Psicodélico: AYAHUASCA

terça-feira, 8 de maio de 2007

AYAHUASCA

BOTÂNICA E ANTROPOLOGIA

Características Botânicas e Antropológicas:


Ayahuasca é uma bebida psico-ativa feita pela cocção de duas espécies vegetais distintas e utilizada em cerimônias ou rituais religiosos, conhecida pelos Inca após Huayna Cápac.




Uma das plantas é a liana, cientificamente denominada Banisteriopsis Caapi, e a outra é um arbusto da família das rubiáceas denominada Psychotria Viridis. Em Quéchua as plantas são conhecidas como Mariri, o nome da liana, e Chacruna ou Chacrona, o nome do arbusto. Na mesma língua o nome da bebida é Ayahuasca – vinho dos espíritos, das almas, dos mortos ou dos ancestrais.


A bebida é feita das duas plantas postas em maceração ou cozinhadas, com diversos graus de apuro e concentração. As plantas são conhecidas por várias outras denominações por estar sendo usada desde de tempos imemoriais numa área extensa e por diversas nações indígenas separadas por grandes distâncias, diferenças culturais e idiomáticas.


De acordo com Schultes, Richard Evans, and Raffauf, Robert F. - The Healing Forest: Medicinal and Toxic Plants of Northwest Amazonia (1990); Portland, OR: Dioscorides Press - são conhecidos pelo menos 42 nomes indígenas para esta poção usada por pelo menos 72 tribos indígenas da bacia Amazônica.



A antiguidade do uso da Ayahuasca se perde na pré-história. De uma utilização regional milenar, centrada na Amazona ocidental, seu uso tem modernamente se expandido em toda a América do Sul, primordialmente, graças à preservação do uso pelos indígenas e mestiços, apesar da incessante repressão cultural desde os primórdios da colonização. Muito do que se pratica e conhece sobre Ayahuasca vem da observação e conhecimento empírico acumulado pelos indígenas.

O uso dessas plantas pelos mestiços em geral acontece dentro do contexto da etno-medicina e segue os princípios gerais do uso tradicional dos nativos (uso xamanista) com modificações e acréscimos atinentes aos diversos sistemas de crenças religiosas importados junto com a colonização, principalmente: espiritismo, cristianismo, maçonaria e cultos africanos.

O impulso inicial em direção a uma expansão mundial da utilização da Ayahuasca se deu graça ao interesse geral por assuntos etnológicos e à expansão dos grandes movimentos religiosos sincréticos do Brasil, organizados em torno da utilização da Ayahuasca com sacramento, sendo os maiores o “Santo-Daime” - o mais antigo – e a “União do Vegetal (UDV)”, entre várias outras denominações.

É interessante notar que a Ayahuasca vem sendo utilizada há séculos por milhares de pessoas. Um tal período de ensaio excede em muito os padrões de estudos administrados para a aprovação de drogas e medicamentos. Na maioria das culturas amazônicas, até hoje, a Ayahuasca ocupa culturalmente um elevado conceito ao lado de outras “plantas mestras” (professoras ou Instrutoras) como o Peyote.

Durante os últimos vinte anos, a literatura contemporânea, socio-antropológica, farmacológica e popular debateu significativamente as diversas dimensões e uso da Ayahuasca, do ponto de vista cultural, químico, psicológico e espiritual.

Os nomes da Ayahuasca:

Os nomes usados pelas diversas tribos e nações indígenas ao longo do Peru amazônico, Equador, Colômbia, Bolívia, Brasil ocidental e em determinada região da Venezuela são:

Yagé; bejuco bravo; bejuco de oro; caapi (Tupi, Brasil); mado, mado bidada e rami-wetsem (Culina); nucnu huasca e shimbaya huasca (Quechua); ka-malampi (Piro); punga huasca; rambi e shuri (Sharanahua); ayahuasca amarillo; ayawasca; nishi e oni (Shipibo); ayahuasca; ayahuasca negro; ayahuasca blanco; ayahuasca trueno, cielo ayahuasca; népe; xono; datém; kamarampi; Pindé (Cayapa); natema (Jivaro); iona; mii; nixi; pae; ka-hee' (Makuna); mi-hi (Kubeo); kuma-basere; wai-bu-ku-kihoa-ma; wenan-duri-guda-hubea-ma; yaiya-suava-kahi-ma; wai-buhua-guda-hebea-ma; myoki-buku-guda-hubea-ma (Barasana); ka-hee-riama; mene'-kají-ma; yaiya-suána-kahi-ma; kahí-vaibucuru-rijoma; kaju'uri-kahi-ma; mene'-kají-ma; kahí-somoma' (Tucano); tsiputsueni, tsipu-wetseni; tsipu-makuni; rami-wetsem (Kulina); amarrón huasca, inde huasca (Ingano); oó-fa; yajé (Kofan); bi'-ã-yahé; sia-sewi-yahe; sese-yahé; weki-yajé; yai-yajé; nea-yajé; horo-yajé; sise-yajé (Shushufindi Siona); shimbaya huasca (Ketchwa); shillinto (Peru); nepi (Colorado); wai-yajé; yajé-oco; beji-yajé; so'-om-wa-wai-yajé; kwi-ku-yajé; aso-yajé; wati-yajé; kido-yajé; weko-yajé; weki-yajé; usebo-yajé; yai-yajé; ga-tokama-yai-yajé; zi-simi-yajé; hamo-weko-yajé (Siona of the Putomayo); shuri-fisopa; shuri-oshinipa; shuri-oshpa (Sharananahua).

No Brasil os nomes mais usados são: Yagê, Ayahuasca, Daime, Vegetal, Hoasca e Oasca.


A FARMACOLOGIA DA AYAHUASCA
Mariri (Banisteriopsis Caapi):


As Beta-carbolinas (Harmina, Harmalina e Tetra-hidroharmina) são extraídas do chá do Mariri (Banisteriopsis Caapi). Isoladamente o chá do Mariri pode induzir efeitos psico-ativos indiretos, mediados pela sua atividade inibidora sobre a Monamina Oxidase e conseqüente elevação dos níveis de serotonina no organismo. O surgimento de imagens tipicamente hipnagógicas e modificações do humor e das emoções são atribuídos à elevação dos níveis de serotonina no sistema nervoso central. Os efeitos purgativos e eméticos são mediados pelo efeito da serotonina no intestino.

A Chacrona (Psicotria Viridis):

A substância N-Dimethyltryptamine (DMT) está presente nas folhas da Chacrona (Psicotria Viridis). O chá das folhas, ou as folhas, não são psico-ativas quando ingeridas isoladamente devido à rápida destruição destes alcalóides pela Monoamina Oxidase (MAO), uma enzima naturalmente presente no organismo. A estrutura da DMT, como a de outros compostos psicodélicos, é bem semelhante à da serotonina (5-Hidroxitriptamina ou 5-HT),um importante neurotransmissor de modulação. A serotonina age naturalmente, desinibindo controles e processos reguladores no cérebro. Suponha-se que tanto o acréscimo dos níveis de serotonina (efeito do Mariri) como os da DMT afeta os neurônios serotonérgicos, promovendo uma hiper-estimulação e modulação, que desencadeia um largo espectro de efeitos como liberação de emoções reprimidas, recordações de memórias esquecidas e geração de imagens.

Sinergismo Químico Mariri/Chacrona:

A DMT foi produzida em laboratório em 1931. Desde o inicio descobriu-se que a substância produzia efeitos intensos quando aplicada por via intramuscular em doses diminutas de alguns miligramas (na ordem de 0.7mg por kg de peso), mas que em contrapartida era inativa por via oral até mesmo em doses 1000 vezes superiores. Uma vez bem estabelecido a sua inatividade por via oral levantou-se a necessidade de se explicar como doses diminutas, de aproximadamente 29 mg de DMT, tipicamente ingerida numa Cerimônia de Ayahuasca, são capazes de produzir efeitos intensos.

A enzima Monoamina Oxidase (MAO) é a chave do mistério. Esta enzima, fisiologicamente presente no sistema digestivo, tem como função destruir as diversas monoaminas naturalmente contidas nos alimentos no sentido de proteger as diversas funções cerebrais mediadas por neuro-receptores ativados por monoaminas endógenas.

Sendo a DMT uma monoamina ela passa a ser imediatamente, tão logo ingerida, oxidada e decomposta pela enzima MAO ao nível do intestino. Mas, no caso da Ayahuasca, acontece que os demais alcalóides presentes na poção - as Beta-carbolinas trazidas pelo Mariri - inibem momentâneo e reversívelmente a enzima intestinal MAO a ponto de evitar a degradação da acompanhante DMT na área digestiva, ficando assim disponível para absorção e penetração na corrente sanguínea e sistema nervoso central.




Inocuidade do Chá:

Entre 1991 e 1993, a Universidade Federal de São Paulo (antiga Escola Paulista de Medicina), Universidade de Campinas, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Universidade do Amazonas, Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA), Universidade da Califórnia, Universidade de Miami, Universidade do Novo México e Universidade de Kuopio (Finlândia), foram convidados por inciativa de uma das igrejas sincréticas Brasileiras, a UDV, para gerenciar uma pesquisa cientifica, intitulada "Farmacologia Humana da Hoasca, chá usado em contexto ritual no Brasil".

A pesquisa foi articulada pela direção central do Centro de Estudos Médico-Científico da União do Vegetal, órgão interno da instituição, que reúne seus adeptos profissionais de áreas relevantes. Os resultados constatam que o chá Ayahuasca é inofensivo à saúde.

A pesquisa está publicada em importantes revistas científicas como: Psycho-pharmacology, em texto assinado por J. C. Callaway (PhD), e The Journal of Nervous and Mental Disease", em texto de Charles S. Grobb (PhD).

Este estudo se deu em Manaus e envolveu nove centros universitários e instituições de pesquisa do Brasil, Estados Unidos e Finlândia, financiados pela fundação norte-americana Botanical Dimension. A pesquisa começou a ser planejada em 1991 e aconteceu em 1993. Consistiu em aplicar testes laboratoriais e questionários, dentro dos procedimentos científicos padrões, em usuários da Ayahuasca. Eram pessoas de faixas etárias variadas, dos meios urbano e rural, freqüentadores assíduos dos cultos. Os testes foram também executados em não usuários servindo de grupo de controle.

A avaliação psiquiátrica conduzida pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo, Centro de Referência da Organização Mundial da Saúde, não encontrou entre os usuários pesquisados nenhum caso de dependência, abuso ou perda social pelo uso da Ayahuasca, aspectos presentes em usuários de drogas proscritas pela legislação.

As conclusões comparativas são surpreendentes. A primeira delas, confirmando a afirmação de que o chá é inócuo do ponto de vista toxicológico: não se constatou "nenhuma diferença significante no sistema neurosensorial, circulatório, renal, respiratório, digestivo, endócrino entre os grupos experimentadores e de controle".

Nos testes psiquiátricos, foram aplicados os recomendados pela ortodoxia científica, o CIDI (Composite International Diagnostic Interview), com os critérios do CID 10 e DSM IIIR, e o TPQ (Tridimensional Personality Questionnaire). Constatou-se que os usuários da Ayahuasca, comparativamente aos não usuários (grupo de controle) mostraram-se mais "reflexivos, resistentes, leais, estóicos, calmos, frugais, ordeiros e persistentes". E ainda: mais "confiantes, otimistas, despreocupados, desinibidos, dispostos e enérgicos". Exibiram tam-bém "alegria, hipertimia, determinação e confiança elevada em si mesmo". Os examinandos apresentaram desempenho significativamente melhor que os do grupo de controle quanto à capacidade de lembrar as palavras na quinta tentativa. Foram melhores também em "número de palavras lembradas, recordação tardia e recordação de palavras após interferência".

Embora o protocolo de estudo não permitia separar os benéficos atinentes ao contexto religioso dos efeitos do chá em si, esta pesquisa confirme a impressão geral – decorrente da sua utilização milenar – da inocuidade do chá. De fato não se conhece caso de lesões e doenças provocadas pelo seu uso "in natura", sem adulterações ou misturas.

Associação com medicamentos:

Está claro que a utilização concomitante de drogas inibidoras da MAO, ou que, de alguma maneira interferem com o sistema serotonérgico não é recomendado e deve ser evitado, já que teoricamente pode levar à chamada “síndrome serotonérgica”; um quadro clínico resultando de uma elevação patogênica dos níveis de Serotonina e potencialmente perigoso e suceptivel de levar a convulsões, hipertermia e perda da consciência.

Por uma questão de prudência e absoluta prevenção destes problemas (que nunca foram registrados com o uso tradicional da Ayahuasca) pelo menos teoricamente possíveis, não recomendamos o uso do chá para pessoas em tratamento com fármacos psico-ativos em geral e principalmente antidepressivos até três semanas antes da Cerimônia para permitir a total recomposição do estoque de MAO endógena e o retorno do sistema nervoso à sua fisiologia natural.

Contra-indicação:

Consideramos ser contra-indicado o uso da Ayahuasca para pessoas com personalidades esquizóides e pré-psicóticas; neuróticos com instabilidade de identidade e níveis altos de ansiedade (síndrome do pânico).

Desde da década de 1960, época da descobertas de alguns antidepressivos e dos agentes inibidores da monoamina oxidase sabe-se que a utilização concomitante dessas substâncias deve ser contra-indicada. Aconselhamos os interessados a buscar referências na literatura especializada ou entrar em contato conosco para mais detalhes. Assim consideramos como contra-indicado o uso da Ayahuasca para os usuários de drogas e medicamentos psico-ativos listados a seguir - a não ser após três semanas de suspensão da medicação - como:

  • Antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina como: Fluoxetina (Prozac e outros); Citalopram (cipramil, Denyl); Paroxetina (Aropax, Ce-brilin, Pondera); Sertralina (Novativ, Sercerin);
  • Antidepressivos tricíclicos como: Imipramina (Tofranil); Desipramina (Norpra-mina); Clomipramina (Anafranil);
  • Antidepressivos de efeito dual ou complexo como: Venlafaxina (Efexor);
  • Substancia de mecanismo de ação não muito bem estabelecido como: Lítio (Carboclim, litiocar, Neurolithium);
  • Inibidores da Monamia Oxidade como: Tranilcipromina (Parnate, Stelapar); Fenelzina (Nardil).

Por conta dos seus efeitos hipertensivos, eliminamos também os candidatos em uso de psico-estimulantes como Ritalina.

O bom senso indica que enquanto não se sabe ao certo os efeitos específicos de cada uma das substâncias citadas em relação às dosagens habituais de DMT e agentes inibidores da monoamina oxidase tipicamente contida no chá, não se deve incentivar o uso da Ayahuasca em pessoas usuárias dessas medicações.

Apenas por questão de prudência não recomendamos o uso da Ayahuasca, a não ser em condições especiais, para mulheres grávidas.


3 comentários:

E.M.T. disse...

Gostei bastante de seu blog.Muito informativo e dinâmico, com certeza irei copiar muitos textos para meu blog também...

http://floresdovegetal.blogspot.com/

freefun0616 disse...

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Biobusiness disse...

Diria que as informações são bastanete precisas e verdadeiras de sua parte, porém entendo que foram TODAS copiadas do site de um grande amigo médico.
Não acho errado copiar para passar informações, só creio ser sensato e prudente citar as suas fontes.