Além de entorpecido pelo discurso oficial, que forja consensos para justificar o injustificável da proibição de algumas substâncias psicoativas, o universo das drogas é cercado por diversos mitos, que ninguém sabe ao certo de onde vieram e nem temos muitos argumentos para questioná-los. Semente de maconha dá dor de cabeça? Aconteceu de verdade o verão da lata? LSD tem anfetamina? O crack foi fabricado pelo governo dos EUA?
Algumas dessas questões podem ter resposta afirmativa, outras não, outras podem nem ter resposta. Nosso objetivo neste caso é apenas questionar. Para inaugurar a seção – que não terá peridiocidade definida – fomos atrás de informações para saber se os docinhos vendidos por aí contém ou não anfetamina. Confira, sugira novos mitos, participe com a gente do processo de desentorpecimento da razão.
BLOTTER DE LSD-25 COM ANFETAMINA?

Como muitos já ouviram, corre o boato de que os “blotters” (papel absorvente) de LSD-25 (dietilamida do ácido lisérgico), o popular “doce”, vendidos nas ruas contém anfetaminas (ou fenilisopropilaminas). Isso porque, diversas vezes, quando tomam a substância, alguns usuários relatam um gosto amargo (LSD-25 não tem gosto) e sentem o efeito “speed” semelhante ao provocado pela ingestão de anfetaminas. Assim, de cara, a maioria compra a ideia e sai replicando tal informação. Dessa maneira nascem os mitos, e aos mais inquietos resta à investigação. Com isso, este post objetiva desconstruir e enterrar de uma vez por todas a “lenda do “blotter” de LSD com anfetamina”, contribuindo para o desentorpecimento da razão.
Para começar, vale apresentar a substância em questão. LSD-25, prazer! Sintetizado a partir do ácido lisérgico, que, por sua vez, é fruto do “ergot” (fungo do centeio), pela primeira vez, em 1938, pelo químico Albert Hoffman, acabou proibido vinte e dois anos depois – também pode ser sintetizado a partir da “morning glory”. Trata-se de um psicoativo poderoso, que de acordo com o historiador Henrique Carneiro, em sua “Pequena Enciclopédia da história das drogas e bebidas”, pg 169: “foi objeto de pesquisa secretas da CIA e o dos exércitos do mundo, que se impressionaram com a capacidade de se produzir efeitos mentais tão avassaladores com quantidades tão ínfimas, pois com 100 gramas pode-se obter mais de 1 milhão de doses.” Assim, a dose do LSD é medida em microgramas e, para termos ideia, as doses de anfetamina são medidas em uma escala mil vezes maior, os miligramas.
Desconstrução do mito
Pois bem, vamos às evidências que apontam para a quebra do mito. Segundo Rafael Guimarães dos Santos, doutorando em Farmacologia pela Universidade Autonoma de Barcelona: ”…doses de anfetaminas são em miligramas, a superfície do blotter seria muito pequena para doses efetivas de anfetaminas, ainda mais por via oral”. Então, não tem porque não cabe? A resposta poderia ser fácil assim, mas não é. Rafael completa: “…embora o “blotter” seja uma superfície pequena, poderia ser o veículo de doses muito pequenas de anfetaminas”. Segundo estudo publicado no site da revista Nature , uma dose baixa de anfetamina para o homem seria de 0.25 MG/KG, ou 17.5 mg para alguém pesando 70kg – muito além da capacidade de um ‘blotter” que vemos por aí e cem vezes maior do que uma dose regular de LSD, contendo 170 mcgs. Sendo assim, é possível carregar anfetaminas em um “papelzinho”, mas a dose seria tão pequena que não causaria qualquer reação no usuário, não seria uma “dose efetiva”. Mas e o efeito “speed”, o que o provocaria? “Como a maioria dos alucinógenos, o LSD pode produzir ansiedade e estimulação, assim como as anfetaminas. Claro que estas substâncias (os alucinógenos) possuem outras características que as diferenciam das anfetaminas…” , afirma o farmacologista. O site www.erowid.org, um dos maiores e mais respeitados acervos virtuais sobre psicoativos, lista os seguintes efeitos negativos do LSD, que podem ser confundidos com efeitos causados por anfetaminas:
- ansiedade
- tensão muscular e nas mandíbulas
- aumento na transpiração
- dificuldade em regular a temperatura do corpo
- insônia
- tontura, confusão
- megalomania
- paranóia, medo e pânico
(retirado de: http://www.erowid.org/chemicals/lsd/lsd_effects.shtml)
Então, frente ao quadro, o “blotter” de LSD encontrado nas ruas muito provavelmente não apresenta anfetaminas. Afinal, não faria o mínimo sentido um traficante colocar micro-doses do psicoativo em seu “doce”, já que não causaria efeito algum e ainda encareceria o custo da produção.
Mas e o gosto amargo, de onde vem? Uma das explicações mais aceitas, também dando conta do efeito “speed”, aponta para certas impurezas que podem “infectar” o processo de fabricação do LSD, que é muito trabalhoso. Durante seu período na legalidade, grandes laboratórios como o Sandoz (www.sandoz.com) desenvolviam a substância, que precisa de cuidados especiais para ser sintetizada. O próprio Hoffman, em seu livro “LSD, minha criança problema”, (download aqui) pg 35, relata:
“O LSD é muito sensível ao ar e à luz. É oxidativamente destruído no ar pelo oxigênio e é transformado em uma substância inativa sob a influência da luz. Isto deve ser levado em conta durante a síntese e especialmente durante a produção de uma forma estável e estocável de LSD. Informações de que o LSD pode ser facilmente preparado, ou que todo estudante de química em um laboratório meio-decente é capaz de produzir isto, não é confiável. Procedimentos para a síntese do LSD foram realmente publicados e ficaram acessíveis a todo mundo. Com estes procedimentos detalhados na mão, químicos poderiam executar a síntese contanto tivessem ácido lisérgico puro à sua disposição; hoje, porém, sua posse está sujeita aos mesmos regulamentos rígidos como o LSD. Para isolar o LSD na forma cristalina pura a partir da solução de reação de maneira a produzir preparações estáveis requer, todavia, equipamentos especiais e uma grande experiência específica adquirida que não é facilmente obtida, e isto se deve (como declarado anteriormente) pela grande instabilidade desta substância”.

Ou seja, quando caiu na ilegalidade, em 1966, o LSD-25 despencou em qualidade – talvez até tenha se perdido. Na tentativa de sintetizar tal substância, muitas vezes um químico pode chegar a outros derivados do “ergot”. Hoffman e outros, em suas experiências, descobriram “primos” do LSD. Vale lembrar que o LSD-25 é uma molécula única e qualquer mudança no processo pode resultar em outras substâncias como o ALD-52, MLD-41, iso-LSD e etc. Elas seriam parentes “mais fracas” da “criança problema” de Albert Hoffman. Além disso, mesmo com sucesso na fabricação, o armazenamento do LSD teria que ser muito cuidadoso. Visto que se trata de uma molécula instável, os laboratórios que o fabricavam armazenavam suas amostras em frascos fechados a vácuo, em gás nitrogênio. É difícil imaginar que tais cuidados seriam tomados nas famosas biqueiras que hoje comercializam o que chamam de “doce”.
Michael Hollinshead, o homem que proporcionou a primeira viagem lisérgica ao guru da psicodelia Timothy Leary, publicou em seu livro “The man who turned on the world”: “Há agora – 1968 – pouco ácido bom por aí – e o que havia – o assim-chamado “street acid” vinha da Califórnia. Havia alguma coisa errada com a síntese; ele não era puro. E você nunca tinha certeza do que estava realmente usando, então eu só tomei naquelas raras ocasiões quando alguém me dava “Sandoz” ou ácido “cristal” …
Minha avaliação não tem nada a ver com a idéia de que uma droga totalmente sintética produz uma experiência totalmente sintética – a reação intelectual – mas foi baseada em experiência direta, de primeira mão (ao redor de 30 viagens com o “street acid” no total. E em cada sessão eu sentia que havia alguma coisa faltando – era muito elétrico, muito “speedy” e perturbava muito a mente. A claridade inicial do Insight que obtive com o ácido da Sandoz, foi substituído por confusão, debilidade, palavras e mundos através de um desmembramento absoluto, ou até caos completo, ainda que eu deva acrescentar, ligado freqüentemente com um sentimento que só posso descrever como uma sublime presunção, uma super abundância de energia emotiva mas isto não significa mais que uma chama apaixonada, muito menos o sol criador-vida.”
Retirado de um artigo de Bruce Eisner, na revista High Times, publicado em janeiro de 1977.
No mesmo artigo, vale conferir o diálogo entre um preocupado Leary e o então senador Ted Kennedy.:
Senador Kennedy do Massachusetts : “O que é que há na qualidade que te deixa alarmado?”
Dr. Leary : “Nos não queremos amadores ou venda no mercado negro ou distribuição de LSD.”
Senador Kennedy: “Por que não?”
Dr. Leary : “Ou os barbitúricos ou bebidas alcoólicas. Quando você compra uma garrafa de bebida-”
Senador Kennedy : “Isto não é uma resposta. Quanto ao LSD, por que você não o quer ?”
Dr. Leary : “Estar de posse?”
Senador Kennedy: “Por que você não quer a fabricação e a distribuição indiscriminada? Isto é porque é perigoso?”
Dr. Leary : “Porque você não sabe o que está comprando…”
Para ler na íntegra o texto sobre a pureza do “ácido das ruas” na década de 70, em inglês, acesse o site do ex-editor da revista americana . Para aqueles que não lêem na língua do Tio Sam, aqui vai uma tradução, parece bem feita. Boa leitura, pois, além de discutir a pureza da substância no mercado paralelo, também esclarece alguns pontos do processo de fabricação do LSD e o porquê dele ser tão complicado de sintetizar:
“A produção dos precursores necessários é um longo processo, e podem surgir várias situações onde ocorrem impurezas. Durante a preparação do principal precursor – monohidrato do ácido lisérgico – vários alcalóides do ergot e cicloalcamidas do ácido lisérgico, contaminarão o produto final se não forem removidos adiante através de procedimento cromatográfico adequado. E os contaminantes que vão aparecer dependerão de qual material de partida foi usado; ergot, tártaro de ergotamina ou semente de morning glory. E uma vez que estes precursores tenham sido sintetizados corretamente em LSD, vários isômeros e Lumi-LSD (LSD saturado com água), podem contaminar o produto final se não forem retirados com os métodos de cromatografia.
Portanto, a cromatografia, um método altamente refinado que os químicos orgânicos usam para isolar substâncias específicas, é o processo chave pelo qual as impurezas podem ou não ser removidas do cristal final de LSD.”
Estudo da PharChem – pureza do LSD-25 vendido nas ruas entre 1972 e 1974
Como vivemos em uma realidade proibicionista, o acesso e a realização de estudos a respeito dessa e de outras substâncias ilegais são raros. O www.erowid.org possui duas pesquisas sobre a pureza do LSD norte-americano na década de 70. Como o primeiro estudo apresenta um número limitado de amostras e poucas em forma de “blotter”, vamos nos atentar ao segundo, que traz dados sobre testes realizados entre 1972 e 1974 pelo grupo de testes PharChem , de Palo Alto, Califórnia. Para facilitar o entendimento, isolamos apenas as amostras em “blotter” para fazer um balanço. Das 77 amostras em “blotter”, uma apresentou a mistura entre LSD e PCP (Fenciclidina), outra apenas DOM ( 2,5-dimetoxi-4-metil-anfetamina, também conhecida como STP) sem presença de LSD, e as outras 13 apresentaram LSD e iso-LSD em um mesmo “blotter”. Entre todas as amostras analisadas, “blotters” e outros formatos, apenas 3 apresentaram a presença de anfetaminas, nenhuma em “papelzinho”, provando que as amostras foram testadas para verificar a presença de tal substância. A primeira se tratava de uma cápsula, que possui capacidade extremamente maior do que um “blotter”, apresentando LSD e anfetamina. A segunda era em forma de pó e só possuía anfetamina. Já a terceira se tratava de um tablete, também maior do que um “doce”, com anfetamina e PCP. Vale ressaltar que testes como esse não detectam as “impurezas” que podem infectar o processo de síntese do LSD-25. Bruce Eisner explica, em seu artigo para a High Times de janeiro de 1977:
“Em uma carta pessoal, Dr. Alexander T. Shulgin, professor de toxicologia da universidade de Berkeley, Califórnia, comentou, “na análise habitual do LSD (como a feita na PharmChem Foundation), faz-se a cromatografia de um extrato da droga sob suspeita, observa-se o resultado da separação sob luz UV e então borrifa-se a placa com algum foto-reagente como o dimetilaminobenzaldeído (PDAB). Se houver impurezas que fluorescem (como o ácido lisérgico ou o iso-lisérgico) e que se deslocam na separação cromatográfica, estes serão vistos. Se as impurezas apresentarem o átomo indol-2-hidrogênio intacto, ocorrem cores entre o azul e o roxo.
Ambos os testes, exigem é claro, que haja quantidades suficientes para serem vistas. Mas se a impureza não fluoresce (como acontece com o Lumi-LSD e as foto-substâncias adicionadas) ou não reagir com o PADB (como aconteceria com duas impurezas substitutas, como 2-oxo-ergots), então as impurezas permaneceriam invisíveis. É completamente possível que uma amostra de LSD poderia estar contaminada grosseiramente com impurezas e, se não acusassem em nenhum destes testes, é provável que sua presença nunca tenha sido suspeitada.”
Realidade perturbadora
Além da muito aceita explicação das impurezas para o gosto amargo, existe outra teoria, popular em fóruns virtuais mundo afora, que também faz sentido e, ao mesmo tempo, assusta qualquer usuário. Ela diz que os “blotters” de LSD-25 vendidos no mercado ilegal, na verdade, não se tratam de LSD, mas de outras substâncias que nem são originárias do “ergot, como a DOB (2,5-dimethoxi-4-bromoanfetamina) e a DOI(2,5-dimethoxi-4-iodoanfetamina). Elas são conhecidas como “cápsula do vento” (quando em cápsulas) e pertencem a “família” da MDA, cujo filho mais conhecido é o “ecstasy” (MDMA). Ambas também são vendidas no formato de “blotters”, apresentando baixa dosagem efetiva (maior que o LSD-25 e menor que a anfetamina, ver quadro após o texto), possuem gosto amargo e trazem efeitos alucinógenos semelhantes aos do LSD. O grupo a qual pertencem é chamado de “anfetaminas psicodélicas”- não confundir com anfetamina, pois a dose efetiva desses psicoativos é extremamente menor. São da mesma “família”, mas dizer que são equivalentes seria como, em comparação grosseira, igualar o crack a cocaína pelo simples fato de se originarem da mesma matéria prima. Vale ficar atento, pois DOB e DOI são substâncias similares entre si e com elevado grau de toxicidade, ao contrário do LSD-25, que é praticamente inofensivo ao organismo.
Blotter de DOB, vai dizer que não engana? Retirado de www.erowid.org
Dada a dificuldade em fabricar LSD-25, o mercado paralelo pode se aproveitar da obscuridade gerada pelo proibicionismo e vender outras drogas, de manuseio mais fácil, como se fossem LSD. O usuário, sem saber, pode ingerir uma substância letal, quando usada em grandes quantidades. O principal dano de alteradores de consciência, como nas anfetaminas, é causado no sistema vascular, ou seja, se tomar um “doce”, sentir um gosto amargo e dormência nas extremidades ou até mesmo dor nas articulações, procure um médico e apresente overdose de DOB e DOI como uma das possibilidades da causa de seus sintomas. Além disso, se sentir desconforto nos olhos e/ou no corpo todo, espasmos e dor nas costas (umas puxadas), é quase certo que ingeriu DOB ou DOI. Fique atento!
Conclusão
Anfetamina no “doce”? Nem pensar! Tudo indica que esse é mais um “narco-mito” que ecoa e ganha vida devido à falta de informações e pesquisas sobre psicoativos. Mas calma lá. Não vá sair falando que é impossível colocar anfetaminas em um “blotter”, é possível, mas a quantidade não causaria qualquer efeito no usuário. Dificilmente um traficante comercializaria a mistura, pois ela só encareceria o processo de fabricação e não traria nenhum benefício. Para os mais chatos, sim, se alguém fizer um “blotter” bem maior do que o usual – cerca de 15 vezes maior – ele poderá carregar doses efetivas de anfetamina. Ou seja, analisando o quadro, se sentir um gosto amargo e o “papelzinho” estiver mais para “papelzão”, desconfie, pois, como sabemos, o verdadeiro e único LSD-25 é inodoro, incolor, sem sabor e não pede plataformas grandes, já que suas doses são microscópicas, pesando praticamente o mesmo que um grão de areia. Para ele, tamanho definitivamente não é documento.
Infelizmente, ao que tudo indica, os usuários, atualmente, ou ingerem “LSD impuro” ou levam outra droga no lugar do filho de Hoffman. O verdadeiro LSD-25 morreu com a sua proibição. Um químico, na clandestinidade, por mais que quisesse fabricar o verdadeiro “ácido”, precisaria de equipamentos caros para produzir, estocar e veicular a substância no mercado. Se alguém tiver acesso a algum “doce” em embalagem farmacêutica fechada a vácuo ou revestido por alguma camada protetora antioxidante, aí sim, grandes chances de ser o puro LSD. Porém, está para circular algo semelhante nas ruas. Aos entusiastas da droga, vai um aviso: talvez você nunca tenha tomado o verdadeiro LSD-25. Com tudo isso, quem perde é a neurociência, a psicanálise e o conhecimento humano de um modo geral.
| Dose DOB via oral | |
| Limiar | 0.2 mg |
| Leve | 0.2 – 0.75 mg |
| Comum | 0.75 – 1.75 mg |
| Forte | 1.75 – 2.5 mg |
| Pesado | 2.5 – 3.5 mg |
| Overdose | 3.5 + mg |
| Dose LSD via oral | |
| Limiar | 20 ug |
| Leve | 25 – 75 ug |
| Comum | 50 – 150 ug |
| Forte | 150 – 400 ug |
| Pesado | 400 + ug |
| Dose letal | 12,000 ug |
*a “dose letal” matará 50% dos animais testados.Retirado de www.erowid.org.

O Sativex, medicamento a base de extrato de cannabis, tem ganhado cada vez mais espaço em tratamentos pela medicina convencional em países por todo o mundo. Desde que foi aprovado no Canadá, a eficácia dos testes em tratamentos contra dores neuropáticas e em pacientes que sofrem de câncer e AIDS, vem estimulando países de todo o mundo a permitir o uso deste medicamento sob certas condições especiais e para um tipo específico de paciente. Para cada dose do remédio (aplicado sob a forma de sprays orais) temos 2.7mg de THC e 2.5mg de cannabidiol, canabinóides que formam as bases dos princípios ativos do medicamento.
exarcebados e perigosos do que os efeitos provocados pela maconha.
Os efeitos farmacológicos do Sativex são dose-dependentes e estão sujeitos a consideráveis variações entre os pacientes. A absorção através de sprays bucais são semelhantes a inalação através do fumo porém a intensidade dos efeitos é ainda maior. Como exemplo, a dosagem recomendada para esclerose múltipla estabelece que o paciente inicie com um spray a cada 4 horas com um máximo de 4 dosagens no primeiro dia.
Alguns efeitos psicológicos advindos da ingestão de THC pode ocorrer, tais como, ansiedade e disforia e uma possível dependência. O surgimento de efeitos indesejáveis está relacionado a fatores como a dosagem do medicamento, uso de outras drogas ou aparecimento de outras doenças concomitantemente. O risco-benefício do uso deste medicamento deve ser avaliado para cada paciente individualmente, pois a resposta as doses variam de pessoa para pessoas em termos de eficiência e tolerância.
Depois da conquista do México em 1521 uma série de cronistas espanhóis, dos séculos XVI e XVII, fazendo referência as práticas religiosas dos astecas e de outros grupos indígenas, descreveram o uso ritual de umas sementes enteogênicas chamadas ololiuhqui “coisas redondas”. Se afirmava que as sementes procediam de uma planta chamada coaxihuitl ou coatlxoxouhqui “planta serpente” ou “serpente verde”. A planta aparecia ilustrada no Codex Florentino de Sahagún, e pertenciam de forma inconfundível a família das Convulvulaceae, a família da enredadera e dos dondiegos de dia (Hernández 1651; Hofmann 1980; Sahagún 1950; Sahagún 1982; Schultes e Hofmann 1980; Taylor 1944; Taylor 1949; Wasson 1963). Sahagún descrevia o uso das sementes ololiuhqui em diversos rituais e em fitoterapia como tratamento tropical contra a gota, combinado com fungos (hongos) enteogênicos (veja capítulo 5), diversas espécies de Datura (ver apêndice A) e outras plantas. Para o tratamento da “febre aquática”, que se supõe ser a malária ou outra enfermidade similar, os médicos astecas prescreviam a ingestão de um super-enteógeno que consistia da combinação de sementes ololiuhqui, peyote (ver capítulo 1), fungos (hongos) enteogênicos e espécies de Datura (Sahagún 1950; Sahagún 1982).
Reko havia enviado com anterioridade sementes ololiuhqui a C.G Santesson da Suécia, quem confirmou sua psicoatividade, mas foi incapaz de isolar o princípio ativo (Santesson 1937ª; Santesson 1937b; ver também capítulo 5, nota 6). Os resultados dos trabalhos de Santesson indicaram a hipotética presença de um glucoalcaloide ativo na droga. Um quarto de século mais tarde, dois grupos de investigadores (incluindo W.B.Cock, a serviço da CIA no projeto MKULTRA; ver capítulo 5, nota 8) isolaram de forma independente um glucósido, a turbicorina, a partir das sementes da Turbina Corymbosa (Cock e Kealand 1962; Pérezamador e Herrán 1960). Posto que este glucósido não está presente nas sementes da Ipomoea Violacea, que são ainda mais potentes, se considera que não contribuem em grande medida ao efeito psicofarmacológico das sementes do dondiego (Hofmann 1963ª), embora mostrou leves indícios de atividade em uma dose oral de 30mg (Hoffer e Osmond 1967). Em alguns dos primeiros estudos que se realizaram sobre os efeitos do ololiuhqui, baseados em autoexperimentos, seus autores duvidaram das propriedades enteogênicas destas sementes (Kinross-Wright 1959; B.P.Reko 1934). Em 1955 foram levadas a término uma série de autoexperimentos que permitiram estabelecer claramente as propriedades enteogênicas das sementes da Turbina Corymbosa (Osmond 1955) (11). Foi no verão de 1959 quando R.G.Wasson (um investigador estadunidense que estava estudando os cultos dos fungos [hongos] sagrado mexicanos; ver capítulo 5) enviou uma pequena amostra (21g) das sementes de ololiuhqui a Albert Hofmann da Sandoz, junto com uma quantidade maior (204g) de umas sementes relacionadas, conhecidas na zona Zapotéca do México com o nome de
badoh negro, para distingui-las do badoh ou autêntico ololiuhqui (Hofmann 1963ª; Wasson 1963). A segunda mostra de sementes foi identificada como pertencente a espécie Ipomoea violacea (sinônimos: I.rubro-caerulea, I.tricolor), outro dondiego cultivado como planta ornamental. O uso das sementes de I.violacea por parte dos índios zapotecas como substituto das de T.corymbosa foi descoberto por T.Macdougall, publicando seu achado em 1960 (Macdougall 1960). Wasson sugeriu que a I.violacea podia ser a droga conhecida pelos astecas como tlitliltzin (“coisas negras sagradas”; Wasson 1963), e pelos maias como yaxce´lil (Garza 1990). Tanto I.violacea como T.corymbosa seguem sendo usadas como embriagantes chamânicos no México, por exemplo, entre os índios mixe de Oaxaca. A Ipomoea violacea é conhecida popularmente no México como quiebraplato, nome que provem da palavra em língua mixe piH pu´ucte.sh ou “flor del plato roto”. (Lipp 1990). Os mixe consideram que a I.violacea é mais potente que a T.corymbosa (o que foi corroborado pelas análises químicas; ver abaixo), pelo que preparam uma infusão da primeira em água fria, utilizando para isso 26 sementes que são moídas na metade por uma virgem (prática que Wasson pode presenciar entre os zapotecas em 1963; igualmente os mixtecas o serviram o jugo dos fungos [hongos] enteogênicos triturados por uma virgem em 1960, ou o jugo da planta Salvia divinorum também preparado por uma virgem mazateca em 1962; Wasson 1963). Antes de servir a infusão das sementes do dondiego, os índios mixe, zapotecas e mazatecas invariavelmente filtram os restos sólidos através de um pano.
Com as pequenas mostras iniciais de ambas sementes, Hofmann pôde determinar a presença de alcalóides indois (indólicos) nelas, o que o motivou a pedir a Wasson quantidades maiores que o permitiram isolar os princípios ativos. A princípios de 1960 Wasson o enviou 12 kilos de sementes de Turbina corymbosa e 14 kilos de sementes de Ipomoea violacea (Hofmann 1963a). Wasson havia obtido as sementes com a ajuda do eminente antropólogo Robert Weitlaner, e sua filha Irmgard e Thomas MacDougall. Antes de terminar este ano, Hofmann e seus ajudantes conseguiram isolar e identificar os princípios ativos. O constituinte principal de ambas as espécies resultou ser a amida de ácido d-lisérgico ou ergina (LSA-111). Encontraram-se também quantidades menores de isoergina, chanoclavina e elimoclavina. Além de traços de lisergól e de ergonovina na T.corymbosa e I.violacea respectivamente (Hofmann 1961, Hofmann 1963a, Hofmann e Tscherter 1960). Posteriormente se viu que parte da ergina e isoergina se encontravam na planta em forma de N-(1-hidroxetil) amidas, que se hidrolizavam facilmente para dar a ergina e isoergina (Hofmann 1971). A concentração total de alcalóides se estimou em 0,012% na Turbina Corymbosa e em 0,06% na Ipomoea violacea (Hofmann 1963a). O leitor atento recordará que a ergonovina foi o terceiro alcalóide que se conseguiu isolar do cornezuelo. A ergina e a isoergina já haviam sido sintetizadas e ensaiadas nos laboratórios Sandoz nos anos 40, comprovando-se sua psicoatividade na mesma série de investigações que foram levadas a cabo com o LSD. Ambos compostos foram encontrados também no cornezuelo que infecta a erva silvestre Paspalum (Arcamone et al 1960). A chavoclavina e a elimoclavina haviam sido também isoladas anteriormente do cornezuelo que parasita os gêneros Pennisetum e Elymus (Abe et al. 1955; Hofmann et al. 1957), enquanto que o lisergól só havia sido obtido como derivado artificial dos alcalóides do cornezuelo (Hofmann 1963a). No seu livro sobre as aplicações psicoterápicas dos enteógenos, Roquet e Favreau qualificam erroneamente a ergina de “glucósido com uma função amida”, baseando-se em antigos informes de Santesson (Santesson 1937a; Santesson 1937b) e o posterior isolamento do glucósido turbicorina das sementes da T.corymbosa (Cook e Kealand 1962; Pérezamador e Herrán 1960; Roquet e Favreau 1981).

Hoje é um grande dia para o rumo da história canábica. Como todos sabemos, os californianos estão indo às urnas para votar, dentre outras coisas, sobre a legalização da maconha da Prop 19. A Hempada preparou 10 abordagens sobre ela, pra matar sua larica de curiosidade. Infelizmente um acompanhamento ao vivo, que alguns sonham, não é possível. Lembrem-se que lá o voto é no papel e não na nossa tão sagrada e secreta "urna eletrônica".
George Soros. Apesar de ter sido a maior das doações, Soros foi um tanto quanto sequelado, já que deixou para doar uma semana antes da votação.
4. Maconheiras de Salto Alto - Aí sim...

