Psicodélico

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Novo psicadélico descoberto


O ponto alto da conferência Sacred Elixir, que teve lugar em São José, na Califórnia, de 22 a 24 de Outubro, foi a apresentação de Earl Crockett sobre 'um novo elixir'. Durante a apresentação, Crockett descreveu as suas aventuras em Baja, na Califórnia, ao descobrir uma gruta cheia de pinturas rupestres e um cacto alegadamente ingerido pelos habitantes (que precederam os índios em milhares de anos, segundo especula Crockett). Crockett partilhou o palco com Alexander Shulgin, o qual explicou como analiza novos compostos químicos e como o cacto de Crockett - o pachycereus pringlei - é realmente um tipo de psicadélico totalmente novo.


Cactouasca

Shulgin falou sobre os quatro tipos de psicadélicos de 1 composto, e depois descreveu a ayahuasca, que é um psicadélico de 2 compostos (1 análogo de DMTe 1 inibidor da enzima de MAO - para prevenir que o primeiro seja destruído). Existem muitas variedades de ayahuasca que diferem nas plantas que fornecem estes dois componentes - ou seja, muitas plantas diferentes que têm DMT e muitas plantas que têm inibidores da MAO. Existe mesmo algo chamado 'farmauasca' que não deriva de plantas mas que contém simplesmente DMT sintético em cápsula, e um inibidor da MAO sintético noutra cápsula.


O cacto de Crockett é diferente de todos estes - contendo muitos inibidores da MAO mas nenhum DMT. (O DMT, diz Shulgin, encontra-se em todo o lado na natureza mas nunca em cactos). Em vez disso, nos cactos de Crockett existem substâncias do tipo da mescalina, mas sem efeitos psicoactivos nos seres humanos quando isoladas. Shulgin acredita que a presença de um inibidor da MAO num cacto protege a molécula tipo mescalina de degradar, e portanto permite-lhe agir no cérebro de um modo parecido com a mescalina. Por isso o cacto de Crockett é, de facto, 'um novo elixir' - um piscadélico de 2 compostos nunca antes explorado, para o qual Shulgin cunhou o termo 'cactouasca'.

As drogas através dos séculos

Gênesis
O livro da Bíblia relata um episódio de bebedeira de Noé

10.000 a.C.
Existem evidências de que no início da agricultura já se cultivavam plantas como tabaco, café e maconha

7.000 a.C.
Folhas de um tipo de pimenta mascada por seus efeitos estimulantes são encontradas em sítios arqueológicos na Ásia

6.000 a.C.
Nativos da América do Sul iniciam o cultivo e uso de tabaco

5.400 - 5.000 a.C.
Um jarro de barro descoberto no norte do Irã, com resíduos de vinho, é considerada a mais antiga evidência da produção de bebida alcoólica

4.000 a.C.
Fibras de cânhamo encontradas na China datam dessa época. Foi nesse período também que o vinho e a cerveja começaram a ser produzidos no Egito

3.500 a.C.
Os sumérios são considerados o primeiro povo a usar ópio

3.000 a.C.
A folha de coca é mastigada na América do Sul e é tida como um presente dos deuses

3.000 a.C.
Evidências do consumo de cânabis na Europa Oriental

2.100 a.C.
Inscrições em tabuletas de argila mostram que médicos sumérios receitam a cerveja para a cura de diversos males

2.000 a.C.
Resíduos de coca são encontrados nos cabelos de múmias andinas

1.000 a.C.
Nativos da América Central erguem templos para deuses cogumelos

800 a.C.
Inicia-se a destilação de bebida alcoólica na Índia

100 a.C.
O cânhamo cai em desuso na China e passa a ser usado apenas como matéria-prima para produção de papel

1450
O uso de folhas de coca pelos incas se dissemina

1492
O navegador Cristóvão Colombo descobre o uso de tabaco pelos índios durante viagens ao Caribe

Século 16
Durante a expansão marítima para o Oriente, os portugueses passam a fumar ópio

Século 16
Américo Vespúcio faz os primeiros relatos sobre o uso da coca. Os espanhóis passam a taxar as plantações na América

1519
Espanhóis levam plantas de tabaco para a Europa

Século 17
O gim é inventado na Holanda

Século 18
O cânhamo é usado no Ocidente como planta medicinal

1792
O médico francês Pierre Ordinaire receita absinto e torna-se o primeiro a promover as virtudes da bebida

Século 19
Já se especulava que fumar causa câncer, sobretudo na boca

Século 19
Surgem os charutos e cigarros. Até então, o tabaco era fumado principalmente em cachimbos e aspirado na forma de rapé

1805
O químico alemão Friedrich Sertürner separa a morfina do ópio

Década de 1840
Soldados franceses que combatiam na Algéria bebiam absinto para prevenir-se contra a malária e outras doenças. Foi o que desencadeou a popularização da bebida na França

1845
O pesquisador francês Moreau de Tours publica o primeiro estudo descrevendo os efeitos das drogas alucinógenas sob a percepção humana

1850-55
A coca passa a ser usada como uma forma de anestesia em operações de garganta

1852
O botânico Richard Spruce identifica o cipó Banisteriopsis caapi como a matéria-prima de onde é extraída a ayahuasca

1859
O químico alemão Albert Niemann aperfeiçoa o isolamento da cocaína das folhas de coca

1859
O pintor impressionista Manet pinta "O Bebedor de Absinto"

1868
A primeira legislação antidrogas é elaborada na Inglaterra e torna ilegal a venda de ópio e outras drogas sem licença

1874
A heroína é inventada na Inglaterra. Nesse mesmo ano, a prática de fumar ópio é proibida em São Francisco, nos EUA, e é fundada a Sociedade para a Supressão do Comércio de Ópio na Inglaterra

1884
Freud usa cocaína pela primeira vez. No mesmo ano ele começa a tratar um amigo viciado em morfina com a droga e escreve seu primeiro artigo científico sobre a cocaína

1886
A receita patenteada pela Coca-Cola inclui folhas de coca

1887
A anfetamina é sintetizada na Alemanha

1896
A mescalina, princípio ativo do cacto peiote, é isolada em laboratório

1898
O laboratório farmacêutico Bayer inicia a produção comercial de heroína, usada contra a tosse

Final do século 19
Surge na Jamaica o movimento Rastafári, cujos adeptos fumam maconha como um ritual religioso que os aproxima do deus Jah

Início do século 20
Pesquisadores descobrem que a ergotamina (substância ativa do ácido lisérgico), por contrair os vasos sanguíneos, poderia ser usada para fins medicinais

1901
Picasso pinta "O Bebedor de Absinto" e "Mulher Bebendo Absinto"

1906
A cocaína é retirada da receita da Coca-Cola

1909
Fumar ópio torna-se crime nos Estados Unidos

1910
São relatados os primeiros casos de danos nasais por uso de cocaína

1912
O MDMA é sintetizado pelo laboratório farmacêutico Merck

1914
Cocaína e opiáceos são banidos nos EUA

1918
A Igreja Nativa Americana, fundada por comunidades indígenas dos EUA e Canadá para proteger o culto ao peiote, é oficialmente reconhecida como grupo religioso

1920
A cocaína é banida na Inglaterra

1920
O médico inglês Humphey Rolleston sugere a prescrição medicinal de ópio para diminuir o sofrimento de viciados, iniciando a idéia de redução de danos

1920
A "Lei Seca" é promulgada nos Estados Unidos, proibindo a fabricação, transporte, venda ou porte de qualquer bebida alcoólica. A clandestinidade fez proliferar os gângsters e a corrupção policial

1930
É fundada a religião "Santo Daime", por Raimundo Irineu Serra (Mestre Irineu). A base da religião é o consumo ritual de ayahuasca

1930
A proibição da maconha começa nos Estados Unidos e alcança praticamente todos os países do Ocidente

1938
O químico suíço Albert Hofmann sintetiza o LSD e acidentalmente descobre seus efeitos alucinógenos

1939-1945
A Segunda Guerra Mundial deu impulso ao hábito de fumar. Cigarros aliviavam a tensão de combatentes e civis

Década de 1940
Os primeiros pesquisadores que procuraram entender os efeitos do LSD sugeriram que a droga simulava, em pessoas saudáveis, os mesmos efeitos de um surto psicótico

1940
O governo japonês distribui anfetaminas para soldados e pilotos para deixá-los mais alertas durante a guerra

1947
A CIA inicia estudos com LSD como uma potencial arma pela inteligência americana. Cobaias humanas (civis e militares) são usadas sem ter conhecimento

Décadas de 1950-1960
Cientistas fazem as primeiras descobertas da relação entre fumo e câncer de pulmão

1954
O escritor inglês Aldous Huxley descreve os efeitos da mescalina no livro "As Portas da Percepção"

1956
Os Estados Unidos banem qualquer uso de heroína

Década de 1960
O LSD torna-se um dos símbolos da contracultura norte-americana

Década de 1960
Nos Estados Unidos, o uso de drogas como a cocaína, heroína, ópio e LSD se propaga entre os soldados que participaram da Guerra do Vietnã

1961
A Organização das Nações Unidas encoraja seus membros a tomar medidas contra os opiáceos e a cocaína

1962
O cientista Timothy Leary é apresentado ao LSD e torna-se o maior incentivador de seu uso indiscriminado

1962
A atriz Marilyn Monroe morre por overdose de tranqüilizantes

1965
O cantor de jazz Ray Charles é preso por porte de heroína e abandona a música por um ano

1965
O MDMA é redescoberto pelo bioquímico norte-americano Alexander Shulgin, que se dedicava ao estudo de drogas psicodélicas

1967
Mick Jagger e Keith Richards, dos Rolling Stones, são detidos por fumarem maconha

1967
O LSD é proibido nos Estados Unidos

1967
Os Beatles lançam o disco "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", que inclui a música "Lucy in The Sky With Diamond, cujas iniciais formam a sigla LSD

1967
A música "Heroin", de Lou Reed, é gravada pela banda Velvet Underground em 1967

Década de 1970
O uso da cocaína torna-se popular

Década de 1970
Psicólogos passam a usar o MDMA em seus pacientes

Década de 1970
As anfetaminas tornam-se as drogas mais consumidas pelos jovens adeptos do movimento punk

1970
Morre por overdose de heroína a cantora Janis Joplin

1971
Morre Jim Morrison, integrante do "The Doors", por overdose de heroína

1975
A Holanda libera a venda de maconha em estabelecimentos específicos, os coffee-shops

1978
O MDMA começa a ser usado amplamente como droga recreacional, e passa a ser conhecido como ecstasy

Década de 1980
Surge o crack, tipo de cocaína em pedra com alto poder de dependência, acessível às camadas mais pobres da população

1980
A Holanda dá início ao primeiro programa de distribuição de seringas e agulhas a viciados em heroína, para diminuir a incidência de hepatite no país

1980
Paul McCartney fica 10 dias preso no Japão por porte de maconha

1985
O ecstasy é proibido nos Estados Unidos e inserido na categoria dos psicotrópicos mais perigosos

1987
O ecstasy se torna parte integrante da cultura rave britânica após ser popularizado por clubbers em festas promovidas em Ibiza, na Espanha

1988
A cultura rave se alastra pela Europa

1989
O Brasil copia o programa de distribuição de agulhas da Holanda

1992
O então presidente norte-americano Bill Clinton admite ter fumado maconha em juventude, mas disse que nunca tragou

Século 21
Aumenta o que os especialistas chamam de "mania ocidental por pílulas", que é o consumo exagerado de medicamentos

2001
Os Estados Unidos financiam o combate ao tráfico e à produção de cocaína na Colômbia

2001
Portugal descriminaliza o consumo de qualquer droga

2001
O Canadá é o primeiro país a regulamentar o uso medicinal da maconha

2003
O governo do Canadá anuncia que vai vender maconha para doentes terminais. Pela primeira vez um país admite o plantio e comercialização da maconha

2005
O jornal britânico "Daily Mirror" publica imagens da modelo Kate Moss consumindo cocaína

Canadá aprova novo estudo com MDMA



Dois terapeutas canadenses conseguiram autorização para darem Ecstasy aos seus pacientes, numa pesquisa científica com o objetivo de descobrir novas maneiras de ajudar pessoas com distúrbio de stresse pós-traumático.

O psicólogo Andrew Feldmar e a psiquiatra Ingrid Pacey, com a ajuda da associação multidisciplinar de estudos psicadélicos (MAPS), estão a recutrar 12 pessoas para a experiência, as quais esperam possam incluir soldados canadianos e agentes da polícia.

A experiência de Vancouver faz parte de um movimento internacional ainda pequeno mas em desenvolvimento, para usar drogas como o LSD, o MDMA (ecstasy) e a psilocibina como parte do tratamento terapêutico, e tem recebido um apoio significante da MAPS. A organização, fundada em 1986, é não lucrativa e focada na utilização das drogas psicadélicas e da marijuana para tratamento.

“Existe um novo interesse,” afirmou Feldmar, que trabalhou no hospital Hollywood, em Vancouver, nos anos 60, quando aí se usou LSD como tratamento para o alcoolismo. “Estas substâncias são extremamente eficazes. Foi apenas quando foram usadas irresponsavelmente que criaram um pânico sem sentido”.

Para continua a ler (em inglês) aqui: Landmark B.C. study lets trauma sufferers find relief with ecstasy

Estudos sobre psicodélicos fazem notícia !



The Guardian, Scientific American e muitos outros websites de notícias, publicaram recentemente artigos sobre novas investigações sobre os efeitos terapêuticos das substâncias psicodélicas como a psilocibina e o MSMA.

Antes dos anos 70, já haviam sido feitas muitas pesquisas e muitos pacientes haviam sido tratados, sobretudo com mescalina (o componente activo dos cactos peiote e san pedro) e LSD. Os resultados das terapias estratégicas com estas substâncias eram muito prometedores. Infelizmente, após os atribulados anos 60, estas substâncias foram proibidas e os estudos científicos pararam.

Albert Hofmann, que descobriu o LSD e a psilocibina, intencionava explorar os seus usos terapêuticos. Mas, para seu desapontamento, nos anos 70 estas foram listadas numa categoria restrita pelo controlo de drogas norte-americano.

No ano passado, Albert Hofmann celebrou finalmente a primeira pesquisa científica desde há décadas - um mês antes da sua morte aos 102 anos de idade. O uso de drogas psicodélicas para aplicações médicas tais como o tratamento de alcoolismo e o alívio de ansiedade intensa nos pacientes com doenças terminais, está novamente a ser investigado.

Num estudo de Harvard sobre os efeitos das substâncias psicodélicas no tratamento de enxaquecas, por exemplo, o Dr. John Halpern testou 53 pacientes que tomaram LSD ou psilocibina (o químico ativo dos “cogumelos mágicos”) e descobriu que quase todos eles experimentaram uma moderação dos sintomas que durou vários meses.

Noutro estudo dirigido pelo psiquiatra Michael Mithoefer, da Carolina do Sul (Estados Unidos), o uso do MDMA aumentou a percentagem de sucesso das sessões de terapia com pacientes de stresse pós-traumático.

A fundação inglesa Beckley Foundation está financiando e colaborarando num estudo equivalente na Universidade da Califórnia Berkeley. Trata-se de uma avaliação destas drogas no estímulo da criatividade e na investigação das alterações da atividade neurológica que se dá nas experiências de consciência alterada, usando a psilocibina de Hofmann (o componente ativo dos cogumelos e das trufas) em vez do LSD.

“Escolhemos a psilocibina em vez do LSD porque é mais suave e menos intensa em geral” disse o Dr. Charles S. Grob, professor de psiquiatria da Universidade da Califórnia em Los Angeles, que testou os efeitos da droga na ansiedade em pacientes de cancro.

“Está associada a menos reações de pânico e menos paranóia e, sobretudo, nos últimos cinquenta anos a psilocibina tem atraído muito menos publicidade negativa e carregado muito menos bagagem cultural que o LSD”.

Para ler mais sobre estes novos e interessantes desenvolvimentos, clica aqui e aqui.

sábado, 31 de outubro de 2009

A VERDADE SOBRE A SÁLVIA DIVINORUM



É com grande consideração que recomendamos a regulamentação da Salvia divinorum, ao invés de sua criminalização. Isto não seria apenas sensato e eficaz, mas geraria uma fonte de impostos e permitiria que nossas agencias judiciais e de cumprimento da lei pudessem se concentrar no combate as drogas que tem provado ser realmente prejudiciais (Metanfetamina, Crack, Heroína, Cocaína etc).

Pesquisas “on line” de opinião pública também demonstraram que mais de 75% dos cidadãos norte-americanos se opõem a criminalização da Salvia divinorum, corroborando com sua não proibição. Nós criamos um breve sumário para disseminar informações extremamente precisas a respeito da planta, ao contrário das informações divulgadas pela Mídia. Nós também detalhamos as propriedades medicinais, efeitos da criminalização e a solução da regulamentação e taxação da Salvia divinorum.

A Salvia divinorum, além de ter sido utilizada por centenas de anos pelos povos Mazatecas, tem estado disponível no Mundo por mais de quarenta anos, desde sua descoberta em 1962, e sido utilizada por milhões de norte-americanos. Isto é, por si só, um testemunho da surpreendente segurança desta planta medicinal.

Muitos estudos científicos também demonstraram a Sálvia como uma erva notavelmente segura, com usos medicinais incríveis e um potencial muito baixo para abuso ou dependência. De acordo com o levantamento das Agencias de Cumprimento da Lei, Hospitais, Colégios, Universidades e Clinicas de Reabilitação em todos os Estados Unidos, até hoje, nunca houve NENHUM incidentes diretamente relacionado a planta Salvia divinorum. Nenhum incidente relacionado a planta Salvia Divinorum, como crimes, vícios, overdoses, acidentes, ferimentos ou morte foi documentado pela literatura médica.

A Salvia divinorum provou CIENTIFICAMENTE:

- Ser completamente ANTI-VÍCIOS.
- Ser completamente NÃO-TÓXICA.
- Ser de curta atividade, sem efeitos negativos a longo prazo.
- Ser não-eufórica, com efeitos de doses mais altas similares a uma soneca com sonhos.
- Ser uma ferramenta efetiva para a psicoterapia, devido a sua habilidade para aumentar a consciência.
- Ser inacreditavelmente mais segura do que o álcool, tabaco ou mesmo maconha.
- Ser uma eficaz erva medicinal natural.

Estudos demonstraram que a Salvia divinorum pode tratar eficazmente:

Depressão severa (alívio persistente a longo prazo)
Doença de stress pós-traumático (PTSD)
Vícios de drogas (Crack, Cocaína, Heroína)
Transtorno obsessivo – compulsivo (TOC)
Ansiedade
Esquizofrenia
Dores crônicas
Artrite
Insuficiência Cardíaca Congestiva
Distúrbios estomacais
Distúrbios do sono
Transtorno Bipolar ADD/ADHD
Mal de Alzheimer
HIV/AIDS
Câncer

A criminalização da Salvia divinorum irá:

- Custar aos estados MILHOES E MILHOES por ano em execução, processamento e aprisionamento.
- Encorajar um grande mercado negro.
- Contribuir para o problema já crescente de superlotação de prisões.
- Fragmentar e destruir famílias saudáveis através de processo e aprisionamento.
- Punir crianças por cometer ‘erros’ que manchem seus registros.
- Levar estudantes acadêmicos, e pessoas interessadas em meditação e ampliação da consciência à prisão.
- Evitar que pacientes doentes obtenham transplante de órgãos, rotulando-os como abusadores de ‘drogas’.
- Colocar nossa confiança e o bem-estar de nossas crianças nas mãos de traficantes de drogas.
- Infringir as liberdades religiosas e direitos daqueles que consideram a Salvia divinorum um sacramento religioso.
- Violar o Ato de Restauração da Liberdade Religiosa estabelecido pela CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
- Incriminar centenas de jardineiros, forçando-os a arrancarem suas plantas.
- Incriminar terapeutas que estão utilizando a Salvia divinorum psicoterapeuticamente com sucesso em suas práticas.
- Punir usuários medicinais NÃO-VIOLENTOS de Salvia divinorum.
- Promover uso irregular e mesmo inseguro.

A regulamentação da Salvia divinorum iría:

- Proteger nossas crianças, pelo uso das mesmas orientações correntemente utilizadas para a venda de tabaco e álcool.
- Promover rotulagem correta do produto, o que protegeria as pessoas mais efetivamente do que jaulas ou prisões.
- Promover uso responsável por adultos, pela penalização da venda a menores, protegendo efetivamente nossas crianças.
- Prevenir uso adulto irresponsável.
- Usar como modelo o estado de Maine (EUA), que regulamentou com sucesso o uso da Salvia divinorum.
- Implementar as recomendações de estudos que provaram que a regulamentação é muito mais efetiva do que a criminalização.
- Permitir que os jardineiros continuem utilizando a Salvia divinorum como borda decorativa de jardins.
- Utilizar as transações já estabelecidas para afastar as crianças da Salvia divinorum, através de avisos.
- Liberar nossos Órgãos Judiciário para censurar drogas comprovadamente perigosas (Metanfetamina, Crack, Cocaína, heroína).
- Permitir que os psicoterapeutas continuem tratando seus pacientes com a Salvia divinorum, sob sua supervisão.
- Acomodar o Ato da Liberdade Religiosa (Constituição Federal), para permitir o uso religioso da Salvia divinorum.
- Comunicar efetivamente, evitando que as crianças tenham fácil acesso a Salvia divinorum.
- Gerar, de uma maneira saudável, uma quantia de taxas e impostos.

A listagem de substancias proibidas é projetada para substancias que possuem um alto potencial para abuso, uma falta de segurança aceitável e nenhum uso médico correntemente aceito. Cientificamente falando, a Salvia divinorum não atende a nenhum destes critérios e é uma excelente candidata a regulamentação, ao invés de criminalização. Em resumo, nós recomendamos, como cidadãos brasileiros, trabalhando para o bem público, e também como eleitores ativos no que diz respeito a erosão da liberdade pessoal no Brasil, que a Salvia divinorum não seja criminalizada.


Eu concordo, com todo o coração, com o estado de Maine (EUA): “A venda ou fornecimento da Salvia divinorum ou salvinorin-A a pessoas menores de 18 anos, sería um delito criminal. A posse por um menor sería uma violação civil, punível com uma multa, serviço comunitário, ou ambos”. Nós não estamos contra a aprovação de leis que regulamentem esta planta. Apenas desejamos transmitir um conjunto completo de fatos, com os quais estabelecer as melhores leis.

PROPRIEDADES MÉDICAS E MEDICINAIS

O nome do gênero Salvia é derivado do latim salvare, significando “curar” ou “salvar”. As palavras salvação e salvador também derivam desta mesma raiz. A Salvia divinorum é endêmica da Serra Mazateca no centro do México, onde ela possui uma longa história de uso medicinal. Ela é tanto usada por suas propriedades psicoativas, quanto para tratamento efetivo de artrites, dores de cabeça, e outras enfermidades. A validade de cada uma destas aplicações diferentes, é bem fundamentada por recentes achados farmacológicos.

Para resumir foi comprovado cientificamente que a Salvinorin A é um único e altamente seletivo competidor do receptor Kappa-opioid e, como tal, possui um tremendo potencial para o desenvolvimento de uma ampla variedade de valiosos medicamentos. O mais promissor deles, inclui analgésicos seguros e não-viciáveis, anti-depressivos, anestésicos de curta duração que não deprimam a respiração, e drogas para ao tratamento de distúrbios caracterizados por alteração da percepção, incluindo esquizofrenia, mal de Alzheimer, depressão crônica e transtorno bi-polar (Roth et al., 2002).

Os competidores do receptor Kappa-opioid são de interesse particular para farmacologistas, porque eles fornecem medicações efetivas contra a dor, que não causam hábito e não produzem dependência. De fato, há uma crescente evidencia que indica que os competidores do receptor Kappa-opioid são realmente “aversos” – o oposto de viciáveis. Há inúmeros relatórios, nos quais as pessoas atestam a eficiência desta erva no controle da dor. A habilidade do salvinorin A para bloquear a percepção da dor, também sugere que ela prova ser muito útil como anestésico geral. O fato de que ela não deprime a respiração, indica que a salvinorin A poderia ser mais segura do que a maioria dos anestésicos gerais correntemente em uso.

A utilização tradicional do povo Mazateca, da Salvia divinorum para tratar dores de cabeça e artrites, também atesta sua eficácia como um analgésico. O Dr. Karl Hanes publicou um relatório de um caso no Jornal de Psicofarmacologia Clinica, no qual ele descreve um paciente que obteve alivio da depressão crônica pelo uso da Salvia divinorum. (Hanes, 2001). Muitos relatos podem ser encontrados online (http://www.salviatruth.com/) , de pessoas que se recuperaram de séria depressão com risco de vida, com o auxilio desta erva.

É especialmente interessante, que estas pessoas foram capazes de obter alivio persistente de sua depressão, após poucos tratamentos. Diferentemente do regime contínuo de medicação requerido pelos antidepressivos convencionais, tais como o Prozac – que na maioria dos casos oferecem apenas alivio sintomático da depressão – a Salvia divinorum freqüentemente produz melhora clinica de longa duração. Devido a que a salvinorin A altera várias modalidades de percepção pela ação nos receptores Kappa-opioid, está claro que esses receptores possuem um papel proeminente na modulação da percepção humana. Isto sugere a possibilidade de que novos compostos psicoterapeuticos derivados da salvinorin A, seriam úteis para o tratamento de doenças manifestadas por distorções da percepção (ex.: esquizofrenia, demência e transtornos bipolares). Esta é uma promissora área de pesquisa, cujo prosseguimento é importante. A Salvia divinorum possui diversas propriedades que a tornam útil em psicoterapia: ela produz um estado profundo de auto-reflexão, melhora a habilidade para recuperar recordações da infância, e fornece acesso a áreas da psique que são ordinariamente difíceis de serem atingidas.
Existem muitos psicoterapeutas que utilizaram esta erva em suas práticas e ficaram impressionados com sua efetividade como uma ferramenta psicoterapeutica. Ela tem sido usada mesmo para tratar, com sucesso, Distúrbios de Stress Pós-Traumático (PTSD). Isto não é novidade – os Mazatecs tem usado há tempos a Salvia divinorum para tratar enfermidades psicológicas.
Existem muitas concepções errôneas sobre a Salvia divinorum. Muitas delas possuem sua origem em alguns poucos artigos sensacionalistas que apareceram na imprensa popular, e outras derivam de assertivas publicitárias absurdas de vendedores de ervas não éticos, que deliberadamente exageram os efeitos da Salvia divinorum, num esforço para aumentar as vendas. O fato é que os efeitos da Salvia divinorum não estão apelando para usuários recreativos de drogas. A maioria das pessoas que tentam isso, não apreciam seus efeitos e não continuam a utilizá-la. As pessoas que a usam medicinalmente, não a tomam com freqüência. Ela não causa euforia, nem é estimulante. Não é uma droga social. Uma vez que ela aumenta a auto-consciencia, ela não é útil como uma droga escapista. Ela é mais útil como uma erva medicinal natural. A Sálvia divinorum não vicia nem forma hábito. Seu mecanismo de ação indica que ela é realmente anti-vício. Muitas pessoas relataram que a Salvia divinorum ajudou-as a superar problemas de abuso de substancias. Isto inclui, mas não se limita a vícios de álcool, cafeína, crack, cocaína, heroína, maconha, metanfetamina, nicotina e ecstasy.
PROTEÇÃO CULTURAL E RELIGIOSA
A Sálvia é primariamente usada como um sacramento religioso para cerimônia espirituais pelo povos Mazatecas do México e como remédio. As mulheres hispânicas rotineiramente utilizam as folhas em um chá para auxílio na eliminação de cólicas menstruais, muitas também mascam as folhas para alívio da dor ou para ação como um analgésico. Sabe-se também que as mães hispânicas fazem um elixir suave e altamente efetivo para suas crianças, para auxílio nas cólicas e infecções menores. Hispânicos e pessoas de descendência mexicana, tem usado a Sálvia durante gerações e esta planta tem sido, e ainda é, uma parte maior da cultura mexicana.
Há também organizações religiosas dentro do Brasil, que utilizam a Salvia divinorum como um sacramento religioso. Eles acreditam que ela é uma planta que foi colocada aqui por Deus, não apenas para iluminar espiritualmente as pessoas, mas para curar nossas mentes, corpos e almas. Ela é a base fundamental das crenças mexicanas e é crucialmente essencial para a busca da religião e auto-conhecimento. Os membros adultos utilizam a Salvia divinorum medicinalmente e também ritualmente como um sacramento espiritual divino, que é atingido com reverencia sincera e como proteção.
O ato do cultivo é também uma parte maior deste ritual para a maioria dos seguidores. Muitas destas práticas e crenças possuem várias centenas de anos e são derivadas de práticas espirituais Mazatecas. Uma pequena igreja no Novo México recentemente ganhou um caso na Suprema Corte que impedia o uso de certas outras plantas como sacramentos religiosos ( Caso nº 04-1084). Isto dá proteção garantida, sob o Ato de da Liberdade Religiosa, promovido pela Constituição Federal, que impede interferência e restrição de práticas religiosas.
SEGURANÇA GERAL
A Salvia divinorum é completamente não-tóxica. Estudos toxicológicos foram efetuados pelo Dr Leander Valdés na Universidade de Michigan, Jeremy Stewart na Universidade de Mississipi, Dr Frank Jaksch da Chromadex Inc., e Wayne Briner da Universidade do Kansas. Nem a Salvia divinorum, nem a salvinorin A, mostraram toxicidade em nenhum destes estudos. Existe um vasto corpo de evidencias empíricas que indicam que a Salvia divinorum é uma erva notavelmente segura.
De fato, os Mazatecs, que tem usado a Salvia divinorum por centenas de anos, não atribuem nenhuma propriedade tóxica a esta planta. Mesmo após mais de quarenta anos de exames minuciosos, a planta ainda é considerada inofensiva. Ela não tem efeitos prolongados como uma ressaca, e ninguém, incluindo o DEA, tem ouvido que uma pessoa tenha tido overdose ou experimentado conseqüências a longo prazo. Comunicações com Agencias de Saúde, Hospitais, Clínicas de Reabilitação, Colégios e Universidades em todos os Estados Unidos, não revelaram que a Salvia divinorum seja um problema ou uma contribuinte direta a quaisquer vícios, dependências, acidentes, crimes, ferimentos ou mortes. Em resumo, a Salvia divinorum não é e nunca será um perigo para ninguém.
CONCLUSÕES
A Salvia divinorum é uma erva medicinal relativamente pouco conhecida, com nenhum potencial para abuso significante. Ela não representa um risco para a saúde ou segurança pública. Criminalizá-la, serviria apenas para criar um problema que não existia previamente. A regulamentação de ervas medicinais, é um assunto de competência da FDA AMERICANO e não do Estatuto de Substancias Controladas.
Não há justificativa razoável para fazer da Salvia divinorum uma substancia controlada. Sua criminalização privaria as pessoas de uma erva medicinal natural, útil e segura, atrapalharia pesquisas médicas promissoras e privaria as pessoas de sua liberdade religiosa.
O estado não temo o direito de prender usuários não-violentos de Salvia. O modo mais sensível de encarar, seria regulamentar a Salvia divinorum de forma similar ao álcool ou tabaco para indivíduos com 18 anos ou mais, fazendo com que a venda ou fornecimento a menores de 18 anos seja um delito criminal, e a posse por um menor, uma violação civil. Isto geraria taxas durante o período em que os fundos estão escassos e também economizaria dinheiro de custos de defesa legal e execução. Cidadãos presos são caros e privam os estados de impostos. Isto é especialmente verdadeiro com os custos para abrigar prisioneiros. Muitas denúncias bem intencionadas estão baseadas em informações imprecisas sobre a Salvia divinorum. A listagem é dirigida para substancias que possuem um alto potencial para abuso, uma falta de segurança aceitável e uso médico não aceito atualmente. A Salvia divinorum não se encaixa em nenhum destes critérios. Agradecemos a todos os que conhecem o poder desta maravilhosa planta e também a todos os que se mostram solidários e tem afinidade com esta planta sagrada!

NOVOS HORIZONTES

Extraído do Excelente Blog : http://plantandoconsciencia.wordpress.com/


Washington Square Park, Nova Iorque. Sábado 09:00 da manhã, 25 de setembro de 2009, estou indo para a Igreja. Nunca fui a missas, e essa não foi a primeira vez. Ainda assim, refleti um pouco sobre o fato enquanto estava no metro. Ao chegar ao local, a Judson Memorial Church, fui surpreendido pelo quadro de avisos na porta: “Melhor lutar pela utopia que consentir em viver no inferno” (Julian Beck). O recado foi fundo e pareceu fazer sentido perfeito com o que estava por vir: Horizons 2009: Perspectivas sobre Psicodélicos. É isso mesmo, um simpósio científico-cultural sobre a psicodelia dentro de uma Igreja, no país líder da catastrófica guerra contra as drogas. Quão utópico pode ser isso?? Abaixo do pensamento de Beck, uma breve síntese numérica: “Mortos no Iraque: 4.345 Soldados Americanos e 101.608 Civis Iraquianos. Feridos: 31.513 Soldados americanos” e mais um não anunciado número de iraquianos. Por fim, fora do quadro de avisos, mais um recado: “A América em que acredito fecharia Guantânamo. JÁ!”.



Judson Memorial Church


Arrepios. Sequer entrei e já recebi, logo de cara, um monte de despertares da consciência. As páginas do plantandoconsciência flutuavam em minha mente, psicodélicos, ciência, terrorismo, religião, xamanismo… tudo se conectando e fazendo sentido, união, yoga. Durante todo o dia e durante a tarde do domingo seguinte fiquei surpreso, maravilhado e muito feliz com tudo o que vi e aprendi. O renascer da pesquisa científica com psicodélicos, feita de maneira madura, responsável e ética cerca de 50 anos após o início de sua radical e injustificada proibição.



Pesquisas financiadas por governos, como da Suíça e mesmo o dos EUA. Outras empreitadas de grande sucesso mostraram com clareza que mesmo na falta dessas fontes de financiamento, muito pode ser feito com doações e espírito de coletividade. Durante o fim de semana aprendemos um pouco mais sobre a fascinante história das substâncias psicodélicas com William Richards, PhD, sua relação com estados alterados de consciência, misticismo e religião. Entramos em contato com o estado-da-arte da neurociência moderna com psicodélicos na magistral palestra do suíço Franz Vollenweider, MD, PhD, que realiza diversos estudos de neuroimagem durante a ação da psilocibina, o princípio ativo dos cogumelos mágicos, no cérebro de voluntários sadios. Vollenweider mostrou, entre muitas outras coisas, que a psilocibina pode causar no cérebro e em nossa percepção de estímulos visuais efeitos semelhantes à meditação. Em seguida, o ponto mais emocionante ficou por conta da palestra da psicóloga Alicia Danforth, que trabalhou nos últimos anos junto com Charles Grob, MD, PhD, na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). O trabalho utilizou doses medianas de psilocibina como tratamento à ansiedade e depressão extrema que vivenciam pacientes de câncer terminal. Mais do que um resultado maravilhoso e fantástico, no qual uma única experiência com psilocibina foi capaz de aliviar o estresse e angústia por vezes insuportáveis que acompanham o tratamento de câncer, a experiência suscitou nos pacientes um olhar mais amoroso para com a vida, permitindo que vivessem seus ultimos dias com muito mais satisfação (sim, alguns dos voluntários faleceram antes mesmo de o estudo terminar), em alguns casos podendo realmente viver, pois o que lhes restava era apenas um medo tremendo da morte que os impedia de apreciar tudo e todos ao seu redor. Alicia dividiu seus pacientes em três grupos: Os que nunca haviam experimentado estados alterados de consciência, os transformadores, que saíram da experiência radicalmente diferentes de como entraram; e os ativistas, que decidiram romper com o anonimato e deram depoimentos sobre suas experiências. Declaração voluntária da paciente Annie, que pudemos assistir em primeira mão em um vídeo de tirar o chapéu: “Recomendo a psilocibina para qualquer paciente nessa situação, é muito melhor e mais eficiente que qualquer tratamento que já experimentei”. Em outro relato, Alicia contou de uma paciente com câncer de garganta que não podia engolir nada além de líquidos. Nem mesmo iogurte ou mingau, coisas pastosas, ela era capaz de engolir. Apenas água, suco e sopas bem ralas. Imagine-se o estado, além do câncer, de inanição e extrema fraqueza. Após a experiência com psilocibina, no dia seguinte, ao café da manhã, a paciente resolveu tentar tomar um iogurte, e subitamente sua garganta abriu, permitindo que um alimento passasse por ali pela primeira vez em meses. Completamente surpreendida e maravilhada, ela então resolveu, aos poucos, comer mais algumas coisas pastosas, e relatou como um dos momentos mais incríveis de sua vida aquele simples ato de se nutrir. Alguns dias depois a garganta voltou a ocluir, e a paciente faleceu pouco depois. Fica no ar a pergunta de se tratamentos crônicos poderiam restaurar a capacidade de alimentação em pacientes em condições similares. De maneira mais abrangente, o estudo não só permite uma nova abordagem ao tratamento de pacientes em situação tão delicada como o câncer terminal, como questiona as bases da medicina moderna, na qual todos os esforços são realizados no sentido de alongar a vida, e não de trazer qualidade, serenidade e paz ao paciente.


Stephen Ross, MD, PhD da Universidade de NY mostrou como os resultados pioneiros de Alicia e Grob permitiram e estimularam a criação de um grupo multidisciplinar na NYU para aumentar e expandir estes resultados iniciais com a psilocibina em pacientes terminais, estudo que já foi aprovado por toda a extensa burocracia e está em fase inicial, com novas doses e novos pacientes.

Valerie Mojeiko, da MAPS (Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies) contou sua história pessoal desde sua primeira epifania com MDMA (o ecstasy) aos 16 até sua primeira bad-trip com subsequente surto psicótico e internação hospitalar após uso de ibogaína.


A bad-trip de Valerie

Valerie viveu na pele a inadequada assistência dada por hospitais aos usuários de psicotrópicos, remanescente de tempos de internação, camisa de força e eletrochoque, que me fizeram lembrar do “Canto dos malditos”, livro de Austregésilo Carrano Bueno, que virou o filme “Bicho de sete cabeças”. Após sua vivência pessoal, somada a sua prática profissional, Valerie juntou-se ao MAPS para criar um serviço de redução de danos aos usuários de psicotrópicos em geral. A proposta é de transformar uma potencial viagem errada e traumatizante em oportunidade para crescimento e amadurecimento. Nas palavras dela: “Turning an emergency into an opportunity for growth, healing and understanding”. A abordagem vai ao cerne da experiência psicodélica, que é muito mais do que uma experiência recreativa, como sempre bem souberam xamãs e curandeiros de diversas regiões do planeta. Os pensamentos e sentimentos trazidos a tona pelos psicodélicos nem sempre são agradáveis, mas se encarados de uma perspectiva madura e de aceitação podem servir, em uma única experiência, como anos de psicoterapia.

Para encerrar o sábado, Earth e Fire Erowid, os criadores do magistral site de informações imparciais sobre psicotrópicos, hoje com mais de 1.200 usuários associados (sendo eu um dos mais recentes associados e um dos poucos brasileiros na lista), mostraram de forma dinâmica como o proibicionismo aos psicotrópicos causa o surgimento de aberrações como o Spice, suposto conjunto de ervas vendidos legalmente na Europa e pela internet, mas que sob um olhar mais cauteloso revelou conter agonistas sintéticos da velha cannabis, utilizada por nossa espécie a cerca de 2700 anos. O casal Erowid deixou claro como o proibicionismo acaba sendo burlado, muitas vezes criando misturas e coquetéis desconhecidos e de qualidade duvidosa, aumentando os potenciais riscos do consumo destas substâncias. Neste caso específico, o Spice esconde as substâncias responsáveis por seu efeito, que não aparecem no rótulo, enaganando agências governamentais e potenciais concorrentes no mercado. Foi necessário que comprassem o produto, o que foi difícil pois o produtor especificava aos distribuidores para não vender nos EUA, o que chegou a ser impresso nas embalagens em determinado momento. Ainda assim, Erowid fez o necessário e testou o produto, confirmando que seus efeitos eram incrivelmente similares ao de fumar maconha. Após consumirem, enviaram para a Drug Detection Agency para análise química, mas o resultado deu negativo para todos os compostos canabinóides e de substâncias psicoativas proibidas. Entretanto, o Spice continha na análise química alguns picos referentes a substâncias que não foi possível identificar. Posteriormente, um laboratório na Alemanha fez análise mais detalhada e encontrou o composto JWH-018, um agonista canabinóide sintético. Nos EUA, agentes de segurança internacional relataram que Spice continha HU-210, achado que ainda não foi confirmado por nenhum outro laboratório. Em 2009, trabalho publicado por Auwarter et al no Journal of Mass Spectrometry finalmente identificou o composto encontrado por Erowid 20 meses antes como sendo o CP 47,497. No meio da sopa de letras do composto químico responsável pelos efeitos do Spice, vale resaltar que CP é a sigla de compostos sintetizados pela gigante Pfizer, e dados os mais de 520.000 resultados do google na busca por spice e o crescimento do fabricante, o Psyche Deli, em mais de um milhão de dólares entre 2006 e 2007, levantou-se a questão de qual o possível envolvimento das gigantes farmacêuticas no mercado negro de psicoativos.

No domingo, o ecologista e teológo Andy Letcher procurou argumentar como a simbologia mística, específica no que diz respeito aos cogumelos, causa por vezes o “wishful thinking” criando idéias que podem ser divertidas mas inadequadas. Andy mencionou especificamente a idéia de o papai noel ter surgido das práticas xamânicas na sibéria, como aparece por exemplo no filme “a inquisição farmacrática” (que andy não chegou a mencionar). A meu ver, faltou a ele justificar suas afirmações, uma vez que apenas mostrou outras imagens antigas e pinturas em cavernas nas quais fica duvidoso se imagens de formas pontiagudas e meio trianglares representavam ou não cogumelos de fato. No caso do papai noel, Andy argumentou que não é nada de xamanismo na sibéria, mas apenas o brilhantismo imaginativo de Thomas Nast. Não argumentou porque esta explicação é mais ou menos mirabolante que a dos xamãs e seus amanitas e também não tocou na questão de se a imaginação de Thomas Nast poderia ter sido ou não influenciada por experiências com o Amanita. Resta ler seu livro “Shroom: A cultural history of the magic mushroom and mad thoughts on mushrooms: Discourse and power on psychedelic consciousness” para ver se têm argumentos mais convincentes que possam comprovar se essas idéias são plausíveis ou de fato apenas histórias mirabolantes criadas por amantes dos cogumelos e suas trips (vale ler os comentários sobre o livro no link acima, da amazon, incluindo o de Jan Irvin, de “a inquisição farmacrática”).

Bob Jesse depois apresentou o trabalho realizado pelo Conselho de Práticas Espirituais (CSP), uma abordagem complementar ao uso de psicodélicos. Segundo Bob, o misticismo evocado por experiências psicodélicas deve ser estilmulado respeitando-se a cultura, religião e crenças de cada um. O trabalho do CSP foca na continuidade das práticas espirituais após o despertar induzido por psicodélicos. Sua palestra levantou questionamentos calorosos por parte da platéia, que questionou que experiências místicas e religiosas são pessoais e que não cabe a uma organização, especialmente uma ocidental dirigida por “homens brancos” orientar as pessoas nesta área. Entretanto, me parece crucial a continuidade das experiências de expansão da consciência (ou místicas ou religiosas etc etc) por outros métodos que não o abuso das substâncias psicodélicas. Como magistralmente argumentado por R.C. Zaehner em seu debate com Aldous Huxley, e também de forma brilhante por Ram Dass, substâncias psicodélicas tem a capacidade de nos teletransportar para o cume do Everest, onde podemos experimentar uma visão mais ampla e abrangente do universo, tanto externo quanto em nosso interior. Mas esta experiência é radicalmente diferente de escalar a montanha. Segundo Zaehner, este é o caminho religioso. Segundo Ram Dass, este é o caminho espiritual da meditação e compaixão. Muitos outros existem, como yoga, o quarto caminho etc…

Por fim, Bob Wold apresentou sua história com “clusterheadaches”, uma condição de dor de cabeça extrema, que segundo ele não deveria ser chamada de dor de cabeça porque absolutamente não descreve o que se passa. Os pacientes com clusterheadaches mais parecem pacientes em convulsão. A dor é tão insuportável que muitos pensam em suicídio e alguns de fato o cometem. Atualmente não existe tratamento eficaz. Bob começou a sofrer de clusters 20 anos atrás enquanto brincava com seu filho no quintal. Repentinamente começou a se sentir tonto, e em menos de dez minutos encontrava-se convulsionando e batendo a cabeça no chão, gritando em dor profunda. As dores vêm em ciclos, com vários episódios por ciclo, cada um chegando a durar 30 minutos! Bob teve cerca de dois ciclos por ano, durante 20 anos. Estima-se que teve mais de 18.000 episódios, ficando praticamente incapacitado para viver de maneira digna. Tomou mais de 75 medicamentos prescritos, em mais de 100 combinações diferentes. A lista vai de aspirina até acupuntura, com muito pouco resultado. Sem encontrar saída, Bob estava indeciso entre quatro opções cirúrgicas, algumas de alto risco, e todas sem promessa de resultado definitivo. Foi aí então que Bob encontrou dois médicos que lembraram que Albert Hofmann, o pai do LSD, quando sintetizou o que talvez seja a molécula mais famosa do mundo, procurava tratamentos para hemorragias durante o parto e para dores de cabeça. Devido à ilegalidade do LSD em todo o mundo e sua difícil síntese, os médicos e Bob decidiram tentar a psilocibina, molécula prima do LSD, disponível gratuitamente na natureza em diversas espécies de cogumelos, como o Psilocibe cubensis. O resultado foi tão expressivo e marcante que Bob se viu, pela primeira vez em duas décadas, livre de suas dores. Bob fundou então o Clusterbusters, associação para ajudar pacientes com a mesma condição e estudar os efeitos da psilocibina como tratamento, quais as melhores doses etc. Bob destaca que as alucinações não são um problema, já que a dose necessária pra terminar as dores são abaixo das doses alucinogênicas. Ele hoje cultiva os cogumelos em sua casa e dirige com paixão o Clusterbusters. A associação cresceu e hoje conta com apoio de pesquisadores em instituições formais de pesquisa. O caminho foi árduo, e apesar dos inúmeros comentários preconceituosos de que ninguém levaria isto a sério e nem financiaria pesquisas de laboratório com “cogumelos alucinógenos”, Bob conseguiu doação privada de 50.000 dólares para seguir e expandir seu trabalho, que hoje ajuda dezenas de pacientes na mesma condição.

Ao final do domingo, a sensação era de uma comunidade forte, séria e unida para continuar expandindo este setor de pesquisa médica e científica ignorado por tantos anos. As promessas são inúmeras, desde tratamentos clínicos até questões centrais para a neurociência moderna, como quais os substratos neurais dos estados de consciência, tanto normais quanto alterados.


Link Original : http://plantandoconsciencia.wordpress.com/2009/09/30/novos-horizontes/