Psicodélico: EXPERIÊNCIA COM MDMA - MDMA, a droga do amor

sábado, 24 de setembro de 2011

EXPERIÊNCIA COM MDMA - MDMA, a droga do amor


Fonte :
http://coletivodar.org

Por Texugo

O MDMA foi uma das primeiras drogas das quais eu tive notícia no final de minha adolescência, para além da maconha, tabaco e álcool. Foi através de um relato de um tal casamento que o primo de um amigo próximo meu tinha feito apenas com amigos próximos na chácara de sua família. Claro, se tratando de pessoas bem alternativas, não diferente foi a celebração de seu amor. Na verdade, tanto o relato quanto a minha memória dele podem ser falhos, mas a imagem que ficou para mim foi muito bonita e me intrigou muito: em dado momento da festa com os amigos, já sem os parentes “caretas”, todos se reuniram em volta da piscina. Foi então passada de mão em mão uma grande jarra onde havia uma bela quantidade de MDMA, trazido por um DJ, amigo do casal, que viajava constantemente para a Europa (de onde tinha vindo tão grande quantidade da substância). Depois do ritual, a festa então começou e sabe-se lá onde terminou. Ao ouvir as descrições dos efeitos “libidinais” da droga, ao mesmo tempo em que me interessava muito, me gerava um certo receio de tomá-la sozinho, me pareceu uma empreitada arriscada ficar extremamente sensível mas sem nenhum objeto para descarregar toda aquela energia.

Muitos anos se passaram e mais do que a vontade de tomar esta droga, o que ficou na verdade mais forte foi a imagem de um casamento alternativo, uma celebração do amor pautado em outros valores. Recentemente, com novas amizades, novos contextos, entrei em contato com pessoas que tinham alguma experiência com a droga, e foi então que eu juntei MDMA com o Ecstasy, aprendi que eram a mesma coisa (ou pelo menos a mesma substância em teoria). Eu já havia tomado bala algumas vezes, mas sempre em contexto de balada ou próximos a isso. Já havia sentido a energia, a vontade de dançar, a felicidade ao encontrar os outros que a bala pode proporcionar. No entanto, queria também experimentar essa substância em outro contexto, e recentemente tive a oportunidade de fazer isso, com o MDMA puro em forma de pó de cristal.

Eu iria viajar para a praia durante uma semana com uma parceira e propus a “viagem dentro da viagem” a ela. Ela, que tinha alguma experiência com maconha mas não com drogas mais intensas, ficou hesitante a princípio por um pouco de medo dos efeitos desconhecidos. Passei para ela um site com informações sobre a substância (site que inclusive recomendo a todos os interessados na experiência) http://avisospsicodelicos.blogspot.com/2009/11/mdma-34-metilenodioximetanfetamina.html . O efeito não foi muito o esperado, pois assim como quem lê a bula de um remédio qualquer, os raros e possíveis efeitos negativos assustam muito mais as pessoas que não se encantam tanto com os mistérios dos alteradores de consciência. Ela não ficou muito confiante, mas após algumas conversas com pessoas próximas que já haviam experimentado, ela topou.

Era um dia de semana e a temperatura era amena. A manhã tinha passado toda nublada e tomamos o MDMA aproximadamente 1 hora depois do almoço, por volta das 15h20. Despejei o pó em dois copos d’água e tomamos (o gosto é extremamente amargo!! recomendo que usem outra bebida que não água, eu pessoalmente tive um pouco de dificuldade em dar os últimos goles). A praia em que estávamos é enorme, tem vários quilômetros de extensão e areia dura, excelente para andar de bicicleta. Pegamos as bikes então e fomos dar um passeio com uma máquina fotográfica. Existe um rio que segue paralelo à praia, detrás de um trecho de mata, por aproximadamente 1 km antes de desembocar no mar. Nós nos instalamos num lugar da margem deste riozinho onde a areia une rio e mar, que distam uns 70 metros. Era um abrigo dos estímulos intensos da praia: o vento e o barulho das ondas diminuía bastante, e também praticamente sumia a visão infinitesimal do encontro da água com o céu. O rio é calmo e na outra margem há apenas mata. Não havia sinal de civilização no alcance dos olhos (a não ser um ou outro pedacinho de lixo, já acostumado ao olhos do visitante das praias paulistas), apenas água, areia, mata e céu, tudo refletido pelo rio de águas lisas. Os ouvidos eram presenteados vez em quando com sons de pássaros que se escondiam na mata ou voavam por perto. Era um cenário realmente lindo, lugar melhor para ficar tranquilo com alguém de quem se gosta, impossível. Imaginei que, como a droga estava em forma de pó diluido, o efeito bateria rapidamente, mas já se passava uns 40 minutos e nada. Estávamos deitados numa canga, conversando tranquilamente.

Eu, como costumo fazer nestes momentos, estava atento ao ambiente e à minha própria mente em busca de sinais de alterações, mas não encontrava nada. As ideias de que possivelmente não bateria o MDMA chegaram a passar pela cabeça, mas eu ainda achava que algo aconteceria. Estávamos jogando conversa fora, foi quando começamos a falar de maneira cômica da relação entre comida e sexo. Em dado momento eu fiz um comentário esdruxulo sobre voracidade e sexo, ao se comer uma macarronada a bolonhesa na buceta de uma mulher. Quando eu fui dar risada do que eu mesmo tinha dito que subitamente as ondas magnéticas do ambiente foram abaladas, me fazendo hesitar um pouco no ato de rir. Foi rápido, como um míssil que atingiu meu cérebro, tudo havia mudado e eu estava apenas tentando entender o como lidar com essa nova situação. Comentei com ela sobre o ocorrido (eu mesmo já havia percebido como minha voz tinha ficado meio mole e a risada fácil) e passei a inspecionar os meus sentidos. A visão estava um pouco dificultada, a luz parecia um pouco demasiada (o céu nublado e a areia branca realmente contribuíram muito para isso) e era difícil ter uma imagem estática do ambiente. Quis logo levantar para sentir mais com o corpo o que estava se passando. O equilíbrio estava também um pouco dificultado, como se eu estivesse lentamente bêbado e necessitasse de um pouco de atenção na hora de levantar-me e executar passos mais elaborados. O corpo estava leve como uma pluma e ao erguer os braços, eu os sentia levantando até os céus, como se eles pudessem ir mais acima do que o que o corpo permitisse. Andei um pouco por perto sentindo todas essas coisas e relatando um pouco para minha parceira, que estava achando engraçado e me acompanhava um pouco de perto. Comecei a sentir também uma vontade de tê-la bem perto de mim e nos abraçamos forte, meus afetos por ela estavam intensos e isso se expressava também por um prazer imenso em abraçá-la.

Foi então que lembrei que tínhamos uma máquina fotográfica. Lembrando o clima paradisíaco em que estávamos, sozinhos num lugar imenso, logo tive uma ideia e confessei isso a minha parceira: e se eu tirasse umas fotos dela pelada? Animada pelo clima, pelo ambiente e pelas nossas piras, ela topou de imediato (vale lembrar também que se tratava de uma máquina fotográfica com filme analógico, acho que isso faz uma bela diferença nos mais diversos aspectos da confiança, sobre os quais deixo ao leitor a reflexão). Fui correndo sacar a máquina da maletinha e prepara-la para tirar as fotos, quando ouço uma risada um pouco estranha dela. Olho para o lado e lá está ela em cima da canga, com a parte de baixo do biquíni abaixada até os joelhos. Foi começar a tirar a parte de baixo do biquíni que o MDMA se revelou para ela. Nos abraçamos mais algumas vezes e andamos um pouco juntos para que ela se acostumasse também com o novo prisma pelo qual ela estava olhando as coisas. Tiramos então algumas fotos e foi então minha vez de servir de modelo. O filme acabou e a última coisa que passou pela mente foi recolocar as roupas. Nos abraçávamos constantemente, era um misto muito intenso entre um prazer físico e um prazer afetivo, e a cada vez que nos separávamos para explorar o lugar onde estávamos, alguns poucos minutos depois corríamos ao encontro dos corpos para nos unirmos novamente. Eu via nela também os sinais dos mesmos efeitos que eu sentia, o prazer indizível de se abraçar e sua estranha sinestesia afetiva. Saímos correndo pela praia, peladões, brincando as vezes um pouco como crianças, dando as mãos e girando, apostando corridas, explorando coisas que à distância pareciam estranhas e inventando explicações engraçadas para as coisas que víamos.

Passamos então uma hora andando pelas vizinhanças de nosso refúgio, abraçados, conversando sobre nossas vidas, sobre momentos do nosso passado, sobre nós, existia uma vontade de se abrir intensamente e falar sobre coisas que normalmente nosso senso-crítico costuma vetar. Havia passado então 2 horas que o efeito tinha começado, o que eu apontaria como o “plateu” do efeito. Nestas duas horas, por mais que estivéssemos pelados e sozinhos, nos poucos momentos em que a ideia de fazer sexo apareceu, ela não interessava muito. Claramente o que estávamos fazendo era muito mais divertido do que passar um tempo quietos fazendo movimentos repetitivos. O momento era de fato sexy, mas a quebra de intensidades causada pela atividade sexual simplesmente não parecia ter lugar no que estava se passando.

O sol chegou a aparecer algumas vezes durante esse período, mas já estava se ponto, e com o frio que começava a fazer, colocamos nossas roupas e nos sentamos na canga. Esse foi o momento em que o efeito já não estava mais no auge, começava uma caída leve (pelo menos para mim, que já sou um pouco experimentado no uso de psicoativos. Ela disse que os efeitos se prolongaram por horas ainda, por mais que já também não fossem tão agudos). Sentados, conversávamos ainda. Eu cheguei a ter uma leve depressãozinha pós-euforia, não queria que o efeito terminasse, e o clima do escurecer também deu uma ajuda para eu me sentir um pouco pra baixo no momento em que nos acalmamos da brincadeira. Isso passou bem rápido, quando decidimos voltar para casa. Pegamos nossas bikes e tranquilamente pedalamos de volta para os estados cotidianos da consciência.

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