Extraído do Site : http://www.toninhobuda.com/
JOHN LENNON & O PAPA DO LSD
Toninho Buda, 5 maio 1996
São Paulo, sábado, 14 de março de 1992. Aquele era um momento de muita sorte e meu coração estava aos saltos. Realmente, eu viera mais cedo para a palestra do “I Encontro com os Magos da Nova Era” com a esperança de poder falar com ele a sós. Mas não esperava encontrá-lo ali, sozinho, tranquilo e caminhando em círculos no hall do Maksoud Plaza. Era uma noite de temperatura agradável e a poucos metros de mim estava uma das cabeças mais revolucionárias do século vinte: Mr. Timothy Leary.
Timothy Leary nasceu em 1920, nos EUA. Em 1960, ele fazia parte de uma rede internacional de cientistas e intelectuais que estava experimentando plantas e drogas como dilatadoras da mente, num processo que poderia revolucionar completamente a psicologia e a filosofia. Inicialmente utilizados para o tratamento de doenças mentais, a psilocibina, o LSD e a mescalina estavam entre essas drogas. Um desses cientistas, Humphrey Osmond, cunhou na Inglaterra a palavra “psicodélico”, que mais tarde escaparia do âmbito científico para se popularizar a partir de 1967, como um movimento mundial da juventude em todo o planeta. Em 1960, a opinião dos pesquisadores em geral era a de que estas experiências deveriam ficar restritas ao âmbito da ciência e nunca serem divulgadas publicamente. No entanto, Timothy Leary não pensava assim. Ligado a Allen Ginsberg, Jack Kerouac, Aldous Huxley e mais tarde a John Lennon e Jimi Hendrix, Leary tinha uma postura totalmente democrática com relação às drogas expansoras da consciência. Além disso, ele sempre foi um discípulo declarado de Aleister Crowley, o famoso mago inglês que deixou um legado enorme na área do esoterismo e também no campo da pesquisa com drogas alucinógenas como chaves do poder e da vontade. Talvez porque não haja nenhum interesse em que o grande público aprenda como “pilotar a própria mente”, a importância da obra dessas pessoas continua sendo boicotada pela ciência e política “oficiais”. Crowley - o maldito entre os malditos - continua sendo “esquecido” por todos os que se aproveitam de sua herança. Somente para citar um exemplo nacional, o conhecido autor de best sellers Lair Ribeiro baseou toda a sua proposta de auto-ajuda em Lafayette Ronald Hubbard, criador da Cientologia e da Dianética, nos Estados Unidos. Pois seria interessante que todos soubessem que Hubbard, por sua vez, baseou toda a Dianética e Cientologia no “Livro da Lei” de Aleister Crowley. A Timothy Leary nunca interessou estes joguinhos de esconde-esconde. Ele tornou-se o “Papa do LSD” e tornou conhecidas mundialmente todas as pesquisas com drogas.
Houve um período, por volta de 1968, em que Timothy Leary tornou-se tremendamente popular nos Estados Unidos. Com o apoio de muitos órgãos alternativos como a “Rolling Stones” e diversos setores da imprensa oficial, ele chegou a derrubar leis federais sobre a maconha na Califórnia. Em seguida, lançou sua candidatura a Governador do mesmo Estado da Califórnia. Do seu programa de governo constava a eliminação de todos os impostos e a conversão de todos os colégios, faculdades e prisões em instituições produtivas e lucrativas. A chave principal do seu plano de campanha era conseguir reunir um grupo imenso de celebridades da contracultura e bandas de rock, que sairiam viajando de cidade em cidade na Califórnia. Então ele dirigiu-se a Nova Yorque, para fazer gravações com músicos simpatizantes e jantou comn Jimi Hendrix no Greenwich Village. John Lennon e Yoko Onno não puderam comparecer às gravações que foram feitas em seguida, porque estavam em Montreal, proibidos de entrar nos Estados Unidos por causa de uma antiga condenação por porte de maconha. Nesta época, Lennon estava preparando o compacto “Give Peace a Chance” e fazendo um protesto em cima de uma cama gigante, no Hotel Queen Elizabeth de Montreal. Depois das gravações em Nova Iorque, Leary foi visitar Lennon. O beatle lhe perguntou o que poder4ia fazer para ajudar na sua campanha e Lery pediu-lhe que fizesse uma canção para ela. “OK”, disse Lennon, “Qual o tema ?”. Leary respondeu “Nosso slogan é ‘chegue junto, filie-se à festa’ (‘come togheter, join the party’ - aproveitando o duplo sentido de ‘party’, ‘festa’ e ‘partido’)”. Lennon então pegou sua guitarra e em poucos minutos estava pronta a primeira versão de “Come Togheter”, que eu pouco tempo já estaria tocando nas rádios da Califórnia: “Come togheter right now, don’t come tomorrow, don’t como alone, como togheter right now, over me. All that I can tell you is you gotta be free”.
No entanto, a Polícia Federal, que estava no encalço de Leary há muito tempo, conseguiu brecá-lo da mesma forma que havia feito com Lennon. Resolveram condená-lo por “transporte de maconha”, numa batida em que ele havia sido flagrado em Laredo, mas absolvido no primeiro round (em que foi julgado por “porte de maconha”). Mas haviam outras condenações contra Leary: pelo menos em Laguna Beach e Millbrook. Pelo caso de Laredo, ele poderia pegaar até 20 anos de cana, mais dez mil dólares de multa! Sua candidatura estava perdida, mas mesmo assim ele ainda assistiu ao Festival de Woodstock dos bastidores e estava três meses depois no Festival de altamont, quando os Rolling Stones iniciaram seu show com “Sympathy for the Devil” e o pau começou a quebrar... Seis meses depois do histórico encontro com Lennon, sentado dentro da cela de sua prisão, Leary ouviu no rádio a mais nova música dos Beatles, chamada “Come Togheter”, lançada pela EMI e assinada por John Lennon e Paul McCartney! Ora, aquela música era dele e Lennon o havia passado prá trás! Imediatamente ele escreveu para John protestando contra isso e Lennon lhe respondeu com seu conhecido humor ferino: “Tim, você se comportou como um freguês que vem, encomenda o terno e depois não aparece para buscá-lo e pagar a conta. Então eu - o alfaiate - vendi o terno para outra pessoa !”. Mesmo assim, eles continuaram sempre amigos e John e Yoko sempre o apoiaram em seus longos anos de perseguição e exílio.
E agora, ali no Maksoud Plaza, aos 72 anos e a poucos passos de mim estava o “Papa do LSD”. Hoje ele havia “evoluído” do ácido para a “psicocibernética” e iria falar em São Paulo sobre a “Realidade Virtual” e a “Exo Psicologia”. Segundo ele, com o domínio do oitavo circuito do cérebro, é possível que qualquer pessoa consiga contactar o RNA e o DNA... Eu me sentia muito pequeno diante de tudo isso e tremia dos pés à cabeça. Até que ele notou a minha presença e sorriu. E começamos a conversar. Entreguei a ele um artigo em inglês, de minha autoria, intitulado “Opus 666, A Ópera Rock de Raul Seixas” e expliquei quem havia sido no Brasil o grande Raul Seixas e suas ligações com Crowley e a Sociedade Alternativa. Contei prá ele que o grande sonho do Raul era ter seu trabalho conhecido nos Estados Unidos, falei das ligações de Raul com a “New Utopian” de John Lennon e pedi a ele que divulgasse estas notícias de uma forma mais ampla na América do Norte. Ele me entendeu e me abraçou afetuosamente. Eu assisti à sua palestra com o sentimento de cumplicidade que une os alternativos e depois fui embora. Nunca mais o vi, mas tenho certeza de que, esteja onde estiver, Timothy Leary continuará sendo o “Papa da Expansão da Consciência”. Ele continuará sendo aquele que mostrou para o mundo que a “realidade” que nós vivemos é apenas uma das “realidades” possíveis de serem vividas. E que esta realidade tantas vezes deprimente, feita de imagens de televisão, propaganda enganosa e educação familiar e religiosa é provavelmente a mais pobre das realidades que o ser humano jamais conseguiu fabricar para si próprio ! Nós temos a gratidão de continuar divulgando esta grande descoberta da juventude dos anos 60. Nós temos a obrigação de continuar jovens e lutando para criar núcleos de resistência contra a loucura do “sistema”. Nós temos a obrigação de morrer jovens e o mais tarde possível !
domingo, 4 de janeiro de 2009
sábado, 3 de janeiro de 2009
Download do Livro -> Rodas de Fumo : O uso da maconha entre as camadas médias urbanas
Mestre Samael Aun Weor e os Psicodélicos
Segue alguns trechos de livros do Mestre Samael Aun Weor sobre psicodélicos :

Livro: "Logos Mantram Teurgia - Samael Aun Weor"
Capítulo 8 - Saídas Astrais
"Não são poucos os estudantes que perderam totalmente suas faculdade comos maus hábitos e costumes que tiveram em suas reencarnações passadas. Eagora sofrem o indizível porque, apesar de conhecer todas as chavesgnósticas, não conseguem sair conscientemente em Corpo Astral.
Nas selvas do Amazonas e do Putumayo existe uma planta portentosa chamada"Yagé". Os Piachis das tribos tomam esta planta em infusão mesclada com"Guarumo" e saem em Astral. Se um estudante gnóstico que não tenha afaculdade de sair conscientemente em Astral beber esta infusão,instantaneamente logrará o 'desdobramento' consciente. E se a utilizardiariamente durante algum tempo irá adquirir a faculdade de"Astralizarse". Depois, mesmo sem beber a infusão, não a necessitaria,pois se instalaría nele essa faculdade permanentemente."
Livro: "Matrimônio Perfeito - Samael Aun Weor"
Capítulo 4 - As Sete Igrejas
"Os índios do Amazonas utilizam o "Yagé" para despertar a clarividência.Os Aztecas usam o "Peyote", planta mexicana que os índios do norteutilizam para despertar a clarividência momentaneamente. Todas essasplantas conseguem um momentâneo despertar da clarividência, mas aclarividência contínua, transcendental e realmente positiva só se conseguepraticando Magia Sexual com a esposa."
Livro: "A Montanha de Juratena - Samael Aun Weor"
Capítulo 7 - Os Tempos do Fim
"Outra noite, a mais pura, a mais calada... O velho místico aproveitando osono de seu corpo, abandonou sua envoltura corpórea e se foi aos mundossuperiores. Aqui no México nós temos o Peyote, um cactus maravilhoso.Mascando-se este vegetal se desperta a clarividência instantâneamente eentão podemos sair em corpo astral com plena consciência. Lá na América doSul existe o famoso YAGÉ que nos permite sair em astral. Essa planta só seconsegue nas selvas do Amazonas ou nas planícies orientais."
Livro: "Logos Mantram Teurgia - Samael Aun Weor"
Capítulo 8 - Saídas Astrais
"Não são poucos os estudantes que perderam totalmente suas faculdade comos maus hábitos e costumes que tiveram em suas reencarnações passadas. Eagora sofrem o indizível porque, apesar de conhecer todas as chavesgnósticas, não conseguem sair conscientemente em Corpo Astral.
Nas selvas do Amazonas e do Putumayo existe uma planta portentosa chamada"Yagé". Os Piachis das tribos tomam esta planta em infusão mesclada com"Guarumo" e saem em Astral. Se um estudante gnóstico que não tenha afaculdade de sair conscientemente em Astral beber esta infusão,instantaneamente logrará o 'desdobramento' consciente. E se a utilizardiariamente durante algum tempo irá adquirir a faculdade de"Astralizarse". Depois, mesmo sem beber a infusão, não a necessitaria,pois se instalaría nele essa faculdade permanentemente."
Livro: "Matrimônio Perfeito - Samael Aun Weor"
Capítulo 4 - As Sete Igrejas
"Os índios do Amazonas utilizam o "Yagé" para despertar a clarividência.Os Aztecas usam o "Peyote", planta mexicana que os índios do norteutilizam para despertar a clarividência momentaneamente. Todas essasplantas conseguem um momentâneo despertar da clarividência, mas aclarividência contínua, transcendental e realmente positiva só se conseguepraticando Magia Sexual com a esposa."
Livro: "A Montanha de Juratena - Samael Aun Weor"
Capítulo 7 - Os Tempos do Fim
"Outra noite, a mais pura, a mais calada... O velho místico aproveitando osono de seu corpo, abandonou sua envoltura corpórea e se foi aos mundossuperiores. Aqui no México nós temos o Peyote, um cactus maravilhoso.Mascando-se este vegetal se desperta a clarividência instantâneamente eentão podemos sair em corpo astral com plena consciência. Lá na América doSul existe o famoso YAGÉ que nos permite sair em astral. Essa planta só seconsegue nas selvas do Amazonas ou nas planícies orientais."
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Em Louvor à Jurema
MEU PRIMEIRO TEXTO AUTORAL NESTE BLOG.
Confesso que fiquei impressionado nestes últimos 03 anos que tive o prazer de conviver diariamente com essa especial planta de poder.
Já tinha tido experiências com a Ayahuasca através do Santo Daime e da UDV, mas as experiências apesar de significantes não causaram uma mudança real no meu modo de viver.
Mas quando recebi a notícia que iria, por causa do trabalho, morar em uma cidade do Semi-Árido nordestino, mas precisamente no interior do Rio Grande do Norte, fiquei meio "p" da vida.
Minha vida quase toda foi morando em Capitais, salvo raras exceções, mas morar em um interior a 250 km da capital mais próxima para mim era o fim do mundo. Mas ao mesmo tempo era o trabalho que sonhava várias vezes, trabalhar na área de Meio Ambiente de uma empresa de Grande porte, bom acabei indo apesar das críticas da minha esposa.
Ao chegar ao local deparamos logo com um calor intenso, mas isso não me incomodava tanto quanto a falta de cultura do local e falta de diversão.
No local de trabalho meu papel principal era realizar mapeamentos de Fauna e Flora nos locais onde serão construídos pequenos poços de captação, até ai tranquilo, mas eram poços em distâncias enormes e tinha que passar várias horas do dia do trabalho me deslocando e o trabalho era mais viajando do que realizando o trabalho em si.
Ao deparar com meu primeiro Memorial Descritivo percebi que tinha uma planta que era predominante, a Jurema Preta, Mimosa Hostilis. Ai pensei : - Que beleza ! Já tinha estudado sobre a planta, mas não de cunho profissional e sim enteogênico. Sabia que era a maior fonte de DMT existente até então e que era a de mais fácil extração. Fiquei super feliz em saber que teria contato constante com uma planta rica em DMT.
Até então ainda não considera a Jurema Preta uma Planta de Poder, designando esse status apenas para os Cogumelos que contém psilocibina, Jagube e Chacrona, Cactos Peyote e Wachuma e a Cannabis.
Percebendo que não podia deixar de passar em branco essa oportunidade que a vida estava mim dando de ter contato com uma fonte de DMT decidi aproveitar e estudar ainda mais da Jurema.
A primeira coisa a fazer foi colher parte da casca da raiz da jurema, pois a questão de identificação já estava esclarecida. Colhi bastante casca da raiz e fiz um "mel" de tão forte, comprei algumas sementes de arruda da síria e fui atrás da minha primeira experiência com jurema. Resultado : Um fracasso. Não consegui "segurar" o chá da jurema de tão ruim o gosto dele apresenta.
A princípio fiquei desestimulado, mas para compensar essa experiência decidi entrar em contato com os amigos químicos para tentar fazer uma extração de DMT. Foi uma procura intensa. Acho que entrei em contato com várias pessoas todas com um pé atrás em relação a minha proposta, que era bem simples : Eu entrava com a casca da raiz da jurema e a outra pessoa com a extração, em troca me dava um pouco do DMT gerado. Mas uma vez o fracasso tomou conta da minha experiência.
Não sei se foi a primeira experiência com a Jurema, mas ficou marcado, eu estava fumando cannabis em um lugar cercado de jurema quando me veio na cabeça : - Você tem que me conhecer !!! Quando vi estava usando uma grande jurema como sombra para fumar meu cigarro ! Vi logo que poderia ser uma reação da cannabis, mas quando pensei para mim mesmo que iria tentar novamente algumas experiências eu tive a impressão que todas as juremas que estava na minha vista parecia bater palmas !!! Por mais absurdo que isso é, não poderia imaginar que teria uma experiência com uma planta ser ter ingerido. Para mim isso foi louco demais.
Mas aos poucos fui "domando" a jurema, fazendo chás mais fracos, muitas vezes só deixando a jurema um bom tempo descansando em água e tomando com arruda de síria e tendo experiência legais.
Mas foi quando comecei a doar sementes de jurema para quem quisesse que minha "relação" com a planta Jurema deu uma volta grande. Percebi que no semi árido usam a jurema para queima em carvoarias para fazer carvão, e percebi a grande matança que estava acontecendo com a jurema. Decidi divulgar em um Fórum de Plantas Enteógenas que estava disposto a doar sementes de jurema para quem quisesse plantar. Recebi vários e-mails e recados de pessoas que queria plantar e conhecer um pouco da jurema. Foi assim que do nada as experiências com a Jurema se tornaram mais intensa ! Utilizei a jurema com infusão e com Arruda da Síria ou Aurorix. As experiências se tornaram intensas e vivídas a ponto de ter a impressão de está conversando com o espírito da planta.
Depois de ter quase desistido de fazer a extração da jurema e de perceber que estava no caminho certo, fazendo doações de sementes e da própria casca da raiz da jurema, fiz isso para quem quisesse, quem entrava em contato comigo e tivesse interesse em adquirir sementes eu doava. Fiz doações para todas as regiões do Brasil. Fiz doações para vários países entre eles : Espanha, Suécia, Estados Unidos, México e Canadá. Percebi que isso era o motivo de ter ido para aquela região ! Ao ter experiências mais profundas com a jurema, vi nitidamente que foi o próprio espírito da planta que me levou até ela !! Isso quebrou vários paradigmas que tinha e me fez pensar realmente diferente.
Depois de percebi isso, surgiram pessoas querendo fazer a extração, entrei em contato com um E-shop brasileiro que estava interessado na casca da raiz da jurema para venda e decidi que caso ele me desse como pagamento o extrato da jurema e arruda da síria ficaria feliz em ser seu fornecedor de casca da raiz da jurema. Foi o que aconteceu. Passei um bom tempo sendo fornecedor e recebendo em troca o DMT puro e Sementes de Arruda da Síria.
As experiências com o DMT puro, fumado, fez com quê eu entrasse em um novo estagio com relação a jurema. Não tinha mais dúvida que era o espírito da planta que tinha me levado para aquele lugar, ela fez com quê eu entendesse que o espírito da jurema atua em várias dimensões e conscientemente, me fez perceber que sou Deus assim como Ela também É !
Foram centenas de experiências com a jurema de todas as formas possíveis e assim como surgiu inesperadamente minha ida para o Semi Árido Nordestino, minha despedida também foi inesperada e rápida. Pelo que me consta minha missão tinha se encerrado. Fiz o que pude para divulgar essa Santa Planta pelos fóruns que passei e pelos contato que tive. Sei que se pelo menos 5% das sementes que enviei para todo o Brasil tiver brotado teremos vários juremais pelo brasil e pelo mundo. Que essa semente prospere e que vejamos o quanto importante é o reino das plantas !
Estou feliz e com o orgulho de dever cumprido. Os ensinamentos dados pela Jurema não se resume neste pequeno texto, teria que ser um livro para contar todas as experiências e ensinamentos, mas o que aprendi com ela mudou minha vida, mas do que isso, transformei-me em um homem melhor, mais simples e mais corajoso.
À Jurema meu eterno e infinito agradecimento !
L.C. Albuquerque
Iboga: Estudos revelam que substância extraída desta planta funciona contra o alcoolismo.

Iboga (Tabernanthe iboga)
Em estudos preliminares com ratos, a substância alucinógena conhecida como Ibogaína (extraída de arbusto encontrado no oeste africano) confirmou suas propriedades anti-dependência do álcool. O mecanismo pelo qual a substância age no corpo foi identificado, abrindo novos caminhos para o desenvolvimento de Remedios para combater o mal.
Durante a pesquisa, ratos e camundongos foram induzidos ao consumo de álcool em doses diárias até habituarem-se à bebida. Os testes com Ibogaína demonstraram uma queda efetiva no consumo da substância pelos roedores, diretamente relacionado ao aumento da produção de uma proteína pelo cérebro, o GDNF. A relação entre o GDNF e o controle da dependência permitirá o desenvolvimento de medicamentos para tratar o alcoolismo, sem os efeitos colaterais da Ibogaína.
Mesmo com suas propriedades terapêuticas reconhecidas, a Ibogaína não deve ser estudada como base para o desenvolvimento de remédios - sua alta toxicidade e características alucinógenas são os principais motivos para que o mecanismo pelo qual ela funciona seja utilizado pela indústria farmacêutica sobre diferentes formas.
Sobre esta planta, vale a pena ler um trecho do artigo de Beatriz Caiuby Labate (Antropóloga - Unicamp, Brasil):
As plantas psicoativas têm sido utilizadas há 50 mil anos pela humanidade, em diferentes culturas e épocas, sendo objeto de culto e reverência ou de demonização. A paixão que despertam revela-se, em primeiro lugar, pela própria maneira de nomeá-las. Alguns pesquisadores têm criticado o termo científico alucinógeno, por sugerir uma percepção falsa e ilusória da realidade. Uma opção adotada tem sido enteógeno, originário do grego antigo, com o significado de "Deus dentro" ou "o que leva o divino para dentro de si". Outra, mais ligada à contracultura, é psicodélico, "aquilo que revela o espírito ou alma". Alguns preferem utilizar termos nativos, como é o caso de plantas professoras, expressão característica do vegetalismo peruano, ou adotar denominações que sublinhem as dimensões neurofarmacológicas comuns às várias substâncias, como a proposta por Michael Winkelman, plantas psicointegradoras, aquelas que "integram os hemisférios direito e esquerdo do cérebro".
As diversas populações que fazem uso dessas substâncias consideram, em geral, que elas são habitadas por um espírito, uma "mãe", um "dono" - com o qual podemos nos comunicar e aprender. Elas seriam, portanto, um espírito-planta. Um traço comum aos variados contextos é a crença de que, por meio dessas substâncias, é possível estabelecer contato com o mundo espiritual, com os seres divinos, e transcender as fronteiras da morte.
Historicamente, o uso de tais psicoativos tem sido associado ao reforço da identidade étnica, à promoção da coesão social, à transmissão de valores culturais, à produção artística, à morte simbólica do ego, ao autoconhecimento, à resolução de conflitos sociais, à guerra, à feitiçaria, à caça, ao poder político e cósmico, à metamorfose em animais e à divinação, entre outros. Uma das dimensões centrais das plantas de poder é a sua conexão estreita com os sistemas de cura, seja através da figura do xamã, seja através das religiões institucionalizadas. A cura propiciaria uma conexão holística entre processos mentais, emocionais e espirituais - mesmo porque, em alguns dos contextos onde estas substâncias são consumidas, tais esferas são consideradas inseparáveis.
A ciência norte-americana dos anos 50 e 60 desenvolveu diversas pesquisas e experimentações sobre as virtudes médicas e terapêuticas dos psicoativos, sobretudo antes da proibição legal do LSD nos EUA, em 1966. Entretanto, o tema permanece ainda pouco estudado, além de fortemente estigmatizado. Os assim chamados estados alterados de consciência não são provocados apenas por substâncias químicas. Eles também podem ser produzidos por estímulos auditivos, jejuns nutricionais, isolamento social e deprivação sensorial, meditação, estados de sono, abstinência sexual, comportamento motor intensivo, opiáceos endógenos e estados mentais resultantes de alterações na neurofisiologia ou química corporal.
Trata-se de um arbusto com uma raiz subterrânea que chega a atingir 1,50m de altura, pertencente ao gênero Tabernanthe, composto por várias espécies. A que mais tem interessado a medicina ocidental é a Tabernanthe iboga, encontrada nos Camarões, Gabão, República Central Africana, Congo, República Democrática do Congo, Angola e Guiné Equatorial. Seu principal alcalóide é a ibogaína, extraída da casca da raiz. Algumas espécies animais, entre as quais os mandris e os javalis, alimentam-se das raízes da iboga para conseguir efeitos entorpecentes. Imagina-se que os pigmeus descobriram a eboka (iboga) observando o comportamento desses animais. Até hoje, estas populações utilizam a iboga em seus ritos.Em 1901, a ibogaína foi isolada pela primeira vez. Há notícia de que ela teria sido usada no Ocidente desde o início do século XX, no tratamento de gripe, neurastenia, doenças infecciosas e relacionadas ao sono. Em 1962, Howard Lotsof, um jovem dependente de heroína, acabou descobrindo, por acaso, a iboga na África. Após uma viagem astral de 36 horas, relatou que perdeu o desejo de consumir heroína por completo. Em 1983, Lostsof relatou as propriedades antiaditivas da ibogaína e em 1985 obteve quatro patentes nos EUA para o tratamento de dependências de ópio, cocaína, anfetamina, etanol e nicotina. Fundou o International Coalition for Addicts Self Help e desenvolveu o método Endabuse, uma farmacoterapia experimental que faz uso da ibogaíne HCl, a forma solúvel da ibogaína. Através da administração de uma única dose, cujo efeito dura dois dias, haveria uma atenuação severa dos sintomas de abstinência e uma perda do desejo de consumir Remedios por um período mais ou menos longo de tempo.

Atualmente, a iboga é utilizada por curandeiros tradicionais dos países da bacia do Congo e na religião do Buiti na Guiné Equatorial, Camarões e, sobretudo, no Gabão, onde membros importantes das hierarquias políticas do país são adeptos do culto. Aproveita-se principalmente a casca da raiz, mas também se atribuem propriedades medicinais às folhas, à casca do tronco e à raiz. No Gabão, a raiz e a casca da raiz são encontradas facilmente nas farmácias tradicionais e nos mercados das principais cidades. A iboga pode ser utilizada sozinha ou em combinação com outras plantas - uma parte desse conhecimento permanece secreto. Segundo depoimentos que colhi nos Camarões em 2001, ela é empregada no tratamento da depressão, da picada de cobra, da impotência masculina, da esterilidade feminina, da AIDS e também como estimulante e afrodisíaco. De acordo com as crenças locais, seria eficaz, ainda, sobre as doenças místicas, como é o caso da possessão.
(...) A literatura científica sobre o tema é controversa. Sabe-se que a ibogaína produz perda do equilíbrio corporal, tremores, aumento da temperatura corpórea, da pressão e da freqüência cardíaca. Estudos com ratos e primatas demonstraram que a ibogaína em quantidade de 100 mg/kg é neurotóxica (a dose utilizada no tratamento de Lotsof é normalmente de 25 mg/kg). Ela é diferente de outros medicamentos, na medida em que é a única substância conhecida que age diretamente sobre o suposto mecanismo da dependência no corpo humano. Entretanto, não se conhece ao certo seu grau de eficácia e não existe nenhum estudo científico que comprove que a ibogaína cure a dependência química; há apenas evidências anedóticas.
Os tratamentos com ibogaína não são autorizados nos Estados Unidos, Reino Unido, França ou Suíça. Mesmo assim, têm sido adotados clandestinamente. No Panamá, a instituição liderada por Lotsof cobra 15 mil dólares; na Itália, o custo é de 2.500 dólares, e, nos EUA, o tratamento varia entre 500 e 2.500 dólares. Em Israel, a iboga está sendo pesquisada para uso no tratamento da síndrome de pós-guerra que afeta os soldados. De acordo com o médico italiano Antonio Bianchi, a ibogaína age sobre uma enorme quantidade de receptores neuronais. Sua característica fundamental é sua ação sobre a NMDA (N-metil-D-aspartate). Esses receptores estão presentes, sobretudo, em duas áreas: o hipocampo, que controla a memória e as recordações, e a sensibilidade proprioceptiva, parte responsável pela sensação que temos do nosso corpo físico. Se esses receptores forem bloqueados, a pessoa construirá uma imagem do "eu" que não está relacionada com o eu físico, ou seja, sentir-se-á fora do corpo. Este seria o mecanismo neurofisiológico da viagem astral, o ponto de encontro entre as concepções religiosas e as científicas. Nessas condições, o homem tende a construir aquilo que é definido como uma bird-eye image, assumindo uma projeção de si mesmo a partir de uma posição do auto - experiência também recorrente nos relatos da ayahuasca.
IBOGA - O básico
Iboga é a raiz em pó da planta tabernanthe iboga, que cresce nas florestas tropicais da África Central, especialmente no Gabão e no Congo. Contém doze alcalóides indólicos, sendo a ibogaína o mais importante. A ibogaína é um forte estimulante psicoactivo, o qual produz efeitos alucinogénios quando tomado em doses elevadas. As visões de iboga são multissensoriais, afectando todos os cinco sentidos. A algumas pessoas também permite encontros com o Divino. Entre a população nativa, a casca da raiz da iboga é mastigada durante as caçadas para permitir uma imobilidade e um estado de alerta durante dias, ou para possibilitar o contacto com antepassados durante os rituais de iniciação.
Efeitos :
Pequenas doses: brilhos ligeiros, aumento da sensibilidade e dificuldades motoras. Doses médias: brilhos ligeiros, aumento da sensibilidade, dificuldades motoras e introspecção de acontecimentos pessoais passados. Doses altas: brilhos ligeiros, aumento da sensibilidade, dificuldades motoras, introspecção de acontecimentos pessoais passados e encontros com estruturas arquétipas mais profundas ao nível do consciente. Esta trip pode durar até 24 horas!
Os cientistas ocidentais afirmam que o iboga diminui o desejo por substâncias que causam dependência, todavia este produto não é próprio para combater dependências sem ajuda profissional.

Preparação :
Embebe em água quente por meia hora. A bebida pode ser filtrada ou simplesmente tomada com as plantas. Algumas pessoas misturam-na com outras plantas, tais como a alchornea floribunda ou a canábis.
Dosagem :
Cultos nativos usam 2 ou 3 gr para as mulheres e 3 a 5 para os homens. Tomar no maximo 5 gr para efeito psicodélico. No culto dos nativos Bwiti, a Remedio é tomada de 2 maneiras: regularmente em pequenas doses antes e no princípio das suas cerimónias, seguida depois da meia-noite por uma dose mais pequena; e uma vez ou duas durante a iniciação ao culto, em doses excessivas de 1 a 3 cestas cheias, durante um período de 8 a 24 horas. Isto serve para "abrir a cabeça à pancada”, assim induzindo o contacto com os antepassados através de colapsos e alucinações.
Aviso :
Da primeira vez toma uma dose pequena (0.5 - 1 gramas) para testares a tua sensibilidade à iboga. Uma trip de iboga pode ser intensa e cada pessoa pode reagir de maneira diferente. Certifica-te de que alguém em estado sóbrio, preferivelmente experiente, está contigo para evitar qualquer acidente. Não uses em caso de: gravidez, depressão ou medicação, condução de veículos motorizados, idade inferior a 18 anos. Não mistures com outros estimulantes ou com álcool. Em caso de dúvida consulta o teu médico.
Efeitos :
Pequenas doses: brilhos ligeiros, aumento da sensibilidade e dificuldades motoras. Doses médias: brilhos ligeiros, aumento da sensibilidade, dificuldades motoras e introspecção de acontecimentos pessoais passados. Doses altas: brilhos ligeiros, aumento da sensibilidade, dificuldades motoras, introspecção de acontecimentos pessoais passados e encontros com estruturas arquétipas mais profundas ao nível do consciente. Esta trip pode durar até 24 horas!
Os cientistas ocidentais afirmam que o iboga diminui o desejo por substâncias que causam dependência, todavia este produto não é próprio para combater dependências sem ajuda profissional.

Preparação :
Embebe em água quente por meia hora. A bebida pode ser filtrada ou simplesmente tomada com as plantas. Algumas pessoas misturam-na com outras plantas, tais como a alchornea floribunda ou a canábis.
Dosagem :
Cultos nativos usam 2 ou 3 gr para as mulheres e 3 a 5 para os homens. Tomar no maximo 5 gr para efeito psicodélico. No culto dos nativos Bwiti, a Remedio é tomada de 2 maneiras: regularmente em pequenas doses antes e no princípio das suas cerimónias, seguida depois da meia-noite por uma dose mais pequena; e uma vez ou duas durante a iniciação ao culto, em doses excessivas de 1 a 3 cestas cheias, durante um período de 8 a 24 horas. Isto serve para "abrir a cabeça à pancada”, assim induzindo o contacto com os antepassados através de colapsos e alucinações.
Aviso :
Da primeira vez toma uma dose pequena (0.5 - 1 gramas) para testares a tua sensibilidade à iboga. Uma trip de iboga pode ser intensa e cada pessoa pode reagir de maneira diferente. Certifica-te de que alguém em estado sóbrio, preferivelmente experiente, está contigo para evitar qualquer acidente. Não uses em caso de: gravidez, depressão ou medicação, condução de veículos motorizados, idade inferior a 18 anos. Não mistures com outros estimulantes ou com álcool. Em caso de dúvida consulta o teu médico.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
USP TESTA SANTO DAIME NO COMBATE À DEPRESSÃO
USP TESTA SANTO DAIME NO COMBATE À DEPRESSÃO

Duas mulheres, com problemas crônicos de depressão e que não respondiam bem ao tratamento convencional, foram os primeiros pacientes voluntários de um estudo piloto aberto, pioneiro em todo o mundo, que vai testar a eficácia da ayahuasca – uma poção feita com o cipó Jagube e com a folha do arbusto Rainha, utilizada pelos adeptos do Santo Daime. O estudo que acompanhará, inicialmente, outros seis pacientes, é coordenado pelo professor Jaime Eduardo Cecílio Hallak, do departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP.
- Depois desse estudo com oito voluntários, vamos propor ao comitê de ética a ampliação até 60 pacientes. Os resultados com os dois primeiros casos foram fabulosos - garante Hallak. Ele conta que as pacientes chegaram tristes, deprimidas, sem iniciativa, desanimadas, sem apetite e com insônia.
- Demos a ayahuasca e elas ficaram em observação no hospital durante três dias, por questão de segurança.
O pesquisador conta que depois de tomarem a ayahuasca, as pacientes tiveram visões semelhantes às relatadas pelos usuários do Santo Daime. E também sensações e pensamentos de bem-estar. Essas visões e sensações duraram de 40 minutos a uma hora. E logo depois veio a boa surpresa.
- Aí fica o que chamo de efeito fabuloso: as pacientes não estavam mais tristes, nem deprimidas. De imediato, as duas senhoras, alegres, disseram que passaram a encarar a vida com novo ânimo.
Para Jaime Hallak, as sensações de alegria e bem-estar delas, que ocorreram rapidamente – equivalem ao resultado normalmente obtido com o eletrochoque – procedimento utilizado quando os demais não funcionam - mas depois de 5 a 6 sessões de aplicação.
- Nesse caso de uma dose única, cujo efeito perdura por quatro a cinco dias, é um dado importante. Como é um teste inicial, não demos as doses subseqüentes e elas voltaram ao tratamento convencional.
“Banho” de serotonina
O que aconteceu no cérebro delas?O pesquisador explica que a poção ayahuasca contém duas substâncias já conhecidas: uma delas é a dimetiltriptamina e a outra é a harmina.
- A harmina, por si só, já é um antidepressivo potente, mas leva de 15 a 20 dias para funcionar. Então o bem-estar imediato não é provocado por ela, mas pela dimetiltriptamina, que causa essas sensações.
Segundo o pesquisador, a substância “dá um banho” de neurotransmissor no cérebro - que é a serotonina - e o paciente tem aquelas visões e a sensação de bem estar.
- Os antidepressivos disponíveis atualmente aumentam a disponibilidade do neurotransmissor serotonina. Mas a dimetiltriptamina ‘inunda” o cérebro de serotonina e provoca de forma muito mais acentuada o mesmo efeito dos antidepressivos. Depois vem rápido o bem-estar: esse é o grande achado.
Interações
O próximo passo é delicado: será preciso começar a ajustar a posologia, determinando a dose que deve ser dada, de modo a evitar muitas visões, mas garantindo a melhoria da depressão e mantendo sempre a sensação de bem-estar.
A ayahuasca não tem contra-indicações formais, mas não deve ser usada fora do controle hospitalar e médico, como antidepressivo. Pode ser contra-indicada se a pessoa já estiver tomando antidepressivos, para evitar efeitos colaterais. Além disso, a substância harmina é inibidora de uma enzima que temos no organismo a MAO - monoamina oxidase. É a mesma substância encontrada em alguns antidepressivos, que exigem do paciente uma dieta especial. Nesse caso, para consumir a ayahuasca, o paciente precisa fazer uma dieta sem banana, presunto, queijo curado, entre outros alimentos que podem interagir negativamente com a substância.
Santo Daime
Hallak, médico formado na Universidade Federal de Uberaba - mas com carreira de pesquisador feita na USP, com pós-doutorado na Inglaterra, disse que não é praticante do Santo Daime. Mas depois de manter contato com os freqüentadores da igreja de Ribeirão Preto, o Centro Fluente Luz Universal Pedro Nunes Costa, conheceu histórias de pessoas que foram dependentes de álcool e drogas e que abandaram naturalmente o hábito.
- Dependência de drogas ou álcool está ligada a quadros depressivos. Daí veio a idéia de pesquisar a ayahuasca como antidepressivo, embora já existam estudos com outros grupos mostrando o abandono dessa dependência depois de entrar no Daime - lembra o especialista.
Paralelamente, o grupo de Ribeirão está fazendo parceria com um grupo do sul do país que estuda detalhes do mecanismo de atuação da ayahuasca em animais. Depois do término do estudo-piloto, com oito pacientes - todos voluntários- os resultados serão analisados. Para completar o grupo de 60 voluntários, será preciso localizar pacientes depressivos que não estão sendo beneficiados pelo tratamento atual e querem ajuda.
Alucinógeno
O Santo Daime, apesar de estar enquadrado como alucinógeno, não causa dependência. Mas o consumo é liberado pelo Ministério da Saúde apenas para uso religioso. Já o Ministério da Cultura, ainda na gestão Gilberto Gil, transformou o Santo Daime em patrimônio histórico nacional.
Jaime Cecílio Hallak observou que todas as pessoas que tomam ayahuasca - seja na igreja ou no laboratório - têm as mesmas visões simbólicas ligadas a questões da natureza, com imagens de espíritos e seres da floresta.
- A pessoa não perde a consciência nem o controle e sabe que está tendo as visões.
Doença já é a quarta causa de incapacitação no mundo
Em 2020 a depressão será a segunda causa de incapacitação no mundo, segundo previsão da Organização Mundial da Saúde.
Hoje é a quarta causa - lembra o psiquiatra Silvio Luiz Moraes, chefe da equipe da Enfermaria de Psiquiatria do HC de Ribeirão Preto.
Ele admite que tem ocorrido mais casos da doença e que aumentou o número dos pacientes refratários aos tratamentos convencionais.
Jaime Hallak acredita que os critérios em diagnóstico melhoraram muito. Mas também existem evidências de que está aumentando o número de casos de depressão, por questões psicológicas da sociedade moderna.
E comemora que diminuiu o preconceito.
- Só da gente conversar sobre depressão para um jornal, mostra que as pessoas não têm mais vergonha de falar que vão a um psiquiatra. Hoje até parece que é status: eu vou lá no meu psiquiatra. Um dia estava conversando com um rapaz e ele falou: “tenho meus dois médicos, meu psiquiatra e meu terapeuta”.
Múltiplas
As causas das doenças psiquiátricas são consideradas multicausais.
- A pessoa pode ter uma predisposição genética, mas não é suficiente para determinar que a pessoa ou o filho dela terá depressão. Mas aumenta a chance desse filho ter o problema em comparação com o filho de uma pessoa que não tem depressão. Mas só isso não é suficiente para explicar- disse.
Segundo o pesquisador, é preciso a ocorrência de eventos na vida da pessoa “que propiciem essa carga genética de se expressar. E essa expressão dessa carga genética, significa que você tem um desequilíbrio bioquímico”.
Mas não é só ele: por isso, tratar depressão não é só dar remédio, diz o médico. “Acho imprescindível, além do tratamento medicamentoso ou biológico, fazer o acompanhamento psicoterápico.”
Doença crônica
A depressão é uma doença crônica: antigamente se acreditava que ocorreriam apenas episódios.
- Hoje em dia, pode ter gente que não concorda com essa visão, acredito que a depressão é recorrente. Quem teve um episódio, tem chance grande de ter um segundo episódio. Quem teve um segundo, quase certamente terá um terceiro; quem teve um terceiro, certamente terá um quarto episódio; cada episódio aumenta o risco: isso é biológico, não é psicológico. Por isso também não posso tratar depressão só com psicoterapia. Tem que tomar as medicações e fazer os tratamentos biológicos, afirmou o pesquisador Jaime Cecílio Hallak.
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