sábado, 31 de janeiro de 2009
Propagação Vegetativa e Estabelecimento em Cerrado de Banisteriopsis caapi
Trabalho Final de Curso apresentado ao Departamento de Engenharia Florestal.
Universidade de Brasília - Faculdade de Tecnologia - Dpto. de Engenharia Florestal
Data: 13 de Março de 2006
Autor: Thiago Martins e Silva - (68) 8112-4927
Contato: thcaapi@gmail.com
Link para Baixar o Trabalho :
http://www.ayahuascabrasil.org/monografia02.pdf
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Um chá entre amigos
Um chá entre amigos
Por Fabio Bentes
Com um nome pitoresco e um discurso de “luz, paz e amor”, a União do Vegetal é uma comunidade fundamentada nos poderes místicos de um chá especial. A busca pelo sobrenatural e a propagação de ideais nobres se misturam a contradições e rituais de alucinação grupal.
Na diversidade das religiões nos tempos atuais encontra-se de tudo, desde grandes grupos de religião monoteísta a seitas de caráter regional. Os princípios são os mais diversificados e as idéias se multiplicam. Neste contexto de crenças múltiplas, voltamos nossa atenção para a União do Vegetal.
Trata-se de uma comunidade que crê em poderes mágicos de um chá feito a partir de duas ervas – Mariri e Chacrona – e que, segundo os membros da seita, é capaz de proporcionar inúmeros benefícios, revelar profundas questões existenciais àqueles que provam de seu poder e curar as mais diversas enfermidades.
O nome com que foi batizada a comunidade em questão vem deste chá, chamado entre os participantes de “vegetal”. Outro nome pelo qual o chá é chamado entre os adeptos da seita é hoasca. Este termo está relacionado ao nome que as tribos amazônicas utilizam para a mistura do chá.
Confiantes nos poderes sobrenaturais da hoasca, homens e mulheres do Brasil e do mundo se reúnem para encontros místicos organizados pela União do Vegetal.
Até você, Salomão?
A União do Vegetal atribui suas origens à corte do rei Salomão — personagem bíblico notável na História por sua sabedoria. A lenda afirma que um discípulo e assistente de Salomão — Caiano — recebeu do rei o sétimo segredo da natureza (uma mistura de ervas para o preparo do chá) e a chave da palavra perdida. Sendo portador do segredo da mistura para a bebida e conhecedor da palavra perdida, Caiano era capaz de entrar em contato com a “força superior, a suprema divindade”. Desde então, em um processo de reencarnação, Caiano vem recriando a União do Vegetal de tempos em tempos, sempre que encontra na terra pessoas capazes de administrar corretamente os segredos da hoasca e dispostas a sair das ‘trevas’ e entrar para a “luz”.
Caiano entre nós
Em terras brasileiras, a União foi “recriada” (como o grupo gosta de dizer) por José Gabriel da Costa, que futuramente se tornaria o reverenciado Mestre Gabriel. Era baiano e, ainda na juventude, deslocou-se para as regiões amazônicas no intuito de trabalhar nos seringais, na promissora indústria da borracha. Chegou, finalmente, em Porto Velho, antigo território de Guaporé (atual Rondônia) e lá se estabeleceu com sua esposa. Nas regiões de Porto Velho e proximidades, quase na fronteira com a Bolívia, José Gabriel teve seu primeiro contato com a hoasca, o “vegetal”.
O chá já era utilizado pelas nações indígenas americanas em rituais de pajelança e as ervas que davam origem à mistura encontradas na floresta amazônica. Experimentando as propriedades alucinógenas da hoasca, e desejando aprofundar seu envolvimento com as questões espirituais e místicas, José Gabriel deu início à atividade que tomaria contornos mais sérios dali em diante. Em 1961, com 39 anos de idade, fundou a União do Vegetal. No início, Mestre Gabriel tinha alguns poucos discípulos, a quem ele administrava a distribuição do chá e recitava palavras de sabedoria. Com o tempo, o grupo foi crescendo e as fronteiras da União, constantemente ampliadas. No princípio da década de 70, por questões legais, fez-se necessária uma organização administrativa da comunidade. Nascia o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal.
Origens tribais
Fica evidente que a União do Vegetal tem um caráter de neoxamanismo,1 ao consideramos os princípios de utilização do chá para rituais religiosos, o que é reforçado quando analisamos a presença de um “mestre” que vai administrar a distribuição da hoasca, utilizando seus graus elevados de espiritualidade para conduzir os demais. Realmente, o baiano José Gabriel havia assumido de vez os costumes e tradições tribais das circunvizinhanças.
Alguns anos antes, Raimundo Irineu Serra iniciava um movimento semelhante não muito longe dali. Mestre Irineu — como era chamado pelos seguidores — teve contato com o chá milagroso já no início do século XX, quando deixou o Maranhão para morar no Acre, perto da fronteira com o Peru. Segundo seu relato, recebeu uma ordem direta de Nossa Senhora da Conceição para propagar a utilização da hoasca em rituais de ensino. O movimento iniciado por ele recebeu o nome de Daime, que é derivado dos pedidos feitos durante o ritual em que a bebida é ingerida: “Dai-me paz, dai-me amor, dai-me luz”, etc. Com isso, também fica evidente que existem mais semelhanças do que diferenças nos movimentos iniciados pelos dois líderes.
Vejamos. A União do Vegetal, iniciada por Mestre Gabriel na década de 60, apelidou a hoasca de “vegetal”, enquanto o Santo Daime, movimento iniciado por Mestre Irineu no início do século passado, usa o homônimo para identificar a bebida milagrosa.
Quanto às demais práticas adotadas pelas comunidades, o paralelismo é claro: doutrinas espíritas, reencarnação em um processo de evolução espiritual, encontro com a divindade por ocasião da ingestão da hoasca, busca pela paz, amor e iluminação. Tudo isso mediante o acompanhamento de um mestre devidamente autorizado pela ordem e com experiências sobrenaturais (leia-se alucinações) reconhecidas.
Também é comum às seitas o interesse pela preservação do meio ambiente. Não fica claro se esse interesse é de caráter holístico ou se é simplesmente por medo de que algo mais sério venha a ocorrer na mata amazônica (que é a fonte das ervas que dão origem à hoasca).
Silenciosos e atuantes
Mestre Gabriel morreu (ou “desencarnou”, como preferem os membros da União) em 1971. Com fortes convicções de propagar seus princípios, antes de morrer, separou doze homens (qualquer semelhança com outras histórias é mera coincidência!), para que pudessem dar continuidade à sua obra de divulgação da União. Nos anos seguintes, a União do Vegetal já alcançava novas cidades, montava novos centros e estabelecia novos núcleos. Hoje, a União do Vegetal se encontra espalhada em todo o território nacional, não marcando presença apenas em três Estados: Rio Grande do Norte, Tocantins e Sergipe. Os filiados já superam a casa dos 6000, mas os adeptos não têm intenções de se tornar uma potência religiosa. Um dos lemas da União é “discretos, mas não secretos”. Fica claro que é secundária a prática de arrebanhar novos membros. Quanto a isto, a União do Vegetal se mostra uma comunidade bem peculiar. Seus filiados são pessoas de todo e qualquer nível social, inclusive artistas e celebridades.
Há, ainda, uma dissidência da comunidade original criada por Mestre Gabriel. Esta segunda comunidade nasceu de uma discórdia entre os líderes do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal e um mestre que desenvolvia suas atividades em um núcleo de São Paulo. Mestre Joaquim, que afirma ser o sucessor legítimo de Mestre Gabriel, depois de tentar reconciliações com a comunidade original, começou seu próprio núcleo, desligado da sede geral que se encontra em Brasília. Ele fez uma pequena alteração no nome e hoje é mestre e líder supremo do Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal. Sua sede fica em Campinas (SP) e sua fazenda em Mato Grosso, com plantações de Mariri e Chacrona (para preparo da hoasca). É a maior do mundo. Dos Estados Unidos, da Europa e do Oriente, muitas pessoas têm vindo experimentar as diferentes sensações que a hoasca pode proporcionar.
A droga leva a Deus
A hoasca é um alucinógeno. Por mais que se queira dar um caráter espiritual para a ingestão do chá, trata-se de uma droga presente na lista proibida de muitos países e que, inclusive, já levou o próprio Mestre Gabriel para a prisão. Atualmente, existem pessoas detidas em países estrangeiros por tentarem transportar a hoasca em viagens internacionais. Estas listas proibidas são fundamentadas em pesquisas que comprovam cientificamente as propriedades alucinógenas da droga, ou seja, quem está sob seu efeito não está em contato total com a realidade. Em um português bem claro, “não está em seu melhor juízo”. A União do Vegetal diz que faz pesquisas sobre as propriedades químicas do vegetal — hoasca — para avaliar os riscos existentes no consumo da droga, porém, suas pesquisas são internas e um tanto quanto parciais. O governo brasileiro fez um pedido à Universidade Federal de São Paulo para que fizesse tal avaliação e os resultados mostraram que, no transcurso do ritual, pode haver perda do controle, levando a reações de pânico. O “vegetal” também se mostra claramente nocivo, à medida que pode dar início a quadros psicóticos permanentes em pessoas predispostas a essas doenças ou desencadear novas crises em indivíduos portadores de doenças psiquiátricas, como, por exemplo, a esquizofrenia.
Nesta pesquisa também foram dados “nomes aos bois” e os químicos mencionaram, uma por uma, as substâncias que representavam riscos à saúde. Tal discussão foi inclusive alvo de polêmica em setembro de 2000, quando uma matéria da revista Veja questionou a intenção do governo ao solicitar o estudo. O general Alberto Cardoso, Secretário Nacional Antidrogas e Ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, mandou que a hoasca fosse temporariamente retirada da lista de drogas proibidas, mesmo tendo a pesquisa a classificado como um alucinógeno. Um de seus argumentos (extremamente contestado na época) foi afirmar que ‘religião é religião’. O repórter Ricardo Galhardo, da Veja, levantou uma questão óbvia: seria esta argumentação válida quando comunidades religiosas resolvessem utilizar cocaína, crack e heroína em seus rituais?
Mistura de ervas, mistura de religiões
Em relação à sua doutrina e pensamento, a União do Vegetal é uma comunidade com princípios basicamente espíritas. Na verdade, fica evidente uma mescla de princípios kardecistas e religiosidade tribal.
Em relação às semelhanças com o pensamento espírita, estão a doutrina da reencarnação – sempre de humanos para humanos – e a busca incessante pela iluminação. Diz-se, inclusive, que a droga não é alucinógena, mas, sim, “iluminógena”. Ela “ilumina” e “desperta” aqueles que querem se livrar da ilusão que é o mundo em que vivemos (sim, algo meio budista). A vontade de viver em “luz, paz e amor” (o símbolo da União) deve estar presente em cada coração e os membros devem se esforçar para seguir estes princípios. Não fica claro como, onde e de que forma estes princípios são vividos no dia-a-dia, mas, durante os rituais, o mestre encarregado da distribuição do chá e da condução da reunião recita palavras de sabedoria para seus discípulos. Todos em estado mental discutível.
Um ponto de grande relevância para a discussão fica por conta da rejeição da seita a vícios como tabaco, álcool e drogas. Isso mesmo. Drogas! A comunidade rejeita este tipo de prática e, segundo informações fornecidas pela liderança, o índice de abstinência quanto a estes costumes entre os adeptos é de 100%. Também, como já mencionado, a União é bem reservada quanto às suas reuniões e sessões rituais. Não é algo secreto – como ocorre na maçonaria, por exemplo – mas não faz parte da estratégia sair pelo mundo difundindo os segredos e benefícios da hoasca.
Surge, então, outra questão a ser levantada: não seria bom que todas as pessoas partilhassem de algo tão bom, saudável e benéfico?
Deuses diferentes
É inaceitável a idéia de alguém sujeitar-se a estados mentais de alucinação para que possa encontrar Deus. Imaginar que Deus se esconde atrás de substâncias químicas que afetam diretamente o cérebro humano é imaginar que Deus é um Deus vil, que não quer ser encontrado e está sob autoridade material. Conclusões tiradas enquanto o sistema nervoso não está em condições seguras – inclusive com comprovação científica – é jogar no lixo a capacidade mental do ser humano e a suficiência de Deus em se revelar. Deus não está em frases de efeito ou em rituais como os aqui mencionados. Deus está disponível a todos nós pelo seu Espírito. Ele é livre, não está condicionado a práticas, rituais ou drogas alucinógenas. Ele entra em contato direto com o nosso espírito (Jo 4.24). Sua ação não está regulamentada pela atuação de substâncias químicas no sangue. Uma conclusão que se tira a respeito do deus encontrado pela União do Vegetal é que ele é bem limitado. A Bíblia mostra um Deus que é Senhor dos céus e da terra e que criou todas as coisas (Is 40.26). Um Deus que não conhece limites, mas apenas aqueles que Ele mesmo quer ter.
Em relação ao desinteresse que a seita mostra em revelar ao mundo seus princípios, trata-se de um ato frio, egoísta e desumano. Quando um semelhante encontra algo de bom e não quer compartilhá-lo com outros, fica evidente que o princípio do amor é uma mentira. Amor é viver no deserto e contar a todos que você encontrou água para que a boa notícia traga alegria e ânimo a todos.
Quanto à aceitação da boa notícia, não há como prever as reações, mas o dever de buscar cada vez mais pessoas – o mais rápido possível – é óbvio e inquestionável. A Bíblia apresenta um Deus (na pessoa de seu Filho Jesus) que orienta seus discípulos com veemência para que corram o mundo inteiro fazendo cada vez mais discípulos, mostrando o caminho a todos aqueles que desejarem (Mt 28.16-20). Um deus que escolhe um grupo, em um único país, e não orienta uma propagação rápida e imediata de sua doutrina é um deus cruel. Tudo isso nos leva a uma única conclusão: sob o efeito de uma droga – como qualquer outra – o deus encontrado pela União do Vegetal é um deus interno, que sai da profundidade do inconsciente, é libertado mediante ação química e representa nada mais do que pensamentos ocultos, medos internos, sonhos frustrados, sensações diferentes e descontrole emocional.
Tudo isso reforçado pela ação do nosso inimigo, o diabo, que busca pessoas ansiosas por perder o controle para que ele mesmo assuma este controle. Longe de ser um grupo interessante, com intenções genuínas, a União do Vegetal é uma organização com claras contradições; centrada na perda da totalidade da consciência e na alucinação. Levantando uma bandeira de religiosidade, a União do Vegetal não consegue esconder a verdade: É mais um grupo que se reúne para o consumo de ervas dizendo que não faz nada de errado, como quem senta para tomar um chá entre amigos...
Nota:
1 Uma espécie de novo xamanismo. O termo “xamã” refere-se a um sacerdote ou mágico de certas religiões. Um xamã era um médico-sacerdote, supostamente dotado de poderes espirituais como profeta e curador. Uma definição mais clara indica qualquer sacerdote tribal, supostamente dotado desses poderes, que encabeça as práticas religiosas de um grupo assim chamado (Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia, CHAMPLIN, R. N. & BENTES, J. M., Candeia, 1997).
Estatize já!
Folha de São Paulo
Domingo, 11/01/2009
Caderno Mais!
ESTATIZE JÁ
Relatório a ser apresentado à ONU sugere que governos distribuam maconha a fim de reduzir danos causados pela droga
ANDY COGHLANDA “NEW SCIENTIST”
O que devemos fazer para minimizar o mal que a maconha pode causar à saúde e ao bem-estar de seus consumidores e da sociedade como um todo? A resposta, segundo um relatório de destacados acadêmicos e assessores governamentais, é mudar a lei para permitir que o Estado prepare e distribua a droga para uso recreativo.
Essa proposta polêmica foi feita por uma comissão reunida pela Fundação Beckley, organização beneficente britânica dedicada ao estudo científico das substâncias psicoativas. “Os danos causados pela proibição são piores do que os decorrentes da própria substância”, diz Amanda Feilding, fundadora da Fundação Beckley.
As ideias serão expostas em março numa reunião da Comissão das Nações Unidas sobre Narcóticos (UNCND), em Viena. Depois, um relatório segue para uma reunião da Assembleia Geral da ONU que vai determinar a política sobre drogas para a próxima década.
A maconha é hoje a droga ilícita mais consumida no mundo. As cifras mais recentes indicam que em 2006/07 cerca de 166 milhões de pessoas de 15 anos ou mais -ou seja, 3,9% da população dessa faixa etária- usaram-na regularmente. Apenas 1% da população mundial consome outras drogas ilegais.
“Porta de entrada”
As evidências reunidas pela comissão Beckley indicaram que a maconha prejudica a saúde dos que a consomem em grande quantidade, especialmente dos que começam a fazer uso dela na adolescência. Esses usuários correm risco aumentado de doenças mentais, pulmonares e cardíacas. Eles também têm mais chance de abandonar a escola cedo, de se envolverem em acidentes de trânsito e de serem maus pais. O relatório também encontrou evidências de que a maconha pode atuar como “porta de entrada”, elevando a probabilidade de que seus usuários experimentem drogas mais prejudiciais, como a cocaína.
O relatório detalha um aumento acentuado na potência da maconha, com o nível de THC -a substância química que provoca o “barato”- geralmente sendo o dobro ou o triplo do que era dez anos atrás. Isso, segundo o relatório, é em parte fruto da tendência ao cultivo da planta em estufas.
Apesar dos perigos, o relatório conclui que ela é muito menos prejudicial do que outras drogas. O relatório observa que até hoje só foram documentadas duas mortes por overdose de maconha. Esse número contrasta com as 200 mil mortes anuais de todas as causas atribuídas a outras drogas ilegais, as 2,5 milhões de mortes anuais relacionados ao álcool e as 5 milhões ligadas ao tabaco.
Venda regulamentada
Como a posse de cânabis é ilegal em boa parte do mundo, suas consequências prejudiciais se estendem para além dos danos possíveis à saúde imediata. Em especial, seus consumidores correm o risco de sofrer punições e ganhar ficha criminal. “Se você não acha que ser preso é um mal, você é impossível de convencer”, diz o criminologista Peter Reuter, da Universidade de Maryland, coautor do relatório. “Nos EUA, 750 mil pessoas foram presas em 2006, e eu vejo isso como um dano substancial.”
O relatório recomenda que a maconha seja vendida legalmente, sujeita a critérios rígidos que garantam que não seja suficientemente potente para causar problemas psicológicos. Isso, diz o documento, permitiria a imposição de uma restrição rígida de idade, impedindo crianças de adquiri-la, e impediria a ação das quadrilhas criminosas que a traficam. Os revendedores licenciados não poderiam oferecer outras drogas aos compradores de cânabis.
O quadro de referência das leis antidrogas em todo o mundo hoje é fixado pela Convenção Única de 1961 sobre Drogas Narcóticas. Embora a convenção preveja que todos seus signatários tornem ilegal a posse de cânabis, alguns deles vêm fazendo experimentos com descriminalização. A Holanda, por exemplo, não prende pessoas que estejam de posse de pequenas quantidades.
Crime x infração
A legalização proposta pelo grupo Beckley provavelmente enfrentará oposição em Viena. O receio é que afrouxar as leis em relação à maconha enfraqueça todo o esforço internacional para combater o uso de drogas recreativas. “A cânabis é o ponto mais vulnerável de todo o edifício multilateral”, diz Antonio Maria Costa, diretor executivo do UNODC.
Os EUA se opõem a qualquer medida de legalização, temendo que ela resulte numa nação de drogados. Já os autores do estudo Beckley, entre outros, argumentam que a punição não reduz o consumo de cânabis e causa danos ela própria.
Um estudo feito em 2000 por Simon Lenton, do Instituto Nacional de Pesquisas com Drogas da Austrália, comparou o que acontece com pessoas no leste do país, onde a posse de maconha incorre em castigo criminal, com as do sul, onde os consumidores recebem apenas avisos de infração. Cerca de 32% dos “criminalizados” relataram consequências adversas em seus empregos, contra apenas 2% dos “infratores”.
Feilding admite que as propostas de seu grupo podem não encontrar eco entre muitos dos presentes na reunião em Viena. Mas o simples fato de uma alternativa à proibição total da cânabis ser discutida já constitui um avanço, afirma.
sábado, 17 de janeiro de 2009
CULTIVO DE COGUMELOS MÁGICOS
1. Material :
Esporos de cogumelos - não estão à venda nos supermercados… vê no tópico 08.
Arroz integral - de preferência de cultura biológica como o que se vende em lojas de produtos naturais ou nas respectivas secções de hipermercados.
Água destilada - pode usar-se água da torneira fervida, mas atrasa o crescimento do fungo.
Frascos de vidro com tampa de metal - como não é fácil encontrá-los novos, utilizo frascos de compota, maionese, salsichas ou outros. Os meus preferidos são os de compota de tampa larga da marca branca do Jumbo, porque a boca do frasco é a parte mais larga e dá para tirar o “bolo” inteiro sem partir o frasco. Mas como não gosto muito de compota, utilizo o que tiver à mão.
Panela grande - de preferência de pressão, mas pode ser normal desde que tenha tampa.
Recipiente para preparar a “massa” - deve ser de pirex para ser esterilizado no forno antes da preparação.
Álcool etílico - usar com abundância enquanto se preparam os frascos; convém ir esfregando as mãos e os acessórios que se utilizarem.
Seringa - uma de 10 c.c. é suficiente. Se não for possível utilizar uma nova, lava-a bem com água quente e detergente e enche-a com álcool, depois esvazia-a e deixa secar.
Agulha - deve ter cerca de 3/4 do tamanho do frasco maior. Se não for nova, lava-a por fora com álcool e coloca-a na seringa antes de esvaziares o álcool.
Areia - eu utilizo areia do rio crivada, de grão médio (2 a 4 mm ) e irregular, lavada num coador de cozinha, mas já tive bons resultados com areia vulcânica para Bonsai que comprei no Aki, só deixei de a usar porque é bastante cara.
Papel de alumínio - para fazer chapéus para os frascos e para colocar a areia no forno.
Moinho de café - se não tiveres um moinho de café é melhor comprares a farinha de arroz já moída, mas podes tentar com uma daquelas maquinetas de fazer a papa dos bebés.
Martelo e prego pequeno - para furar as tampas dos frascos.
Canivete ou faca pequena - para raspar a impressão de esporos.
2. Preparação :
As quantidades dependem do número de frascos que vais preparar. Eu geralmente faço entre 4 a 6 frascos médios e para isso utilizo:
1/2 impressão de esporos
1 pacote de arroz integral
1 garrafa de água destilada
1 frasco de areia crivada e lavada
Coloca no forno o recipiente que vais usar na preparação da “massa” e liga-o a 200ºC durante 10 ou 15 minutos.
Ferve a água destilada durante o tempo em que o recipiente está no forno. Enche a seringa com 1 c.c. por frasco mais um ou dois para deitar fora.
Limpa o interior do moinho de café com álcool e tritura o arroz até ficar em farinha fina.
Lava bem os frascos e as tampas com água quente até não haver vestígios de sujidade ou cola dos rótulos. Faz quatro furos em cada tampa, a intervalos regulares e na periferia (como as 4 horas principais num relógio). Depois, passa os frascos por álcool e coloca-os no forno junto com a areia espalhada em papel de alumínio. Liga o forno a 150ºC durante 20 minutos.
Coloca a farinha no recipiente e deita-lhe toda a água que conseguir absorver, atenção que não pode haver água a mais. A mistura deve ficar grossa e pegajosa e não líquida como sopa.
Retira os frascos do forno e enche-os até um pouco mais de meio com a mistura. Lava bem o interior do frasco com um guardanapo humedecido em álcool para não deixar restos de farinha na parte de cima, isto é muito importante porque não pode ficar farinha acima da areia.
Deita em cada frasco uma camada de areia com 5 a 10 mm de espessura e fecha imediatamente a tampa.
Faz um chapéu em papel de alumínio para cada frasco de maneira a tapar os furos mas sem os selar. Com um alicate, segura os chapéus por cima de um bico do fogão até ficarem ao rubro e aplica-os nas tampas. Sem contar com a inoculação, estes chapéus já só vão ser retirados quando a colonização estiver completa, por isso devem estar firmes. Faz o mesmo a um pedaço maior de papel de alumínio para cobrir o canivete e a agulha enquanto não são utilizados.
Coloca novamente os frascos no forno (confirma que as tampas têm os furos!) durante 15 minutos a 100ºC.
Deita água da torneira na panela, de modo a que os frascos fiquem com água até metade da sua altura. Por causa disto a altura dos vários frascos não pode variar muito.
Tapa a panela e deixa ferver a água durante 10 minutos e depois coloca os frascos que retiraste do forno ainda quentes. Se a panela for de pressão, deixa ferver durante 50 minutos, se for normal, deixa ferver com tampa durante 1h 20m. Durante a fervura, confirma se a quantidade de água está correcta, não convém que a água chegue aos chapéus, mas também não pode ficar abaixo de metade de nenhum frasco.
Quando acabar o tempo, desliga o fogão e deixa a panela arrefecer com a tampa até à temperatura ambiente, o que pode levar várias horas.
Enquanto esperas, prepara a seringa.
3. Inoculação :
Esteriliza o canivete no bico do fogão e embrulha-o no papel de alumínio para arrefecer. Se a agulha não for nova, coloca-a na seringa e aquece-a no fogão até ficar ao rubro, mas sem que aqueça demasiado tempo, pois pode derreter a base ou até o bico da seringa. Faz sair um pouco de água para a agulha arrefecer e embrulha-a no alumínio esterilizado.
Faz uma “cabana” em papel de alumínio tapada dos lados, por cima e atrás, de tamanho suficiente para preparares a seringa lá debaixo (15 x 20 x 15cm deve ser suficiente) e aquece-a no fogão para esterilizar. A “cabana” deve aguentar-se em pé na mesa onde vais preparar a inoculação. Tapa a boca com um lenço de pano lavado, lava as mãos com sabão e esfrega-as em álcool.
Lava bem uma colher de sobremesa e passa-a por álcool, deixa secar debaixo do alumínio e enche-a com água da seringa (à temperatura ambiente) e com o canivete raspa metade de uma impressão de esporos para a colher. Com a agulha da seringa, mexe bem para diluir os esporos e aspira-os novamente para a seringa.
Quando os frascos estiverem à temperatura ambiente, podes inoculá-los. Basta 1 c.c. por frasco, repartido pelos quatro furos e injectado a meio da mistura junto à parede do frasco. Antes de fazer isto não te esqueças de colocar os chapéus numa superfície limpa e virados para baixo e coloca-os nos frascos assim que acabes.
4. Manuseamento dos frascos :
Guarda-os num sítio seco e sem correntes de ar. Eu utilizo uma caixa de cartão com a tampa entreaberta porque evita as correntes de ar e permite ver os frascos sem ter que lhes tocar, o que se deve evitar.
Depois de uma ou duas semanas já deves ver o fungo branco a colonizar o frasco, este tempo depende de muitos factores, mas se utilizaste arroz com fungicida ou água com muito cloro, a espera pode ser longa.
Se vires que um frasco está contaminado, deita-o imediatamente para o lixo. A contaminação pode ser por bolor na forma de machas ou pintas de cores variadas, geralmente cinzentas, pretas ou verdes, ou por bactérias que aparecem em aglomerados esbranquiçados e que por vezes dão à mistura o aspecto do queijo derretido e um cheiro desagradável. Tudo o que não estava lá antes e que não se pareça com algodão em rama é contaminação.
Quando o bolo tiver sido completamente colonizado ou quando vires que estão a surgir os primeiros cogumelos, está na altura de tirar a tampa (não o faças se vires que ainda há zonas por colonizar, por mais pequenas que sejam). Podes sacudir a areia com cuidado, mas não é preciso retirá-la toda porque os cogumelos conseguem furar essa camada.
Se o frasco tiver a boca mais larga que o resto, podes retirar o bolo com uma pancada, se não, podes partir o frasco ou então deixa tudo como está. O próximo passo é a colocação do bolo num recipiente para criar humidade próxima de 100%, necessária para o crescimento dos cogumelos.
Se optares por tirar o bolo do frasco, coloca-o numa garrafa de 1,5 l de água cortada ao meio, põe alguma água no fundo e um pedaço de plástico ou um copo de vidro invertido de maneira a que o bolo fique bem assente e não toque na água. Depois fecha bem o corte da garrafa com fita-cola e põe-lhe uma tampa tipo “sport” aberta na posição de beber. A ideia é criar humidade sem selar completamente a garrafa o que exigiria a abertura diária para a troca de gases.
No caso de não tirares o bolo do frasco, faz a mesma coisa, mas coloca o frasco directamente no fundo da garrafa. Como o fundo das garrafas de água não é liso, pode dar jeito utilizar papel de cozinha embebido em água de maneira a segurar o frasco.
Ao fim de algum tempo a água começa a cheirar mal e convém trocá-la, além de que é preciso recolher os cogumelos maduros, por isso é melhor deixar as coisas de maneira que abertura da garrafa não seja difícil. Eu utilizo uma única tira de fita-cola larga tipo tela, que é fácil de tirar e pode reutilizar-se.
Não te esqueças que os cogumelos não precisam de luz solar directa, mas sem luminosidade não se desenvolvem correctamente.
5. Recolha dos esporos :
Para recolher os esporos é preciso cortar a cabeça de um cogumelo médio, antes de ele largar o anel de esporos. Isto deve ser feito com uma lâmina afiada e previamente esterilizada; um x-acto é o ideal. Depois coloca-se a cabeça virada para cima em metade de um pedaço de papel de alumínio esterilizado e tapa-se com a outra metade. Por fim, põe-se um saco de plástico com um peso ligeiro e plano em cima (pode ser uma chávena de café). Ao fim de um dia retira-se o peso, o plástico e a cabeça do cogumelo com uma lâmina ou uma agulha, de maneira a não tocar nos esporos. Mesmo nesta fase é importante ter cuidado com a contaminação porque não serve de nada ter muito cuidado na preparação dos frascos se depois utilizarmos esporos contaminados.
Por último, fecha bem o quadrado de papel de alumínio e guarda-o num sítio seco e fresco, se possível com uma saqueta de gel de sílica como as que vêm com as roupas.
6. Secagem dos cogumelos :
Os cogumelos podem ser ingeridos frescos ou secos. Frescos sabem melhor, mas por vezes é preciso secá-los porque se estragam depressa. Para a secagem é preciso um tupperware grande que vede bem e um saco de carbonato de cálcio como o das recargas das caixinhas desumidificadoras que se vendem nas drogarias e nos hipermercados. Coloca-se o saco de desumidificador de um lado do tupperware e do outro, os cogumelos enrolados em papel higiénico de maneira a que não se toquem. Depois de 2 ou 3 dias estão secos como um palito.
Atenção: não se pode usar calor na secagem dos cogumelos porque perdem o efeito.
7. Consumo dos cogumelos :
Eu não recomendo a ingestão de cogumelos considerados “não comestíveis”, mas cada um é livre de fazer o que entender. No caso de pretenderes consumi-los, experimenta primeiro com um pequeno e com o estômago vazio.
Há inúmeros sites na Net onde podes encontrar relatos de experiências com cogumelos de todos os tipos e sugestões para a sua utilização.
Holanda proíbe consumo e cultivo de cogumelos 'mágicos'
A proibição à venda e ao cultivo de cogumelos frescos alucinógenos - conhecidos como "paddos" ou "cogumelos mágicos" - entrou em vigor na Holanda nesta segunda-feira. Um tribunal de Haia negou o pedido de adiamento da medida apresentado pela associação nacional que reúne os proprietários das chamadas smart shops, onde o produto era vendido.
Segundo o ministro da Saúde, Ab Klink, a medida é necessária para prevenir novos incidentes envolvendo principalmente estrangeiros, que após consumir o fungo atentam contra a própria vida.
Dois incidentes ocorridos em 2007 justificaram a decisão do ministro Klink. Uma jovem francesa de 17 anos cometeu suicídio, atirando-se de uma ponte, e um islandês atirou-se pela janela do quarto de hotel onde estava hospedado. Nos dois casos, os jovens haviam consumido os cogumelos.
Parecer
Os proprietários das lojas especializadas na venda do produto (VLOS, na sigla em holandês) alegam que, em nenhum dos casos, foi comprovada a influência dos cogumelos nos atos das vítimas e prometem recorrer contra a decisão.
Eles criticam o ministro da Saúde por não seguir o parecer do Centro de Coordenação e Monitoramente ao Acesso de Novas Drogas (CAM, na sigla em holandês), que - após análise encomendada pelo próprio ministro - concluiu que os riscos oferecidos pelos cogumelos à saúde pública são mínimos e que uma proibição total é fora de proporção.
O CAM aconselhou o Ministério da Saúde a, antes de qualquer medida, regularizar a venda e prestar melhores informações a respeito dos cogumelos.
Os "cogumelos mágicos" (frescos), que supostamente estimulam a mente e melhoram a memória, podiam ser adquiridos nas mesmas lojas onde se vendem alimentos energéticos como guaraná e gingko biloba. Não havia quantidade limitada por freguês - apenas limite de idade.
Os cogumelos desidratados já não eram mais vendidos há algum tempo, por serem considerados altamente prejudiciais para o cérebro.
Prejuízos
Os prejuízos financeiros para os produtores serão enormes, de acordo com o porta-voz da associação, Paul van Oyen.
Alguns alegam que vão perder de 3 a 10 milhões de euros (entre R$ 9 a 30 milhões) pelo investimento em estufas de cultivo.
Já os comerciantes alegam que vão falir em breve porque os cogumelos constituem 50% das vendas em seus estabelecimentos.
Eles pedem mais tempo para poder acabar com o estoque - principalmente, em Amsterdã, onde estão mais de 25% das smart shops do país.
O prefeito de Amsterdã, Job Cohen, se reuniria nesta segunda-feira com o Ministério Público e com a polícia a fim de discutir a proibição na cidade.
Lista negra
Paralelamente à proibição da venda de cogumelos frescos, 187 espécies de fungos estão proibidas de ser cultivadas na Holanda por possuir agentes ativos que causam alucinação.
De acordo com a nova lei, se alguma espécie incluída na lista negra do Ministério da Saúde for encontrada em um quintal, jardim ou mesmo reserva florestal, o dono da propriedade ou a organização ambiental corre o risco de pagar multa.
O dono da propriedade pode não estar ciente do crescimento da espécie proibida em seu terreno, mas ainda assim corre o risco de cumprir a pena máxima de um mês de cadeia. Se estiver ciente, mas não remover o cogumelo proibido, poderá ficar preso por até dois anos.
Para os que insistirem em cultivar grandes quantidades de cogumelos proibidos, a pena será de seis anos de prisão e multa de até 740 mil euros (cerca de R$ 2,1 milhões).
Em reação à lista lançada pelo Ministério da Saúde, a direção do Parque Nacional De Hoge Veluwe afirmou que nenhum cogumelo será arrancado do solo e que algumas espécies são protegidas por lei.
"Nossa missão é zelar para que os visitantes não colham ou danifiquem os cogumelos, além do mais vai ser impossível policiar uma área de 5,5 mil hectares", afirmou Henk Ruseler, agente florestal do parque.
Tolerância
O consumo de drogas leves, incluindo os cogumelos alucinógenos e a maconha, ainda que não regularizado oficialmente, é tolerado há mais de 30 anos na Holanda. Esta política nacional, no entanto, tem gerado muita polêmica e conflitos diplomáticos com países vizinhos.
Internamente, a tolerância também tem gerado confrontos políticos e, por isso, práticas como a venda de até cinco gramas de maconha por cliente maior de 18 anos nos coffee shops do país estão sendo revisadas.
Um congresso sobre o assunto reuniu recentemente prefeitos de cidades pertencentes à Associação das Prefeituras Holandesas (VNG sigla em holandês).
Por enquanto, nada muda na política sobre drogas, mas os prefeitos que decidirem não tolerar mais a venda em coffee shops terão plena liberdade.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Documentário : “Grass” (Maconha)
“Grass” (Maconha) é um documentário histórico sobre a guerra contra o uso da maconha. Das primeiras décadas do século XX até hoje, inúmeros mitos foram criados, milhares de jovens acabaram presos e bilhões de dólares foram gastos em uma verdadeira cruzada que, como revela o filme, ainda está longe de inibir o consumo dessa substância psicoativa. Vídeo em inglês, com legendas em português.Assistir pelo Site Guba : http://www.guba.com/watch/3000082999
Maconha - Reportagem da Revista Playboy de Março/2004

Dos pés do Himalaia ao dia-a-dia de 147 milhões de usuários no planeta, ela se tornou a droga proibida mais popular da história. O que você precisa saber sobre a erva para enxergar além da fumaça.
Pelo menos 30 milhões de brasileiros já experimentaram a sensação. O relógio anda devagar, as preocupações desaparecem, o corpo relaxa, o trivial fica engraçado. O pensamento salta de idéia em idéia, uma mais genial do que a outra. Depois dá fome. Tudo fica gostoso: molho de tomate pronto, pizza de ontem, sorvete derretido. Após algumas horas, o barato vai embora como chegou: devagarinho. No mundo inteiro, 147 milhões de pessoas experimentam essas sensações regularmente. É o número de usuários freqüentes de maconha estimado pela Organização das Nações Unidas. No Brasil, são 5 milhões. Nos últimos dez anos, a quantidade de estudantes brasileiros que experimentaram a droga multiplicou por quatro. O que as estatísticas mostram, você percebe em conversas de mesa de bar, nas praias, nos shows ao ar livre. A maconha é a terceira droga mais consumida no mundo, atrás do álcool e do tabaco. Das três, é a única ilícita, ao menos na maioria dos países. Dependendo do lugar em que você acende um baseado, pode ganhar um pito do guarda, parar numa clínica de recuperação ou passar sete anos na cadeia.
Em 1977, o então presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter disse uma obviedade freqüentemente ignorada num discurso ao Congresso americano: "A punição contra a posse de drogas não pode fazer mais mal a um indivíduo do que a própria droga faz". A frase encontrou eco no Congresso brasileiro a alguns dias do último Carnaval. Em mais um passo no lento processo de modernização da legislação antidrogas do Brasil, o plenário aprovou um projeto de lei que acaba com a prisão para consumidores de drogas. "É um avanço. Vai impedir muita família de classe média de pagar suborno para limpar a barra dos filhos", disse o deputado Fernando Gabeira, velho defensor de políticas mais liberais de repressão a drogas. Até que a lei tramite pelo Senado e ganhe sanção presidencial, o que deve levar pelo menos dois meses, ainda vale a regra antiga, que prevê detenção de seis meses a dois anos para quem for flagrado com um baseado na sacola. O passo dado em fevereiro está longe de colocar o Brasil no rumo da legalização da maconha. Os réus ainda poderão ser condenados a prestar serviços à comunidade e comparecer a um curso educativo.
PLAYBOY decidiu enfiar sua colher nessa discussão com um pacotaço especial. Ao navegar pelos links à direita [no site da revista Playboy], você vai ler uma linha do tempo sobre a erva, uma lista de maconheiros famosos, a solução que um grupo de usuários paulistas encontrou para não depender de traficantes e as diferenças da legislação sobre a droga em vários países. Há também uma página com fatos indiscutíveis sobre o uso da droga. As ilustrações à esquerda [aqui, no final da página] são sete anúncios criados por agências de publicidade a nosso convite [aqui, são quatro]. Pedimos aos publicitários que imaginassem como seria a propaganda caso a erva fosse liberada. São obras de ficção, naturalmente. Nem em países com legislação avançada, como Austrália e Holanda, a propaganda da maconha é permitida. A idéia original é da revista de bolso Venice, distribuída em bares, academias e lojas de surfe das principais capitais brasileiras. Seu editor, Fernando Costa Netto, nos ajudou na produção desta reportagem.
A parte mais surpreendente deste trabalho talvez sejam os depoimentos colhidos por Fernando numa clínica para dependentes da droga (também nos links à direita [no site da revista Playboy]). Eles foram obtidos no Ambulatório de Maconha da Unidade de Tratamento para Dependentes de Álcool e Drogas (UNIAD). É um serviço gratuito do departamento de psiquiatria da Escola Paulista de Medicina. O UNIAD já atendeu mais de 350 viciados que perderam o controle sobre o uso da maconha e passaram a enfrentar uma rotina de pesadelos na tentativa de parar. O projeto do Ambulatório de Maconha é desenvolvido por uma equipe de cinco terapeutas coordenada pela psicóloga Flávia Jungerman, uma das responsáveis pela implantação desse programa pioneiro. Flávia afirma que a maconha provoca profundas crises de abstinência. As crises são causadas pelo princípio ativo da maconha, o THC, que serpenteia o cérebro como um polvo. Os sintomas de quem tenta parar depois de viciado são ansiedade, nervosismo, dificuldade para dormir, falta de apetite e irritabilidade. PLAYBOY conversou com três dependentes. Eles buscaram tratamento para se livrar dos riscos, do desconforto familiar ou da confusão mental que a maconha trouxe às suas vidas.
A erva mata (os outros)O pior efeito colateral provocado pela maconha acontece a léguas de distância do sujeito com o baseado na boca. O acender de um cigarro bota em movimento uma engrenagem de violência que só no Rio de Janeiro mata mais menores do que em regiões em estado de guerra, como a Palestina. A maconha fumada pelos brasileiros vem de dois lugares: o agreste nordestino e o Paraguai. O transporte para as cidades é feito em caminhões. Ao chegar ao destino, ela é dividida em blocos de 10 quilos para traficantes médios, que repartem em sacos de 1 quilo e distribuem aos pequenos vendedores de drogas. É nessa etapa que ocorre a violência maior, com o envolvimento de crianças na guerrilha do tráfico e o derramamento de sangue que vai parar nas primeiras páginas dos jornais. A maconha pode ser freqüentemente associada à alienação, mas é crescente o número de usuários mudando de hábito para não fomentar a violência urbana. O químico paulista Eduardo (nome falso), 32 anos, fuma desde os 16, sempre comprando na rua. Há cinco anos, decidiu que cultivaria a própria erva. Desde então, nunca mais comprou um baseado.
"Assim, posso fumar sem culpa", diz. Além de plantar o seu, ele insiste para que os amigos parem de comprar e se dispõe a ensinar o processo a todo mundo, sempre na moita, é claro, porque aos olhos da lei o cultivo da erva é crime tão grave quanto o tráfico. Ele integra um grupo de simpatizantes que espalha mudas de maconha por canteiros, vasinhos e jardins de lugares públicos, como parques e praças. É o jeito que arrumou para protestar.
Grandes maconheiros da humanidade
Charles Baudelaire - Poeta.
Escreveu um ensaio sobre vinho e haxixe.
Honorè de Balzac - Escritor.
Freqüentava um clube de amantes do haxixe em Paris.
W. B. Yeats - Escritor.
Esperava turbinar capacidades telepáticas com a erva.
Robert Mitchum - Ator.
Ficou preso por 60 dias por fumar maconha.
Pancho Villa - Revolucionário mexicano.
Comandou tropas turbinadas pela erva.
Louis Armstrong - Músico.
Preso em 1930 por consumo.
Jack Kerouac - Escritor beatnik.
Fumou o primeiro baseado ouvindo jazz no Harlem, em NY.
Bob Dylan - Músico.
Pregou o uso universal em entrevista a PLAYBOY.
Paul McCartney - Músico.
Foi preso no Japão por dez dias por posse.
Bob Marley
Precisa dizer alguma coisa?
A maconha em fatos
● Por que maconha dá onda?
A substância responsável pela onda que sentem os maconheiros é o THC. Na planta, o THC não passa de um protetor solar natural que impede que as folhas torrem debaixo do sol. No cérebro humano, o impacto é bem maior. O THC afeta as áreas responsáveis pela memória recente, pela percepção da dor e pela coordenação de movimentos. Isso ocorre porque ele se liga a uma substância presente nos neurônios. Mexeu nos neurônios, dá treta. O cara fica com raciocínio lento, percepção diferente, senso de humor aguçado.
● Maconha emburrece?
O uso regular de maconha prejudica a memória, não duvide. O uso pesado atrapalha o raciocínio. Pesquisadores de Harvard testaram e comprovaram. Mas não há estudos científicos indicando que os danos sejam definitivos. Ou seja, até onde se sabe, depois que o sujeito pára de fumar, recupera a capacidade de raciocínio e memória.
● Maconha vicia?
Tanto quando cafeína e menos do que álcool, nicotina ou cocaína. Um em cada 11 pessoas que experimentam um baseado vira usuário crônico. A maioria consegue parar se quiser. Mas 16% desses usuários crônicos têm crises de abstinência, que incluem ansiedade, crises nervosas e insônia.
● Maconha dá câncer?
Sim. A erva tem substâncias tóxicas iguais às do cigarro, como monóxido de carbono e alcatrão. Maconheiros fumam menos que fumantes, mas baseados têm poder destrutivo até seis vezes maior do que cigarros. Quem queima um de dois em dois meses corre poucos riscos. Mas quem queima quatro ou cinco por dia tem maior probabilidade de se dar mal.
● Maconha broxa?
Pesquisas indicam que altas doses de THC diminuem a produção de testosterona no homem. Daí a broxar vai uma distância. Mas é melhor não exagerar.
● Maconha aparece em exame?
Sim. O THC fica no organismo de três a cinco dias e pode ser detectado em exame de sangue.
● Maconha faz mais mal na adolescência?
A adolescência já é uma época suficientemente confusa. Acrescentar uma droga que mexe com memória e perceptividade ao caldeirão de expectativas que cerca a passagem para a vida adulta não ajuda ninguém. Além disso, alguns cientistas dizem que atrasa a puberdade.
● Maconha é porta de entrada para drogas mais pesadas?
Estatisticamente, sim. Não por questões físicas, mas sociais. Um sujeito que começa a fumar e comprar maconha regularmente tem os meios para passar para drogas mais pesadas. Ainda mais se pegar gosto pela coisa.
O mundo está ficando mais liberal
Há boas idéias de como lidar com o consumo de maconha sendo aplicadas nos mais diferentes países. Recentemente, Portugal descriminalizou a droga. Quem for flagrado paga uma multa, perde o baseado, mas sai limpo. A maioria dos estados australianos também não considera fumar maconha um crime. Na Austrália Ocidental é permitido o cultivo de até dois pés da planta dentro de casa, uma forma interessante de inibir o contato com traficantes. Mas a legislação sobre maconha mais elogiada (e criticada) do mundo é a holandesa, onde é possível comprar até 5 gramas da erva em bares conhecidos como koffeshops.
Essa política nasceu em 1976 com um objetivo: interromper a escada que leva um usuário de drogas leves (haxixe e maconha) a consumir drogas pesadas (cocaína, heroína, ecstasy). As autoridades do país imaginam que a juventude passa da erva ao pó pelo contato com traficantes. Para garantir o sucesso da política, os koffeshops são rigorosamente controlados para que outras drogas ilícitas não entrem. Também não podem fazer propaganda, vender baseados prontos ou virar foco de tumulto. Em alguns municípios, não vendem bebida. Quem infringe as regras perde a licença e fecha as portas.
O fato é que não há país no mundo em que seja mais fácil comprar, apertar e acender um baseado. Alguns koffeshops de Amsterdã têm até cardápio, com variedade de ervas para o cliente escolher. A explosão de consumo esperada pelos radicais antidrogas nunca aconteceu. Apenas 16% dos holandeses já experimentaram maconha. Nos EUA, esse índice roça os 33%. Só 2% da população experimentou cocaína. Nos EUA, o índice é de 10%. Na contramão da política holandesa está a China, que tem aquela que talvez seja a lei mais severa do mundo. Usuários pegam um mínimo de sete anos de prisão e traficantes recebem uma bala na nuca. O novo projeto de lei em tramitação no Congresso brasileiro nos leva um pouco mais para perto de Holanda, Portugal e Austrália e mais para longe da China.
Eles perderam o controle
Depoimentos de gente que procurou ajuda médica para se livrar da maconha
● Otávio, 47 anos, agente de viagens:
Percebi que a maconha era a causa dos maiores sofrimentos da minha vida muitos anos depois de acender o primeiro baseado. Estava sempre precisando fumar um: quando acordava, na hora de dormir, antes de comer, no trabalho. Quando não fumava, a comida parecia borracha na boca. Minha rotina era me trancar num escritório na minha casa, fingir que estava trabalhando, enrolar um baseado e fumar. Se eu não fumasse, só conseguia dormir lá pelas 4 da manhã. Era triste. Eu dizia para a minha mulher: "Largo amanhã, não sou viciado". Há oito anos, ela me deixou e fiquei sozinho para cuidar da minha vida. Já tinha perdido a força para trabalhar, a auto-estima estava no chão. Fumava meu primeiro baseado assim que levantava e não conseguia fazer nada porque tinha dificuldade de concentração. Pensava dez vezes para ligar para um cliente, preparar um tour, me perdia nas contas, era terrível... Uma vez, mandei para Belém um cliente que pedira passagem para João Pessoa. Eu havia fumado um no almoço. Estou em tratamento há três meses. Sem essa porcaria eu resgatei a minha família, já levei três grupos de pessoas para Ubatuba e tô montando uma nova empresa de viagem. Hoje, me sinto livre e forte para cuidar da minha filha. É o mais importante.
● Augusto, 40 anos, corretor de imóveis:
Eu sou de uma cidade pacata, sem vida noturna, rodeada de fazendas. Comecei com um grupo de amigos. A gente ia para uma fazenda com as meninas, fumava uns baseados, batia um papo, nada grave. Primeiro você dá uns pegas, depois fuma um, outro, depois fuma três por semana, um todos os dias e quando percebe tá acendendo um de manhãzinha, antes do almoço, depois do almoço, à tardezinha, de noite. Assim foi desde os 18 anos. Depois me casei com uma mulher que nunca curtiu essas coisas. Tive que mudar o esquema. Fumava de manhã e de vez em quando dava uns tapinhas à tarde também, sempre escondido. Um dia ela pegou a minha bolsa, encontrou o bagulho e saiu de casa, me largou. Eu cheguei à conclusão de que estava na hora de fazer alguma coisa. Já havia tentado parar sozinho, mas o prazer e o contato com a maconha eram tão grandes que ficava difícil. Se eu não tivesse esse problema com a minha mulher, não pararia mesmo. Mas reconheço que depois do tratamento passei a sentir mais prazer nas coisas que faço. Um dia desses sonhei que estava fumando, acordei no pico do negócio de estar dando um pega daqueles que você enche o pulmão e... pumba! Acordei assustado. Dureza.
● Orlando, 23 anos, estudante de fisioterapia:
Sou filho único e moro com a minha mãe. Acendi o primeiro baseado aos 16 anos e logo passei para três ou quatro por dia, geralmente no fim da tarde e de noite. Eu não estava nem aí pra nada, o relacionamento em casa estava ruim e até cheguei a repetir um ano da faculdade por causa da maconha. Eu fumava e achava que pararia quando quisesse. É muita ironia fumar todos os dias e achar que não é viciado. Foi minha mãe quem procurou ajuda. Quando ela me disse que eu tinha que me tratar, eu relutei. Não queria, achava que a vida era fumar maconha. O primeiro dia foi um saco, um monte de perguntas, uma sala com um monte de gente, sessão em grupo e eu odeio falar da minha vida na frente dos outros. Depois escolhi fazer a terapia individual. Estou me tratando há quatro meses. Nesse tempo, só tive uma recaída, mas tô tranqüilo, nem tenho mais vontade. Hoje posso ficar perto de gente fumando e me segurar numa boa. Outra coisa boa é que a minha namorada não fuma, é totalmente contra. Ela me ajudou muito. Me sinto muito melhor, agora tenho planos para o futuro. Quero terminar a faculdade, fazer pós-graduação na minha área e batalhar a vida sem maconha. Quem sabe trabalhar com esportes? Sou palmeirense. Ser fisioterapeuta do Verdão seria tudo.
Da China a Bob Marley - a maconha através dos tempos
10000 a.C.
Nos pés do Himalaia, o homem aprende a plantar cânhamo para usá-lo na confecção de cordas e tecidos. É a primeira planta cultivada pela humanidade para esse fim.
2300 a.C.
Shen Nung, imperador da China e médico, recomenda maconha a pacientes com toda a sorte de doenças. Nung considerava a erva um "elixir da imortalidade".
570 a.C.
Durante seis anos de meditação, Buda come apenas sementes de cânhamo, segundo a tradição Mahayana do budismo.
600 a.C.
Na China, os taoístas implicam com a erva. Acham que é uma força negativa, que enfraquece o corpo e debilita os sentidos. Mais tarde, passariam a usá-la em incensos.
Ano 0
Cientistas americanos afirmam que Jesus Cristo pode ter usado um óleo de maconha para curar doenças. Diferentemente do que juram doidões mais empolgados, não há referência à maconha na Bíblia.
1300
A maconha entra no imaginário popular europeu pelos relatos de Marco Polo sobre suas viagens ao mundo árabe, recheadas de usuários de haxixe.
1450
Gutenberg imprime a Bíblia (e mais um monte de outros livros) em folhas de cânhamo.
1492
Colombo descobre a América com barcos movidos a velas de cânhamo. A erva era tão importante para a marinha que fazendeiros que não cultivassem a erva eram multados.
1600
A planta chega ao Brasil trazida por escravos.
1753
O cânhamo ganha o nome científico Cannabis sativa L.
1798
Napoleão invade o Egito e, assustado com o sucesso da droga entre as tropas, promulga a primeira lei do mundo moderno proibindo o cânhamo. Não adianta nada. A soldadesca leva o hábito para a França.
1823
A The Lancet traz artigo afirmando que a Cannabis "é um dos mais valiosos remédios". Na Inglaterra, a erva é usada contra epilepsia, tétano, asma e gonorréia.
1830
A Câmara Municipal do Rio promulga a primeira lei brasileira proibindo o consumo e venda de maconha. Pena para quem acendesse unzinho: três dias de cadeia.
1845
Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud e outros artistas de Paris reúnem-se uma vez por mês no Club de Hashishins para fumar haxixe e trocar idéias. Tempos depois, Baudelaire condenaria a erva: "Vinho deixa os homens felizes e sociáveis. Haxixe deixa os homens isolados".
1944
A Academia de Medicina de Nova York publica relatório afirmando não haver evidências de que o uso recreacional da maconha torne os usuários violentos.
1951
A ONU publica boletim afirmando que 200 milhões de pessoas já haviam experimentado maconha.
1966
Em entrevista à PLAYBOY, Bob Dylan diz: "Essas coisas não são drogas. Elas apenas entortam um pouco a cabeça. Acho que todo mundo deveria entortar sua cabeça de vez em quando".
1976
A Holanda inicia a política de tolerância.
1978
Bob Marley compõe Easy Skanking.
1980
Paul McCartney passa dez dias preso no Japão por posse de maconha.
1988
Amsterdã recebe a primeira Cannabis Cup. A competição para designar a melhor maconha do mundo é realizada anualmente desde então.
1992
Em campanha para a presidência dos EUA, Bill Clinton diz que fumou, mas não tragou.
2004
Câmara dos Deputados brasileira aprova projeto de lei que acaba com a detenção para consumidores de drogas.


