Psicodélico

terça-feira, 21 de abril de 2009

Sálvia: droga milagrosa?


Muitos familiares e legisladores vêem a popular planta psicodélica Salvia divinorum como um perigo para a saúde pública. Mas a droga tem um grupo de fãs fora do comum: cientistas. Muitos investigadores consideram a planta uma potencial maravilha médica. Acreditam que estudos científicos rigorosos da sálvia podem levar a descobertas médicas importantes e a novos tratamentos para toxicodependência, depressão, câncro, e mesmo VIH (vírus da imunodeficiência humana).

Se os legisladores criminalizarem a sálvia a nível estatal ou federal (nos Estados Unidos), a proibição pode dificultar o estudo da sálvia antes do seu desenvolvimento, afirma o Dr. John Mendelson, um farmacologista. Com financiamento federal, Mendelson está a investigar o impacto da sálvia nos seres humanos, no centro de investigação médica do instituto California Pacific.

"A Salvinorina A é um composto único, diferente dos opiáceos e de outras substâncias alucinógenas”, afirma Mendelson. "Nunca vimos nada assim".

Mesmo há dez anos, os cientistas prestavam pouca atenção à sálvia. Isso mudou quando os investigadores isolaram o composto ativo da planta e descobriram que era um alucinógeno de curta duração extremamente poderoso, sem efeitos secundários conhecidos ou propriedades aditivas, afirma Mendelson.

Para além disso, a sálvia difere das outras substâncias psicoativas ao interagir com receptores específicos do cérebro que as outras drogas não afetam. Esta reação psicológica única torna a sálvia interessante para os investigadores.

Mendelson afirma que a pesquisa da sálvia poderá ajudar a desenvolver medicamentos que ativem receptores cerebrais específicos e bloqueiem a dor sem risco de dependência.

Outras propostas de investigadores médicos que procuram financiamento do instituto nacional de saúde americano (NIH) incluem o estudo da sálvia em relação à toxicodependência, ao VIH, às hepatites B e C, e à depressão.

Lê o artigo integral em Salvia.net.

sábado, 11 de abril de 2009

Tese sobre ayahuasca e arte disponível on line

Tese sobre ayahuasca e arte disponível on line

Extraído do site : http://www.bialabate.net/

”A Arte Visionária e a Ayahuasca: Representações das Espirais e Vórtices nos Estados Não Ordinários de Consciência (ENOC)”. Tese de Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas (DICH-UFSC), por José Eliezer Mikoz.

Veja no link: http://www.4shared.com/file/97235534/9c2fd908/versao_final.html

Resumo
Os Estados Não Ordinários de Consciência, ENOC, induzidos especialmente por alguns tipos específicos de agentes psicoativos, como a ayahuasca, propiciam visões, tratadas neste trabalho também como mirações. Nos estágios iniciais da experiência, essas mirações geralmente são formadas por padrões luminosos geométricos simétricos, ziguezagues, treliças, teias e espirais, entre outros. Em estágios mais avançados, essas imagens podem se transformar em objetos e cenários diversos, onde a influência cultural exercerá importante papel. Padrões visuais análogos encontram-se em obras artísticas, desde as pinturas rupestres pré-históricas, o que possibilita inferir que sua produção esteja, de algum modo, associada aos ENOC. Com efeito, esses mesmos padrões visuais são encontrados em obras indígenas e de artistas da atualidade que usam essa categoria de psicoativo.
As mirações dos ENOC são muitas vezes consideradas experiências de natureza espiritual ou mística, já que são sentidas como vivências genuínas de um “outro mundo”, vivências essas que só podem ser traduzidas para “este mundo” - o mundo objetivo, material, do dia-a-dia - de forma descritiva e simbólica. Dentre as diversas imagens que podem aparecer nas mirações, o presente trabalho visa investigar as espirais e os vórtices. Estuda alguns dos significados que costumam ser atribuídos a esses elementos, assim como algumas transformações e adaptações que eles podem passar, dependendo da cultura local. O presente trabalho busca, ainda, coligir alguns exemplos da presença das espirais e vórtices na natureza, na ciência e na história da arte, com o intuito de evidenciar a forte influência que essas imagens podem ter sobre a imaginação, o conhecimento e a produção artística.
Palavras-chave: Artes Visuais; Arte Visionária; Ayahuasca; Espirais; Vórtices; Estados Não Ordinários de Consciência (ENOC).

segunda-feira, 30 de março de 2009

Filme - A Inquisição Farmacrática

A Inquisição Farmacrática


Click no link para direcionar o site onde está hospedado o vídeo. Legendas em Português.

Relato sobre o vídeo realizado por Martin W. ball, Ph.D., autor e proprietário do Podcast Evolução Enteogênica

A Inquisição Farmacrática é um filme provocativo de Gnostic Media que argumenta que virtualmente toda a mitologia, simbolismo e a história de Jesus e das tradições Cristãs estão relacionadas a dois assuntos básicos: astrologia e xamanismo. Para aqueles não familiares com as evidências que apóiam esta declaração, este filme pode ser verdadeiramente revolucionário e abrir a mente.

Muito do material do filme está apoiado no trabalho de John Allegro. Allegro foi um dos acadêmicos originalmente escolhidos para traduzir os Pergaminhos do Mar Morto, escritos Católicos antigos, descobertos em Qumran próximo ao Mar Morto no meio do século 20. Diferentemente de seus colegas, Allegro não era comprometido com a Igreja Católica e portanto foi capaz de desenvolver suas próprias teorias e interpretações, livre do dogma Católico. O resultado foi a sugestão radical de que Jesus era um cogumelo psicoativo. Em particular, Allegro argumentou que a mitologia e o simbolismo que rodeiam Jesus Cristo apontam para o cogumelo Amanita muscaria, o icônico cogumelo vermelho e branco tão comum no simbolismo e imagens Cristãs.

O cogumelo Amanita tem papel central no filme e é apresentado como base dos elementos xamânicos no Cristianismo. Existe uma história longa de uso do Amanita entre xamãs do norte europeu e da Sibéria, as próprias culturas de onde se origina a palavra "xamã". Nestas culturas, xamanismo era sinônimo do uso do Amanita e o conhecimento de suas propriedades psicoativas eram bem conhecidos em toda esta região do mundo. Portanto a influência do uso xamânico do Amanita no Cristianismo não deveria necessariamente surpreender, mas o argumento de que Jesus é o Amanita, e não um personagem histórico, é provavelmente surpresa para muitos.

O filme faz uma argumentação convincente para esta conexão entre Jesus e o Amanita, e mesmo com os cogumelos psilocibe, através da apresentação do simbolismo Católico, iconografia e imagens. Quando se olha cuidadosamente para a Igreja Católica, o simbolismo do Amanita parece abundante, das roupas dos Papas e cardinais até afrescos, arcos de passagem e arquitetura de igrejas. Mesmo os mitos, como do Santo Graal, parecem cair na categoria de simbolismo do amanita. Realmente, quando as imagens são apresentadas desta maneira, a comparação com o amanita se torna imediatamente óbvia e difícil de desbancar.

Mesmo Papai Noel recebe o tratamento amanita neste filme. Aqui o elfo bom velhinho é apresentado no contexto do xamanismo do norte europeu, onde, de acordo com a tradição, o xamã secava seus amanitas em um pinheiro e depois visitava os yurts de sua comunidade, entrando pelo buraco para fumaça trazendo de presente para as pessoas cogumelos sagrados. Não é muito estender esta visão para perceber que estes xamãs que passeavam com renas foram o modelo icônico para o velho gordo Noel vestido de vermelho e branco, ele mesmo parecendo muito com o amanita.

O filme apresenta, adicionalmente à influência do xamanismo e de cogumelos psicoativos no Cristianismo, a relação entre astrologia e astronomia com o mito Cristão. Aqui os produtores fornecem argumentos convincentes para a correlação entre o mito Cristão e o céu no Solstício de inverno, incluindo as Eras Zodiacais, demonstrando graficamente como estes contos da estrela brilhante, os três reis, a morte e ressurreição de Jesus todos se encaixam com fatos previamente conhecidos do céu noturno e a mudança das estações.

Por fim, a Inquisição Farmacrática desafia muitos dos pressupostos e crenças que podemos ter sobre o Cristianismo e suas figuras centrais, mostrando evidências provocativas de que as coisas não são como parecem nesta tradição. Se for verdade, a pergunta que vem é: Será que a Igreja Católica ainda usa o amanita secretamente nos confins do Vaticano? Estariam eles realmente escondendo esta verdade fundamental por dois milênios, ou eles mesmos passaram a acreditar nos mitos que foram criados para comunicar e esconder a verdadeira identidade de Jesus Cristo? Assista este filme e tome sua decisão.

Farmaco- uma combinação significando droga, medicina, ou veneno usada na formação das seguintes palavras: farmacologia, farmacia, etc

-crat, significando regra, membro de um corpo de governo, ou defesa de uma regra particular, usado nas palvras compostas: autocrata, tecnocrata.Cf.-cracia

n. 1 uma investigação oficial, especialmente de natureza política ou religiosa, caracterizada por falta de respeito a direitos individuais, preconceito por parte dos examinadores e punições cruéis e imprudentes. 2. qualquer questionamento duro, difícil ou prolongado. 3. ato de inquirir, pesquisar. 4. uma investigação, ou processo de inquirir. 5. uma forma oficial ou jurídica de inquirir. 6. os resultados de inquirir. 7. o documento contendo os resultados de tal questionamento. 8. (cap) Igreja Católica Romana A. tribunal especial do passado, envolvido principalmente em combater e punir a heresia. Cf. Escritório Sagrado. B. ver inquisição espanhola.

Inquisição Farmacrática verb.

- A perseguição Cristã das religiões arcaicas baseadas na ingestão cerimonial de plantas enteogênicas e do consequente acesso pessoal a estados de êxtase; cuja primeira grande vitória foi a destruição dos mistérios Eleusinos no fim do quarto século; que então alcançou um clima grotesco na perseguição às bruxas na Idade Média; e que continua hoje em dia na forma do Estado Farmacrático disfarçado de saúde pública com a "Guerra as Drogas".

1994 Ott Ayahuasca Analogues, 12. Que a reforma enteogênica prevaleça sobre a Inquisição Farmacrática, levando ao renscimento espiritual da humanidade nos seios da Mãe Gaia, do qual poderá fluir para sempre a amrita, a ambrosia, a ayahuasca da vida eterna!

Fonte: The Age of Entheogens & The The Angel's Dictionary by Jonathan Ott (A Era dos Enteógenos & O Dicionário do Anjo, por Jonathan Ott)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Timothy Leary's - Last Trip - 1997


Timothy Leary's - Last Trip


Autor, educador e filósofo Dr. Timothy Leary foi muito polêmico ao longo de sua vida, por isso não foi nenhuma surpresa da forma que escolheu morrer. Last Trip é um documentário de sua vida e carreira, de seus dias em West Point através de seus anos como um guru do LSD.
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: S/Legenda
Tamanho: 264 Mb
Duração: 56 Minutos

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Entrevista com Govert Derix, holandês autor de livro sobre a UDV




Alto das Estrelas - Onde você fez a sua pesquisa para o seu livro “Ayahuasca, uma crítica da razão psicodélica“?


Govert - Estive no Brasil em 2001 e em 2003, onde bebi vegetal no Centro Espíríta Beneficente da Ordem do Templo Universal de Salomão (OTUS), no Núcleo Cajueiro em Cascavel (Ceará), no Núcleo Estrela do Norte em Porto Velho (Rondônia), e em um pré-núcleo em Rio Branco (Acre).


Alto das Estrelas - O que é a OTUS?


Govert - Na época a OTUS era um grupo de mais ou menos 600 hoasqueiros ligado ao Mestre Gabriel mas independente da UDV [Centro Espírita Beneficente União do Vegetal - CEBUDV]. A OTUS se intregrou a UDV no ano 2004. Acho que o Núcleo Estrela do Norte virou o Pre-núcleo Templo de Salomão. Em 2001, também fiz entrevistas com mestres da UDV em Fortaleza (Ceará), do Núcleo Tucunacá. No mesmo ano frequentei também vários rituais do Santo Daime (Cefluris) no Céu da Flor da Canoa, em Canoa Quebrada (Ceará). E dois anos depois, pesquisei o grupo daimista Céu da Terra da Luz, em Cascavel (Ceará). Nesta época, também fiz entrevistas com Hans Bogers, o fundador de Santo Daime na Holanda, em La Haya, e com Arno Adelaars, que organizou rituais indígenas em vários lugares na Europa. Participei de sessões organizadas por Arno com xamãs da América do Sul na Holanda, como Hilario Chiriap do Equador (Shuar) e Kajuali Tsamani da Colômbia (Kofan).


Alto das Estrelas - Você chegou a se filiar em algum destes grupos?


Govert - Não. Tenho muita afinidade com a UDV mas também sinto que como filósofo e escritor tenho que manter uma certa distância. Mas quem sabe que um dia vou me filiar… Aliás, pessoalmente acho uma pena que a OTUS não exista mais na maneira que conheci, pois com eles me senti muito ‘em casa’.


Alto das Estrelas - Porquê?


Govert - Porque tinha a imagem que era uma coisa simples, bem próximo à União dos dias do fundador José Gabriel da Costa nos anos ‘60. Por outro lado, sei que é impossível retornar para o passado.


Alto das Estrelas - Quais as principais diferenças que você vê entre estes diversos contextos de uso da ayahuasca (UDV, daime, sessões com xamãs na Europa)?


Govert - Vejo os contextos da UDV e do Santo Daime como complementares. Na UDV há uma ênfase no auto-conhecimento e na auto-pesquisa. No Santo Daime a ênfase parecer ser o grupo, a ‘corrente’, o movimento do grupo na dança etc. Mas isso não quer dizer que a irmandade na UDV não é importante. Ao contrário: de certa maneira, a irmandade é o ponto mais crucial na União. Vejo a complementariedade da UDV e do Santo Daime como dois triângulos. Na UDV o ponto de partida é o indivíduo, e dali para a doutrina, a prática fiel, a irmandade, o plano superior, etc. No Santo Daime, o ponto de partida é o coletivo (base do triângulo) é dali para o indivíduo como ‘aparelho’ do divino.


Alto das Estrelas - E o xamanismo na Europa?


Govert - Contém muita coisa. É super interessante, mas tambem é impossível dizer o que é autêntico. O único critério que faz sentido é o da sinceridade. A gente pode sentir se um xamã (ou um mestre, um padrinho) tem uma relação verdadeira com a ayahuasca, ‘o professor dos professores’. Ao mesmo tempo, é uma ilusão pensar que existe um xamanismo ‘original’. Uma “volta para a natureza ou para o xamanismo” não faz sentido, mas o que pode ter um grande valor é o movimento pra frente, para uma nova relação com a ‘natureza’ e uma re-invenção de um xamanismo vital. Apesar dessa noção dinâmica, gosto de crer que existe por trás de tudo uma estrutura ou matriz eterna. Por um lado, às vezes sinto - ou até percebo - que nas camadas mais profundas da realidade tem um complexo de significações universais. Por outro lado, mesmo uma volta para estas camadas (seja na luz da ayahuasca ou como uma filosofia que se entende com “arqueologia”) sempre tem o ‘aqui e agora’ da minha mente como ponto de partida. Ver e perceber isso significa entrar em contato com a essência do fenômeno do tempo.


Alto das Estrelas - Qual é a principal importância da ayahuasca para a filosofia?


Govert - A ‘experiência’ é um dos conceitos mais problemáticos da filosofia ocidental, criando o abismo entre ciência e espiritualidade. Vejo a ayahuasca como veículo para re-ligar ciência, espiritualidade e filosofia. Era a antiga ambição do Rei Salomão. Para entender o sentido da vida tenho que me conhecer (ciência), entender (filosofia) e amar (religão).


Alto das Estrelas - Como você explica no seu país, a Holanda, o que é a ayahuasca?


Govert - Digo que é um espelho que mostra a você quem você é e pode ser. Ela dá a luz do conhecimento e a força de transformar o auto-conhecimento em ação e crescimento. A palavra chave de do filósofo Nietzsche (”Ser quem você é”) para mim tambem é a palavra chave da hoasca.


Alto das Estrelas - O que são as ‘pharmahuascas’ e qual é a sua disponibilidade nas smart shops de Amesterdã? É verdade que vendem também ayahausca aí?


Govert – Pharmahuascas são substâncias quimicamente parecidas com a ayahuasca, ou ao menos com o seu principal mecanismo químico: o transporte da DMT para o cérebro pela harmina e harmalina. Não sou especialista nessa área, mas através das palestras do pesquisador Jace Callaway entendo que esse mecanismo não é o único que determina o efeito do chá; o efeito é produto de uma complexa rede de relações que a ciência só agora está começando a vislumbrar. Segundo relatos que ouvi, o efeito das pharmahuascas — que nunca experimentei – parece ser radicalmente diferente da ‘burracheira’. No mundo atual, quase toda farmacopéia (natural é sintética) pode ser comprada pela internet or nos smart shops, não só em Amesterdã. Basta consultar o ‘google’ e você pode receber as plantas em casa. O que eu acho disso? Para mim, a ayahuasca está sempre conectada a um ritual e com pessoas de confiança. Sou a favor da acessibilidade para todos, mas também sou do tipo o ‘último romântico’ que não confia muito no espírito comercial no campo do espiritualidade.


Alto das Estrelas - Você afirma que a ayahuasca pode ser um poderoso agente de autoconhecimento e trazer mudanças significativas na vida das pessoas. Como você junta o reconhecimento destes benefícios com o dado de realidade das constantes ivalidades e disputas existentes no campo ayahuasqueiro?


Govert – O impulso principal para gerar uma eventual mudança é a descoberta da paisagem psicodélica: a mágica e o impacto da primeira vez, do primeiro momento no qual a pessoa vê que existe este território “maravilhoso”, que é em grande parte uma terra incógnita (para a pessoa, para a ciência, para a sociedade). Depois tudo depende de como você vai se orientar nessa paisagem, o que você vai fazer com os ‘insights’, como você vai transportar as descobertas do mundo interior para o seu comportamento no mundo exterior. O mundo da ayahuasca é tão rico, diverso e talvez contraditório como o panorama do ser humano. Aliás, muitas pessoas esperam (principalmente sob influência do impacto do primeiro contato) que a ayahuasca seja um agente com poder de melhorar o mundo. Muitos novatos sentem essa grande esperança, esse sentido de uma missão tremenda, mas muitos ayahuasqueiros descobrem ao longo da sua jornada que melhorar o mundo é uma coisa bem mais suti, que tem muito mais a ver com a tentativa de ser um ser humano sincero e integral no dia-a-dia. Para mim, o chá não é um ‘panacéia’ para transformação, mas si um aliado que mostra a você o que você poderia transformar. Então de onde surgem as rivalidades e as diferenças de interpretação? É um assunto difícil e delicado. Porque tem tantas derivações dentro do cristianismo? Talvez porque quando o homem tenta trazer o divino para o plano humano, o resultado muitas vezes é… humano.


Alto das Estrelas - Segundo seu livro, o ‘nothingness’ (o vazio, o ‘nada’) seria o centro dos mistérios religiosos, o ponto em que a realidade desaparece e surge a sabedoria. O que você quer dizer com isto?


Govert – Como acontece na meditação, na burracheira você pode descobrir e ver que a sua mente é principalmente um campo de manifestações mentais de diversas origens (pessoal, coletivo, animal, até vegetal e mineral). Existe a possibilidade de que o ‘ego’ temporariamente morra. Penso que este vazio, que é a fonte de todas as manifestações mentais e também de toda a criatividade, é no final das contas o eixo (abertamente ou escondido) de todas as religiões e de toda atividade que re-conecta o ego do dia-dia com esse centro. O ego é como um planeta que circula um sol e recebe sua vida da estrela central. Com a ayahuasca, e outras ‘tecnologias’ xamânicas ou religiosas você ganha um insight nesta constelação e pode ter a luz e a força de ‘calibrar’ a relação entre o ego e o ‘self’. O que é o ‘self’? É como o sol que eu não posso enxergar diretamente, mas que é necessário existir para que eu possa enxergar.


Alto das Estrelas - Como vê a expansão da UDV para o exterior, considerando que o grupo considera o português como uma espécie de idioma sagrado?


Govert - O português é crucial para aprofundar o entendimento da UDV, como o alemão é crucial para entender Kant ou Heidegger ou o holandês para penetrar na poesia de Slauerhoff. Acho fascinante a ‘etimologia’ como praticada na UDV e vejo as chamadas como verdadeiras catedrais sinestésicas. Ao mesmo tempo penso que o significado da palavra “palavra” como é visto na UDV (qual seja: “pai”-“lavra”: a palavra como instrumento e manifestação do “pai divino”) também vale para outros idiomas. Na luz de ayahuasca, e na espiritualidade em geral, cada idioma pode e deve ser vivido como algo divino.


Alto das Estrelas - Porque a sua obra permanece desconhecida no Brasil?


Govert - Porque não tem uma tradução em Português - ainda não. A única coisa que publiquei em portugues é uma reportagem na Revista Planeta, algums anos atrás (clique aqui para ler). Parece que publicar no Brasil não é fácil; ouvi até dizer que é uma espécie de “ato heróico”… Mas, quem sabe, um dia conseguirei uma editora brasileira interessada em publicar meu livro no ‘idioma dos anjos’? Para facilitar, eventualmente poderia investir na tradução.


Alto das Estrelas - Espero que consiga. Seria muito bom.


Para entrar em contato com o autor: govert@derixhamerslag.nl

Livro em alemão e holandês sobre a ayahuasca



Divulgo aqui a obra de Govert Derix, que permance desconhecida no Brasil, “Ayahuasca. Uma critica da razão psicodélica. Aventura filosófica na região amazônica”. O livro aborda, entre outros, o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal (UDV).

Versão em alemão: Derix, Govert. Ayahuasca. Eine Kritik der psychedelischen Vernunft. Philosophisches Abenteuer am Amazonas. Solothurn, Nachtschatten Verlag, 2004.
Versão em holandês: Derix, Govert. Ayahuasca. Een kritiek van de psychedelische rede. Avontuur in het Amazonegebied. Amsterdam/Antwerpia, De Arbeiderspers, 2004.
Resumo:

Desde tempos imemorais os índios da Amazônia bebem o chá ayahuasca. Na nossa era o chá esta ficando mais e mais conhecido também fora da América Latina, não somente como a substância psicodélica ‘par excellence’, mas também como medicamento para tratar vícios e como ‘aliado’ no processo da procura de si. O filosófo Govert Derix bebeu a ayahuasca pela primeira vez em 1990, numa sessão da União do Vegetal, no Núcleo Tucunacá, em Icaraí, Fortaleza. As suas experiências com ayahuasca formam a inspiração da elaboração de uma crítica da filosofia racionalista.

Ayahuasca, uma crítica da razão psicodélica é o relato do seu processo de aprendizagem onde as grandes questões filosóficas sobre a posição do ser humano no universo (”O que posso saber?” “O que deve fazer?”, “O que posso esperar?”) - mais que 200 anos após a Crítica da razão pura de Immanuel Kant - ganham uma nova perspectiva à luz do ‘chá misterioso’. Tentando entender o universo de ayahuasca, o autor recorre também a outras pessoas (dentro e fora do Brasil) para quem a experiência com ayahuasca levou a uma signifiticativa mudança de vida.
Ayahuasca, uma crítica da razão psicodélica, é uma mistura de filosofia, jornalismo, autobiografia e crítica cultural.

Sobre o autor:
Govert Derix nasceu em 1962 nos Países Baixos. Em 1987 obteve o título de Mestre em Filosofia na Universidade Real de Utrecht. É filósofo, escritor, consultor de communicação e diretor de uma empresa de publicidade, a Derix*Hamerslag. Publicou diversos livros sobre as implicações filosóficas da economia de rede, e é especialista em ‘novos tipos de organização de empresas’, em parte inspirado pelas idéias do brasileiro Ricardo Semler. Também trabalha para o projeto ‘Hospital do Futuro’, na cidade Sittard, na Holanda, para qual escreveu três livros, construindo uma base filosófica para este projeto exemplar. Em 1980 visitou pela primeira vez o Brasil e desde 1989 é casado com a artista plástica brasileira Jacqueline Machado de Souza [veja sua exposição atual na Antwerpia, Holanda, aqui], com quem tem dois filhos. Em 1990 conheceu a ayahuasca através do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal (UDV), em Fortaleza (CE). Desde então, começou a estudar a ayahuasca e principalmente as implicações filosóficas do estado da ‘burracheira’ [termo usado dentro da UDV para denominar o efeito da ‘hoasca’], sobre a qual escreveu artigos e deu palestras. Em 2004 foi lançado simultaneamente na Holanda e na Alemanha o seu livro Ayahuasca - uma crítica da razão psicodélica, para o qual entrevistou ayahuasqueiros no Brasil e na Holanda. A tese da obra é que a experiência com a ayahuasca pode dar uma nova base para entender e viver as grandes questões da filosofia como a identidade da pessoa, a base da moral (existência de um código universal), o fenômeno do tempo, a relação com o outro, a relação entre ciência, espiritualidade e filosofia, e o impacto de um ‘aliado’ (Mestre de Si) no processo da vida.
Para entrar em contato com o autor: govert@derixhamerslag.nl

sábado, 31 de janeiro de 2009

Desmanthus illinoensis

Depois de ler em um Site que o Desmanthus illinoensis é uma excelente fonte de DMT, decidi pesquisar e colocar aqui no Blog para consultas.
Logo no final tem um relado de uma pessoa que fumou a casca da raiz e teve uma experiência, será que pode ser ativo fumado (pela quantidade de DMT) sem a extração ? Parece que sim !

Classificação Científica :
Reino : Plantae
Divisão : Magnoliophyta
Classe : Magnoliopsida
Ordem : Fabales
Família : Fabaceae Género : Desmanthus

Planta.

Características Físicas :

Conhecida como Flor de Illinois adquiriu o seu nome devido à sua florescência em forma de uma bola com várias flores pequenas. É originária das pradarias Americanas. Por isso, por vezes também é chamada de mimosa da pradaria. Cresce por volta de 1,3m. As flores são hermafroditas que são polinizadas por insetos. Caule ereto com muitas ramificações.
As folhas tem cerca de 10cm de comprimento.



FLOR


















DETALHE DA FLOR.








Cultivo :
A planta prefere solos mal nutridos devido às suas raízes albergarem bactérias que fixam nitrogénio. Gosta de solos úmidos e bem drenados. Gosta também de bastante sol.
Em situações favoráveis esta planta pode auto-semear. Para semear é só quebrar a dormência da sementes colocando as mesmas por 12 horas em água.
SEMENTES
Habitat :
Estradas, ferrovias, encostas, pastagens, prados.








Folha










Psicoatividade :
A casca da raiz da desmanthus illinois contém níveis muito altos de N,N-DMT.





Fruto Imaturo.
















Fruto Maduro.








Curiosidades :

As folhas desta planta são conhecidas por serem comestíveis e bastante nutritivas, assim como muito ricas em proteína. Os índios Pawnee inventaram uma decoção das folhas para uso externo e alívio da comichão na pele. Esta tribo também usava as vagens das sementes como chocalhos para as suas crianças, que imitavam com eles as danças tradicionais dos adultos. Os índios Moapa Paiute usavam 5 sementes para tratarem conjuntivites crónicas, colocando as sementes no olho da pessoa afectada durante a noite, e expelindo-as com água limpa na manhã seguinte. Outros nativos americanos usavam a erva para aliviar os sintomas das constipações e gripes.

Relatos de Experiências :
Fumar Casca da Raiz de Desmanthus illinoensis com Cannabis.
Dose : 0,5g
Esta foi a minha primeira experiência com uma fonte DMT, comecei a fumar, uma pequena quantidade a casca da raiz pulverizada de Desmanthus Illinoiensis. Eu estava esperando o 'instant rush", o que não ocorreu. Após quinze minutos fumando continuadamente, comecei a perceber que estava ficando "alto" na ordem de magnitude forte, que atribuem ao uso de DMT. Estava em um ambiente confortável e semi-escuro e com um colega calmo e tranquilo.
Notei depois de 20 minutos fumando que o meu peito e costas tiveram espasmos, como "rottweilers que salta para dentro e para fora do seu peito", por T. McKenna.
Mencionei isso para meu amigo, e reparei que a minha voz parecia estar saindo de uma máquina (o corpo), com os quais eu não estava fortemente associando no momento.
Depois senti que ao falar com meu amigo aprofundou-se, durante mais uns dez minutos, um profundo "coração aberto" por causa da experiência, que posso colocar em comparação com minha melhor viagem com MDMA.
Eu prátiquei Kriya Yoga, para alongar a coluna.
Quando me curvei (sentado no chão), eu senti minha coluna aberta, e quando me sentei, olhei para o meu amigo e eu senti que era verdadeiramente capaz de vê-lo como Deus.
Uma espécie de voz profunda disse que esta era uma parte da condição humana que está sendo realizada uma profunda vontade de ver.
Estar disposto a ver com este descolamento me deixe apreciar a profundidade do amor que eu tinha para todas as pessoas, e eu era capaz de expressar isso para o meu amigo.
Esta intensidade durou talvez dez minutos, e os foi acabando de maneira gradual. Estou escrevendo quase 20 horas depois, sem nenhum efeitos residuais.