Segue o link para o livro A Vida de Maria Sabina_ A Sábia dos Cogumelos - Álvaro Estrada.
http://rapidshare.com/files/149821401/A_Vida_de_Maria_Sabina__A_S_bia_dos_Cogumelos_-__lvaro_Estrada.pdf.html
Esperam que gostem, tenham uma boa leitura !!!!
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Livro A Vida de Maria Sabina_ A Sábia dos Cogumelos - Álvaro Estrada
A Vida de Maria Sabina_ A Sábia dos Cogumelos - Álvaro Estrada
Estarei amanhã colocando esse livro a disposição.

Estarei amanhã colocando esse livro a disposição.


sexta-feira, 19 de setembro de 2008
CANNABIS - Entrevista do Dr. Drauzio Varella com Dr. Elisaldo Carlini
Trata-se de uma planta geradora de muitas polêmicas ! Parte da população mundial quer proibir, parte descriminalizar e outra liberar totalmente. Quem está com a razão?

Segundo o Relatório Mundial de Drogas 2006 do Unodc - Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime O relatório revelou que a maconha foi utilizada por um número estimado de 162 milhões de pessoas ao menos uma vez em 2004, ou aproximadamente um quarto da população mundial com idades entre 15 e 64 anos. O documentou ressaltou ainda que o consumo continua aumentando.
Já há estudos desenvolvidos, como os do antropólogo Edward MacRae junto a grupos de indivíduos das camadas médias urbanas formalmente integradas à sociedade, que demonstram, que entre os milhares de usuários , há os que não são vagabundos e nem excluídos da sociedade. São pessoas comuns, que ajudam o próximo e não fazem mal a quem quer que seja. Você que está lendo deve conhecer algum. A grande polêmica é se um usuário precisa de ajuda e tratamento ou ser punido com prisão.
Foi pesquisado que entre os que usam, tem de tudo, tem um mundo. Milhares de usuários são trabalhadores, têm suas famílias, são responsáveis, pagam impostos, etc. Entre os usuários há Professores, terapeutas, médicos, advogados, policiais, executivos de empresas, esportistas, intelectuais, políticos, artistas, psicólogos, psiquiatras, e vai !
O maior problema da planta é o tráfico, que financia a criminalidade, o terrorismo. Que movimenta fortunas, aproxima os criminosos e drogas químicas, principalmente dos jovens que buscam, na verdade, estados diferentes de consciência. Há tempos atrás, a sociedade fazia dessas pessoas: criminosas. Acabavam sendo criminosos pois burlavam a lei assim como os criminosos que representam perigo para a sociedade. Tudo no mesmo mesmo saco !
Sabe-se que o trafico existe quando há proibição. Quanto mais aumentam os mecanismos de repressão, mais o tráfico se especializa e cresce. Foi esse o grande exemplo da lei seca americana. Temo que um dia o tráfico se sofistique tanto, se equipe tanto, que tome conta da situação. Os países investem fortunas combatendo o tráfico, estimulados pela lei proibicionista que nega o livre-arbítrio, quando poderiam investir esses valores em educação, saúde e para promover a paz.
A nova lei que chega ao Brasil , é um avanço na direção dos direitos humanos, tornando-a um caso de saúde e separando-a do tráfico. A Comissão Internacional de Controle de Narcóticos (INCB, na sigla em inglês) da ONU elogiou em seu relatório anual divulgado nesta quarta-feira, a iniciativa do sistema judicial brasileiro de se concentrar no combate aos traficantes de drogas e adotar penas alternativas para os usuários.
Toda a situação demonstra ainda faltar mais estudos, mais pesquisas, e principalmente mais consciência. Para ter "consciência" é preciso que primeiramente se tenha "ciência", pesquisando, comparando, deixar de lado preconceitos e paixões, e a sociedade ter a coragem de enfrentar paradigmas, fazendo realmente um estudo fitoquímico e psicológico para ver a verdade e não para satisfazer um ponto de vista. Mostrar os prós e os contras para que possamos orientar melhor nossos jovens.
Os aspectos científicos cabem à ciência. Os sociais a Lei, e o que é de César...para César. Não venho aqui iniciar qualquer tipo de movimento, trago abaixo informações que todo o pesquisador de plantas conhece. Quero ressaltar que sou um combatente dos vícios (sejam de substâncias, plantas, comidas,medicamentos, trabalho, esportes, jogos, bebidas, religião, pessoas). Meu interesse com as plantas é espiritual, como todo o estudioso de xamanismo que se preza e não envolve vícios. Aprendí que as coisas de Deus não viciam, O vício não é uma coisa de Deus. Deus é liberdade ! Não concordo porém, com a atitude de "satanizar" plantas. Aprendemos no xamanismo que as plantas são obras de Deus, não podem nunca ser confundidas com drogas. Deus não faz drogas. A droga é uma criação humana. Deus criou um jardim de mistérios e maravilhas na sua infinita sabedoria. Que direito tem o homem de destruir uma espécie da Criação ? E que a Verdade Divina prevaleça.
A Canabis Sativa é original da Ásia, da qual também é extraído o haxixe e o kif. A planta é também citada no Velho Testamento, cantada e louvada por Salomão, que a chamava de kálamo (cânhamo) . No Brasil era utilizada pelos escravos africanos que conheciam suas propriedades. Sabe-se que ela é de uso de muitas tribos por lá, mas principalmente os pigmeus e zulus povos de Angola, Moçambique, Congo, etc., que a utilizavam ritualisticamente como uma "planta sagrada".
Sabe-se que os indios brasileiros também usam, principalmente na região de Maranhão e Sergipe. Vamos a algumas possibilidades : os Tenetehara (os mais famosos no uso), Saterê-Mawé, Guajajara, Tukano, Macu, Tucuna, Mura.......Era muito difundida entre negros e caboclos que a chamavam também de : fumo-de-caboclo
Era utilizada para fins terapêuticos na China, como anestésico; também por africanos e asiáticos para aliviar tosses, dores de cabeça e cólica menstruais. Alguns pesquisadores afirmam que ela é eficiente em casos de anorexia, glaucoma, enxaqueca, hipertensão, asma e ataques cardíacos. Utilizada também pela medicina Ayurveda
Segundo o pesquisador Rowan Robinson, uma antiga história relata que Shiva brigou com sua família e se afastou nos campos, e devido ao sol intenso, foi abrigar-se debaixo de uma planta alta de cânhamo, e come alguma de suas folhas, e ela o revigorou tanto, que ele a adotou como alimento preferido, tornando-se conhecido como o " Senhor do Bangue . O Bangue era históricamente associado a Kali, aspecto feminino de Shiva.
No budismo mahaiana, prossegue Rowan, reza uma lenda que Buda viveu de uma semente de cannabis por dia durante seis anos de disciplina, antes da sua iluminação. Os budistas tântricos do Himalaia, usam cannabis ritualmente para aprofundar sua meditação e elevar a consciência.
Há traços de sua utilizãção ritual nas mais diferentes crenças, no taoísmo chines, judaísmo, em tradições japonesas, no movimento rastafari, e em diversas práticas xamânicas.
A cannabis sativa é uma Planta da Lua. É bom entender o ensino que a lua nos dá, também através de suas plantas. A Lua reflete o brilho do Sol, porém tem uma parte da lua que o sol não Ilumina, que alguns podem chamar de Lua Negra, ou Lilith. Eu prefiro chamar de sombra.A luz do xamanismo ensina que quando lida-se com uma planta da lua, é preciso saber o que é a sombra da planta, já que a luz é evidente. Por exemplo a dependência é uma parte sombria, que pode ser provocada pelo uso sem consciência de qualquer planta. A luz de uma Planta da Lua é evidente quando consumida como um sacramento, como um poder de Deus atuante através do Reino Vegetal, refletido pela força da lua, que pode trazer conforto, introspecção, expansão da consciência, concentração. Isso é para todas as Plantas da Lua. A energia é da donzela, da rainha e da anciã . Da mãe.
O Dr. Andrew Weil , bacharel em biologia pelo Harvard College e formado em medicina pela Harvard School, fez várias experiências controladas com canabis em seres humanos. Para fazer seu trabalho também viajou muito pela América do Norte, América do Sul, África, para estudar a medicina indígena, plantas psicoativas , e estados alterados de consciência. O Dr Weil serviu como "Research Associate" em Etnofarmacologia do Museu Botânico, Universidade de Harvard, pesquisando plantas medicinais e psicoativas. Também foi Presidente do Instituto de Pesquisas de Plantas Benéficas, em Sausalito, Califórnia, instituição sem fins lucrativos, educacional e científica, dedicada à investigação do uso de plantas para melhorar a vida humana. Atualmente é conferencista da Divisão de Perspectivas Sociais da Medicina, no Colégio de Medicina da Universidade do Arizona. Também é Conselheiro de Bem-Estar no "Canyon Ranch Spa, em Tucson, Arizona, onde oferece aconselhamento individual sobre medicina preventiva e alternativa, cuidados pessoais em medicina, e vícios. Trabalhou também no Instituto de Saúde Mental em Washington, serviu o exército no serviço de Saúde Pública, estudou na reserva índia dos Dakotas do Sul e escreveu o livro editado aqui no Brasil pela Ed. Ground " Drogas e Estados Superiores de Consciência e outros.
Dado o currículo, sinto que não se trata de um curioso, ou alguém que tem uma "idéia fixa" tanto para a repressão como para a liberalização. Os resultados do trabalho do Dr. Weil foram publicados em importantes jornais científicos, e muitos de seus textos chegaram a ser publicados em cobertura de primeira página do New York Times. Veja alguns de seus depoimentos :
As conclusões que cheguei eram sensatas, mas não apoiavam a visão da droga (maconha), como uma ameaça direta à saúde mental. É muito menos ameaçadora do que o álcool. Publiquei minhas descobertas na crença ingênua de que uma informação honesta sobre o assunto ajudaria a resolver o acre debate que estava destruindo famílias e cidades. Pela primeira vez na minha vida descobri que dizer a verdade poderia me deixar em dificuldades. Meus empregadores não queriam que o povo soubesse o que eu tinha descoberto sobre a maconha, e ressentiam-se de toda a atenção que a obra que publiquei continua a merecer.
Ao fim da primeira metade do que deveria ser um breve período de dois anos como funcionário público federal e oficial comissionado, minha vida profissional em Washington se tornara intolerável. Fui rotulado como rebelde e elemento perturbador, fui proibido de fazer qualquer trabalho relacionado com a maconha ou outras drogas, e recebi ordem para trabalhar no hospital federal do vício em Lexington, Kentucky, na enfermaria de viciados em heroína. Recusei-me a ir. Eventualmente, demiti-me e foi-me negado crédito militar pelo ano que servi. Requeri dispensa por objeção de consciência, mas declarei que não faria qualquer serviço alternativo para um sistema que para mim parecia comprometido com a desonestidade.
Meu primeiro ato como ex-funcionário do governo dos EUA foi ir para uma reserva índia de Dakota do Sul para estudar com um curandeiro Sioux. Queria aprender com ele sobre ervas medicinais e maneiras de alterar a consciência .
Ninguém em 1971 previa a epidemia de uso de cocaína que agora prevalece, por exemplo, ou entendia o vício do cigarro como o mais difícil de vencer e o nosso mais sério problema de saúde pública. Poucas pessoas acreditavam que os tratamentos médicos alternativos se tornariam populares como agora, ou que o estudo científico das interações corpo-mente se tornariam respeitáveis. Ninguém sabia das endorfinas, as moléculas semelhantes à morfina que são produzidas em todo o cérebro humano, que servem como o nosso narcótico interno.
Ao longo desses anos receei muitos comentários de leitores de meus livros. Mais freqüentemente, os leitores me dizem que o livro exprime idéias que eles mesmos tiveram e os fez se sentirem melhor consigo mesmos, especificamente sobre seu interesse em experimentar outras formas de consciência, que aprenderam considerar como anormal ou insalubre. Estes comentários revelam a carga imposta às pessoas por nossa cultura em seu fracasso de chegar a termos com a necessidade humana de variações da experiência consciente.
A raiz do problema da droga é o fracasso de nossa cultura em satisfazer uma necessidade humana básica. Uma vez que reconheçamos a importância e o valor de outros estados de consciência, podemos começar a ensinar as pessoas, particularmente os jovens, como satisfazer suas necessidades sem drogas. Acredito que não podemos conhecer a realidade diretamente através da atividade intelectual. Ao invés, construímos modelos ou paradigmas da realidade através dos quais interpretamos e derivamos sentido de nossa experiência. Fala-se muito em nossos dias de "deslocamento de paradigmas e conflitos entre proponentes de modelos alternativos em muitos campos da atividade humana, da Física à Medicina, até as ciências sociais.
Mais informações :
Entrevistado http://drauziovarella.ig.com.br/entrevistas/maconha.asp é médico psicofarmacologista e trabalha no CEBRID, Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas, e é professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.
A maior parte das divulgações de pesquisas feitas até hoje, foi com criminosos. Ela circula na ilegalidade. Até agora, pouco se divulgou a respeito de milhares de pessoas que a utilizam para fins relaxantes, espirituais, meditação, recreação, etc. Até porque existe medo na pesquisa. Já ouvimos até dizer: Fumei, mas não traguei !
Segundo o Relatório Mundial de Drogas 2006 do Unodc - Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime O relatório revelou que a maconha foi utilizada por um número estimado de 162 milhões de pessoas ao menos uma vez em 2004, ou aproximadamente um quarto da população mundial com idades entre 15 e 64 anos. O documentou ressaltou ainda que o consumo continua aumentando.
Já há estudos desenvolvidos, como os do antropólogo Edward MacRae junto a grupos de indivíduos das camadas médias urbanas formalmente integradas à sociedade, que demonstram, que entre os milhares de usuários , há os que não são vagabundos e nem excluídos da sociedade. São pessoas comuns, que ajudam o próximo e não fazem mal a quem quer que seja. Você que está lendo deve conhecer algum. A grande polêmica é se um usuário precisa de ajuda e tratamento ou ser punido com prisão.
Foi pesquisado que entre os que usam, tem de tudo, tem um mundo. Milhares de usuários são trabalhadores, têm suas famílias, são responsáveis, pagam impostos, etc. Entre os usuários há Professores, terapeutas, médicos, advogados, policiais, executivos de empresas, esportistas, intelectuais, políticos, artistas, psicólogos, psiquiatras, e vai !
O maior problema da planta é o tráfico, que financia a criminalidade, o terrorismo. Que movimenta fortunas, aproxima os criminosos e drogas químicas, principalmente dos jovens que buscam, na verdade, estados diferentes de consciência. Há tempos atrás, a sociedade fazia dessas pessoas: criminosas. Acabavam sendo criminosos pois burlavam a lei assim como os criminosos que representam perigo para a sociedade. Tudo no mesmo mesmo saco !
Sabe-se que o trafico existe quando há proibição. Quanto mais aumentam os mecanismos de repressão, mais o tráfico se especializa e cresce. Foi esse o grande exemplo da lei seca americana. Temo que um dia o tráfico se sofistique tanto, se equipe tanto, que tome conta da situação. Os países investem fortunas combatendo o tráfico, estimulados pela lei proibicionista que nega o livre-arbítrio, quando poderiam investir esses valores em educação, saúde e para promover a paz.
A nova lei que chega ao Brasil , é um avanço na direção dos direitos humanos, tornando-a um caso de saúde e separando-a do tráfico. A Comissão Internacional de Controle de Narcóticos (INCB, na sigla em inglês) da ONU elogiou em seu relatório anual divulgado nesta quarta-feira, a iniciativa do sistema judicial brasileiro de se concentrar no combate aos traficantes de drogas e adotar penas alternativas para os usuários.
Toda a situação demonstra ainda faltar mais estudos, mais pesquisas, e principalmente mais consciência. Para ter "consciência" é preciso que primeiramente se tenha "ciência", pesquisando, comparando, deixar de lado preconceitos e paixões, e a sociedade ter a coragem de enfrentar paradigmas, fazendo realmente um estudo fitoquímico e psicológico para ver a verdade e não para satisfazer um ponto de vista. Mostrar os prós e os contras para que possamos orientar melhor nossos jovens.
Os aspectos científicos cabem à ciência. Os sociais a Lei, e o que é de César...para César. Não venho aqui iniciar qualquer tipo de movimento, trago abaixo informações que todo o pesquisador de plantas conhece. Quero ressaltar que sou um combatente dos vícios (sejam de substâncias, plantas, comidas,medicamentos, trabalho, esportes, jogos, bebidas, religião, pessoas). Meu interesse com as plantas é espiritual, como todo o estudioso de xamanismo que se preza e não envolve vícios. Aprendí que as coisas de Deus não viciam, O vício não é uma coisa de Deus. Deus é liberdade ! Não concordo porém, com a atitude de "satanizar" plantas. Aprendemos no xamanismo que as plantas são obras de Deus, não podem nunca ser confundidas com drogas. Deus não faz drogas. A droga é uma criação humana. Deus criou um jardim de mistérios e maravilhas na sua infinita sabedoria. Que direito tem o homem de destruir uma espécie da Criação ? E que a Verdade Divina prevaleça.
A Canabis Sativa é original da Ásia, da qual também é extraído o haxixe e o kif. A planta é também citada no Velho Testamento, cantada e louvada por Salomão, que a chamava de kálamo (cânhamo) . No Brasil era utilizada pelos escravos africanos que conheciam suas propriedades. Sabe-se que ela é de uso de muitas tribos por lá, mas principalmente os pigmeus e zulus povos de Angola, Moçambique, Congo, etc., que a utilizavam ritualisticamente como uma "planta sagrada".
Sabe-se que os indios brasileiros também usam, principalmente na região de Maranhão e Sergipe. Vamos a algumas possibilidades : os Tenetehara (os mais famosos no uso), Saterê-Mawé, Guajajara, Tukano, Macu, Tucuna, Mura.......Era muito difundida entre negros e caboclos que a chamavam também de : fumo-de-caboclo
Era utilizada para fins terapêuticos na China, como anestésico; também por africanos e asiáticos para aliviar tosses, dores de cabeça e cólica menstruais. Alguns pesquisadores afirmam que ela é eficiente em casos de anorexia, glaucoma, enxaqueca, hipertensão, asma e ataques cardíacos. Utilizada também pela medicina Ayurveda
Segundo o pesquisador Rowan Robinson, uma antiga história relata que Shiva brigou com sua família e se afastou nos campos, e devido ao sol intenso, foi abrigar-se debaixo de uma planta alta de cânhamo, e come alguma de suas folhas, e ela o revigorou tanto, que ele a adotou como alimento preferido, tornando-se conhecido como o " Senhor do Bangue . O Bangue era históricamente associado a Kali, aspecto feminino de Shiva.
No budismo mahaiana, prossegue Rowan, reza uma lenda que Buda viveu de uma semente de cannabis por dia durante seis anos de disciplina, antes da sua iluminação. Os budistas tântricos do Himalaia, usam cannabis ritualmente para aprofundar sua meditação e elevar a consciência.
Há traços de sua utilizãção ritual nas mais diferentes crenças, no taoísmo chines, judaísmo, em tradições japonesas, no movimento rastafari, e em diversas práticas xamânicas.
A cannabis sativa é uma Planta da Lua. É bom entender o ensino que a lua nos dá, também através de suas plantas. A Lua reflete o brilho do Sol, porém tem uma parte da lua que o sol não Ilumina, que alguns podem chamar de Lua Negra, ou Lilith. Eu prefiro chamar de sombra.A luz do xamanismo ensina que quando lida-se com uma planta da lua, é preciso saber o que é a sombra da planta, já que a luz é evidente. Por exemplo a dependência é uma parte sombria, que pode ser provocada pelo uso sem consciência de qualquer planta. A luz de uma Planta da Lua é evidente quando consumida como um sacramento, como um poder de Deus atuante através do Reino Vegetal, refletido pela força da lua, que pode trazer conforto, introspecção, expansão da consciência, concentração. Isso é para todas as Plantas da Lua. A energia é da donzela, da rainha e da anciã . Da mãe.
O Dr. Andrew Weil , bacharel em biologia pelo Harvard College e formado em medicina pela Harvard School, fez várias experiências controladas com canabis em seres humanos. Para fazer seu trabalho também viajou muito pela América do Norte, América do Sul, África, para estudar a medicina indígena, plantas psicoativas , e estados alterados de consciência. O Dr Weil serviu como "Research Associate" em Etnofarmacologia do Museu Botânico, Universidade de Harvard, pesquisando plantas medicinais e psicoativas. Também foi Presidente do Instituto de Pesquisas de Plantas Benéficas, em Sausalito, Califórnia, instituição sem fins lucrativos, educacional e científica, dedicada à investigação do uso de plantas para melhorar a vida humana. Atualmente é conferencista da Divisão de Perspectivas Sociais da Medicina, no Colégio de Medicina da Universidade do Arizona. Também é Conselheiro de Bem-Estar no "Canyon Ranch Spa, em Tucson, Arizona, onde oferece aconselhamento individual sobre medicina preventiva e alternativa, cuidados pessoais em medicina, e vícios. Trabalhou também no Instituto de Saúde Mental em Washington, serviu o exército no serviço de Saúde Pública, estudou na reserva índia dos Dakotas do Sul e escreveu o livro editado aqui no Brasil pela Ed. Ground " Drogas e Estados Superiores de Consciência e outros.
Dado o currículo, sinto que não se trata de um curioso, ou alguém que tem uma "idéia fixa" tanto para a repressão como para a liberalização. Os resultados do trabalho do Dr. Weil foram publicados em importantes jornais científicos, e muitos de seus textos chegaram a ser publicados em cobertura de primeira página do New York Times. Veja alguns de seus depoimentos :
As conclusões que cheguei eram sensatas, mas não apoiavam a visão da droga (maconha), como uma ameaça direta à saúde mental. É muito menos ameaçadora do que o álcool. Publiquei minhas descobertas na crença ingênua de que uma informação honesta sobre o assunto ajudaria a resolver o acre debate que estava destruindo famílias e cidades. Pela primeira vez na minha vida descobri que dizer a verdade poderia me deixar em dificuldades. Meus empregadores não queriam que o povo soubesse o que eu tinha descoberto sobre a maconha, e ressentiam-se de toda a atenção que a obra que publiquei continua a merecer.
Ao fim da primeira metade do que deveria ser um breve período de dois anos como funcionário público federal e oficial comissionado, minha vida profissional em Washington se tornara intolerável. Fui rotulado como rebelde e elemento perturbador, fui proibido de fazer qualquer trabalho relacionado com a maconha ou outras drogas, e recebi ordem para trabalhar no hospital federal do vício em Lexington, Kentucky, na enfermaria de viciados em heroína. Recusei-me a ir. Eventualmente, demiti-me e foi-me negado crédito militar pelo ano que servi. Requeri dispensa por objeção de consciência, mas declarei que não faria qualquer serviço alternativo para um sistema que para mim parecia comprometido com a desonestidade.
Meu primeiro ato como ex-funcionário do governo dos EUA foi ir para uma reserva índia de Dakota do Sul para estudar com um curandeiro Sioux. Queria aprender com ele sobre ervas medicinais e maneiras de alterar a consciência .
Ninguém em 1971 previa a epidemia de uso de cocaína que agora prevalece, por exemplo, ou entendia o vício do cigarro como o mais difícil de vencer e o nosso mais sério problema de saúde pública. Poucas pessoas acreditavam que os tratamentos médicos alternativos se tornariam populares como agora, ou que o estudo científico das interações corpo-mente se tornariam respeitáveis. Ninguém sabia das endorfinas, as moléculas semelhantes à morfina que são produzidas em todo o cérebro humano, que servem como o nosso narcótico interno.
Ao longo desses anos receei muitos comentários de leitores de meus livros. Mais freqüentemente, os leitores me dizem que o livro exprime idéias que eles mesmos tiveram e os fez se sentirem melhor consigo mesmos, especificamente sobre seu interesse em experimentar outras formas de consciência, que aprenderam considerar como anormal ou insalubre. Estes comentários revelam a carga imposta às pessoas por nossa cultura em seu fracasso de chegar a termos com a necessidade humana de variações da experiência consciente.
A raiz do problema da droga é o fracasso de nossa cultura em satisfazer uma necessidade humana básica. Uma vez que reconheçamos a importância e o valor de outros estados de consciência, podemos começar a ensinar as pessoas, particularmente os jovens, como satisfazer suas necessidades sem drogas. Acredito que não podemos conhecer a realidade diretamente através da atividade intelectual. Ao invés, construímos modelos ou paradigmas da realidade através dos quais interpretamos e derivamos sentido de nossa experiência. Fala-se muito em nossos dias de "deslocamento de paradigmas e conflitos entre proponentes de modelos alternativos em muitos campos da atividade humana, da Física à Medicina, até as ciências sociais.
Os modelos alternativos não estão nem certos nem errados, são apenas mais úteis ou menos úteis para operarmos bem no mundo e descobrir mais e melhores opções para resolver problemas.
Mais informações :
Entrevistado http://drauziovarella.ig.com.br/entrevistas/maconha.asp é médico psicofarmacologista e trabalha no CEBRID, Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas, e é professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
domingo, 31 de agosto de 2008
Pesquisador diz que Jesus usou maconha em milagres
Pesquisador diz que Jesus
usou maconha em milagres
Um estudo publicado esta semana pela revista High Times, especializada em divulgar fatos relativos ao uso da maconha lança a tese de que muitos dos milagres de Jesus Cristo foram feitos usando uma mistura à base de maconha. De acordo com o professor de mitologia clássica da Universidade de Boston Carl Ruck, responsável pelo estudo, Cristo e seus apóstolos teriam usado um óleo feito com a planta para curar doentes.
A rede britânica BBC, que veiculou a informação, identifica a mistura de maconha usada por Cristo como o kaneh-bosem, extrato usado para curar enfermidades físicas e mentais. Os cientistas, que encontraram nas escrituras sagradas referências à utilização do kaneh-bosem, dizem que ao contrário de hoje, as propriedades medicinais da Cannabis sativa eram utilizadas por absorção através da pele.
Além dos pesquisadores norte-americanos, diversos estudiosos lingüistas já haviam identificado a maconha como o ingrediente principal do óleo referido na Bíblia. Os doentes eram mergulhados na essência, que curava epilepsia, problemas na pele, nos olhos, ou até mesmo menstruais.
O estudo em nenhum momento coloca em dúvida os milagres de Jesus Cristo. A fé não é dissociada da cura pelos cientistas, que buscaram descobrir se a Igreja Católica, em seus primeiros anos, utilizou substâncias medicinais para curar enfermidades.
Redação Terra
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Surfando o caos - Timothy Leary
Surfando o caos.
Conheça a história de Timothy Leary, psicólogo e guru de John Lennon, cujos momentos finais foram acompanhados por Claudio Tognolli
Conheça a história de Timothy Leary, psicólogo e guru de John Lennon, cujos momentos finais foram acompanhados por Claudio Tognolli

Fonte - Revista Galileu - http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG84047-7833-204,00-SURFANDO+O+CAOS.html
"Viver é surfar o caos. Você não pode modificá-lo, mas pode aprender a lidar com ele surfando seus limites. Tem mais, meu caro: ninguém é realmente místico por mais de cinco minutos. Não está contente ainda? Te digo uma coisa que aprendi na minha vida, aprendi muito profundamente: toda a realidade que nos cerca não passa de uma opinião".
Foi o que ouvi de Leary em seu leito de morte. Ele havia sido meu co-orientador de mestrado, um estudo sobre como os clichês de linguagem se formam na consciência. A amizade foi travada após uma reportagem, em 1989, sobre o "boom" do consumo de LSD em São Paulo, em 1989. Eu ajudei a trazê-lo para o Brasil, em 1991, para uma série de palestras. Daí, ficamos amigos.
Estive com Leary em seus últimos dias, em seu leito de morte, na casa de Sunset Boulevard, em Beverly Hills, Los Angeles. Leary morreu a 31 de maio de 1996, aos 76 anos de idade, de câncer na próstata. Necessitou de gente famosa do cinema para limpar-lhe as fraldas geriátricas, coisa que nenhuma enfermeira queria fazer. Teve obras de pop art raras e valiosas pilhadas de sua casa em quanto definhava. Jovens na flor da adolescência levavam-lhe drogas a granel, para que suportasse as dores do câncer --tantas e tamanhas, refere o livro, que em seus últimos dias, Leary sugava óxido nitroso (gás hilariante) direto do bocal do cilindro disposto ao lado de sua cama, para atenuar-lhe as pontadas.
Timothy Leary, Phd expulso de Harvard por seu evangelho irascível, hedonista e irresponsável para as padrões da clerezia acadêmica, nivelou seu destino com as figuras mais importantes do mundo cultural. Foi amigo de toda a geração beat, travou debates intransitivos com gente como Aldous Huxley, virou refrão de músicas dos Moody Blues e do The Who. Concorreu com Ronald Reagan ao governo da Califórnia, nos anos 60, e sua campanha teve um jingle composto por John Lennon – que, jamais empregado por Leary, acabou virando a faixa dos Beatles Come Together.
Queria saber de mim, entre sugadas de óxido nitroso, como andava sua ex-mulher, Bárbara, que o trocou pelo socialite paulista Kim Esteve. "Diga a Bárbara que eu a amo. Ela jamais poderia suportar uma coisa assim", disse-me Leary, levantando sua camisola para mostrar as chagas deixadas na pele pelo tumor que o estiolava.
Ao lado de porções, também, de Gene Rodenberry, criador da série Star Trek, pedacinhos de poeira de Timothy Francis Leary passam sobre as nossas cabeças a cada 96 minutos, desde abril de 1997. O avô da contracultura, guru de John Lennon e dos Beatles, pai da lisergia e apóstolo do evangelho da irresponsabilidade, sonhava pela remissão de seus restos mortais ao espaço. Junto com pó de ouro. Assim se fez. Daqui a alguns anos, a gravidade irá puxá-lo de volta. Seu pó se transformará em nada, consumido pela chama do impacto contra atmosfera.
Leary nasceu a 22 de outubro de 1920 na terra justamente dos Simpsons: Springfield, Massachusetts. Graduou-se em psicologia pela Universidade do Alabama, em 1943. Três anos depois, virava mestre pela Washington State University e, em 1950, ganhava o status de Ph.D. pela Universidade da Califórnia, Berkeley. Foi diretor de pesquisas psiquiátricas da Fundação Kaiser, entre 1955-58 e professor de Harvard entre 1959-1963. De Harvard foi expulso por pregar o uso de drogas psicodélicas.
No auge de sua fama, em 1967, Leary disparou sua frase mais polêmica. Para manter tradição de seu caráter irascível, a frase era contra ele mesmo: "Todas as chances são de que eu esteja errado no que faço, porque, como profeta visionário, vocês sabem, sou daquela turma em que um a cada cem está certo, e os outros 99 são absolutamente malucos. Estas são as chances neste jogo, mas a história irá dizer a verdade".
Seu slogan, "ligue-se, sintonize-se e caia fora", um dos mantras dos anos 60, é o código de comportamento de sua filosofia: afinal, o evangelho da irresponsabilidade prevê que cada um mergulhe dentro de si para encontrar as suas próprias respostas. É claro que, por acreditar que tais viagens interiores deveriam ser feitas com o uso de drogas psicodélicas, Leary pagou um preço alto: foi condenado a 30 anos de cadeia, passou cinco anos na prisão (inclusive ao lado de Richard Manson, assassino da mulher do cineasta Roman Polanski, a atriz Sharon Tate) e a CIA o capturou no Afeganistão.
A idéia de que o consumo de drogas psicodélicas, ainda que sob supervisão, pudesse ajudar indivíduos adultos e responsáveis em seu "crescimento espiritual" atraiu muita gente para o entorno de Leary. Muito antes disso, nos anos 50, ele já havia se casado com Nena, mãe da atriz Uma Thurman e frequentava o creme de la creme do pensamento psiquiátrico mundial. Certamente porque era um cara brilhante e cativante.
Os problemas de Leary com a lei começaram em 20 de dezembro de 1965, quando foi preso na fronteira dos EUA com o México por posse de maconha. Recebeu 30 anos de cadeia, mas pôde apelar. A 26 de dezembro de 1968 outra prisão, também por posse de maconha. Em 1969 anunciou que iria concorrer ao cargo de governador da Califórnia, tentando bater ninguém menos que Ronald Reagan. Seu lema de campanha era "Come Together, Join the Party". Em maio de 1969 juntou-se a Yoko Ono e John Lennon no famoso ato pela paz em Montreal, o Bed-In, e foi dali que Lennon tirou a idéia de compor Come Together para a campanha de Leary. Em janeiro de 1970 Leary recebeu sentença de dez anos de cadeia. Escapou, foi para a Argélia, esteve entre os Black Panthers. Fugiu para a Suíça. Dali para Viena, Beirute e Afeganistão, onde foi preso pela CIA. Só conseguiu sair da cadeia em abril de 1976, libertado pelo governador da Califórnia Jerry Brown, depois que o escândalo do Watergate, que chacoalhou a elite republicana e derrubou o presidente Nixon, tirou as autoridades republicanas da bota de Leary.
O movimento de Leary fechou um ciclo que começava nos filósofos pré-socráticos, como Pirro, Zenão de Eléia e Protágoras, para quem, de resto, "só o homem é a medida de todas as coisas, das que são o que são e das que são o que não são". O mesmo pensamento pré-socrático esteve presente, no começo do século 20, na filosofia científica que pautava a mecânica e a física quânticas: afinal de contas, dizia o físico dinamarquês Niels Bohr, quando você vai medir a temperatura da água fervente numa chaleira, a própria temperatura do termômetro (que está frio) já altera a temperatura da água (quente) a ser analisada.
Juntando a filosofia pré-socrática, a mecânica quântica, o chamado Princípio da Incerteza defendido por Bohr, a psicanálise, o dadaísmo, o cubismo, e botando nisso pitadas e gotas de lisergia, Timothy Leary defendia que não há realidade objetiva. Não há instituições. Não há dogmas. Não há ortodoxia. Para ele, o mundo é o mundo de indivíduos dissidentes, que pensam por si próprios e questionam a autoridade a todo o momento. Viver, para Leary, é ser dissidente de tudo e de todos. Não há certezas para o indivíduo. Daí Leary ter confeccionado aquela que talvez seja a sua frase mais criativa: "Viver é surfar o caos. Você não pode modificar a realidade, mas pode surfá-la".
Verdade? O fato é que nem nisso Leary acreditava muito. Afinal de contas, passou a sua vida tentando modificar o mundo. "Levará pelo menos mais um século para se elevar Leary a seu verdadeiro status", disse o escritor William Burroughs, de resto um dos famosos que era amigão de Leary. "Ele foi uma das personalidades mais influentes do século 20. O que essa influência deixou como legado, no entanto, permanece a ser definido", avalia o escritor Robert Forte.
Tim Leary morreu a uma da manhã de 31 de maio de 1996, pouco depois de ter sido visitado por sua afilhada, a atriz Winona Ryder. Sua últimas palavras foram "Por que não???"Leary, de uns tempos para cá, vem sendo apontado como o real pai da Neurolinguística. Mas nem com isso concordaria. Afinal de contas, até com a disciplina que tanto estudou, a psicanálise, ele costumava lutar. "Escreva aí que entrei para a Sociedade dos Psicanalisados Anônimos", disse Leary a este repórter, pouco antes de morrer –numa fina ironia com as associações de alcoólatras anônimos.
A fama de Timothy Leary no mundo pop foi tamanha que John Lennon lhe compôs Come Together, para ser usada em sua campanha homônima ao governo da Califórnia, contra o ator republicano Ronald Reagan. Leary é citado num dos versos da música The Seeker, da banda inglesa The Who. O maior sucesso da banda The Moody Blues, "Legend of a mind", traz o nome de Leary no refrão. É citado nas canções "Manchester England" e The Flesh Failures/Let The Sunshine", do musical de maior sucesso dos anos 70: Hair. Nos anos 90, emprestou sua voz para um refrão da música Fixed, da banda Nine Inch Nails, e também para outro refrão, da canção Left Handshake, da banda Skinny Puppy. Leary foi padrinho da atriz Uma Thurman, com cuja mãe foi casado, e da atriz Wynona Ryder, cujo pai foi um dos arquivistas de Leary. Poetas famosos como Allen Ginsberg, Lawrence Ferlighetti, e escritores de primeiro time, como Aldoux Huxley e William Burroughs, eram amigos pessoais do guru da contracultura. Leary não só era muito citado em músicas como também suas palavras influenciavam o processo de criação das canções. Isso era publicamente admitido por artistas que referiam ter mudado seus estilos após tomarem LSD, o ácido-lisérgico. Como por exemplo: Bob Dylan, que admite ter largado parcialmente o folk após uma viagem, para compor Highway 61 Revisited; Brian Wilson, dos Beach Boys, diz que fez sua obra-prima, o disco Pet Sounds, após seguir os conselhos de Timthy Leary; os Beatles admitiam que jamais teriam composto Sergeant Peppers Lonely Hearts Club Band sem terem tido a influência do guru. -Bill Gates disse numa entrevista à Playboy, em dezembro de 1994, que tomou LSD e se deixou influenciar por Leary em seus anos de Harvard. Steve Jobs, co-fundador da Apple e da Pixar, revelou ao escritor John Markoff que ter seguido os conselhos de Leary foi uma das coisas mais importantes que aconteceu em sua vida.
A biografia de Timothy Leary escrita por John Higgs trás alguns dados bombásticos: como revelações de que Francis Crick, ganhador do Nobel, só percebeu a feição de dupla hélice do DNA após uma viagem lisérgica; o mesmo para Kary Mullis, que levou o Nobel de Química em 1993 por criar o sistema de detecção de DNA, em material ancestral, hoje conhecido como exame de PCR.
sábado, 26 de julho de 2008
Aprendiz de feiticeiro - Entrevista com Fauzi Arap sobre Experiências com LSD - Revista - Isto É.
Aprendiz de feiticeiro
O diretor teatral e escritor Fauzi Arap conta como experiências com LSD e estudos de Jung e de astrologia o ajudaram a chegar mais perto de Deus
MARTA GÓES
Não é comum que o mesmo diretor seja capaz de encenar um show de Maria Bethânia tão bem quanto um drama de Plínio Marcos (Navalha na carne) ou uma comédia de Juca de Oliveira (Caixa 2). E que esse diretor tenha começado a vida estudando Engenharia na Escola Politécnica da USP o torna um tipo ainda mais intrigante. Mas isso é apenas uma parte da história de Fauzi Arap, 60 anos, ex-ator, diretor teatral, dramaturgo, estudioso de astrologia e escritor. Em busca de autoconhecimento, Fauzi, que se define como um aprendiz, viveu experiências com LSD, nos anos 60, estudou Jung obsessivamente e trabalhou com a psiquiatra Nise da Silveira. Embora contemporânea da geração flower power, essa história, contada no livro Mare nostrum (Editora Senac, 265 págs., R$ 28) não é um exemplo do desbunde da época – descreve, em vez disso, um caminho angustiado, místico e profundamente responsável. O LSD saiu de sua vida quando Fauzi quis dar o exemplo a pessoas desestruturadas pelo uso deslumbrado da droga e tentavam aprisioná-lo no papel de guru. Para desgosto dos espectadores que o viram representar nos anos 60, em peças como Pequenos burgueses, de Gorki, Fogo frio, de Benedito Ruy Barbosa, e O inspetor geral, de Gogol, ele deixou para sempre o palco, por não querer ficar reduzido à imagem do ator famoso. O teatro e a astrologia são hoje suas ferramentas. "Conhecer o seu lugar no universo é chegar mais perto de Deus", diz.
ISTOÉ – Como você classifica seu livro?
Fauzi Arap – Inicialmente, pensava em só autorizar a publicação depois da minha morte. Mas quando dirigi A quarta estação, há quatro anos, o Juca (de Oliveira) descobriu que eu escrevia à máquina e me obrigou a escrever no computador. Então comecei a passar o livro a limpo, e achei que estava bom, que estava claro, que podia ser útil a outras pessoas. Menos até àquelas que passaram pelas experiências da contracultura e das drogas nos anos 60 e 70 e mais a quem nunca ouviu falar nisso. Acho que meu livro talvez seja um testemunho de fé.
ISTOÉ – Fé em quê?
Fauzi Arap – Na capacidade do homem de desenvolver a sua espiritualidade, encontrar seu lugar no universo. Para algumas correntes do espiritualismo como a teosofia, criada pela escritora russa Helena Petrovna Blavatsky (1831-91), por exemplo, o mundo seria originalmente um campo energético que se poderia chamar de Deus e o homem seria uma alegoria incorpórea de uma raça. A expulsão do paraíso seria uma necessária condenação à materialidade. A meta de Deus seria que o homem voltasse a conquistar, pela autoconsciência, a sua espiritualidade e a sua integração com o universo. Para os teosóficos, nós estaríamos vivendo um pico de materialismo e prestes a retomar uma ascensão.
ISTOÉ – Qual a sua afinidade com a Nova Era?
Fauzi Arap – Tem muita coisa interessante, talvez ela represente os primeiro passos, a preparação para um salto de consciência grupal, aquariano. Mas talvez pelo meu caminho ter passado pela psicanálise e ter sido tortuoso, nem sempre consigo me sentir identificado... Eu não consigo ser tão puro. Alguns caminhos que vivi não me permitem ser tão inocente.
ISTOÉ – Qual a sua afinidade com Paulo Coelho?
Fauzi Arap – Eu não tenho lido Paulo Coelho, mas me sinto amigo dele. Quando dei aula de teatro no Rio de Janeiro, em 1965, nós tínhamos muitos amigos comuns. Foi ele, aliás, quem batizou a minha peça Pano de boca. Em 1975, a Hildegard Angel, que era atriz, pretendia produzir minha peça. Eu tinha uns 12 títulos e estava indeciso. Ele escolheu para mim. Eu acompanhei com interesse todo o seu trabalho ao lado do Raul Seixas, e escolhi uma de suas músicas, Gita, para que Bethânia cantasse e faz sucesso até hoje. Li alguma coisa do Alleister Crowley, que era o guru dos dois, Raul e Paulo, à época da sociedade alternativa. Mas depois de algumas experiências que os assustaram, parece que o Paulo voltou ao catolicismo. Não tenho uma plena empatia com sua literatura, mas eu me identifico com o que ele prega e acredito piamente em sua integridade.
ISTOÉ – Pode-se dizer que você possui uma sensibilidade especial?
Fauzi Arap – Eu não nasci bem conectado ao corpo. Desde menino eu tinha uma espécie de consciência meio separada. Às vezes, jogando pingue-pongue, eu saía da competição e me via jogando. Depois vim a saber que a repetição é uma das técnicas da meditação para atingir outros estados de consciência.
ISTOÉ – Sobre seu livro, a atriz Myriam Muniz resumiu, brincando: "Você tomou ácido e encontrou Deus. Também quero." Isso é verdade?
Fauzi Arap – É uma simplificação, claro. Deus sempre está lá para todo mundo, até para os desatentos. Aprendi que encontrá-lo é só uma questão de chamar corretamente. Pode ser pela oração, pode ser pela meditação, pelo que você preferir. Ele atende por todos os nomes
ISTOÉ – Você pode ser definido como um iniciado?
Fauzi Arap – Eu não passo de um aprendiz. O universo tem seus arquivos, que são chamados de akasha, pelos hindus, e de insconsciente coletivo, por Jung. E para consultá-los você tem que se habilitar para isso, preparar-se. No meu caso, tive alguns contatos esporádicos, facilitados quimicamente pelo LSD. Houve um momento, nos anos 60, em que eu estudava Jung adoidado, tomava ácido e refletia muito e, sobretudo, tentava ajudar os pacientes da Casa das Palmeiras, criada pela psiquiatra Nise da Silveira, no Rio. Naquele período, tenho a impressão que me deixaram dar uma espiadinha.
ISTOÉ – E você sempre acreditou na existência de Deus?
Fauzi Arap – A certa altura, eu não sabia mais. Embora na infância eu fosse religioso e embora a educação religiosa fosse uma coisa horrorosa, que ameaçava com o inferno o menino que apenas ouvisse um palavrão, mesmo assim eu tentava me enquadrar. Quando eu entrei na faculdade, na época em que Sartre veio ao Brasil, como toda a minha geração, eu aderi ao pensamento marxista, procurava ver tudo só pela dimensão política e econômica. Mas o marxismo até que serviu para me limpar dos resíduos daquela educação religiosa opressiva.
ISTOÉ – E aí alguém lhe falou sobre o ácido lisérgico...
Fauzi Arap – Como eu conto no livro, uma amiga atriz me levou a um psiquiatra que trabalhava com ácido no consultório. Eu estava em busca de me conhecer, de procurar o meu próprio centro. E isso tem tudo a ver com se aproximar de Deus, mas eu não sabia. Já da primeira vez, vivi uma espécie de êxtase, como se eu tivesse saído do meu corpo. Embora no começo eu tenha associado esse estado apenas ao fato de ter experimentado o ácido, depois pude me lembrar de que, como ator, em alguns exercícios teatrais dirigidos por (Augusto) Boal, quando eu conseguia me soltar completamente me vinha um bem-estar parecido.
ISTOÉ – O que é esse bem-estar?
Fauzi Arap – É uma espécie de êxtase, porque parece independer da sua responsabilidade e da sua vontade. E há um sentimento de que tudo está certo, não se duvida de nada nem se critica nada. Esses momentos não duram para sempre, os livros e os sábios nos ensinam, e acontecem poucas vezes na vida. Mas a memória deles permanece como uma referência que te guia e te alimenta. É impossível não sentir nostalgia desse sentimento de plenitude e o desejo de repeti-lo se parece com um vício.
ISTOÉ – De que maneira o teatro pôde lhe proporcionar tamanho êxtase?
Fauzi Arap – Quando comecei como ator eu era muito tímido e no Oficina eles eram meio reticentes a meu respeito. Nos laboratórios do Boal, eu descobri uma fonte de inspiração e uma estrutura que dava suporte à minha espontaneidade. Numa das peças, Fogo frio, do Benedito Ruy Barbosa, eu conseguia representar cada dia melhor, eu sentia um barato representando. Fui ficando tão afinado, tão pleno que assistia ao meu corpo fazer o gesto correto como se não fosse eu que estivesse fazendo. Passei do último para primeiro da classe. No momento de pico dessa experiência era como se minha consciência estivesse dois palmos acima da minha cabeça, assistindo à representação e por duas ou três vezes me senti fora do meu próprio corpo. Quando vivi com o ácido, esse mesmo estado de dualidade de consciência já era meu conhecido.
ISTOÉ – Então a interpretação também o fez encontrar Deus?
Fauzi Arap – Eu não pensava em Deus. Nós éramos marxistas. A gente estudava com o Boal as leis da dialética, comprávamos uma quantidade de livros que eu nem cheguei a ler, Lúkacs de capas lindas. Na verdade, o que esses estudos me deram foi um instrumento de penetração no texto, uma nova ferramenta de compreensão. Só mais tarde, com outras leituras sobre o espiritualismo, eu descobri que o método Stanislávsky (técnica de interpretação criado no começo do século pelo ator russo Constantin Stanislávsky), que era a base do método do Boal, é absolutamente análoga a muitas técnicas da ioga, como a concentração, a visualização. Talvez tenha sido por isso que minha entrega e dedicação plenas tenham resultado algumas vezes naquela sensação de sair do corpo.
ISTOÉ – E você enterrou para sempre o marxismo?
Fauzi Arap – Por muitos anos. Mas percebi que o espiritualismo mais alto recoloca a questão do marxismo ao afirmar que sozinho você não atinge a plenitude. Chegar sozinho ao êxtase é coisa da magia negra, em que você pode chegar ao nirvana, mas não ao infinito. A magia branca é absolutamente altruísta. Os verdadeiros magos são pessoas que agem esquecidas de si e compartilham tudo. Chegam a adiar a própria ascensão para primeiro ajudar aos outros. Esse é o verdadeiro sentido daquela frase "os últimos serão os primeiros".
ISTOÉ – Você conta em seu livro que ao ler Paixão segundo GH, de Clarice Lispector, teve uma prova de que não era louco. Que tipo de experiência você compartilhou com Clarice?
Fauzi Arap – Na época do show Rosa dos ventos, Clarice me levou a uma missa de páscoa Rosacruz que me descortinou um mundo. Era numa casinha modesta, com umas 20 ou 30 pessoas numa sala e os oficiantes. Quando começou, eu senti uma certa opressão, mas logo experimentei um intenso bem-estar. Era como se dali irradiasse algo como um ar-condicionado. Mas Clarice, pelo contrário, pingava de suor a ponto de termos de sair no meio. Eu acho que Clarice era um pouco vidente e ela confundia isso com loucura. Ela devia estar enxergando mais do que eu naquela cerimônia e não suportou a carga. Voltei muitas vezes lá. Para mim, era uma espécie de casa bem-assombrada.
ISTOÉ – Por que você interrompeu a experiência de autoconhecimento via LSD?
Fauzi Arap – Meu projeto, ao me mudar para o Rio, na época do Arena, era apenas estudar Jung e trabalhar com a Nise da Silveira. Mas como o primeiro show da Bethânia, Rosa dos ventos, estourou, eu fiquei muito em evidência e caí na armadilha de tentar ajudar as pessoas, de corresponder à expectativa delas de que eu fosse uma espécie de guia espiritual. Minha força eram justamente o isolamento e a reflexão que o LSD me propiciava e eu me deixei invadir pelos anseios dos outros. Assumi uma tarefa acima das minhas forças e fui ingênuo quanto às verdadeiras intenções das pessoas que me cercavam. Às vezes não era nada espiritual o que as fazia se aproximar de mim, era apenas a fantasia de que eu serviria de ponte para um trabalho no teatro ou alguma coisa assim. Olhando de hoje, vejo que eu me comportei como um super-herói.
ISTOÉ – E a gota d’água foi atribuírem a você o papel de vidente, que teria previsto o desastre com o avião de Leila Diniz...
Fauzi Arap – Eu tinha organizado uma reunião para tentar dar alguma referência àquelas pessoas que me procuravam e que estavam muito perdidas. Aí alguém me perguntou se era verdade que eu tinha tido um pressentimento sobre um desastre com o avião em que a Marília Pêra ia viajar nos dias seguintes. Naquele momento eu percebi o quanto tinha me desviado do meu caminho e que, se eu respondesse, nunca mais eu ficaria livre daquele papel de super-herói, e eu tive uma explosão. Foi uma explosão tão violenta e me fez tão mal que acho que nos últimos 20 anos eu não fiz nada além de me recuperar do trauma daquele momento.
ISTOÉ – E você se recuperou?
Fauzi Arap – Eu me reeduquei para caber no mundo como ele é. Mas também caí em outra armadilha, que foi me condenar a uma excessiva caretice, a ficar mais crítico e a duvidar de tudo. Eu parei o LSD para dar o exemplo. Também não fumei mais. E me reencontrei com a minha impaciência, com a minha exasperação. Eu tentei me aproximar de algumas fraternidades, de grupos que cultivam um trabalho espiritual, mas compreendi que sou diferente. As fraternidades são rígidas, fechadas. Descobri que dominando uma linguagem mais aberta, sendo artista, eu posso ser muito mais útil.
ISTOÉ – Hoje a arte é seu único caminho para o autoconhecimento?
Fauzi Arap – A astrologia me ofereceu um sistema que atende ao meu anseio de liberdade individual. É uma coisa que eu adoro. Eu sou uma pessoa original e preciso de um espaço individual. Eu era presa de chantagens, do medo de dizer não. Não sabia me proteger. A astrologia é um filtro para me proteger disso e um instrumento de aceitação mais plena do outro.
ISTOÉ – Hoje ainda lhe custa muito ser uma pessoa adaptada às regras da maioria?
Fauzi Arap – Começar a escrever e a dirigir foram maneiras de me adaptar ao mundo como ele é. E aprendi a não criticar superficialmente. Os testemunhas de Jeová, por exemplo, que pagam o dízimo. A gente não paga a sessão de análise para tentar se sentir bem? E análise é tão cara...É claro que pessoalmente eu prefiro o analista ou, sei lá, a ioga àquela aeróbica que passa na televisão, mas eu me digo: aeróbica é bom para um outro tipo de pessoa.
ISTOÉ – Você tem um notório horror a ser fotografado. Por que isso acontece?
Fauzi Arap – A luz forte sempre me incomodou e eu detesto me sentir dirigido. Além do que meu ideal é não ser o garoto-propaganda de mim mesmo. Adoraria não ir ao Jô, não aparecer em revistas. Será uma estupidez da minha parte? As coisas, no caso o livro, deveriam ser verdade pelo que elas são, sem necessidade de você ficar falando. Eu sou um apaixonado por um tipo de anonimato, pelo não ser, para poder vivenciar o outro. Isso me dá grande prazer. Sinto mais desejo de sumir, de migrar para o interior de mim
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