Psicodélico: Brugmansia, a Trombeta

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Brugmansia, a Trombeta

por Richard Evans Schultes e Albert Hofmann (1)

Brugmansia aurea
BRUGMANSIA - família botânica das Solanaceae

Estreitamente relacionadas a Datura(2), as espécies de Brugmansia são arborescentes e se suspeita que todas são cultivadas, pois se desconhecem em estado silvestre. Todas as espécies são biologicamente muito complexas e foram usadas como alucinógenos por milênios. Brugmansia suaveolens e B. insignis provavelmente sejam de origem híbrida e existem nas zonas mais quentes da América do Sul, em especial na Amazônia ocidental, onde são empregadas sozinhas ou mescladas com outras plantas, comumente sob o nome de toé. Entretanto, a maioria das espécies são encontradas nas regiões montanhosas temperadas e úmidas, cuja altitude sobrepasse os 1830 metros. A espécie mais difundida está nos Andes e é Brugmansia aurea, com duas formas, uma de flores amarelas e outra mais comum com flores blancas. Na literatura horticultural amiúde tem sido mal identificada como Brugmansía arborea (ou Datura arborea), uma árvore menos comum.
B. aurea é um arbusto ou árvore pequena que mede até 9 metros de altura, com folhas oblongo-elípticas, amiúde finamente veludosas; o limbo mede 10-40 cm de comprimento e 5-16 de largura e nasce de um pecíolo que pode medir até 13 cm de comprido. As flores estão inclinadas, não completamente penduradas, medem 18-23 cm de comprimento e são muito aromáticas, em especial pelas manhãs. A corola tem forma de trombeta e é branca ou amarelo-ouro até a boca, sua parte basa¡ é delgada e está completamente encerrada pelo cálice; os dentículos da corola são curvos e de 4-6 cm de comprimento. O fruto é ovoide-alongado, liso, verde e variável em tamanho; permanece carnoso, nunca se torna duro ou seco. As sementes angulosas, pretas ou pardas são relativamente compridas e medem cerca de 12 x 9 mm. Ademais de seu uso como alucinógeno, todas as espécies deste gênero têm tido importantes usos como medicamento para uma ampla variedade de doenças.

Os guambianos do sul da Colômbia chamam de yas a Brugmansia vulcanicola e dizem dela: "Que prazenteiro é o perfume das flores compridas e em forma de sino do yas quando uma pessoa as cheira pela tarde [...] Mas a árvore tem um espírito em forma de águia que chega com o vento e logo desaparece [...] O espírito é tão mau, que se uma pessoa fica ao pé da árvore, esquecerá tudo [...] sentindo-se como se estivesse nas asas do espírito do yas [...] Se é uma mulher a descansar à sombra da árvore, sonhará com homens da tribo dos paez, logo, uma figura será depositada em seu ventre e nascerá seis meses depois como sementes da árvore."

As espécies de Brugmansia são nativas da América do Sul. No passado, se considerava a Brugmansia como representativa do gênero Datura. Alguns estudos recentes da biologia destas plantas mostram que devem classificar-se em gêneros distintos. A conduta das espécies - assim como sua localização - indica uma longa associação com o homem.

É possível que o uso alucinógeno de Brugmansia provenha do conhecimento de sua parente próxima Datura, conhecimento que os protoindígenas mongolóides trouxeram ao Novo Mundo a fins do Paleolítico e durante o Mesolítico. À medida que migraram para o sul, acharam outras espécies de Datura, sobretudo no México, e as aplicaram no xamanismo. Nos Andes, reconheceram a semelhança das Brugmansias com a Datura e encontraram similares suas propriedades. O referente ao uso de Brugmansia é muito antigo.

Pouco se sabe sobre o uso de Brugmansia antes da Conquista. Entretanto, há algumas referências dispersas sobre estes alucinógenos. O cientista francês La Condamine menciona seu uso entre os omaguas do rio Marañón. Os exploradores Von Humboldt e Bonpland repararam na tonga, a B. sanguinea de flores vermelhas, usada como planta sagrada dos sacerdotes no Templo do Sol em Sogamosa, Colômbia.
Brugmansia arborea, B. aurea e B. sanguinea, usualmente crescem a uma altitude de 1800 metros. As sementes são amplamente utilizadas como um aditivo da chicha(3). As folhas moídas e as flores se preparam em água quente ou fria para se tomar como chá. As folhas podem mesclar-se com uma infusão de tabaco. Alguns índios raspan a cabeça suave e verde dos talos e a deixam de molho em água para seu uso.

A intoxicação de Brugmansia varia apesar de que sempre se caracteriza por uma fase violenta. Provavelmente não exista uma descrição tão sucinta de seus efeitos como a que deu um escritor no Peru, em 1846. O nativo "caiu em um pesado estupor, fixou seus olhos inexpressivos no chão, sua boca permaneceu convulsivamente cerrada e as fossas nasais se dilataram. Depois de uns quinze minutos seus olhos começaram a girar, brotou espuma de sua boca e todo o corpo foi presa de terríveis convulsões. Assim que passaram estes sintomas violentos, seguiu-se um sono profundo que durou várias horas; quando o sujeito se recobrou, relatou as particularidades da visita que fez a seus antepassados".
De acordo com um informe de 1589, em Tunia, entre os mulscas "quando um chefe morria, o acompanhavam à tumba sua mulher e seus escravos, os quais eram enterrados em diferentes estratos da terra [ . . .] nos quais não faltava ouro. Para que a mulher e os pobres escravos não temessem suas mortes, antes de que vissem suas horríveis tumbas os nobres lhes davam uma bebida preparada com a mistura do tabaco embriagante e das folhas da árvore que chamamos borrachera(4); desta maneira seus sentidos não percebiam o dano que logo lhes sobreviria". As espécies eram sem dúvida Brugmansia aurea e B. sanguinea.

Os jívaros dão às crianças teimosas uma bebida de B. sanguinea com milho desidratado; quando estão intoxicados são repreendidos pelos espíritos dos antepassados. Em Chocó se agregavam sementes de Brugmansia a uma chicha mágica, pois acreditavam que produzia nas crianças uma excitação durante a qual podiam descobrir ouro.
Os índios do Peru ainda chamam a Brugmansia sanguinea huaca ou huacachaca (planta da tumba), já que existe a crença de que revela tesouros enterrados antigamente em sepulturas. Nas zonas cálidas da Amazônia ocidental, Brugmansia suaveolens e B. xinsignis são utilizadas sozinhas como alucinógenos ou se mesclam com ayahuasca.

Talvez nenhuma localidade se iguala ao vale de Sibundoy nos Andes da Colômbia, no tocante ao uso de Brugmansia. Os índios inganos e kamsás usam como alucinógenos a várias especies e um bom número de cultivares locais. Os indígenas desta región, em especial os xamãs, desenvolveram um conhecimento profundo sobre os efeitos destas plantas e as cultivam para seu uso.
Estas cultivares, que são propiedade de xamãs específicos, recebem nomes nativos. As folhas do buyés (B. aurea) são usadas principalmente para curar o reumatismo; se trata de um medicamento efetivo com alta concentração de alcalóides de tropano. O blangan era empregado na antigüidade pelos cazadores: as folhas e as flores eram misturadas com a comida dos cães para que estes pudessem encontrar mais presas. A folha de amarón, em forma de língua, é apreciada por seus poderes supurantes e por seu uso no tratamento do reumatismo. A cultivar mais raro é o do salamán, cujas folhas estão estranhamente atrofiadas; se emprega no tratamento do reumatismo e como alucinógeno. Quinde e munchira são as que apresentan maiores irregularidades na forma de suas folhas; as duas se usam como alucinógenos apesar de que também no tratamento de reumatismo, como eméticos, carminativos, vermífugos e supurantes; a munchira também se emprega para curar erisipelas. Quinde é a cultivar mais amplamente difundida em Sibundoy; munchira é a mais tóxica. Os cultivares chamados dientes e ocre se usam principalmente para as dores reumáticas.

Os botânicos pensam que uma dessas assombrosas cultivares é Methysticodendron amesianum. É chamada culebra borrachera. Methysticodendro, mais potente que nenhuma outra cultivar de Brugmansia, se usa como alucinógeno e para os casos mais difíceis de adivinhação; é também um medicamento muito efetivo para as dores reumáticas ou artríticas. Por sus efeitos psicoativos, as cultivares quinde e munchira são usadas com maior freqüência. O suco que se obtém das folhas ou das flores é bebido sozinho ou em uma preparação com água ou aguardente (um destilado alcoólico do açúcar). Normalmente, em Sibundoy os xamãs são os únicos que tomam Brugmansia. A maioria dos xamãs "vêem" terríveis aparições de onças e serpentes venenosas. É possível que o uso da Brugmansia como alucinógeno esteja muito limitado devido às incômodas síndromes e aos desagradáveis efeitos que posteriormente produz.
O jívaro crê que a vida normal é uma ilusão, que os verdadeiros poderes são sobrenaturais e subjazem detrás da vida cotidiana. O xamã, com suas potentes plantas alucinógenas, pode cruzar através do mundo da maravilha etérea e aí pactuar com as forças do mal. O jovem jívaro, na idade de seis anos, deve adquirir uma alma externa, um arutam wakani, a visão produtora de alma que lhe permita comunicar-se com os antecessores. Para adquirir seu arutam o menino e seu pai realizam uma peregrinação a uma cachoeira sagrada, se banham nela, jejuam e bebem água de tabaco. Também tomam maikoa ou Brugmansia para estabelecer contato com o sobrenatural; então o arutam do moço se manifesta como onças e sucuris que penetram em seu corpo.

Com freqüência, os jívaros tomam natema ou Banisteriopsis para adquirir o arutam, já que a intoxicação é mais branda; mas se o uso de natema não tiver êxito utilizam então Brugmansia. Os jívaros afirmam que a intoxicação com maikoa pode produzir enfermidade.
As espécies de Brugmansia apesar de sua beleza ocasionam dificuldades. São plantas dos deuses, mas não como o peiote, os cogumelos e a ayahuasca que são dádivas mais agradáveis. Seus efeitos poderosos e incômodos, com períodos de violência e inclusive de enfermidade temporaria, assim como os males que seguem a sua ingestão, contribuem a situá-la em um lugar de segunda categoria. É verdade que são plantas dos deuses, mas eles nem sempre se esforçam por tornar a vida fácil, por isso deram Brugmansia ao homem para que dada a ocasião recorra a elas. A águia maligna revoluteia sobre o homem, e sua borrachera é uma dádiva perene que recorda que nem sempre é fácil ter uma audiência com os deuses.

Brugmansia arborea


Notas:
(1) Fonte: Planta de los Dioses - Plants of Gods, 1979 - Richard E. Schultes e Albert Hofmann - Fondo Cultura Económica - Mexico 1993
(2) Um artigo muito esclarecedor é "
Misha e outras Daturas", do site do Lobo do Cerrado, que além de esclarecer que o termo quechua Misha compreende todas as espécies de Brugmansia, fala das finalidades de uso da planta: 1. Terapêuticos/Adivinhatórios, usados conjuntamente com o San Pedro por especialistas chamados "Rastreadores"; 2. Fitoterápicos, aplicação de suas folhas em deslocamentos e quebra de membros; 3. Iniciáticos, ministrados o suco puro de Mishas de alto poder e selvagens, em cerimônias especiais reservadas unicamente a xamãs e a pessoas rigorosamente escolhidas; 4. Raramente as Mishas são ministradas a pacientes pela boca ou de uma outra forma que pode ser tóxica, deve haver um alto controle de sua dosagem para que não mate aquele que a ingerir; 5. Nas magias negativas, são usadas para causar "daño por boca", no qual a dosagem é calculada para causar a loucura permanente; 6. Na magia amorosa, seu suco é misturado na bebida para a vítima ficar apaixonada; 7. Para proteção da residência, elas são consideradas "guardiães" ou protetoras dos lugares. Geralmente em certas regiões, oferece-se sangue de animal para a Misha como agradecimento.
(3) "Chicha" (pronuncia-se tchitcha) é a tradicional cerveja andina feita da fermentação de brotos de milho.
(4) "Borrachera" é o termo na língua espanhola para dizer "embriaguez, ebriedade".

2 comentários:

Henrique de Shivas disse...

[Chá de Trombeta - Manual Básico]

1 - O chá de trombeta é feito fervendo-se suas flores e/ou folhas da trombeta (ou Lírio como também é conhecida). Todas as partes da TROMBETA são tóxicas, logo, há n-maneiras de preparar o chá.

2 - Cinco flores dá pra rolar uma trip pra uma única pessoa. (Essa é uma quantidade tolerável para a maioria das pessoas).

3 - A trip do chá de trombeta leva em média de 30 a 60 minutos para chegar.

4 - As primeiras sensações são: sono e vista embaçada.

5 - Logo após, vem a "boca seca"; é sempre bom ter um copo com água do lado. O efeito "boca seca" e a "midríase" (dilatação da pupila) são os primeiros sinais de que a trip está em pleno funcionamento.

6 - O chá de trombeta dá fraqueza nas pernas, como se elas estivesse moles, e também "língua enrolada/travada"; por isso, por via de precaução, quem for tomar, favor, quando se levantar da cadeira ou do sofá, espere a lombra baixar. Outro sintoma é a dificuldade em urinar mesmo estando apertadíssimo!

7 - A trombeta causa alucinações muito parecidas com algumas espécies de cogumelo e de remédios como Benflogin.

8 - Se for tomar o chá de trombeta, prefira ingerir poucas bebidas alcoólicas... de preferência beba três a cinco doses de cana, uísque ou conhaque... se passar disso, certamente, haverão BAD TRIPS.

9 - Existem mitos que dizem que, dependendo da quantidade tomada, o indivíduo pode nunca mais voltar ao seu "estado são" de consciência. O chá também provoca amnésia, insônia, flashs psicóticos-paranóicos, confusões visuais, pensamento ligeiro (às vezes), falta de ar (dependendo a quantidade e de quem toma, neste caso, uma pessoa alérgica apresentará dificuldades em respirar).

10 - A trombeta é muito boa para tratar problemas de intestino e problemas asmáticos. Pode ser encontrada em cemitérios, em praças etc. A planta cresce rapidamente e chega a dar mais de 15 folhas durante a semana.

* O consumo do Lírio ainda não é proibido pela Constituição, logo, o que expus aqui não é um incentivo nem um contra-incentivo ao seu consumo.

** Para maiores detalhes, consultar o site => http://www.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/quest_drogas/anticolinergicos.htm

Obrigado!

[Henrique_de_Shivas - 2008]

freefun0616 disse...

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