do “GRUDE – Grupo de Defesa Ecológica da Bacia do Rio Piracicaba” e Primeiro Secretário do COMDEMA – Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente. Fui gerente executivo da TV Comunitária de Piracicaba por 4 anos e sou Presidente da TV Comunitária de Americana. Hoje meu trabalho principal é de Marketing Político, onde faço trabalho de Coordenador e Diretor de Campanha. Sou o ambientalista mais ativo de nossa cidade sendo denunciante de vários crimes ambientais que geraram processos e estão em andamento dentro da Polícia Civil do Estado de São Paulo. Sou Voluntário da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo. Em 1992, adquiri o imóvel (chácara) sito à Rua Ramiro Neves 86, na Praia dos Namorados (Parque das Mangueiras) onde a 5 anos esta instalada a sede da “Primeira Igreja Niubingui Etíope Coptic de Sião do Brasil”, a qual sou “Elder” (ancião). Sou Delegado da “Primeira Conferência Nacional de Saúde Ambiental” dos Ministérios da Saúde/Meio Ambiente/das Cidades, onde apresentei moção aprovada por unanimidade dos delegados da Conferência em nome de minha Igreja para a realização de estudos para o uso medicinal e industrial da Cannabis (Maconha), pelo qual hoje faz parte das políticas públicas do Governo Federal.

Meu primeiro contato com álcool foi aos 8 anos de idade, quando ao me deparar um copo cheio de caipirinha na borda de uma mesa, acabei ingerindo todo o conteúdo do mesmo. Nunca fumei cigarro em toda minha vida, mesmo tendo pai (in memória) e irmã altamente viciados no produto. Como a maioria dos adolescentes, tive minha primeira experiência com Maconha aos 16 anos e não me interessei muito pela planta, pois eu a associava ao cigarro, além de ser de difícil acesso e pela proibição. Mas como relatado anteriormente, minha droga cotidiana de preferência era o álcool. Quando comecei a trabalhar em São Paulo, no mundo da televisão, conheci uma infinidade de drogas, das mais variadas. Algumas eu experimentei, outras não, mas a cocaína, por ser parceira ideal do álcool e socialmente muito aceita, foi a minha escolhida. Fui consumidor contumaz da cocaína até 1986, em Bogotá (Colômbia) por ocasião da visita do Papa João Paulo II, quando passei por uma overdose. Desde então nunca mais fiz uso do derivado da planta “Coca”. Faz dez anos que abandonei o vício do álcool e da carne de mamíferos. Tenho certeza que devo estas três vitórias à compreensão espiritual que minha religião me trouxe e pelo uso cotidiano da planta sagrada (Maconha).

Em toda a minha vida nunca fiz uso indevido da planta (Maconha que a Babilônia (sociedade imperialista) embargou em nome da indústria petroquímica. Nunca em toda minha vida estive envolvido com o narcotráfico. Não tenho e nem nunca tive um problema com a Justiça. Sempre cooperei com esta respeitável instituição. Sempre que precisei (denuncias ambientais) procurei ajuda e orientação na Justiça.

Com base no relatado até este momento posso afirmar que não tenho motivo para jogar a história da minha vida no lixo aos 51 anos de idade. Tenho uma enorme lista de pessoas idôneas que podem atestar estas afirmações, se e quando solicitado pelas autoridades judiciais, fornecerei a mesma. Nunca fui atraído pelo descaminho, bandidagem ou corrupção. Tenho certeza que este infeliz episódio teve origem em contenda política que relatarei mais abaixo.

Neste momento gostaria de deixar claro que o local onde os policiais da DISE entraram, sem apresentarem mandato Judicial, é uma Entidade Religiosa de direito e fato, como atestado pela certidão de funcionamento nº 453-2010 alvará da Prefeitura Municipal de Americana, com cópia do documento anexo.

Reconheço a pequena quantidade (6 exemplares) de plantas de Canabbis (Maconha) como pertencente à nossa Igreja, sendo que o uso desta “Planta Sagrada” é estritamente devido e em meu caso de cunho religioso.

O fundamento de nossa seita Rastafari é a reconhecida religião Cópita (Coptic da Etiópia), cultura ancestral que segue o Velho Testamento das Sagradas Escrituras e faz uso ritual da Canabis (Maconha). Isso está atestado em depoimento dado pela Dra. Melanie Creagan Dreher a Suprema Corte Americana. A Dra. Dreher é PhD, RN, FAAN, Diretora e Professora da Faculdade de Enfermagem na Universidade de Iowa, tem o titulo de magna da Universidade de Long Island e é doutorada em antropologia pela Faculdade de Professores da Universidade de Columbia onde completou sua dissertação com distinção. Além de seu papel como Diretora, ela tem carreira de pesquisa reconhecida como principal investigadora de vários estudos baseados em comunidades, examinando a saúde e desenvolvimento de mulheres e crianças na Jamaica. Seu testemunho judicial pode ser lido no sítio eletrônico:http://antropologian...i.blogspot.com/, assim como na cópia anexa. Especificamente sobre a “Primeira Igreja Niubingui Etíope Coptic de Sião do Brasil temos os dados no sítio eletrônico: http://niubingui.blogspot.com/ sob o título: PRIMEIRA NIUBINGUI ETÍOPE COPTIC DE SIÃO DO BRASIL- A IGREJA DA GANJA “IMPORTANTE: Os textos desta pagina são os capítulos da obra, por tanto, para se obter uma compreensão global de nossa fé, é imperioso que se faça a leitura dos mesmos na sequência original”. Pode-se conhecer mais de nossa congregação no sítio eletrônico: 
http://niubinguicongrega.blogspot.com/

Para nós Rastafaris o uso devido da planta faz parte do “Universalismo Unitário”, onde nós vemos a Canabis/ Maconha/ Cânhamo como tendo a capacidade de permitir o usuário a penetrar na “real verdade” de como as coisas são, com absoluta clareza. Por este motivo é que o Rastafari se reuni em ritual para fumar Canabis/ Maconha/Cânhamo e discutir a verdade, uns com os outros, racionalizando tudo nos mínimos detalhes que duram inúmeras seções. Desta maneira o Rastafari acredita que a Canabis/ Maconha/ Cânhamo traz seu usuário próximo a Jah (Jeová – Velho Testamento). Em nossa cultura o uso ritualístico da Canabis é Sagrado e por tanto não podendo ser vinculado a valores, isso quer dizer que em hipótese alguma é cobrado qualquer quantia para se participar do cotidiano de nossa congregação. A “Primeira Igreja Niubingui Etíope Coptic de Sião do Brasil nunca recebeu e nós nunca receberemos qualquer quantia de dinheiro para que uma pessoa participe das experiências holísticas de nossa comunidade Rastafari. A Maconha que eu uso é de minha posse e preferencialmente de pequeno plantio próprio, como pode ser comprovado pelos senhores investigadores da Polícia Civil do Estado de São Paulo, quando encontraram apenas seis pés da Planta dentro dos muros de nossa Igreja. Os Irmãos membros, frequentadores e visitantes que participam das atividades do Tabernáculo em questão, normalmente trazem o que lhes é de direito. Prova de que não recebemos pecúlio está no fato de estarmos com o serviço de água cortado, pois estou sem condição de efetuar pagamento. Para garantir a integridade de minha instituição e minha dignidade, me vejo obrigado a dar detalhes minha vida privada que me deixa moral e espiritualmente abalado, como por exemplo o fato de eu estar perdendo parte de minha dentição por falta de dinheiro. Além do fato me envergonhar, esta vexaminosa declaração é prova de que não sou traficante como a criminosa denúncia contra minha pessoa induziu esta respeitosa delegacia e seus oficiais a fazerem juízo.

Faço uso devido da planta há mais de 34 anos, as pessoas que frequentam nosso espaço também o fazem, mas não existe a mínima relação com o perfil de algo ligado a associação para praticas ilícitas ou criminosas. Muito pelo contrário, as pessoas que participam de nossa comunidade buscam a elevação espiritual e a integração dos povos. Aqui nós cultuamos a iluminação, o conhecimento (João 8:32), a justiça.

Nossa congregação acredita no direito individual de escolha e não induzimos ninguém a fazer uso, mesmo que devido, pois tal como a norma legal, nós da “Primeira Igreja Niubingui Etíope Coptic de Sião do Brasil” abominamos e trabalhamos contra o uso indevido de drogas, tanto que um dos trabalhos de nossa Igreja é na área de redução de danos, uma das prerrogativas do Ministério da Saúde. Tanto não induzimos ninguém, que muitos dos frequentadores de nossa comunidade Rastafari não são usuários da Planta. Além do nosso projeto espiritual, nossa Igreja desenvolve outros projetos comunitários, tais como proteção dos animais, pois cuidamos de cães abandonados na região da Praia dos Namorados. Estamos participando junto com a Secretaria do Meio Ambiente e entidades protetoras da realização de um canil que abrigue decentemente os cães abandonados de Americana. Cuidamos de aves ameaçadas, fazendo trabalho de berçário-creche e tratamento ambulatorial. Trabalhamos na defesa do Meio Ambiente, atualmente estamos lutando contra a invasão de APP – Área de Preservação Permanente pelo Poder Público, caso que esta sendo tratado dentro do COMDEMA, estamos trabalhando na realização de um complexo Turístico na Represa do Salto Grande em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente de Americana, para citar alguns.

Estamos, como entidade constituída e reconhecida, à disposição da justiça, para qualquer esclarecimento que se faça necessário.

Falando agora como Pessoa Física, gostaria de informar que talvez por vontade divina, eu dedique minha vida, fazem treze anos, ao estudo da Planta Sagrada “Canabis”. Sem sombra de dúvidas eu sou uma das pessoas que conhece a problemática da Maconha e as ramificações do embargo internacional da Planta Sagrada. Estudando sobre todos os aspectos: histórico, legal, medicinal, nutricional,comercial, ambiental, industrial, agrícola, entre muitos. Quando comecei a estudar o lado Religioso, à mais ou menos sete anos (mais que qualquer faculdade) eu era um árido descrente apaixonado por conhecimento, pois o que a “Babilônia” sempre me ofereceu, nunca me convenceu. Foi conhecendo a Cultura Religiosa Etíope Coptic que eu consegui vislumbrar e conhecer o verdadeiro caminho da fé e iluminação. Através do conhecimento que os africanos da Etiópia tinham sobre o Velho Testamento e que se disseminou pelas Antilhas, (assim como a Umbanda e o Candomblé no Brasil), foi que eu encontrei a explicação que precisava para verdade superior que só o Nosso Senhor Jeová, (JAH), pode nos dar. Posso afirmar que o meu relacionamento com a “Erva Sagrada”, milenarmente conhecida como “Canabis” e pejorativamente aqui chamada de “Maconha” é religioso, garantia que trago da Constituição Brasileira que garante o livre exercício religioso, sem interferência externa da sociedade. O mesmo direito que o “Santo Daime” tem de usar plantas que nos canalizam com a força do Senhor Jah, do meu Jah, Eu e Eu, como dizemos nós, os Rastafari. Minha aparência tem o Meu caráter religioso. Não corto cabelo e barba por devoção religiosa. Antecipadamente, com base na Constituição e na carta dos Direitos Humanos, venho solicitar que meus direitos sejam preservados.

confio na Justiça e na Polícia Civil do Estado de São Paulo, este triste episódio foi fruto de armação política da mais baixa qualidade. Para afetar a minha honra, um dos departamentos mais especializado do aparato policial do nosso estado foi usado irresponsavelmente. Quando me deparei com o numero enorme de oficiais envolvidos na busca de meia dúzia de pés de Maconha na Igreja, eu imaginei: - Quanto esta operação vai custar para o cofre público? Quanto tempo estes investigadores irão perder por conta de trabalho que poderia ter sido feito pela GAMA, com todo o respeito àquela corporação? Quanto isso vai aumentar de trabalho para o nosso Judiciário abarrotado? Quanto isso vai custar para minha moral? Quantos anos responderei por uma armadilha vil?

Se a Justiça divergir dos meus entendimento, nada poderei fazer a não ser acatar. A minha responsabilidade foi lançada. Agora, eu peço aos senhores que são defensores da justiça que descubram quem são os infiltradores deste vexame para todos nós. De antemão eu posso afirmar que sei quem foi o malfeitor.

O relacionamento do homem com a Maconha remonta há mais de dez mil anos; foi a primeira cultura que o homem produziu. Dá-nos comida, abrigo, combustível e mais vinte e cinco mil produtos diferentes. Eu conheço esta história do princípio ao fim. Sou um estudioso, um religioso, não sou bandido.

Agradeço a atenção e me coloco a disposição da Justiça."

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